Cláudia Paiva Silva

Sunday, March 29, 2020

Hora de Verão
March 29, 20200 Comments
E assim foi. Na madrugada passada, entre uma hora e outra, acertaram-se os relógios e dizem os peritos que estamos no horário de verão. Seria idílico não fosse a ironia de os dias tornarem-se maiores para agudizar ainda mais as gentes que começam a acusar cansaço de um confinamento forçado e sem quaisquer perspectivas de término. E se há dias que parecem mais fáceis e rápidos, outros há em que não se encontra uma única vontade extra de ânimo, uma inspiração ao trabalho que se possa fazer por casa, nem uma fotografia, nem um livro, apenas palavras, ideias desconexas num cérebro à ruptura por excesso de informação, pensando no tempo que se perdeu antes, "antes", com outras coisas que afinal, nada parecem interessar. Agora, para cúmulo, ainda temos mais uma hora diurna, arrastando a luminosidade que, no início do ano, queria tanto que chegasse. Pensei imensas vezes que seriam Abril e Maio os meses para fotografar, pensei nas árvores que já estivessem em flor, os jacarandás da cidade, os cheiros e o céu a ficar cada vez mais azul à medida que a temperatura começasse a subir. Seriam os meses que iriam iluminar tudo, e que tornariam o ano ainda maior na promessa de grandeza que trazia. Na promessa apenas. 
Continua em mim o pêndulo entre o espanto e abalo, e a realidade consumada, aquilo que às vezes acho que é simplesmente mentira e que daqui a pouco irá passar, e a certeza que afinal irá durar muito mais tempo do que aquele que todos julgávamos. Uma guerra de silêncio, de afastamento. E agora também uma guerra contra aquilo que mais amava. A liberdade dos dias compridos, esticando-se para lá da noite, com vontade para aquele passeio mais tardio, um copo de vinho e um jantar, mesmo que não fosse esta a ordem. E ver o mar. 
De tudo, o que esta hora de verão me relembra num martelar constante, é que o mar, mesmo aqui à minha porta, me é negado numa inacessibilidade cáustica. Se não tenho nada "lá a fazer" o acesso é-me negado pela auto-prudência de quem teme a possível doença. Só que o mar em mim sempre foi cura.
O "tudo irá regressar ao normal" não me encherá a alma por estes tempos, nem tão pouco o passar das horas, agora num vagar mais comprido e estival. Os dias ainda não estão quentes, mas em breve irão ficar. Terão certamente de ficar. E a hora de Verão continuará a ser celebrada como se nada se passasse no Mundo. E na verdade, ao certo, será que o que se passa não é apenas insatisfação. Continuo, continuamos a pensar em liberdade quando claramente esta não nos é actualmente destinada. Deixemos então o planeta fazer o seu pousio entre as estações do ano, num calendário descompassado ao do ritmo humano, estabelecendo o lugar de cada coisa numa escala hierárquica que nos é ainda desconhecida. Seremos todos meros observadores desta vez, sem qualquer tipo de estrago propositado. O assombro, esse, irá certamente continuar. 

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Thursday, March 26, 2020

Diferentes formas de vida
March 26, 20200 Comments

Talvez seja altura de parar com a poesia.
Depois do choque inicial, da rapidez com que tudo aconteceu, quando começa a haver excesso de informação horário (às vezes minuto a minuto) e para lá do romantismo que podemos ver inicialmente em tudo, desde os sinais do universo, às mais nobres profissões que estão lá fora para que nós fiquemos cá dentro, há que perceber uma única coisa: o tempo pode ter parado sim, mas as nossas vidas nem tanto.
Em poucos dias algumas empresas e muitas pessoas tiveram de se adaptar rapidamente a uma nova realidade e a uma diferente forma de estar e viver:  tele-trabalho, aulas via internet, prestar atenção e ajudar filhos e família quase 24 horas por dia, exercitar os métodos de compras online (perdendo todo o receio que antes havia para o fazer), exercício físico em casa, tudo mudou para grande parte da população. Os conceitos de proximidade física com o outro alteraram-se à mesma velocidade com o que os conceitos de proximidade familiar se estreitam. Nunca em tantas décadas houve tanta gente a viver debaixo do mesmo tecto, tal como nunca em tantos anos pais estiveram tão próximos dos filhos - da mesma forma que nem nunca avós e netos tiveram de estar separados ou pessoas tiveram de ficar totalmente sozinhas e isoladas. A ordem natural das coisas como estávamos habituados mudou e as suas consequências só poderão estar visíveis talvez a médio ou longo prazo.
Posto isto, de que forma o isolamento quase obrigatório, a quarentena (o esperar que possam surgir quaisquer sintomas de doença), o estar e ficar literalmente em casa mudou a nossa real forma de ser e de estar na vida?
Estranhamente ou não, para aqueles que faziam do seu espaço mais íntimo local de trabalho, esta situação parece não ser confortável - a clausura habitual poderia ser pautada com saídas, reuniões pontuais com colegas, jantares com amigos, e sim, um ritmo de trabalho e produtividade dentro dos padrões normais. Agora, a "obrigação" torna-se um peso e a desconcentração parece imperar.
Já para aqueles, como eu, habituados à rotina diária de trabalhar num escritório (ou outro espaço fora de casa), a questão coloca-se de outra maneira. Poderá haver maior tentação para a distracção, mas acho que é exactamente isso que nos leva a trabalhar por vezes muito mais - um esforço extra que, se antes era não era visível pelo número de idas às copas ao longo do dia, agora nem sequer nos passa pela cabeça. No meu exemplo, estar na minha zona de conforto, com toda a "minha tralha" em redor faz-me pensar que quanto mais cedo me despachar (mesmo que acabe por ganhar mais vontade para trabalhar e ver mais calmamente coisas que se calhar estando no escritório não veria) mais depressa vou ler aquele livro adiado, ou fazer aquela pintura que tanto ando a imaginar. Não acredito que haja menos responsabilidade tal como não acredito que os trabalhadores não respondam às solicitações que lhes possam ser feitas estando em casa - sinto-o até como uma forma de auto-defesa - há que mostrar aos nossos colegas e chefias que lá por estarmos em casa não implica que estejamos sentados no sofá a ver filmes ou séries. Aliás, parece que na verdade é algo que temos de provar não só a quem de direito mas também a toda uma sociedade que de repente surge de peito cheio garantido que somos uns preguiçosos, medricas e que por nossa causa a economia nacional parou - a esses apenas lhes digo que já todos percebemos quais as vossas prioridades. Principalmente quando são vocês que estão sentados nas vossas cadeiras de couro bafiento, enfiados em escritórios que se devem localizar certamente numa sala de uma casa onde também habitam. 
Mas sim, é exactamente por isto que devemos parar com a poesia por uns tempos - porque a realidade é esta e terá de ser instalada no nosso sistema até se tornar numa normalidade anormal. 

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Sunday, March 22, 2020

No primeiro dia em que o tempo parou
March 22, 20200 Comments

Naquele primeiro dia, em que tempo começou a parar, era tudo um sussuro abafado. Uma coisa lá de longe, num extremo oriental que pouco conhecemos. Depois vieram os primeiros ruídos de silêncio, como se tal coisa pudesse fazer sentido, mas cada vez mais fortes, cada vez mais perto, o ponteiro dos minutos a passar como horas, os segundos a demorar minutos, uma trovoada ténue, um chuvisco que nem molha. Até que, de repente, o relógio deixou de funcionar. Vimo-nos encerrados nas nossas casas, nos nossos lares, nos nossos hospitais, com algo que está lá fora nas ruas porque também poderá estar cá dentro, de cada um de nós, algo que a natureza colocou numa primeira pessoa que terá passado a outra e a outra e a dezenas e centenas e milhares e milhões de outras pessoas, já longe do extremo oriental. Tornamo-nos assim os nossos próprios inimigos, tornamo-nos eremitas, afastados fisicamente uns dos outros - ou uns mais que outros -, pais de filhos, netos de avós, vizinhos de vizinhos, amigos de outros amigos. Porque o tempo parou. 
E este jogo ainda mal começou. Será que o planeta com armas invisíveis e silenciosas irá conseguir o seu objetivo de mudança ou será que voltamos a ser aquilo que éramos, egoístas, gananciosos, absortos em vidas mesquinas, miseráveis, num ram-ram de casa trabalho, trabalho casa? Deixámos de ir aos nossos empregos, deixámos de ir aos parques, deixámos de ir às lojas, porque tudo fechou, porque o tempo parou. Porque o tempo parou.
Será que vamos saber finalmente ser seres MAIS humanos, ou apenas seremos mais uma espécie que mesmo vendo que está em vias de extinção, e não por causa das causas que se pensavam culpadas, irá continuar o seu rumo de auto-destruição. Será que a riqueza e a economia mundial de um país vale mais do que vidas humanas, será que iremos compreender finalmente o que é o mais fundamental para uma sociedade funcionar. Mas acima de tudo, será que iremos finalmente perceber que não há ricos nem pobres, nem primeiro nem segundo nem terceiro mundo, que a vida não é feita por "andares" sociais ou estereotipos, que estamos todos no mesmo barco, que temos de respeitar estas novas regras, estas novas leis. Tudo porque o tempo parou. 
Mas o tempo parou para a escala humana. O tempo parou para nós. Mas o tempo não parou na natureza. 
Naquele primeiro dia, era a Primavera a chegar, eram as árvores com novas folhas enchendo os ramos outrora vazios em tons verdes, eram as flores a romper para a aurora do dia, para o futuro quente que se avizinha, já era o casal de andorinhas a esvoaçar na rua, a chilrear alegremente, era o pardal a tomar banho numa poça de água da chuva. Porque o tempo, afinal, não parou totalmente. Não para aquilo que o tempo acha que é o verdadeiro, o real e o importante. Não parou para a estação da Esperança.






Fotos realizadas nos Jardins do Palácio Nacional de Queluz, no dia 8 de Março 2020





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Sunday, March 08, 2020

East End, Mulher e Sufragistas
March 08, 20200 Comments


3 nomes. Uma região geográfica, um substantivo, um grupo político. 
Através da História, certamente que conhecemos alguns movimentos sufragistas femininos onde "Votes for Woman" ou "Equal pay for equal work" eram frases-chave na conquista de direitos. Certamente foram estas as principais afirmações que estão na base do Feminismo como se conhece até à data. Uma luta apenas e só por direitos e deveres iguais entre Homens e Mulheres, sem manifestações de uns serem mais importantes ou melhores do que os outros.
O que poucos sabem (e independentemente das afiliações políticas de cada um ou cada uma) é que o East End de Londres, bem como cidades como Manchester, (zonas tipicamente operárias com forte componente industrial) foram o seio dos primeiros grupos conhecidos dos movimentos feministas. 
Em Londres nas primeiras décadas do século XX, Sylvia Pankhurst, tornou-se a estratega do East London Federation of Suffragettes quando percebeu que o movimento feminino sufragista do qual também fazia parte "União Social e Política das Mulheres" - Woman's Social and Political Union, não tinha qualquer impacto real junto aos partidos políticos britânicos. Apoiando-se das suas capacidades intelectuais (e sem dúvida auxiliada pelo facto de pertencer à classe média-alta), fez do East End o seu porto de abrigo. Numa luta intensa pela liberdade e igualdade de direitos, pela possiblidade de voto da Mulher, foi várias vezes presa junto a outros colegas e não raras vezes fazia greve de fome para que as suas vozes fossem ouvidas. 
Coincidindo com o dia 8 de Março, o primeiro boletim da Federação de Sufragistas, editado em 1914, tinha como moto de desafio: "Some people say that the lives of working woman are too hard and their education too small for them to become a powerful voice in winning the vote. Such people have forgotten their own history". Uma rápida resposta a várias críticas que afirmavam que uma mulher da classe operária, trabalhadora ou não, não tinha capacidades para perceber ou saber escolher o melhor para si, para os seus pares e para o seu país. 
Embora fosse totalmente contra o envolvimento do Reino Unido na Primeira Guerra Mundial, durante a qual a maioria dos homens foi enviado para os campos de batalha passando as mulheres a terem um triplo desempenho em "casa", principalmente quando viviam em bairros de extrema pobreza, viu o império britânico a permitir o voto à Mulher em 1918 ao abrigo da reforma do sistema eleitoral implementado no mesmo ano. Na realidade, esta reforma não foi totalmente isenta de intenções; durante os períodos de guerra, pode-se verificar os vários estados que concederam o voto eleitoral às mulheres, uma vez que acabou por pesar nelas um esforço de guerra de maior impacto. Enquanto os homens lutavam, as mulheres acabaram por ter de conciliar as tarefas domésticas, tomar conta de filhos, passando também a ocupar os lugares vagos nas fábricas e outras atividades até então tipicamente masculinas (ou negadas à mulher). O Reino Unido foi não foi contudo dos primeiros países a conceder o voto feminino a nível europeu mas definitivamente não foi o último também (importa não esquecer que em Portugal, por exemplo, apenas após 1974 é que os direitos da "mulher" foram revistos - muito devido ao seu papel na sociedade mas acima de tudo, à sua intervenção dentro do espaço doméstico).
O que falta ainda então fazer para que este dia faça ainda mais sentido? Tudo! Continuamos a ter um longo caminho a percorrer de forma a que os direitos e deveres se tornem iguais. De forma a que não tenhamos sempre de ouvir que estamos a pedir, a procurar, ou porque estamos muito vestidas ou despidas, porque somos mães e porque não somos mães, porque é que não somos assim, ou mais simplesmente, porque é que somos como somos. 

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Monday, February 24, 2020

A inconveniência de ser livrólico - 1ª edição
February 24, 20200 Comments
Ir a Londres é, para mim, ir a espaços iguais aos de outras idas e ir também a outros tantos que não conhecia ainda. Nomeadamente livrarias. Até parece que cá em Portugal não há, poderão pensar. Até podem mesmo dizer qual necessidade tenho, real, para estar a invadir livrarias e folhear livros, quando "todos" sabemos que o futuro é digital. A resposta é simples, enquanto eu cá andar, enquanto tiver liberdade de escolha, irei optar por livros e páginas físicas. Pelo cheiro de obras antigas e pela tinta de novas edições. Não significa que não adira às novas tecnologias - nem posso atirar pedras porque já tenho alguns livros em formato apto para tablets, computador, Kindle, mas não há melhor prazer do que entrar em pequenas livrarias, principalmente noutros países, nos quais desconheço por completo o grau de literacia, o interesse pela literatura, os hábitos de leitura. Sei, por exemplo, que em Brick Lane, no coração do East End, em Londres, existe uma livraria (Brick Lane Bookshop de nome atual, claro!) que desde os anos 70 sempre pautou por ser irreverente, interventiva, marco da luta da classe operária e pobre da cidade que durante vários séculos foi desterrada para a zona das "docas". Sei também que já em zona "nobre", bem perto do Museu Britânico, existe uma livraria que se chama aprazivelmente "London Review Bookshop", onde entre livros, postais, revistas, existe também um café onde o negócio da literatura bate certo com o dos cappucinos e brownies
De resto, volto a nada saber ao certo, a não ser que tenho a caminho alguns álbuns incríveis sobre a zona leste londrina (publicações da Hoxton Press, cujas capas podem ser vistas nas imagens abaixo), porque é realmente fascinante conhecer não apenas a nossa terra, mas também outras terras. O mundo é global e para muitos de nós, as melhores e às vezes únicas viagens, passam mesmo e apenas pelo mundo do livro.






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Friday, February 14, 2020

Doce Bijou
February 14, 20200 Comments
Nascida no Brasil, entre o Paraíba e o Ceará, cresceu rodeada de Natureza, fossem folhas e palmeiras frondosas, ou o bioma que é a Caatinga, exclusivo do nordeste brasileiro, mais árido e seco. Não é de estranhar então a influência que esta mesma flora tem nas suas criações de joalharia.
Juliana Bezerra, 38 anos, (@Juliana Bezerra) veio para Portugal numa fuga decidida e supostamente temporária para respirar fundo após um problema familar.
Na sua então chegada a Portugal, Juliana, (Ju para os amigos), encontrou não só a paz que procurava, mas também o amor, junto ao que se tornaria mais tarde seu marido. Decidida a ficar de malas, bagagens e coração, procurou então melhor desenvolver as suas técnicas em escolas de joalharia e posteriormente no Atelier de Tereza Seabra onde foi estagiária.
O resultado foi simples. Em pouco tempo o seu nome tornou-se num dos mais conhecidos na internet e o sucesso através do Facebook e Instagram foi crescente. 
Agora, numa colaboração com outra brasileira que tem Portugal no coração e Lisboa na alma, Carolina Henke, a "dona do pedaço" que é a Brigadeirando (@BrigadeirandoLx), Juliana apresenta a coleção Dois Amores, que tem como tema o Amor, claro, e cujo lançamento foi alusivo à data de 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim.
Entre o aroma e sabor dos bolos tradicionais, criando também a atmosfera naturista que acompanha a amizade entre as duas criadoras, apresentam-se lembranças únicas sendo possível ainda hoje se adquiriem na loja do Lx Factory e posteriormente no site da designer de jóias, aqui: Juliana Bezerra Atelier e no seu atelier físico no Páteo Bagatela.






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Thursday, February 13, 2020

Bonjour Simone
February 13, 20200 Comments
                   

Simone Matos has always lived near the Atlantic Ocean and that can ultimately change a person. The typical blues and greys from the Lisbon western coast climate are visible and present in her life and are one of the bases for her Jasmin Project – a collage work collective that was first born as a quite private and personal creative journal. Today, the graphic designer has challenged herself and others to make these images together, as a way to relax from the daily craziness but specially to provide a creative mind boost for every one of every age, allowing people to express their feelings in a physical mood board. 

How did Jasmin Project happen? 
SM – This project comes from the heart. It was created about 4 years ago when I started to make image clippings about dreams and magic. It is truth that I have always made collages. I used to personalize my school notebooks and files but is was between high school and the university when I’ve gained a different detailed esthetic sensibility. My artistic essence started when I began looking at fashion magazines, cutting different visual textures, colors and feminine elements and putting it all together in such a way it made sense to me. My first collage, which is called “Jasmim” of course is a composition between art, textures and feminine details – which is the essence of my creations.
                                                
Besides being a very personal art form to express ideas, moods or even private desires, what led you to share it with others?
SM – Well between that period I mentioned, I did voluntary work with elderly people and I feel that finding a space/time for a workshop, to create a group in such a way they can relax and develop their creativity as well as their mental balance is a lovely thing. And that can work for everyone. 

From what you have seen during your workshops, do you feel there is discrimination in some artistic expressions in Portugal, like weaving or embroidery which are still regarded as manual “feminine/female” tasks? Collage per se is not usually accomplished by male artists and you don’t see them as often as woman in your encounters. 
SM - Well actually I don’t feel that even though the way I create a collage is based in dreams, hopes or wishes and of course in that feminine essence. I try to bring some graphic and poetic style along with fashion and surrealism and that, in a last case, is quite “feminine”. However, I’ve had male participants at the workshops which resulted in something very personal and they expressed their imagination in a masculine counterbalance. It was a change of scene. 

                                              


Do you feel that collage as well as urban art can have a social impact and act as an intervention form? Do you think there is some sort of a growing national conscience that it can impact in a political view? 
SM – With absolutely no doubt! Every single art form may have an interventive role in the most various interventive ways and collage is no different. In other countries it is even used in economy magazines as illustrations, so it all depends of the meaning and way you want the collage to work – the importance you want it to have. 

After your voluntary work, have you ever considered to organize once again some workshops and encounters in nursing homes or Senior Universities? What kind of impact do you think it could have?
SM – That’s a wonderful question! Thinking about it, with the memory loss process due to aging, it is quite necessary to create some incentives to creativity as a way to exercise the brain. Establishing a workshop ou formations dynamic that could be applied the older people, stimulating their minds, rescuing the past and making sure about their hopes and believes would be an amazing opportunity. It would give real importance for the expression of their feelings and it optimize their life perspective. For me it would be the best reward possible! .  

Finally, what would you say ii was your biggest conquest so far with this project? 
SM – That answer is very simple! The sharing in the workshops. It was something that I started to think about, but it only became real after I was invited by and agency to be the instructor of a Instax (Fujifilm) workshop. It was really a dream come true and it was so beautiful to see how it all went so smoothly and how all the participants were so focused in it. For me collage was always my mindfulness moment: to slow down, to get focus in the moment and forget about all the distractions (mobile phone eventually!). It is really great to see this dream, the Jasmin Project, to be embraced by so many people and becoming even more real. 
   


(the original text can be seen at A City Made by People, here: Jasmim Project - Construction of the Memory)
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Tuesday, January 28, 2020

Memória
January 28, 2020 2 Comments
Lutámos com todas as nossas forças para que o Inverno não chegasse. Agarrámo-nos a todas as horas tépidas, a cada fim de dia procurámos reter o Sol no céu mais um pouco, mas tudo foi inútil. Ontem à noite o Sol pôs-se irrevogavelmente num emaranhado de nevoeiro sujo, de chaminés e de fios, e hoje de manhã é Inverno.
Nós sabemos o que isto significa, porque estávamos aqui no Inverno passado, e os outros aprendê-lo-ão cedo. Significa que, ao longo destes meses, entre Outubro e Abril, em casa dez de nós, sete irão morrer. Que não morrer, irá sofrer minuto após minuto,em cada dia, todos os dias: desde antes do amanhecer até à distribuição da sopa da noite, deverá ter constantemente os músculos tensos, dançar de um pé para o outro, bater os braços debaixo das axilas para resistir ao frio. Terá de gastar pão para arranjar luvas, e perder horas de sono para as remendar quando estiverem descosidas. Já não se podendo comer ao ar livre, teremos de tomar as nossas refeições na barraca, de pé, dispondo cada um de um palmo de chão, pois é proibido apoiarmo-nos nos beliches. Nas mãos de todos abrir-se-ão feridas, e para obter uma ligadura teremos de esperar todas as noites durante horas, de pé, à neve e ao vento.

Primo Levi, Se isto é um Homem
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Flower Power
January 28, 20200 Comments
Mary Lennox

Ainda com os resquícios da inspiração que senti no último domingo no workshop do @ Jasmim Project pela mente de @ Simone Matos (cuja entrevista será publicada em breve aqui no blog e n'A City Made by People), trago mais algumas ideias num moodboard onde a natureza das flores em cores mais neutros e suaves continua a coincidir com os tons castanhos, beiges, rosa e lilás que marcam a transição entre as estações. 
Aproveitando a onda dos (ainda) saldos, continua a apostar-se nos blusões alcochoados, fofos e quentes (como na imagem abaixo e @ aqui, pela Massimo Dutti). Para quem aposte forte em peças de marca que irão durar uma vida, um investimento razoável poderá ser na Coach. Sejam tote bags ou crossbody, com toque desportivo, nomeadamente na alça, ficam sempre bem em qualquer ocasião (@ aqui). 


Mary Lennox


Como de costume, também deixo a versão mais desportiva, não dispensando o toque feminino. A Vans tem agora por quase metade do valor o modelo de inverno (forrado a pelinho branco e fofo) SK8-HI MTE (@ aqui!) que só por acaso fica bastante bem com a mochila @ Herschel Nova Mid Volume.
Um toque de cor num Inverno que tem sido bastante frio. 




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Monday, January 20, 2020

Expiração
January 20, 20200 Comments
Continuando com os tons castanhos, cinzas e beges, as minhas cores de eleição para fazer face às eternas jeans, e evocando a inspiração dos ocres e secos, ficam algumas ideias de estilo para esta estação (e não só). 
As Vega Pants, criadas pela Marisa para a sua marca pessoal Sienna Inspo, são ideais para todas as que gostam de modelos em bombazina (quem diria que a nossa pior memória de infância, a infame bombazina iria regressar em força redobrada nesta segunda década do milénio?), mais largos e com cintura subida, terminando num folho rodado em toda a cintura. Perfeitas para compôr um estilo mais clássico, ou simplesmente para vestir com uma sweatshirt. 

Sienna Inspo Vega Pants (@siennainspo)

Nike Air Force 1´07 (Nike)

Já em relação aos novos Nike Air Force, posso garantir que estou caidinha - e apenas vejo pela foto. Primeiro o conforto e depois a plataforma mais lisa (própria para as caminhadas do dia a dia, na lufa lufa do costume) a que a marca desportiva deverá ter em conta, devem encher as medidas de quem, como eu, opta pelos ténis como sapato de eleição e que os utiliza PARA QUALQUER SITUAÇÃO! 
Gucci GG Supreme Messenger Bag (Gucci)
Só porque sim, acrescentei esta mala GG tiracolo da Gucci. Poderá ser disparato, mas temos de admitir que o padrão clássico com o toque desportivo da alça mais larga nas cores tradicionais da marca, fazem sempre as delícias de tod@s. 
Já em relação a fragrâncias, rendi-me finalmente aos Eau de Parfum. Libre de Yves Saint Laurent (@yslbeaute) é absolutamente incrível. Entre a flor de laranjeira e alfazema, é um aroma que, para mim, faz lembrar um perfume mais masculino e exactamente por isso é que fiquei convencida. Embora lançado para o Inverno 2019/2020, é possível que se possa também encaixar para a nova estação. Por agora aguardam-se novidades a partir deste aroma. 

Libre de Yves Saint Laurent (Perfumes e Companhia)




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Inspiração
January 20, 20200 Comments
Quando penso no modo "slow living", o que me vem à mente serão sempre paisagens douradas e secas e arranjos de flores ou plantas que tanto fazem lembrar o mais rústico ou o mais "clean" possível. Porque é possível misturar e fundir ambos os estilos, criando assim uma ponte entre o antigo e moderno, tradicional e industrial sem cair no exagero dos extremos. 


Ruby Barber (Entrevista a Ruby Barber) é uma das criadoras da Mary Lennox, uma loja especializada em arranjos florais. Nunca o termo "flower styling" esteve tão em voga, mas certamente é aí que recaem as gerações mais jovens de floristas e botanistas já no virar do último século e milénio. Numa época em que se procura um maior contacto com a Natureza, Ruby retrata como ninguém cenário idílicos seja para fins publicitários a perfumes como para catálogos de moda ou mesmo revistas especializadas em "fashion food". Quem diz que não se pode brincar com comida? 
Natural da Austrália mas a viver em Berlim, Ruby inspirou-se no livro "O Jardim Secreto" de Frances Hodson Burnett e na sua personagem principal Mary Lennox para a génese da sua loja/atelier e sem dúvida que os seus trabalhos me inspiram também... 



All photos by Mary Lennox



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