Cláudia Paiva Silva : lifestyle
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Sunday, February 20, 2022

Sinopse de um livro
February 20, 20220 Comments

 


Eu não conhecia a obra de Afonso Cruz. A obra.... os livros que até agora escreveu e que já são alguns. Pensava sempre que fosse uma escrita estranha, difícil, onde a história fosse contada em soluços, ora avança no tempo, ora recua ao presente, ora vai ao passado, e sempre redigida numa estrutura ortográfica que, nos idos anos 2000, eu via como "moderna em demasia". Nada de pontos finais, nem letras maiúsculas, uma confusão de ideias que, para os romances que tanto gosto de ler, não me faziam sentido algum. 

Ouvi falar da sinopose a esta Sinopse. Temas essenciais para o meu interesse imediado: Segunda Guerra Mundial, seja imediatamente antes, ou geralmente, nos anos de pós-Guerra que se seguiram. Calhou ser baseada na história de um amor verdadeiro, que ocorreu mesmo, numa Berlim primeiro devastada pelo horror bélico, depois dividida por um muro ideológico. E nessa divisão, uma separação. Temas essenciais para o meu interesse imediato: os livros dentro do Livro. Se porventura pudermos juntar o poder literário dentro de uma história, desde que bem contado, melhor. No caso, existe uma livraria, um tio bibliotecário/livreiro, e outra história, dentro da história que deu origem à história da livraria em si. E claro, aí há livros e o que eles são capazes de fazer, a sua força transformadora de personalidades, caráter e, no fim de tudo, no que somos ou não capazes de fazer para nos protegermos, para cuidar dos nossos e por Amor. 

Acredito que haja quem aqui esperasse uma crítica detalhada às passagens, uma descrição síntese da trama "despacha lá isso para dizermos que também já lemos", mas não. Não o faço. Posso garantir que os livros no livro de Afonso Cruz (Companhia das Letras, Dezembro 2021), voam, transforma, salvam vidas, mas que também talvez NEM tudo seja justificável. Nem tão pouco admissível. É sim um livro lindíssimo que li entre o Natal e o Ano Novo, como que em pronúncio de novos tempos, mais esperançosos talvez, ou para refletir que na Vida, nada dura para sempre. Nem muros, nem separações físicas. Mas que existiu, sim, da parte do autor, trabalho de investigação, entrevistas e curiosidades familiares. 

Mas mais importante, uma escrita fluida, parágrafos belíssimos de analogias e comparações, apenas para que todos nós, os Theobalds, possamos ver mais do que o básico que se encontra mesmo à nossa frente.

Mais para ler aqui, na Revista Rua



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Wednesday, February 09, 2022

Rituais à primeira pele, na primeira pessoa do singular.
February 09, 20220 Comments

Se um dia é Não, no outro temos que o transformar num Sim gigante. 

Perante a confusão em que a vida se tornou, algo foi notório em mim. A transformação física que se observou - o que obviamente não será assim tão distinto do que acontece com todas as pessoas que podem passar por situações menos positivas. Como cantava Variações, "o corpo é que paga", seja com aumento ou redução bruscas de peso, seja com cabelos brancos, queda ou desfortelacimento, seja com mais rugas, papos e olheiras. E não havendo milagres para repor tudo como estava, podemos no mínimo ter a força necessária para, quando sairmos da toca, prevenirmos ou adiarmos um pouco mais estas alterações às quais somos expostos quase diariamente devido aos mais diferentes fatores ou causas. 

Tendo em conta que no meio do caos ainda fiz uma formação em Dermofarmácia e Cosmética, gostaria que esta publicação de hoje descrevesse e exemplificasse a minha rotina diária de hidratação da pele (facial), de forma simples, sem grandes alaridos sobre as formulações e ingredientes - contudo, mencionar apenas as marcas Caudalie, SkinPerfection e Clarins não irá clarificar ninguém, pelo que, bare with me, terei de me alongar aqui e ali no texto. 



Para começar, esclareço desde já que não há nada como a água para lavar a cara (sim, estamos a atravessar mais um período de seca prolongada e grande parte da população mundial não tem acesso a água potável - estou consciente disto tudo) - contudo, nada substitui a água para uma melhor limpeza e quanto a isso nada posso fazer. Claro que haverá excpeções: uma água mais ou menos rica em determinados elementos químicos poderá promover maior secura na pele, terá de estar a uma temperatura tépida, nem muito fria, nem muito quente para não causar choques térmicos, entre outros fatores. Digo desde já e também que, por muito bons que sejam (e já o são) as águas micelares ou outros produtos de limpeza facial que não tenham necessidade de serem usados com água, a minha sensação pessoal é de ficar com a cara pastosa, oleosa e, claro está, não limpa. Assim, o que geralmente faço de manhã é, ao lavar a cara, usar uma espuma de limpeza associada - gosto muito da textura, é de fácil utilização e permite-nos controlar melhor a quantidade que usamos. Para o caso, ou uso a espuma de limpeza da Yves Rocher cuja formulação contém extratos de microalgas (organismos da Natureza mais do que reconhecidos pelo seu potencial de oxigenação, remediação celular e limpeza em profundidade), ou a espuma da Caudalie. A sensação de conforto final é muito boa e não deixam a pele seca. 






Posteriormente à lavagem e remoção da água e humidade, e porque estamos no Inverno (ainda que mais quente, ou seja, estranho, do que habitual), tenho sempre de aplicar seruns ou cremes hidratantes. A nossa pele não reflete apenas o nosso organismo ou as consequências e respostas internas de qualquer problema, mas claramente também dá sinais às exposições ambientais, sejam elas as alterações de temperatura, a poluição, o uso de máscaras, num sem número de influências tóxicas que impedem a respiração através dos poros e células da epiderme, promovendo a sua desidratação e deteoriação. 
Neste momento, os meus produtos de eleição são o Vinosource Hydra da Caudalie em gel-creme, que além de ser rapidamente absorvido pela pele, é extremamente fresco, devido à sua forte composição de água, e o contorno de olhos da SkinPerfection, que me ajuda a combater os traços evidentes de noites sem dormir, onde o stress e a ansiedade dos últimos meses "falam mais alto". Em relação a este contorno de olhos, e sendo esta marca ainda pouco conhecida em Portugal, posso e devo explicar que o seu principal ingrediente ativo, o Plasmarine Active Complex (TM) é também conseguido a partir de microalgas marinhas. Formulado em lipossomas, que de forma simples podem ser explicados como "veículos" de administração aos produtos farmaceuticos ou nutrientes, atua assim em maior profundidade. Associado ao potencial que as microalgas possuem, o Plasmarine Active Complex (TM) é assim rico em ácidos gordos, vitaminas, aminoácidos e antioxidantes.  Por outro lado, este Soothing Eye Contour, também possui retinol (um derivado da Vitamina A) responsável pela ativação do colagénio* na pele, ou seja, tem uma maior capacidade de reduzir rugas ou linhas de expressão, aumentando a sua firmeza. Se bem que ao primeiro imapcto o aroma possa não ser agradável, a sua textura cremosa (possui Manteiga de Karité) permite uma aplicação de pouca quantidade, também rapidamente absorvida numa zona tão sensível, mas deixando uma sensação de hidratação. 
Regra geral, e como atualmente não aplico maquilhagem por uma questão de habituação da pele a novas rotinas de exposição (uso de máscara nos transportes, retorno à normalidade e maior suscetibilidade à atmosfera ambiente fora de portas, luz solar ...), o que costumo igualmente fazer, em dias intercalados, é aplicar o creme Extra-Firming de Dia da Clarins, um hidratante que atua exclusivamente para o preenchimento de primeiras rugosidades, para a firmeza no contorno de rosto, contribuindo também para o controlo das manchas escuras/pigmentação, e efeitos da poluição. 



Já em termos de cuidados noturnos, o truque é o mesmo. Agora sim, em primeiro lugar uso água micelar da Bioderma, com patchs de algodão ou tecido, removendo a primeira camada de sujidade (e acreditem, o algodão e tecido não enganam - é incrível a quantidade de partículas que nos afetam e ficam no nosso rosto diariamente) -, depois é que "lavo a cara" com a espuma, passando posteriormente à hidratação. 
Aqui recorro primeiramente ao sérum da gama de Vitamina C da Caudalie, que ao ser formulado para se obter uma maior biodisponibilidade (extensão e velocidade de absorção pela circulação sistémica), permite preservar a sua permanência e efeitos na epiderme - rápida absorção e sensação de pele seca, sem qualquer oleosidade ou presença de creme. Já para os olhos uso o creme contorno da mesma gama, que também atua de forma continuada - e daí eu o aplicar à noite, o que auxilia também a sua atuação enquanto existe um descanso da pele e corpo. Volto a constatar que, derivado dos seus ingredientes de origem natural, o aroma poderá ser um pouco mais intenso em ambos produtos, mas vale a pena a sua continuada aplicação - primeiro estrranha-se, depois entranha-se.
À noite, e também de forma intercalada, uso, desta feita, o Multi-Active Nuit da Clarins, com extrato de papoila, e formulado exclusivamente para o descanso e remediação celular, tonificação e luminosidade da pele. 

Se é verdade que uma boa gama de produtos, ou uma boa combinação acaba por ser um peso no orçamento pessoal, e nem todos temos esse poder de compra ou privilégio, também não deixa de ser verdade que hoje em dia, mais marcas de excelente qualidade, apresentam alternativas viavéis para tratamentos básicos ou continuados em problemas dermofarmaceuticos. Seja como for, nada equivale em falar diretamente com um especialista em cuidados da pele (designados por beauty advisors e associados às marcas específicas), dermocosmética ou farmaceutico que melhor podem aconselhar às nossas necessidades específicas. Cada caso é um caso distinto e cada pessoa terá uma resposta diferente ao que realmente precisa - até mesmo por uma questão de sustentabilidade, dever-se-á adquirir apenas o essencial e nunca optar pelos "pacotes" que nos são vendidos muitas vezes de forma agressiva e que não precisamos. 
Há que optar pelo melhor para nós, sempre, mas falando com quem sabe! 


* Colagénio - (proteína mais abundante no corpo humano, estrutura fibrosa, de sustentação não apenas da pele, mas principalmente também das nossas articulações)

 

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Monday, February 07, 2022

Criar memórias Intax numa EVOlução natural
February 07, 20220 Comments

 

Cada vez mais a tecnologia moderna acaba por coincidir com ideias do passado recente. O conceito de polaroids ou impressão imediata de imagens não é novo, contudo, a forma de o realizar vai-se alterando ao gosto do que o público em geral pede e que se espera ver no mercado fotográfico. 

A nova Intax mini Evo é assim uma evolução natural do mundo proporcionado pela FujiFilm, permitindo não apenas a impressão tradicional já característica mas também a função de conectividade a smart-iPhones com multiplas vantagens - a gravação das imagens na memória telefónica, o disparo a partir de comando remoto, ou a impressão de imagens contidas nos aparelhos, através da App Instax própria e totalmente gratuita.

Além disto, permite realizar 100 hipóteses de imagem, combinando 10 filmes e 10 lentes para um resultado original - on top of that, a qualidade de impressão revela-se a melhor de sempre (até à data) pela Instax, o que leva uma maior valia face às outras máquinas do mesmo fornecedor. 

O artigo completo encontra-se aqui: Revista Rua





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Phoenix Aura, o Poder do Renascimento da pele
February 07, 20220 Comments

De forma a combater o stress do dia a dia, e mais ainda o rápido envelhecimento da pele ou o seu aspeto mais frágil - e basta para isso voltarmos à nova normalidade, com a continuação do uso de máscaras, a utilização de séruns torna-se um hábito essencial no cuidado a ter com a pele do rosto. Com o objetivo de atuarem em profundidade, sendo por isso mais fluidos e ricos em componentes ativos específicos, preparando a pele não apenas para um hidratante ou diretamente para maquilhagem, a utilização de séruns permite assim uma oxigenação e purificação da pele, com atuação ao nível das camadas mais profundas da epiderme podendo logo contribuir para uma melhoria nas funções celulares. Como tal a Freshly Cosmetics apresenta agora um novo produto, rico em ingredientes sustentáveis, como é seu habitual, através do qual, e por resultado da sua nova forma de transporte e atuação celular, permite uma quantidade até 12 vezes superior às normais em formas livres. 


Com 99,9% de ingredientes naturais (dos quais óleos essenciais e derivados de agricultura biológica), o novo sérum anti-idade da Phoenix Aura, atua em maior profunidade na epiderme, principalmente devido ao sistema de entrega Freshly Vegan Capsules. Este sistema, designado por “Deep delivery”, liberta os ingredientes ativos especificamente nos estratos mais profundos da epiderme, para atuar de forma mais intensa e precisa sobre as estruturas e as células como: Melanócitos, células de Langerhans, Queratinócitos, células basais e células de merkel, responsáveis pela resposta da nossa pele face às agressões externas e impactos do dia a dia. 


A sua formulação está especificamente desenhada para reverter rugas, preencher, melhorar a elasticidade e a firmeza, associando-se diretamente a um dos principais anti-idade, conhecido por Bakuchiol, (por substituição direta do retinol tradicional) - um extracto de Psoralea corylifolia (sementes de babchi), que ativa os genes do metabolismo do retinol e estimula a produção de colagénio I, III e IV. Outros dos seus ativos provêm de KANGAROO PAW FLOWER  (extraído de uma flor australiana) que aumenta a produção de colagénio e de elastina, ERGOTIONEÍNA E MATSUTAKE (extracto de cogumelo) que melhora a função mitocondrial, evita o dano celular e diminui a morte celular, sendo um poderoso anti-oxidante, RIBOSE, ativo que estimula a síntese de NAD+ e ATP, aumentando a produção de energia celular e também de RHODELLA VIOLACEA, uma alga marinha oxigenante e purificante, que permite a regeneração e hidratação da pele, firmeza de efeito imediato e aumento do NAD+ .

Sobre a lista de ingredientes, note-se também que os alcanos C13-C15, geralmente com origem em hidrocarbonetos fósseis, e que atuam como solventes deixando os produtos mais leves e com maior capacidade de absorção pela pele, são aqui igualmente de origem orgânica. 





De forma geral, o Phoenix Aura Well-Aging Sérum:
  • Melhora a luminosidade da pele até cerca de 100% após 56 dias de utilização.
  • Gera um efeito de pele preenchida e suculenta após 1 hora da sua aplicação. 
  • Apresenta uma excelente tolerância cutânea, adequado para todo o tipo de peles, inclusive as sensíveis e atópicas. 
  • A sua textura e acabamento de rápida absorção,incorporam grandes doses de conforto e suavidade. 
  • Adequado para uso tanto à noite como de manhã, uma vez que a  sua formulação não reage com a luz solar.
  •  Adequado o seu uso durante a gravidez. 







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Wednesday, October 20, 2021

Tradições que perduram - a história de um bordado
October 20, 20210 Comments






O bordado madeirense tal como o conhecemos não teve origem nem no século XIX nem na influência britânica, como poderíamos imaginar. Os primórdios remontam à própria povoação da ilha da Madeira e quanto à iniciativa inglesa, apenas serviu (e bem!) à abertura de portas a um mercado internacional. A partir deste momento, o bordado terá então deixado de ser uma arte local e os produtos passam a ser para consumo externo, crescendo tanto a sua importância, como, claro, o seu valor comercial.

ORIGEM HISTÓRICA

Pensa-se que os primeiros registos datem de longos tempos antes da era cristã. O primeiro vestígio fóssil pertence a 30000 AC, sendo que o primeiro tecido bordado encontrado na China tenha cerca de 5500 anos. E é possível também que o berço deste trabalho de agulha e perícia pertença algures entre o Oriente, o Médio Oriente e a Rússia. Tendo o Mediterrâneo como pano de fundo e meio de comunicação entre os povos, facilmente se entende que gregos, egípcios, muçulmanos e judeus tivessem tido igualmente um papel preponderante na sua divulgação.

Com a chegada à Idade Média, Roma torna o bordado como um produto de luxo, sendo que a partir do século XVI a capital passa a ser um dos maiores centros de trabalho manual - a idade do Ouro veio a tornar ainda mais rigorosa esta ideia. As aplicações várias dos bordados às várias monarquias europeias e ao clero, elevam esta arte a um patamar superior. Eram usados materiais como a seda e o próprio metal dourado para adornar as peças de vestuário - e estas apenas circulavam nos estratos sociais mais elevados. 

BORDADO EM PORTUGAL

Com presença secular antiga, o bordado em Portugal é geralmente atribuído às regiões do norte e centro do país com destaque também para a zona de Nisa. Não é por isso estranho quando olhamos para a Madeira, e observamos a presença do bordado desde os primeiros povoadores, oriundos, essencialmente, destas zonas. Um dos principais grupos de imigrantes era proveniente de Viana do Castelo oque reflete assim que a tradição é tão antiga como o povoamento da própria ilha atlântica. 

De forma a dar resposta às então necessidade de vestuário tornou-se comum o pastoreio de ovelhas para fornecimento de lã bem como o cultivo de linho na região insular. Só em Santana e na Calheta funcionavam 160 a 165 teares sendo que o Funchal funcionava como mercado de acesso aos tecidos importados - isto levou a alguns problemas, nomeadamente (e por incrível que pareça) devido ao facto de por esta via e forma de trabalhar, qualquer pessoa poderia envergar peças consideradas luxuosas. Se em 1686 D. Pedro tentou controlar a riqueza ostensiva que o povo envergava, já em 1749, D. João V admitia toda a possibilidade de se puderem usar roupas bordadas, brancas, desde que, facto muito importante, fossem fabricadas exclusivamente dentro do território dominado por Portugal. 

DESENHO, PICOTAGEM, ESTAMPA, BORDADO, ENGOMAR

         


Com a evolução do tempo e sem dúvida com o apoio de Mary Phelps, bem como de tantas outras ilustres famílias europeias, o Bordado da Madeira iria finalmente dar o salto e ser reconhecido internacionalmente, afastando-se da índole caseira e praticamente familiar. As bordadeiras dedicar-se-iam a partir desse momento à prática do bordado tendo por base 5 fases distintas mas essenciais à sua concretização sem mácula. Nascem assim as "casas de bordado", na realidade casas ou lojas comerciais, cuja função seria a preparação e a distribuição do tecido e linhas pelas bordadeiras espalhadas pela ilha através de caixeiros. Os panos eram já levados com as estampas sendo então bordados em casa de cada uma. Uma vez regressado à casa-mãe, no Funchal, a tarefa seria engomar e embalar as encomendas com destino à venda. 


SELO DE GARANTIA

Em Dezembro de 1938 passa a ser obrigatório a presença de 1 selo de qualidade e garantia em cada peça. Com a criação do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira em 1977 a defesa da autenticidade do bordado passa a ser uma prioridade. A partir de 2000, o uso de 1 selo holográfico torna-se obrigatório bem como uma garantia contra falsificações. 

DIÁSPORA DO BORDADO DA MADEIRA

Marcados pelas Guerras Mundiais e pela pobreza causada pelo parco desenvolvimento e incúria governativa, muitos foram os madeirenses que abandonaram a sua terra natal em busca de melhor vida, não sem dor e mágoa pela sua difícil decisão. Consigo levaram os conhecimentos herdados da tradição e sendo recebidos por países como o Brasil, Venezuela ou África do Sul, em breve estes locais, principalmente o Brasil, pedem imigração de bordadeiras madeirenses para dar cobro à demanda de produtos. Se o bordado se torna conhecido no Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, é neste último estado e em quase toda a região nordeste onde ganha maior importância continuando aos dias de hoje um elemento bem vivo no seu setor industrial. Em Fortaleza chega a ser uma das principais atividades económicas. Na Bahia é conhecido o trabalho do bordado até mesmo nas tradicionais vestes baianas. Se o bordado nasceu do mundo até chegar à Madeira, da Madeira o Bordado Madeirenses cresceu para todo o Mundo. 

O BORDADO E O FUTURO

É cada vez mais evidente que em pleno século XXI o Bordado da Madeira passa a ser uma questão de tradição e cultura nacionais. Mais do que uma e qualquer necessidade de vestuário é sem dúvida um ex-libris de toda uma região portuguesa, uma lembrança para levar de regresso de viagem, um trabalho aplicado a estanho e madeira, rico, para destacar em uma ou várias divisões de casa. Mudam-se os tempos e as vontades, mas o orgulho pelo desenho, picotagem, estampa e bordado permanecem intactas mesmo face a várias crises, económicas ou pandémicas. Resta às gerações vindouras saberem preservar a manter viva esta tão bonita arte manual. 



(English Version)

Madeira embroidery, as we know it, is not from 19th century origin nor has British influence, as we might imagine. The beginnings date back to the early colonization of Madeira Island and, as for the English initiative, it only served (and well!) to open doors to an international market. From this moment on, embroidery will then no longer be a local art and the products will be for external consumption, increasing both its importance and, of course, its commercial value.

HISTORICAL ORIGIN

The earliest records are thought to date back long before the Christian era. The first fossil remains belong to 30,000 AD, with the first embroidered fabric found in China being around 5500 years old. It is also possible to consider that the cradle of this work of needlework and expertise belongs somewhere between the East, the Middle East and Russia. With the Mediterranean as a background and means of communication between people and cultures, it is easy to understand that Greeks, Egyptians, Muslims and Jews had equally played a preponderant role in its dissemination.

With the arrival of the Middle Ages, Rome turned embroidery into a luxury product, and from the 16th century onwards the capital became one of the biggest centers of manual work - the Golden Age made this idea even more serious. The several applications of embroidery to various European monarchies and clergy, elevate this art to a higher level. Materials such as silk and gold metal itself were used to adorn the garments - and these only circulated in the higher social strata.

EMBROIDERY IN PORTUGAL

With a centuries-old presence, embroidery in Portugal is generally attributed to the northern and central regions of the country, with an emphasis also on the Nisa area (north Alentejo). Therefore, it is not  strange when we look at Madeira and observe the presence of embroidery since its first settlers, which came essentially from these areas. One of the main groups of immigrants came from Viana do Castelo which reflects that the tradition is as old as the settlement of the Atlantic island itself.

In order to respond to early settlers need for clothing, the herding of sheep to supply wool as well as the cultivation of flax in the island region became common. Only in Santana and Calheta there were 160 to 165 looms, and Funchal was the market for access of imported fabrics - this led to some problems, namely due (and oddly enough) to the fact that with this way of working, anyone could wear pieces considered luxurious. If in 1686 D. Pedro tried to control the ostensive wealth that the people could actually wear, as early as 1749, D. João V admitted the possibility of everyone to use embroidered white clothes, provided that they were manufactured exclusively within the territory dominated by Portugal.

DRAWING, PICKING, PRINTING, EMBROIDERY, IRONING

With the evolution of time and undoubtedly the support of Mary Phelps, as well as of many other illustrious European families, Madeira Embroidery would finally take the leap and be internationally recognized, moving away from the homely and practically familiar nature. From that moment on, the embroiderers would dedicate themselves to the practice of embroidery based on 5 distinct but essential phases for its precise implementation. Thus,"embroidery houses" were created, corresponding in reality to houses or commercial stores, whose function would be the preparation and distribution of fabric and threads by the embroiderers spread across the island through clerks. The cloths would be already taken with the prints and then embroidered in each one's home. Once back at the mother house in Funchal, the task would be to iron and pack the orders destined for sale.

GUARANTEE SEAL

In December 1938, the presence of one quality and guarantee seal on each piece becomes mandatory. With the creation of the Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira in 1977, defending the authenticity of embroidery becomes a priority. From 2000 until today, the use of one holographic seal becomes mandatory as well as a guarantee against forgeries.

DIASPORA OF MADEIRA EMBROIDERY

Marked by the World Wars and poverty caused by lack in development and government negligence, many Madeirans left their homeland in search of a better life, but not without regret and sorrow for their difficult decision. With them there was the knowledge inherited from the tradition, and once arrived in countries like Brazil, Venezuela or South Africa, soon enough, they were asked to meet the demand for products. If embroidery becomes known in Rio de Janeiro, São Paulo and Ceará, it is in the latter state, and in almost the entire northeast brazilian region, where it gains greater importance, continuing to the present day a very lively element in its industrial sector. It is also one of the main economic activities in Fortaleza. In Bahia, the work of embroidery is best known in traditional Bahian garments. If embroidery was born from the world until it reached Madeira, Madeira Embroidery grew from Madeira to the whole world.

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Sunday, May 03, 2020

Those Sunday Blues
May 03, 20200 Comments
Foto de Claudia Paiva Silva

@baguy
Não há como negar. Este isolamento social, esta distância de segurança que constitui um dever cívico, (mais do que uma obrigatoriedade que não o é, nem nunca o foi), provocou em inúmeros de nós uma sensação de perda, de embriaguez, ansiedade, falta de energia generalizada apenas aplacada pelo teletrabalho que muitos, felizmente, conseguiram manter. Confesso que comigo, aparte da incredulidade inicial, acabei por perceber que fui mais ativa do que antes, do que alguma vez até. Conscientemente ganhei toda uma nova forma de trabalhar, de me organizar internamente, regular o meu sistema e organismo, não deixar que o relaxamento tomasse conta, muito menos quando vimos e continuamos a ver tantas e tantas reportagens de gente que nunca baixou os braços, que continuaram sem parar para que nós todos não parássemos de vez. Que nos cuidaram e irão continuar a tratar e a olhar por nós em qualquer circunstância, sem olhar a meios, e, se tudo correr bem, sem terem de escolher quem poderão salvar. Por isso, perante essa consciência de que me deixar levar pela preguiça seria uma vergonha perante essas pessoas, talvez tenha sido a principal razão pela hiperatividade que comecei a transparecer. Ficando em casa. Saindo o mínimo e apenas essencial, ficando a trabalhar até mais tarde, dando mais de mim, estando mais atenta, fazer as tarefas domésticas sem bufar, mas ganhando noção que nunca não se tem nada para fazer no espaço onde moramos. 
Sim, talvez seja uma daquelas pessoas que se tenham tornado irritantes aos olhos dos outros, de tão produtiva que me possa ter tornado. Como podem imaginar, irei parar ou deixar de fazer/ser/acontecer quando o meu corpo pedir descanso. 
Contudo, mais importante ainda, é que foi apenas dessa forma que percebi que existe uma série de criadores nacionais, que passam pela Moda mas também pela Cultura e Arte, e que neste momento estão a sentir já grandes dificuldades em sobreviver. São eles que nos fazem sentir um bocadinho melhor ao longo do dia, são os que escrevem e compõem músicas, os que escrevem os textos e diálogos das séries e filmes, são os que nos levavam ao teatro - e não, não são apenas aqueles "coitadinhos" que seguiram uma profissão que quase parece uma brincadeira - são pessoas com uma PROFISSÃO real, a tal que nos entra pelos olhos e ouvidos dentro, e que acredito, que talvez nos/vos tenha salvo a vida várias e várias vezes em momentos de maior desespero. 
Mais uma vez deixo o apelo. Há que repensar seriamente na forma como iremos todos ajudar para retomar a economia nacional sem esquecer todas as formas artísticas que também fazem mexer os bolsos do Estado, sabendo bem que nada será como antes, que não espero o retorno dos festivais musicais ou outros, onde imensa gente estará presente em núcleos. Será certamente necessário também perceber como irão os festivais do futuro, pós-Covid, ser organizados. Será aliás extremamente necessário saber e aprender a estar em determinados contextos culturais, de forma a evitar o pior. Até lá, e sabendo que amanha é uma segunda-feira, um dia especial e diferente, em que várias das limitações que nos foram colocadas, irão ser amenizadas, temos de pensar um dia de cada vez, passinho a passinho, de forma a todos termos consciência do que isto colocará em forma de peso, nas costas de cada um de nós. Isto ainda não acabou...

@baguy

@julianabezerra

@siennainspo

@art_pessoa

@GuajaStudio

Foto de Claudia Paiva Silva
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Tuesday, April 28, 2020

Moodboard while #vaificartudobem
April 28, 20200 Comments
Continuando a pesquisa entre as várias marcas nacionais, percebi que, sem dúvida e cada vez mais, se encontram colecções dedicadas e inspiradas à Natureza. Padrões tropicais podem mesclar-se com os tecidos mais fluidos de algodão e linho, peças de joalharia, são facilmente pensadas e criadas a partir de elementos naturais, sejam flores ou plantas ou até mesmo elementos telúricos, como formatos de rochas, bem como baseados e inspirados em elementos animais, conchas, búzios, estrelas do mar, uma panóplia de temas que acabam por servir aos vários artistas. 
@beneditaformosinho
Benedita Formosinho teve a visão e coragem de ser uma das novas empreendedoras de moda, dando o alma e o manifesto à cultura nacional. Quem conheceu a colecção de inverno sabe que os materiais de luxo, nobres, utilizados são todos portugueses de origem local e de alta qualidade, nomeadamente as lãs. A presença destes elementos são uma mais valia em cada peça única, de preferência e sempre que possível trabalhada à mão. O resultado são modelos clássicos mas que também apresentem um toque de modernidade, permitindo não só a permanência das influências tradicionais, o respeito pela autenticidade mas igualmente chegarem a um público vasto, de várias idades que procurem a tal relação já mencionada de preço/qualidade/durabilidade. Os chavões "zero waste" e "fair trade" nunca aqui fizeram tanto sentido. Tal como na lei da física, nada se perde, mas sim transforma-se em novos produtos, nomeadamente malas ou carteiras, numa máxima de sustentabilidade. 
@limboshop


@belleepoqueboutique

@beneditaformosinho

@ohMonday
De acordo com as palavras da autora e criadora da marca Margarida Marques de Almeida, mais conhecida pelo nickname @styleitup, a Oh Monday (@ohMonday) pretende essencialmente dar Força e Poder às mulheres. Iniciando com a premissa de slow fashion, as peças da marca foram criadas apenas a pensar no bem-estar e comodidade de cada uma de nós, de forma a que nos possamos sentir elegantes e ao mesmo tempo extremamente confortáveis, sem termos de pensar muito no assunto. No espírito que todas as marcas apresentam, também Margarida pretende que a Oh Monday seja uma identidade nacional de comércio justo e sustentável, onde não haja a tentação de comprar por impulso mas sim pela real necessidade de termos um artigo de qualidade dentro do guarda-roupa. O empoderamento feminino (e masculino) não passa apenas pelo que somos no dia-a-dia e acções, mas essencialmente pelo que não se vê de forma directa - as nossas escolhas pessoais. Pensar antes de comprar faz parte da cultura mais sustentável que podemos desejar. Assim os modelos apresentados apresentam cortes rectos, estruturados, de cor preto ou branco, feitos em Lisboa e com materiais nacionais, promovendo não só o empreendedorismo feminino e desenvolvimento local, como também influenciado para uma escolha salutar na hora de escolher e comprar. 
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Monday, April 27, 2020

Moodboard while #fiqueemcasa
April 27, 20200 Comments
Jardim das Estufas - Palácio de Queluz

Quem disse que estar em casa implicaria uma mudança radical nos comportamentos e mecânica mental tinha e continua a ter toda a razão. Ao final de um mês e meio de encarceramento domiciliário, a cabeça começa a pregar partidas, os dias poderão tornar-se excessivamente compridos e o quotidiano uma repetição ao extremo do dia anterior, como se estivéssemos dentro do filme de Bill Murray* e fôssemos o próprio protagonista, mas sem a marmota. Por agora, nem mesmo com as previsões de chuviscos e tempo mais rameloso as pessoas parecem querer aceitar a ordem de isolamento social, e mesmo correndo o risco de serem recambiadas para as suas habitações, qual pulseira electrónica que disparou o alarme a escassos metros de distância, arriscam-se a ir até ao parque, até perto do mar, onde tantas outras também possam estar, repetindo-se a premissa inicial de um possível risco elevado de contágio. Mas as pessoas são humanas, e habituando-se ou não a viverem confinadas em apartamentos durante a maior parte do tempo, todas geramos sentimentos, estados de espírito, desejos e vontades, que não correspondem a mais do que o total prazer do conceito de liberdade que irá bem mais do que aquele que o 25 de Abril terá ensinado. 

* - Groundhog Day (1993)

Juliana Bezerra - Brincos Majoletti

Guaja Studio - Juliette Knot Top + Francesca Fit Linen Pants

Falamos da Liberdade física, de percorrer espaços que se calhar antes nunca teríamos imaginado. Nunca campos de trigo no Alentejo, alfazemas azuis, jardins cheios de flores silvestres, ou mesmo aquela mata supostamente mal cuidada entre prédios e já no leito da ribeira, nos pareceram tão atractivos. Para mim a juntar seriam dunas, flores e ramagens secas, tons de terra, amarelos queimados, ocre, algum verde de plantas que se conjugam em ambientes extremos, ou de mar ou de deserto. Esse é o meu moodboard actual.  

Super Botânica

Cata Vassalo

Aproveitando a sensação, e enquanto os desejos são apenas isso, uma força poderosa que nos compele a fazer algo impetuoso, mas que por agora não é parcialmente negada, retomei o prazer de percorrer as galerias das várias marcas nacionais que fui (re)conhecendo ao longo dos últimos dois anos. De projectos familiares, pequenos, mas cheios de graça, estilo e design, são agora os mais procurados para qualquer pessoa, acima de tudo por duas razões: são trabalhos feitos em Portugal e porque são sustentáveis, tanto em termos de produtos e tecidos utilizados, como em termos de mão-de-obra, na sua grande maioria. (Podemos falar aqui dos preços "excessivos" praticados pelas marcas portuguesas, mas deixo a questão: acham justo que as nossas costureiras, sim, essas mesmas que agora estão a coser máscaras porque as colecções estão paradas, recebam 1 euro por dia de trabalho como acontece com as que trabalham para as "grandes marcas" que não passam de Made in PRC embora com o carimbo de Milan e Paris? Pois, bem me parece que não). 

Belle Epoque Boutique

Rust and May

Temos assim, uma lista de marcas bonitas com classe para mulher (neste caso), e nesta escolha pessoal, alguns dos artigos que mais enchem o meu gosto pessoal para os meses de Verão, mesmo que este ano possa vir a ser passado em casa: passando pelos linhos e acetinados da Guaja Studio e algodões da Rust and May que podem ser perfeitamente complementados com acessórios da Cata Vassalo e Juliana Bezerra (que apresenta o relançamento dos brincos desiguais Majoletti em prata e prata dourada). Claro que os ténis ou sapatilhas rasas teriam de aparecer nesta minha wishlist, ou no máximo sandálias para o conforto ao andar a passo mais rápido. Contudo e apesar que mais ideias e imagens bonitas ainda estão para serem mostradas, não me compete a mim estar a influenciar ninguém para comprar seja o que for. É importante pensar e afirmar que neste momento há temas bem mais sérios a serem discutidos, vidas a serem salvas, pessoas a lutarem para sobreviver. Mas também é certo que se adivinha com certezas tão letais quanto o vírus uma grande e longa crise económica que irá afectar não as tais grandes marcas internacionais ou grupos de moda, mas sim estes nomes nacionais. Projectos como mencionei que começaram apenas de ideias, que cresceram, que se tornaram sonoros e que também irão precisar de apoio. Uma marca que fabrica poucos artigos de cada modelo irá sofrer um impacto muitíssimo maior do que uma que fabrica 10 mil unidades de uma simples camiseta branca "feita lá fora". O conceito de moda e de compra precisa de ser redefinido sim, mas isso não implica que se deixe totalmente de comprar. A questão é repensar a forma como se compra, as nossas necessidades, e acima de tudo, se o investimento vale a pena em termos de preço/qualidade/durabilidade. Ser-se sustentável é também apoiar as empresas nacionais, a economia local e saber que temos produtos de qualidade que irão durar imenso tempo dentro dos nossos armários.  

Jardim das Estufas - Palácio de Queluz
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Thursday, April 09, 2020

A Hora da Moda
April 09, 20200 Comments


Moda: substantivo feminino:
1. Uso, hábito ou forma de agir característica de um determinado meio ou de uma determinada época; costume
2. Uso corrente, prática que se generalizou
3. Estilo prevalecente e passageiro de comportamento, vestuário ou apresentação geral; tendência
4. Indústria ou o comércio de vestuário
5. Estilo pessoal, gosto
6. Hábito repetido; mania; fixação

Foquemos apenas nos pontos 3 e 4: Estilo passageiro de vestuário, tendência, comércio e indústria. Nos dias que correm, mediante a situação global que se vive, muito se tem falado, escrito e pensado sobre qual o futuro de vários setores industriais - como é que alguns irão recuperar de uma crise extremamente profunda que se adivinha com uma certeza absoluta, como irão as empresas recuperar lucros e como poderão voltar a empregar pessoas que, ou estão em lay-off ou já foram despedidas sem apelo nem agravo, pese as medidas impostas e todas as respetivas condicionantes que o Governo(s) tomou. Contudo, no que diz respeito aos setores de calçado e vestuário, sabe-se que para uma época menos boa, de vendas mais reduzidas ou mesmo nulas, por comparação com outros períodos, outras virão em que os clientes irão voltar a comprar. Ainda assim, para além do que fazer a economia girar, acaba por ser a nossa forma pessoal de lidar com uma nova realidade que irá fazer toda a diferença. Numa altura em que todos (os não essenciais) estamos (ou deveríamos estar) em casa, fará sentido continuarmos a adquirir peças de vestuário e calçado para um presente ou futuro breves que serão completamente imprevisíveis? Quantos de nós vestirão uma camisola ou umas calças novas estando 24 sobre 24 horas por dia em casa, mesmo que se esteja em modo teletrabalho? Ainda que possam haver reuniões formais, será que não vamos sempre estar com as calças de fato de treino ou pijama vestidas, pelo simples facto de conforto? Estar em casa hoje em dia implica muito mais do que estar sentado frente a um computador, existe sempre algo para fazer na cozinha, limpezas extra devido a todos os cuidados que temos de ter. Vale a pena estar a "estragar" roupa usando-a em casa? O certo é que as marcas acompanham a realidade e no caso, não faltaram opções para a chamada roupa confortável e elegante de andar por casa - uma forma simples de chamar os fatos de treino e pijamas a um lugar de topo nas escolhas e, uma vez mais, tendências dos consumidores. Ainda assim mantenho a questão inicial, haverá algum problema em nos arranjarmos mesmo que estejamos em casa? Há problema se houver maquilhagem, depilações, coloração de cabelo? Há problema em manter as novas tendências (assumidas no Inverno passado para a estação estival que se aproxima) mesmo estando fechados? Ou será tudo muito supérfluo, sem noção ou sem respeito pelo que se está a passar? Passamos uma vida inteira a sermos confrontados com as nossas escolhas de estilo, a nossa forma de vestir, e agora que estamos em casa e podemos fazer o que quisermos, continuamos a pensar no que dirão os outros - que nem nos estão a ver na sua grande maioria. 
Não creio que a Moda deixará de ter o seu espaço no mundo - muito menos que deixe de gerar tendências, mas não nos tempos que se avizinham. Podemos assumir que desta vez fomos nós, foi o Mundo quem mudou a tendência criada por estilistas e autores. Possivelmente será assim nos próximos tempos ou temporadas, à necessidade das pessoas a Moda terá de se adaptar senão corre risco de se tornar um elemento de criação a cair no ridículo. Deixará sim, temporariamente, de ditar formas de vestir, passará a ser menos elitista talvez. Mas acima de tudo, não desaparecendo, terá de inevitavelmente mudar o seu status até agora garantido, podendo talvez gerar um outro tipo de empatia para quem até agora acharia ser um mundo fait-divers.

Fotos @theyoumaybe


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Monday, February 24, 2020

A inconveniência de ser livrólico - 1ª edição
February 24, 20200 Comments
Ir a Londres é, para mim, ir a espaços iguais aos de outras idas e ir também a outros tantos que não conhecia ainda. Nomeadamente livrarias. Até parece que cá em Portugal não há, poderão pensar. Até podem mesmo dizer qual necessidade tenho, real, para estar a invadir livrarias e folhear livros, quando "todos" sabemos que o futuro é digital. A resposta é simples, enquanto eu cá andar, enquanto tiver liberdade de escolha, irei optar por livros e páginas físicas. Pelo cheiro de obras antigas e pela tinta de novas edições. Não significa que não adira às novas tecnologias - nem posso atirar pedras porque já tenho alguns livros em formato apto para tablets, computador, Kindle, mas não há melhor prazer do que entrar em pequenas livrarias, principalmente noutros países, nos quais desconheço por completo o grau de literacia, o interesse pela literatura, os hábitos de leitura. Sei, por exemplo, que em Brick Lane, no coração do East End, em Londres, existe uma livraria (Brick Lane Bookshop de nome atual, claro!) que desde os anos 70 sempre pautou por ser irreverente, interventiva, marco da luta da classe operária e pobre da cidade que durante vários séculos foi desterrada para a zona das "docas". Sei também que já em zona "nobre", bem perto do Museu Britânico, existe uma livraria que se chama aprazivelmente "London Review Bookshop", onde entre livros, postais, revistas, existe também um café onde o negócio da literatura bate certo com o dos cappucinos e brownies
De resto, volto a nada saber ao certo, a não ser que tenho a caminho alguns álbuns incríveis sobre a zona leste londrina (publicações da Hoxton Press, cujas capas podem ser vistas nas imagens abaixo), porque é realmente fascinante conhecer não apenas a nossa terra, mas também outras terras. O mundo é global e para muitos de nós, as melhores e às vezes únicas viagens, passam mesmo e apenas pelo mundo do livro.






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Friday, February 14, 2020

Doce Bijou
February 14, 20200 Comments
Nascida no Brasil, entre o Paraíba e o Ceará, cresceu rodeada de Natureza, fossem folhas e palmeiras frondosas, ou o bioma que é a Caatinga, exclusivo do nordeste brasileiro, mais árido e seco. Não é de estranhar então a influência que esta mesma flora tem nas suas criações de joalharia.
Juliana Bezerra, 38 anos, (@Juliana Bezerra) veio para Portugal numa fuga decidida e supostamente temporária para respirar fundo após um problema familar.
Na sua então chegada a Portugal, Juliana, (Ju para os amigos), encontrou não só a paz que procurava, mas também o amor, junto ao que se tornaria mais tarde seu marido. Decidida a ficar de malas, bagagens e coração, procurou então melhor desenvolver as suas técnicas em escolas de joalharia e posteriormente no Atelier de Tereza Seabra onde foi estagiária.
O resultado foi simples. Em pouco tempo o seu nome tornou-se num dos mais conhecidos na internet e o sucesso através do Facebook e Instagram foi crescente. 
Agora, numa colaboração com outra brasileira que tem Portugal no coração e Lisboa na alma, Carolina Henke, a "dona do pedaço" que é a Brigadeirando (@BrigadeirandoLx), Juliana apresenta a coleção Dois Amores, que tem como tema o Amor, claro, e cujo lançamento foi alusivo à data de 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim.
Entre o aroma e sabor dos bolos tradicionais, criando também a atmosfera naturista que acompanha a amizade entre as duas criadoras, apresentam-se lembranças únicas sendo possível ainda hoje se adquiriem na loja do Lx Factory e posteriormente no site da designer de jóias, aqui: Juliana Bezerra Atelier e no seu atelier físico no Páteo Bagatela.






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