2020 - Cláudia Paiva Silva

Monday, February 24, 2020

A inconveniência de ser livrólico
February 24, 20200 Comments
Ir a Londres é, para mim, ir a espaços iguais aos de outras idas e ir também a outros tantos que não conhecia ainda. Nomeadamente livrarias. Até parece que cá em Portugal não há, poderão pensar. Até podem mesmo dizer qual necessidade tenho, real, para estar a invadir livrarias e folhear livros, quando "todos" sabemos que o futuro é digital. A resposta é simples, enquanto eu cá andar, enquanto tiver liberdade de escolha, irei optar por livros e páginas físicas. Pelo cheiro de obras antigas e pela tinta de novas edições. Não significa que não adira às novas tecnologias - nem posso atirar pedras porque já tenho alguns livros em formato apto para tablets, computador, Kindle, mas não há melhor prazer do que entrar em pequenas livrarias, principalmente noutros países, nos quais desconheço por completo o grau de literacia, o interesse pela literatura, os hábitos de leitura. Sei, por exemplo, que em Brick Lane, no coração do East End, em Londres, existe uma livraria (Brick Lane Bookshop de nome atual, claro!) que desde os anos 70 sempre pautou por ser irreverente, interventiva, marco da luta da classe operária e pobre da cidade que durante vários séculos foi desterrada para a zona das "docas". Sei também que já em zona "nobre", bem perto do Museu Britânico, existe uma livraria que se chama aprazivelmente "London Review Bookshop", onde entre livros, postais, revistas, existe também um café onde o negócio da literatura bate certo com o dos cappucinos e brownies
De resto, volto a nada saber ao certo, a não ser que tenho a caminho alguns álbuns incríveis sobre a zona leste londrina (publicações da Hoxton Press, cujas capas podem ser vistas nas imagens abaixo), porque é realmente fascinante conhecer não apenas a nossa terra, mas também outras terras. O mundo é global e para muitos de nós, as melhores e às vezes únicas viagens, passam mesmo e apenas pelo mundo do livro.






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Friday, February 14, 2020

Doce Bijou
February 14, 20200 Comments
Nascida no Brasil, entre o Paraíba e o Ceará, cresceu rodeada de Natureza, fossem folhas e palmeiras frondosas, ou o bioma que é a Caatinga, exclusivo do nordeste brasileiro, mais árido e seco. Não é de estranhar então a influência que esta mesma flora tem nas suas criações de joalharia.
Juliana Bezerra, 38 anos, (@Juliana Bezerra) veio para Portugal numa fuga decidida e supostamente temporária para respirar fundo após um problema familar.
Na sua então chegada a Portugal, Juliana, (Ju para os amigos), encontrou não só a paz que procurava, mas também o amor, junto ao que se tornaria mais tarde seu marido. Decidida a ficar de malas, bagagens e coração, procurou então melhor desenvolver as suas técnicas em escolas de joalharia e posteriormente no Atelier de Tereza Seabra onde foi estagiária.
O resultado foi simples. Em pouco tempo o seu nome tornou-se num dos mais conhecidos na internet e o sucesso através do Facebook e Instagram foi crescente. 
Agora, numa colaboração com outra brasileira que tem Portugal no coração e Lisboa na alma, Carolina Henke, a "dona do pedaço" que é a Brigadeirando (@BrigadeirandoLx), Juliana apresenta a coleção Dois Amores, que tem como tema o Amor, claro, e cujo lançamento foi alusivo à data de 14 de Fevereiro, Dia de São Valentim.
Entre o aroma e sabor dos bolos tradicionais, criando também a atmosfera naturista que acompanha a amizade entre as duas criadoras, apresentam-se lembranças únicas sendo possível ainda hoje se adquiriem na loja do Lx Factory e posteriormente no site da designer de jóias, aqui: Juliana Bezerra Atelier e no seu atelier físico no Páteo Bagatela.






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Thursday, February 13, 2020

Bonjour Simone
February 13, 20200 Comments
                   

Simone Matos has always lived near the Atlantic Ocean and that can ultimately change a person. The typical blues and greys from the Lisbon western coast climate are visible and present in her life and are one of the bases for her Jasmin Project – a collage work collective that was first born as a quite private and personal creative journal. Today, the graphic designer has challenged herself and others to make these images together, as a way to relax from the daily craziness but specially to provide a creative mind boost for every one of every age, allowing people to express their feelings in a physical mood board. 

How did Jasmin Project happen? 
SM – This project comes from the heart. It was created about 4 years ago when I started to make image clippings about dreams and magic. It is truth that I have always made collages. I used to personalize my school notebooks and files but is was between high school and the university when I’ve gained a different detailed esthetic sensibility. My artistic essence started when I began looking at fashion magazines, cutting different visual textures, colors and feminine elements and putting it all together in such a way it made sense to me. My first collage, which is called “Jasmim” of course is a composition between art, textures and feminine details – which is the essence of my creations.
                                                
Besides being a very personal art form to express ideas, moods or even private desires, what led you to share it with others?
SM – Well between that period I mentioned, I did voluntary work with elderly people and I feel that finding a space/time for a workshop, to create a group in such a way they can relax and develop their creativity as well as their mental balance is a lovely thing. And that can work for everyone. 

From what you have seen during your workshops, do you feel there is discrimination in some artistic expressions in Portugal, like weaving or embroidery which are still regarded as manual “feminine/female” tasks? Collage per se is not usually accomplished by male artists and you don’t see them as often as woman in your encounters. 
SM - Well actually I don’t feel that even though the way I create a collage is based in dreams, hopes or wishes and of course in that feminine essence. I try to bring some graphic and poetic style along with fashion and surrealism and that, in a last case, is quite “feminine”. However, I’ve had male participants at the workshops which resulted in something very personal and they expressed their imagination in a masculine counterbalance. It was a change of scene. 

                                              


Do you feel that collage as well as urban art can have a social impact and act as an intervention form? Do you think there is some sort of a growing national conscience that it can impact in a political view? 
SM – With absolutely no doubt! Every single art form may have an interventive role in the most various interventive ways and collage is no different. In other countries it is even used in economy magazines as illustrations, so it all depends of the meaning and way you want the collage to work – the importance you want it to have. 

After your voluntary work, have you ever considered to organize once again some workshops and encounters in nursing homes or Senior Universities? What kind of impact do you think it could have?
SM – That’s a wonderful question! Thinking about it, with the memory loss process due to aging, it is quite necessary to create some incentives to creativity as a way to exercise the brain. Establishing a workshop ou formations dynamic that could be applied the older people, stimulating their minds, rescuing the past and making sure about their hopes and believes would be an amazing opportunity. It would give real importance for the expression of their feelings and it optimize their life perspective. For me it would be the best reward possible! .  

Finally, what would you say ii was your biggest conquest so far with this project? 
SM – That answer is very simple! The sharing in the workshops. It was something that I started to think about, but it only became real after I was invited by and agency to be the instructor of a Instax (Fujifilm) workshop. It was really a dream come true and it was so beautiful to see how it all went so smoothly and how all the participants were so focused in it. For me collage was always my mindfulness moment: to slow down, to get focus in the moment and forget about all the distractions (mobile phone eventually!). It is really great to see this dream, the Jasmin Project, to be embraced by so many people and becoming even more real. 
   


(the original text can be seen at A City Made by People, here: Jasmim Project - Construction of the Memory)
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Tuesday, January 28, 2020

Memória
January 28, 2020 2 Comments
Lutámos com todas as nossas forças para que o Inverno não chegasse. Agarrámo-nos a todas as horas tépidas, a cada fim de dia procurámos reter o Sol no céu mais um pouco, mas tudo foi inútil. Ontem à noite o Sol pôs-se irrevogavelmente num emaranhado de nevoeiro sujo, de chaminés e de fios, e hoje de manhã é Inverno.
Nós sabemos o que isto significa, porque estávamos aqui no Inverno passado, e os outros aprendê-lo-ão cedo. Significa que, ao longo destes meses, entre Outubro e Abril, em casa dez de nós, sete irão morrer. Que não morrer, irá sofrer minuto após minuto,em cada dia, todos os dias: desde antes do amanhecer até à distribuição da sopa da noite, deverá ter constantemente os músculos tensos, dançar de um pé para o outro, bater os braços debaixo das axilas para resistir ao frio. Terá de gastar pão para arranjar luvas, e perder horas de sono para as remendar quando estiverem descosidas. Já não se podendo comer ao ar livre, teremos de tomar as nossas refeições na barraca, de pé, dispondo cada um de um palmo de chão, pois é proibido apoiarmo-nos nos beliches. Nas mãos de todos abrir-se-ão feridas, e para obter uma ligadura teremos de esperar todas as noites durante horas, de pé, à neve e ao vento.

Primo Levi, Se isto é um Homem
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Flower Power
January 28, 20200 Comments
Mary Lennox

Ainda com os resquícios da inspiração que senti no último domingo no workshop do @ Jasmim Project pela mente de @ Simone Matos (cuja entrevista será publicada em breve aqui no blog e n'A City Made by People), trago mais algumas ideias num moodboard onde a natureza das flores em cores mais neutros e suaves continua a coincidir com os tons castanhos, beiges, rosa e lilás que marcam a transição entre as estações. 
Aproveitando a onda dos (ainda) saldos, continua a apostar-se nos blusões alcochoados, fofos e quentes (como na imagem abaixo e @ aqui, pela Massimo Dutti). Para quem aposte forte em peças de marca que irão durar uma vida, um investimento razoável poderá ser na Coach. Sejam tote bags ou crossbody, com toque desportivo, nomeadamente na alça, ficam sempre bem em qualquer ocasião (@ aqui). 


Mary Lennox


Como de costume, também deixo a versão mais desportiva, não dispensando o toque feminino. A Vans tem agora por quase metade do valor o modelo de inverno (forrado a pelinho branco e fofo) SK8-HI MTE (@ aqui!) que só por acaso fica bastante bem com a mochila @ Herschel Nova Mid Volume.
Um toque de cor num Inverno que tem sido bastante frio. 




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Monday, January 20, 2020

Expiração
January 20, 20200 Comments
Continuando com os tons castanhos, cinzas e beges, as minhas cores de eleição para fazer face às eternas jeans, e evocando a inspiração dos ocres e secos, ficam algumas ideias de estilo para esta estação (e não só). 
As Vega Pants, criadas pela Marisa para a sua marca pessoal Sienna Inspo, são ideais para todas as que gostam de modelos em bombazina (quem diria que a nossa pior memória de infância, a infame bombazina iria regressar em força redobrada nesta segunda década do milénio?), mais largos e com cintura subida, terminando num folho rodado em toda a cintura. Perfeitas para compôr um estilo mais clássico, ou simplesmente para vestir com uma sweatshirt. 

Sienna Inspo Vega Pants (@siennainspo)

Nike Air Force 1´07 (Nike)

Já em relação aos novos Nike Air Force, posso garantir que estou caidinha - e apenas vejo pela foto. Primeiro o conforto e depois a plataforma mais lisa (própria para as caminhadas do dia a dia, na lufa lufa do costume) a que a marca desportiva deverá ter em conta, devem encher as medidas de quem, como eu, opta pelos ténis como sapato de eleição e que os utiliza PARA QUALQUER SITUAÇÃO! 
Gucci GG Supreme Messenger Bag (Gucci)
Só porque sim, acrescentei esta mala GG tiracolo da Gucci. Poderá ser disparato, mas temos de admitir que o padrão clássico com o toque desportivo da alça mais larga nas cores tradicionais da marca, fazem sempre as delícias de tod@s. 
Já em relação a fragrâncias, rendi-me finalmente aos Eau de Parfum. Libre de Yves Saint Laurent (@yslbeaute) é absolutamente incrível. Entre a flor de laranjeira e alfazema, é um aroma que, para mim, faz lembrar um perfume mais masculino e exactamente por isso é que fiquei convencida. Embora lançado para o Inverno 2019/2020, é possível que se possa também encaixar para a nova estação. Por agora aguardam-se novidades a partir deste aroma. 

Libre de Yves Saint Laurent (Perfumes e Companhia)




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Inspiração
January 20, 20200 Comments
Quando penso no modo "slow living", o que me vem à mente serão sempre paisagens douradas e secas e arranjos de flores ou plantas que tanto fazem lembrar o mais rústico ou o mais "clean" possível. Porque é possível misturar e fundir ambos os estilos, criando assim uma ponte entre o antigo e moderno, tradicional e industrial sem cair no exagero dos extremos. 


Ruby Barber (Entrevista a Ruby Barber) é uma das criadoras da Mary Lennox, uma loja especializada em arranjos florais. Nunca o termo "flower styling" esteve tão em voga, mas certamente é aí que recaem as gerações mais jovens de floristas e botanistas já no virar do último século e milénio. Numa época em que se procura um maior contacto com a Natureza, Ruby retrata como ninguém cenário idílicos seja para fins publicitários a perfumes como para catálogos de moda ou mesmo revistas especializadas em "fashion food". Quem diz que não se pode brincar com comida? 
Natural da Austrália mas a viver em Berlim, Ruby inspirou-se no livro "O Jardim Secreto" de Frances Hodson Burnett e na sua personagem principal Mary Lennox para a génese da sua loja/atelier e sem dúvida que os seus trabalhos me inspiram também... 



All photos by Mary Lennox



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Friday, January 10, 2020

A (não) abdicação
January 10, 20200 Comments
Acabei de ler "Neste tipo de atitudes é que se percebe como Meghan não pertence à realeza". Goste-se ou não da americana independente, acho mais correto aplicar esta mesma declaração à atual Rainha de Espanha. Lá está, gostos são gostos e opiniões são opiniões. Contudo, é realmente surpreendente a forma como Meghan tem conseguido desde que apareceu, mudar tudo à sua volta. Se para melhor ou pior, que interessa? Num país que se está a aproximar muito de um Estado nacionalista (e porventura tão ou mais de direita do que no tempo de Chamberlain), acho que este "Exit" de dois membros da Casa Real deveria realmente ser a menor das preocuções gerais. Contudo, claro que não deixa de ser algo ridículo e alvo fácil e inevitável de qualquer conversa. Ninguém sai de uma das monarquias mais antigas do Mundo sem mais nem menos, só porque se quer. E quando isso acontece é geralmente pelo pior do motivos - não creio que seja o caso atual. Ela era famosa, embora medianamente, no outro lado do Atlântico apenas. Ele é apenas um dos filhos da Princesa Diana. E assim se diz tudo! Ela pensava que iria conseguir ser famosa deste lado do Atlântico também, mas esqueceu-se que não era apenas cá, e sim em todo o Mundo. Ela entrou na "Famiglia" e foi aceite e bem acolhida, mas não soube como lidar com a pressão. E claro, deve ter um feitio muito diferente do da cunhada - só que a cunhada (que, espera, também não pertencia à realeza), teve de se fazer à vida e namorou quase 10 anos com o herdeiro ao trono (e não apenas 2), logo, teve mais do que tempo para se prepara(rem) ao que daí resultava. E mesmo assim acredito que não se preste a tudo e que quando não gosta de alguma coisa, também o demonstre, nem que seja à maneira mais britânica possível. 


Dizer-se à boca larga que ele abdicou por amor talvez não seja completamente errado. Harry sempre foi o rebelde dos Windsor, o que fumava, o que bebia, o que teve mais namoradas, o que foi para a guerra, o que se dedicou às causas humanitárias (mais visíveis), por isso não é de estranhar que tenha escolhido como parceira alguém com um espírito guerreiro, livre. Mas também deveria saber o que isso implicaria - não nele, mas nela. Deveria saber que ela teria de abdicar de praticamente tudo e ainda ser aceite numa terra onde de repente querem expulsar os estrangeiros indesejados. E ela além de não ser britânica, nem da Commonwealth, é afro-descendente, o que para se calhar 98.9% da populaça que liga a essas coisas, deve calhar muito mal. Se ele escolheu abdicar, terá sido por amor sim. 
Eu não gosto nem desgosto da moça, embora assuma que, a meu ver, este papel, de todos os que protagonizou, é o que lhe assenta pior. Acho que realmente é outra miuda que não sabia ao que ia, que achava que seriam só coisas boas (ou poucas coisas más) e vida de princesa e afinal enganou-se redondamente, mais ainda num país que não a quer lá, nem a ela, nem a ninguém que não goste de fish&chips (estou a generalizar claro. Nem todos os ingleses devem ser xenóbofos ou racistas ou nacionalistas radicais). 
De qualquer forma, e tenham eles todas as razões do mundo, não é assim tão fácil e muito menos da forma como andam a fazer as coisas. A ser verdade que não passaram cartão à família (dele), à Firma (onde ele pertence e como Diana a tratava), nem à Rainha, não podem ou devem escrever frases bonitas a dizer isto e aquilo, como se amanhã saíssem do palácio e fosse para o apartamento. Como se hoje andassem com guarda-costas e amanha pudessem ir ao supermercado sozinhos. Ela até pode estar habituada (a cunhada também o fazia), mas isso era "dantes". E em como todas as nossas histórias de vida, "dantes é que era bom. Antes e abdicarem, outros Brexits irão ocorrer. Por agora terão de esperar, entre o chá das cinco e as visitas oficiais em agenda e protocolo. 
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Uma mulher chamada Cristina
January 10, 20200 Comments
Houve uma altura em que eu sentia a necessidade de quase pedir desculpa antes de escrever alguma coisa aqui. Uma sensação de culpa e tormento que me toldavam o espírito crítico que é meu apanágio e que sempre fez de mim quem sou - contudo, à medida que os anos iam (e vão) passando, comecei a compreender através de outras redes sociais, que isto de se ter opinião pessoal não é uma coisa assim tão boa. Ganhando-se total liberdade para escrevermos o que quisessemos, perdemos afinal o direito de escrever o que queremos com risco de sermos julgados, insultados, humilhados por pessoas que nem sequer nos conhecem mas que conseguem, mais uma vez atrás de uma máquina, (ex)pulsar todo o fel que ao longo das suas longas ou curtas vidas foi enchendo o seu corpo. 
Contudo, chegada ao dia de hoje, e olhando para aquilo que tem sido a vida deste canto da blogosfera, onde raramente passa alguém (para alguma coisa o algortimo e análise estatística têm de servir), percebo que afinal, estar a pedir desculpa por, num espaço que "é meu", escrever o que eu penso (não são mais do que ideias preconcebidas da minha visão em meu redor, no meio onde me encontro), é apenas estúpido. 

Depois deste relambório, o que me ocorre? Que nós, humanos no geral e portugueses no particular, temos todos os sintomas de burrice crónica. Não obstante a perda de memória coletiva, que nos leva a repetir desmesuradamente (mas com cada vez maior e mais eficaz eficiência bélica) erros passados, ainda continuamos na crendice de dogmas seculares, de tabus não contronáveis e de acharmos que tudo o que é luz, é, obviamente ouro. 

Tenho a minha opinião sobre a Cristina Ferreira. Acho que ela é o 8 e 80 e tanto a acho a tipa mais esperta do burgo, com uma energia para fazer as coisas e conseguir fazê-las, como também aquela que mostra menos humildade. Como sabem eu sou a primeira a afirmar imperativamente que nós portugueses continuamos a sofrer com aquela coisa de "termos de agradecer por sermos bonzinhos em alguma coisa", não tendo qualquer vaidade quando a deveríamos ter e sermos sobranceiros quando não deveríamos. Contudo, há limites. Ou pelo menos deveriam haver. E a Cristina, só porque acha que "merece" este mundo e o outro, sendo que é realmente boa em algumas coisas, mas NÃO EM TUDO, acaba por atingir o patamar de arrogância extrema que carcateriza aqueles que não olham a meios para atingir os fins. A Filomena Cautela ontem, no regressado 5 para a Meia Noite, perguntou-lhe se a revista era um exito e a resposta não se fez por esperar: Não, porque deveria ser muito mais! (vendida, note-se).
Sim, a revista é excelente. O conteúdo não é nada mau. E ela sabe perfeitamente bem quem convidar. Mas NÃO É A MELHOR revista do pacote. Não inova por aí além. Existem algumas mais que também têm conteúdos tão bons como a revista Cristina, da Cristina Ferreira, e sim, também são feitas por um núcleo editorial de pessoas que também merecem ser bem pagas, religiosamente, pelo seu trabalho, todos os meses. E muitas não o são porque os focos de publicidade não têm comparação, porque as pessoas só olham para o que está na berra e para as capas e são incapazes de pagar muito mais do que as revistas de fofoca, Correio da Manhã e a Bola (ao que junto agora a Visão que volta e meia lá se lembra de se vender com capas sensacionalistas).





E agora a cereja: A Cristina quer/gostava de candidatar-se à Presidência. E quer/gostava e vai conseguir (a Presidência, não apenas a candidatura, que essa é a parte mais fácil num país onde o grau de iliteracia é cada vez maior, onde o tal pensamento crítico não existe, onde as nossas figuras públicas, agora designadas por "inflenciadores" não sabem sequer o que é ou não "influenciar" com excepção de trapos e dicas de beleza). A Cristina vai ser Presidente (e na altura até talvez obrigue ao nosso léxico que haja a palavra PresidentA) porque acha que tem imensa capacidade para tal, porque acha que conhece as necessidades dos portugueses, porque, enfim, acha que "merece". E talvez mereça! Mas para isso, a tal da "arrogância" terá de ser limada, terá de compreender que há mais gente como ela, com os mesmos objectivos, com as mesmas capacidades (ou mais ainda), e que, não tendo tido a sorte que ela teve nunca irá conseguir sair de onde está. E eu defendo que ela chegou onde chegou por mérito. Mais uma vez porque num país onde quase é preciso pedir desculpa para escrevermos a nossa opinião, houve uma Mulher, que deve ter batido o pé e dado murros na mesa, não fosse ela a tal "saloia" da Malveira - pessoas, tenham noção que ser-se saloio, em pleno século XXI não é ofensivo, mas sim prestigiante e motivo de orgulho!- para fazer valer as suas ideias. Não, nem todas (e alguns) têm de subir pela via supostamente óbvia e "horizontal". Basta serem verdadeiros e não seguirem a manada. Nisso, eu e ela somos iguais: não estamos aqui para enganar ninguém mas muito menos estamos aqui para nos enganarmos a nós mesmas. E embora ache que talvez a Presidência seja um passo bem superior do que as pernas, e que se calhar ela não sabe bem no que se irá meter, no que isso implica, não é a ela que tem de abrir os olhos, mas sim todos os que nela votarem eventualmente.

Num mundo de Balsonaros, Trumps, Johnsons, Maduros e por aí segue a carga, será que queremos mesmo uma Cristina à frente desta nossa barraca? 


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Tuesday, January 07, 2020

Pós Dia de Reis
January 07, 20200 Comments

Certifico-me que escrevo com o devido atraso de quem, no dia de ontem, escolheu ler invés de escrever e que foi exactamente por ler que hoje decidiu escrever.
Depois de uma conversa cujo início subtancialmente aleatório levou à carcaterização da Fé na Ciência e na Fé num Deus, acabei por, a caminho de casa, reparar na mais pura das verdades humanas e como tal, espirituais, pois nada de alma se faz sem corpo, nem nada de esotérico se pensa sem a humanidade que individualmente todos deveríamos ter. 
"Se Deus existe, Hansi? - supreendera-se um dia Groves, a meio de uma conversa de circustância em que, não sabendo o que dizer a seguir, ele se permitira negar tudo o que não pudesse ser provado em laboratório. - É evidente que Deus existe. Existe nas Escrituras. Existe na arte. Existe na tradição e na fé. Na cultura. Nenhum mito foi tão ampla e repetidamente emulado, e evocado, e questionado, e protegido. Deus existe como existem e permanecem disputáveis todas as grandes criações humanas. É a suprema obra de arte. Declarar a inxistência de Deus é rejeitar a capacidade de abstracção do Homem. É rejeitar a própria Ciência." (Meridiano 28 de Joel Neto, Editora Cultura)
Daí que, se o mar abriu pelo recuo das águas (e potencial tsunami) após  um dos muitos sismos que proliferam toda a região do Médio Oriente, deixará de ser menos válido o milagre? Ou será o evento natural em si uma prova de Deus? Se cada episódio de milagre é obra de uma entidade concebida como criadora, será menos válido assumir que o Homem que salva a vida de alguém, que luta contra as chamas, que ultrapassa obstáculos, que pisa a Lua e irá mais além, não dá provas de santidade também? 


Imagem: Sweet Gula

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