E eis que ele chega - presunçoso na sua certeza que iria entrar em grande (lixando aliás parte do mês de agosto), com temperaturas mais baixas, com chuva, a exigir que já se mude o guarda-roupa e o chip para "pós-férias".
Pois bem, a mim nunca enganou - principalmente porque não ter férias obriga-nos a ver e a medir o tempo de outra forma. É exatamente a mesma rotina, todos os dias, mas observando que a velocidade da luz parece que aumenta. Ainda ontem estávamos a discutir as cheias do Mondego, os ventos de Leiria (e por acaco estivémos mesmo) e hoje já andamos aqui a debater os fluxos de lama no Nepal ou as chuvas intensas no Grand Canyon - são várias borboletas a bater asas e a gerarem tempestades em várias outras regiões do mundo.
Mas sim, setembro chega para nos alertar que hoje, ainda 31 de agosto, às 20.00 horas já se põe noite, que os dias estão impressionantemente mais pequenos, que a volta do astro-rei já não chega para aquecer todas as divisões da casa, mesmo que estejam previstas mais algumas temperaturas elevadas. Já não "vai bater" da mesma forma.
As escolas reabrem céleres - os pais fartos das férias dos miúdos (e agora que poderiam eles ir de férias, têm as tarefas profissionais também a chamarem-os) e o vaivém dos trabalhos, das marmitas para fazer, dos banhos para tomar, dos jantares e almoços a preparar - o regressar aos escritórios para apenas verem as caras do costume. Aquelas que até se acha alguma piada - mas que não são os amigos de uma vida - e as outras as quais é um esforço sequer dar os bons-dias.
Vale-se quem vê isto tudo como se estivesse do lado de fora. E que esteve fora do padrão natural das coisas. Vi os dias a passar, mais curtos, depois mais compridos e agora mais curtos de novo. Comecei a expôr mais o trabalho que faço e a facilitar algumas informações à sociedade civil e às comunidades, ao mesmo tempo que tento manter-se sã num mundo que, claramente, começa a ter muito pouco lastro para quem tem ideias, ou pretende criar projetos. Ou simplesmente falar sobre eles.
Ou então setembro volta a dar-nos aquele boost de "já falta pouco" para o final do ano - é só mais um esforço até ao apito final traduzido por fogo de artifício, passagem do ano em direto via RTP Madeira, e a expetativa de que para o ano "vou-me vingar" e durante 3 semanas andarei em modo "desaparecida" em combate. O problema é que não sei o dia de amanhã, quanto mais o que será daqui a 3 meses, menos ainda daqui a um ano.
Falando mal, mas de forma séria e realista? Quantas mais pessoas irão morrer? Quantas mais guerras terão começo? Quantas mais crises económicas, recessões, inflações - será que teremos mesmo oportunidade de estar "off", - ah, porque a nossa saúde mental..... FALÁCIA. Isso é uma falácia. Querem-nos ativos, disponíveis - e não, não é ao modo da coitada da Vanessa Martins (essa mesmo que tantos dizem que "apenas vende gomas") - tem piada - se ela fosse dona ou sócia da Bional ou Arkopharma e as gomas fossem vendidas numa farmácia comunitária, estariam calados - é mesmo ao modo que os governantes querem que estejamos a atuar.
Uma sociedade hiper produtiva, mas a cair aos bocados com esgotamentos e depressões (que, no caso das mulheres e alguns homens que têm a coragem de o admitir) vistas como fraquezas, situações que não aconteceriam se tivéssemos realmente ocupações - veem o paradoxo idiota da coisa?
Voltemos a setembro - e não me lixem - existem livros que nos fazem lembrar setembro, aquele período de transição e melancolia, das férias saturadas a cores de filtros de telemóveis (alguém ainda usa, no mínimo, máquinas digitais?). Livros que são magníficos exercícios de escrita, mas que pouco adicionam às nossas vidas. Porque até a leitura começou a ser uma corrida.
E existem músicas que não saem do modo verão, nem mesmo chegando o inverno. (E ainda bem por elas e por nós!).
É o efeito setembro, digo-vos: as cores castanhas, verdes tropa, azuis marinhas e cores de vinho, que se mesclam com o saudosismo do verão, das tais férias rápidas (porque passam a correr, sem dúvida alguma), dos mergulhos em sal grosso de mar ou oceano.
E não é que setembro impeça outras memórias e mais mergulhos - mas entendo. O sol não é o mesmo. O calor, mesmo que regresse, já se sente diferente. Os dias encurtam, não prolongam. É o pedido da natureza para retornar a casa, à zona de conforto, à comida caseira, ao aconchego. À normalidade dos dias.




.webp)

.jpeg)
.jpeg)


