Cláudia Paiva Silva : blogger
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Wednesday, February 09, 2022

Rituais à primeira pele, na primeira pessoa do singular.
February 09, 20220 Comments

Se um dia é Não, no outro temos que o transformar num Sim gigante. 

Perante a confusão em que a vida se tornou, algo foi notório em mim. A transformação física que se observou - o que obviamente não será assim tão distinto do que acontece com todas as pessoas que podem passar por situações menos positivas. Como cantava Variações, "o corpo é que paga", seja com aumento ou redução bruscas de peso, seja com cabelos brancos, queda ou desfortelacimento, seja com mais rugas, papos e olheiras. E não havendo milagres para repor tudo como estava, podemos no mínimo ter a força necessária para, quando sairmos da toca, prevenirmos ou adiarmos um pouco mais estas alterações às quais somos expostos quase diariamente devido aos mais diferentes fatores ou causas. 

Tendo em conta que no meio do caos ainda fiz uma formação em Dermofarmácia e Cosmética, gostaria que esta publicação de hoje descrevesse e exemplificasse a minha rotina diária de hidratação da pele (facial), de forma simples, sem grandes alaridos sobre as formulações e ingredientes - contudo, mencionar apenas as marcas Caudalie, SkinPerfection e Clarins não irá clarificar ninguém, pelo que, bare with me, terei de me alongar aqui e ali no texto. 



Para começar, esclareço desde já que não há nada como a água para lavar a cara (sim, estamos a atravessar mais um período de seca prolongada e grande parte da população mundial não tem acesso a água potável - estou consciente disto tudo) - contudo, nada substitui a água para uma melhor limpeza e quanto a isso nada posso fazer. Claro que haverá excpeções: uma água mais ou menos rica em determinados elementos químicos poderá promover maior secura na pele, terá de estar a uma temperatura tépida, nem muito fria, nem muito quente para não causar choques térmicos, entre outros fatores. Digo desde já e também que, por muito bons que sejam (e já o são) as águas micelares ou outros produtos de limpeza facial que não tenham necessidade de serem usados com água, a minha sensação pessoal é de ficar com a cara pastosa, oleosa e, claro está, não limpa. Assim, o que geralmente faço de manhã é, ao lavar a cara, usar uma espuma de limpeza associada - gosto muito da textura, é de fácil utilização e permite-nos controlar melhor a quantidade que usamos. Para o caso, ou uso a espuma de limpeza da Yves Rocher cuja formulação contém extratos de microalgas (organismos da Natureza mais do que reconhecidos pelo seu potencial de oxigenação, remediação celular e limpeza em profundidade), ou a espuma da Caudalie. A sensação de conforto final é muito boa e não deixam a pele seca. 






Posteriormente à lavagem e remoção da água e humidade, e porque estamos no Inverno (ainda que mais quente, ou seja, estranho, do que habitual), tenho sempre de aplicar seruns ou cremes hidratantes. A nossa pele não reflete apenas o nosso organismo ou as consequências e respostas internas de qualquer problema, mas claramente também dá sinais às exposições ambientais, sejam elas as alterações de temperatura, a poluição, o uso de máscaras, num sem número de influências tóxicas que impedem a respiração através dos poros e células da epiderme, promovendo a sua desidratação e deteoriação. 
Neste momento, os meus produtos de eleição são o Vinosource Hydra da Caudalie em gel-creme, que além de ser rapidamente absorvido pela pele, é extremamente fresco, devido à sua forte composição de água, e o contorno de olhos da SkinPerfection, que me ajuda a combater os traços evidentes de noites sem dormir, onde o stress e a ansiedade dos últimos meses "falam mais alto". Em relação a este contorno de olhos, e sendo esta marca ainda pouco conhecida em Portugal, posso e devo explicar que o seu principal ingrediente ativo, o Plasmarine Active Complex (TM) é também conseguido a partir de microalgas marinhas. Formulado em lipossomas, que de forma simples podem ser explicados como "veículos" de administração aos produtos farmaceuticos ou nutrientes, atua assim em maior profundidade. Associado ao potencial que as microalgas possuem, o Plasmarine Active Complex (TM) é assim rico em ácidos gordos, vitaminas, aminoácidos e antioxidantes.  Por outro lado, este Soothing Eye Contour, também possui retinol (um derivado da Vitamina A) responsável pela ativação do colagénio* na pele, ou seja, tem uma maior capacidade de reduzir rugas ou linhas de expressão, aumentando a sua firmeza. Se bem que ao primeiro imapcto o aroma possa não ser agradável, a sua textura cremosa (possui Manteiga de Karité) permite uma aplicação de pouca quantidade, também rapidamente absorvida numa zona tão sensível, mas deixando uma sensação de hidratação. 
Regra geral, e como atualmente não aplico maquilhagem por uma questão de habituação da pele a novas rotinas de exposição (uso de máscara nos transportes, retorno à normalidade e maior suscetibilidade à atmosfera ambiente fora de portas, luz solar ...), o que costumo igualmente fazer, em dias intercalados, é aplicar o creme Extra-Firming de Dia da Clarins, um hidratante que atua exclusivamente para o preenchimento de primeiras rugosidades, para a firmeza no contorno de rosto, contribuindo também para o controlo das manchas escuras/pigmentação, e efeitos da poluição. 



Já em termos de cuidados noturnos, o truque é o mesmo. Agora sim, em primeiro lugar uso água micelar da Bioderma, com patchs de algodão ou tecido, removendo a primeira camada de sujidade (e acreditem, o algodão e tecido não enganam - é incrível a quantidade de partículas que nos afetam e ficam no nosso rosto diariamente) -, depois é que "lavo a cara" com a espuma, passando posteriormente à hidratação. 
Aqui recorro primeiramente ao sérum da gama de Vitamina C da Caudalie, que ao ser formulado para se obter uma maior biodisponibilidade (extensão e velocidade de absorção pela circulação sistémica), permite preservar a sua permanência e efeitos na epiderme - rápida absorção e sensação de pele seca, sem qualquer oleosidade ou presença de creme. Já para os olhos uso o creme contorno da mesma gama, que também atua de forma continuada - e daí eu o aplicar à noite, o que auxilia também a sua atuação enquanto existe um descanso da pele e corpo. Volto a constatar que, derivado dos seus ingredientes de origem natural, o aroma poderá ser um pouco mais intenso em ambos produtos, mas vale a pena a sua continuada aplicação - primeiro estrranha-se, depois entranha-se.
À noite, e também de forma intercalada, uso, desta feita, o Multi-Active Nuit da Clarins, com extrato de papoila, e formulado exclusivamente para o descanso e remediação celular, tonificação e luminosidade da pele. 

Se é verdade que uma boa gama de produtos, ou uma boa combinação acaba por ser um peso no orçamento pessoal, e nem todos temos esse poder de compra ou privilégio, também não deixa de ser verdade que hoje em dia, mais marcas de excelente qualidade, apresentam alternativas viavéis para tratamentos básicos ou continuados em problemas dermofarmaceuticos. Seja como for, nada equivale em falar diretamente com um especialista em cuidados da pele (designados por beauty advisors e associados às marcas específicas), dermocosmética ou farmaceutico que melhor podem aconselhar às nossas necessidades específicas. Cada caso é um caso distinto e cada pessoa terá uma resposta diferente ao que realmente precisa - até mesmo por uma questão de sustentabilidade, dever-se-á adquirir apenas o essencial e nunca optar pelos "pacotes" que nos são vendidos muitas vezes de forma agressiva e que não precisamos. 
Há que optar pelo melhor para nós, sempre, mas falando com quem sabe! 


* Colagénio - (proteína mais abundante no corpo humano, estrutura fibrosa, de sustentação não apenas da pele, mas principalmente também das nossas articulações)

 

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Monday, February 07, 2022

Criar memórias Intax numa EVOlução natural
February 07, 20220 Comments

 

Cada vez mais a tecnologia moderna acaba por coincidir com ideias do passado recente. O conceito de polaroids ou impressão imediata de imagens não é novo, contudo, a forma de o realizar vai-se alterando ao gosto do que o público em geral pede e que se espera ver no mercado fotográfico. 

A nova Intax mini Evo é assim uma evolução natural do mundo proporcionado pela FujiFilm, permitindo não apenas a impressão tradicional já característica mas também a função de conectividade a smart-iPhones com multiplas vantagens - a gravação das imagens na memória telefónica, o disparo a partir de comando remoto, ou a impressão de imagens contidas nos aparelhos, através da App Instax própria e totalmente gratuita.

Além disto, permite realizar 100 hipóteses de imagem, combinando 10 filmes e 10 lentes para um resultado original - on top of that, a qualidade de impressão revela-se a melhor de sempre (até à data) pela Instax, o que leva uma maior valia face às outras máquinas do mesmo fornecedor. 

O artigo completo encontra-se aqui: Revista Rua





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Phoenix Aura, o Poder do Renascimento da pele
February 07, 20220 Comments

De forma a combater o stress do dia a dia, e mais ainda o rápido envelhecimento da pele ou o seu aspeto mais frágil - e basta para isso voltarmos à nova normalidade, com a continuação do uso de máscaras, a utilização de séruns torna-se um hábito essencial no cuidado a ter com a pele do rosto. Com o objetivo de atuarem em profundidade, sendo por isso mais fluidos e ricos em componentes ativos específicos, preparando a pele não apenas para um hidratante ou diretamente para maquilhagem, a utilização de séruns permite assim uma oxigenação e purificação da pele, com atuação ao nível das camadas mais profundas da epiderme podendo logo contribuir para uma melhoria nas funções celulares. Como tal a Freshly Cosmetics apresenta agora um novo produto, rico em ingredientes sustentáveis, como é seu habitual, através do qual, e por resultado da sua nova forma de transporte e atuação celular, permite uma quantidade até 12 vezes superior às normais em formas livres. 


Com 99,9% de ingredientes naturais (dos quais óleos essenciais e derivados de agricultura biológica), o novo sérum anti-idade da Phoenix Aura, atua em maior profunidade na epiderme, principalmente devido ao sistema de entrega Freshly Vegan Capsules. Este sistema, designado por “Deep delivery”, liberta os ingredientes ativos especificamente nos estratos mais profundos da epiderme, para atuar de forma mais intensa e precisa sobre as estruturas e as células como: Melanócitos, células de Langerhans, Queratinócitos, células basais e células de merkel, responsáveis pela resposta da nossa pele face às agressões externas e impactos do dia a dia. 


A sua formulação está especificamente desenhada para reverter rugas, preencher, melhorar a elasticidade e a firmeza, associando-se diretamente a um dos principais anti-idade, conhecido por Bakuchiol, (por substituição direta do retinol tradicional) - um extracto de Psoralea corylifolia (sementes de babchi), que ativa os genes do metabolismo do retinol e estimula a produção de colagénio I, III e IV. Outros dos seus ativos provêm de KANGAROO PAW FLOWER  (extraído de uma flor australiana) que aumenta a produção de colagénio e de elastina, ERGOTIONEÍNA E MATSUTAKE (extracto de cogumelo) que melhora a função mitocondrial, evita o dano celular e diminui a morte celular, sendo um poderoso anti-oxidante, RIBOSE, ativo que estimula a síntese de NAD+ e ATP, aumentando a produção de energia celular e também de RHODELLA VIOLACEA, uma alga marinha oxigenante e purificante, que permite a regeneração e hidratação da pele, firmeza de efeito imediato e aumento do NAD+ .

Sobre a lista de ingredientes, note-se também que os alcanos C13-C15, geralmente com origem em hidrocarbonetos fósseis, e que atuam como solventes deixando os produtos mais leves e com maior capacidade de absorção pela pele, são aqui igualmente de origem orgânica. 





De forma geral, o Phoenix Aura Well-Aging Sérum:
  • Melhora a luminosidade da pele até cerca de 100% após 56 dias de utilização.
  • Gera um efeito de pele preenchida e suculenta após 1 hora da sua aplicação. 
  • Apresenta uma excelente tolerância cutânea, adequado para todo o tipo de peles, inclusive as sensíveis e atópicas. 
  • A sua textura e acabamento de rápida absorção,incorporam grandes doses de conforto e suavidade. 
  • Adequado para uso tanto à noite como de manhã, uma vez que a  sua formulação não reage com a luz solar.
  •  Adequado o seu uso durante a gravidez. 







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Thursday, May 07, 2020

Sons de batucada
May 07, 20200 Comments



"Samba de verdade tinha que ter o sal do batuque dos terreiros de Umbanda e Candomblé, uma batida grave pra marcar, umas agudas para recortar. Era só fazer a segunda e a primeira bem definidas, botar o ritmo pra frente, que nem se toca na macumba pra fazer santo baixar e subir quebrando demanda, levando o mal para sumir no infinito de Aruanda e espalhar a paz no coração dos filhos da terra. Essa coisa de ficar imitando os portugueses, os franceses, os argentinos estava na hora de parar. A boa era dar continuidade à batida que vinha dos países de África, das senzalas, dos quilombos, dos terreiros, do lundu. Samba pra desentortar esquina, tirar paraleleípedo do chão, engrossar a batata da perna, espantar os males de quem anda, canta e dança. Samba para se desfilar na rua." (Paulo Lins, Desde que o Samba é Samba).
Sabe quem sabe que eu já habitei (ou pisei pé) em terras brasileiras. Sabe quem sabe que o Brasil teve para mim um impacto extremamente profundo, um sentimento de Casa e Terra-Pátria, mesmo que fosse por empréstimo temporário. Também se sabe que quando falo ou escrevo sobre o Brasil evoco terras, cidades, vilas e regiões que nem talvez muitos brasileiros alguma vez tenham ou possam vir a conhecer. Sei o quão privilegiada fui por ter conhecido tanto em tão pouco tempo e mais uma vez, sei o quanto isso me marcou na alma.
Contudo, também sinto que esta minha falsa modéstia possa parecer isso mesmo - uma modéstia muito pouco verdadeira - e que talvez seja demasiado emproada quando digo que conheço o Brasil. Não conheço. Ou como eles diriam, "não conheço porra nenhuma", a não ser a ideia de que um país gigante, onde se perde fácil o conceito de escala humana e regional (6 milhões de habitantes apenas no Estado do Rio de Janeiro; distância São Paulo-Rio pela Via Dutra, umas 5 horas), pode ter dentro dele outros tantos países, credos, formas e culturas. Que o Sul é definitivamente mais rico do que o Nordeste, que o Nordeste é extremamente mais caloroso que outros estados, mas que no geral todos gostam de receber alguém que fala uma língua parecida com a deles, mas que na maioria dos casos nem entendem bem. Falamos estranho, com "chiado", não somos do Rio, mas também não se sabe bem de onde somos.
Contudo, há uma cena que me lembro bem de me ter arrepiado. Nada que ver com violência ou insegurança. Simplesmente esteve relacionado com o som. Quando fui a Salvador, possivelmente a cidade mais portuguesa que conheci em toda a minha estadia, o som do berimbau foi escalando numa zona de ermo. Não sei o que era, mas sei que foi poderoso, estando logo ali. Salvador é uma cidade mística. E sim, tem toda a referência à colonização para lá de violenta, uma colonização de morte, de violação, de assassínio em massa, uma colonização forçada de fé, regada pouco depois pela forte cultura africana e escravizada. Mas a questão fundamental é? Para lá desse horror, do que é feita hoje a massa do brasileiro? Essa mescla imperturbável de africano, índio, português (ou de outro colono medieval). E qual é o verdadeiro som do Brasil? O típico samba ou o forró, certamente que não é apenas a bossa nova que resulta de forte influência de jazz norte-americano. O som é também essa coisa tão profunda e enraizada de sons africanos, a batucada, o misticismo e espiritismo que acompanham o ritmo. 
Perdoem-me a minha arrogância, mas se há coisa que eu percebi do Brasil é que não há um único jeito de ser nem de estar. Não há um som típico ou uma forma de falar. É muito mais que isso, é Casa, Pátria, Crença, Tradição.


Saberiam por exemplo que no interior nordestino ainda se praticam costumes que só os judeus faziam no tempo em que eram perseguidos? Tal como junto ao Mar os Orixás são os reis do céu e das águas "Para quem está ainda mais fora do candomblé que eu, das religiões de matriz africana em geral, do complexo enredo dos seus orixás, equivalentes a santos, entidades, seres sagrados: Oxum é a senhora das águas doces, da cor do ouro, uma das mulheres que o rei Xangô desposou, tal como a brava Iansã, senhora das tempestades.

A mais cantada mãe de santo do Brasil, Mãe Menininha de Gantois era uma filha de Oxum. (...) Como não haveriam os terreiros da Bahia de bater no peito da música popular, e assim em nós." (Alexandra Lucas Coelho, Cinco Voltas na Bahia e um beijo para Caetano Veloso".
Quem será o homem, presidente ou não para dizer como podem milhões viver ou pensar, se deles ele nada sabe ou se de seu próprio país ele nada conhece? 
Se ouvisse direito o som da batucada iria entender tanto mais.




(texto originalmente escrito para o blogue, mas publicado na Revista Rua - pode ser lido aqui: Sons de batucada)
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Sunday, May 03, 2020

Those Sunday Blues
May 03, 20200 Comments
Foto de Claudia Paiva Silva

@baguy
Não há como negar. Este isolamento social, esta distância de segurança que constitui um dever cívico, (mais do que uma obrigatoriedade que não o é, nem nunca o foi), provocou em inúmeros de nós uma sensação de perda, de embriaguez, ansiedade, falta de energia generalizada apenas aplacada pelo teletrabalho que muitos, felizmente, conseguiram manter. Confesso que comigo, aparte da incredulidade inicial, acabei por perceber que fui mais ativa do que antes, do que alguma vez até. Conscientemente ganhei toda uma nova forma de trabalhar, de me organizar internamente, regular o meu sistema e organismo, não deixar que o relaxamento tomasse conta, muito menos quando vimos e continuamos a ver tantas e tantas reportagens de gente que nunca baixou os braços, que continuaram sem parar para que nós todos não parássemos de vez. Que nos cuidaram e irão continuar a tratar e a olhar por nós em qualquer circunstância, sem olhar a meios, e, se tudo correr bem, sem terem de escolher quem poderão salvar. Por isso, perante essa consciência de que me deixar levar pela preguiça seria uma vergonha perante essas pessoas, talvez tenha sido a principal razão pela hiperatividade que comecei a transparecer. Ficando em casa. Saindo o mínimo e apenas essencial, ficando a trabalhar até mais tarde, dando mais de mim, estando mais atenta, fazer as tarefas domésticas sem bufar, mas ganhando noção que nunca não se tem nada para fazer no espaço onde moramos. 
Sim, talvez seja uma daquelas pessoas que se tenham tornado irritantes aos olhos dos outros, de tão produtiva que me possa ter tornado. Como podem imaginar, irei parar ou deixar de fazer/ser/acontecer quando o meu corpo pedir descanso. 
Contudo, mais importante ainda, é que foi apenas dessa forma que percebi que existe uma série de criadores nacionais, que passam pela Moda mas também pela Cultura e Arte, e que neste momento estão a sentir já grandes dificuldades em sobreviver. São eles que nos fazem sentir um bocadinho melhor ao longo do dia, são os que escrevem e compõem músicas, os que escrevem os textos e diálogos das séries e filmes, são os que nos levavam ao teatro - e não, não são apenas aqueles "coitadinhos" que seguiram uma profissão que quase parece uma brincadeira - são pessoas com uma PROFISSÃO real, a tal que nos entra pelos olhos e ouvidos dentro, e que acredito, que talvez nos/vos tenha salvo a vida várias e várias vezes em momentos de maior desespero. 
Mais uma vez deixo o apelo. Há que repensar seriamente na forma como iremos todos ajudar para retomar a economia nacional sem esquecer todas as formas artísticas que também fazem mexer os bolsos do Estado, sabendo bem que nada será como antes, que não espero o retorno dos festivais musicais ou outros, onde imensa gente estará presente em núcleos. Será certamente necessário também perceber como irão os festivais do futuro, pós-Covid, ser organizados. Será aliás extremamente necessário saber e aprender a estar em determinados contextos culturais, de forma a evitar o pior. Até lá, e sabendo que amanha é uma segunda-feira, um dia especial e diferente, em que várias das limitações que nos foram colocadas, irão ser amenizadas, temos de pensar um dia de cada vez, passinho a passinho, de forma a todos termos consciência do que isto colocará em forma de peso, nas costas de cada um de nós. Isto ainda não acabou...

@baguy

@julianabezerra

@siennainspo

@art_pessoa

@GuajaStudio

Foto de Claudia Paiva Silva
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Tuesday, April 28, 2020

Moodboard while #vaificartudobem
April 28, 20200 Comments
Continuando a pesquisa entre as várias marcas nacionais, percebi que, sem dúvida e cada vez mais, se encontram colecções dedicadas e inspiradas à Natureza. Padrões tropicais podem mesclar-se com os tecidos mais fluidos de algodão e linho, peças de joalharia, são facilmente pensadas e criadas a partir de elementos naturais, sejam flores ou plantas ou até mesmo elementos telúricos, como formatos de rochas, bem como baseados e inspirados em elementos animais, conchas, búzios, estrelas do mar, uma panóplia de temas que acabam por servir aos vários artistas. 
@beneditaformosinho
Benedita Formosinho teve a visão e coragem de ser uma das novas empreendedoras de moda, dando o alma e o manifesto à cultura nacional. Quem conheceu a colecção de inverno sabe que os materiais de luxo, nobres, utilizados são todos portugueses de origem local e de alta qualidade, nomeadamente as lãs. A presença destes elementos são uma mais valia em cada peça única, de preferência e sempre que possível trabalhada à mão. O resultado são modelos clássicos mas que também apresentem um toque de modernidade, permitindo não só a permanência das influências tradicionais, o respeito pela autenticidade mas igualmente chegarem a um público vasto, de várias idades que procurem a tal relação já mencionada de preço/qualidade/durabilidade. Os chavões "zero waste" e "fair trade" nunca aqui fizeram tanto sentido. Tal como na lei da física, nada se perde, mas sim transforma-se em novos produtos, nomeadamente malas ou carteiras, numa máxima de sustentabilidade. 
@limboshop


@belleepoqueboutique

@beneditaformosinho

@ohMonday
De acordo com as palavras da autora e criadora da marca Margarida Marques de Almeida, mais conhecida pelo nickname @styleitup, a Oh Monday (@ohMonday) pretende essencialmente dar Força e Poder às mulheres. Iniciando com a premissa de slow fashion, as peças da marca foram criadas apenas a pensar no bem-estar e comodidade de cada uma de nós, de forma a que nos possamos sentir elegantes e ao mesmo tempo extremamente confortáveis, sem termos de pensar muito no assunto. No espírito que todas as marcas apresentam, também Margarida pretende que a Oh Monday seja uma identidade nacional de comércio justo e sustentável, onde não haja a tentação de comprar por impulso mas sim pela real necessidade de termos um artigo de qualidade dentro do guarda-roupa. O empoderamento feminino (e masculino) não passa apenas pelo que somos no dia-a-dia e acções, mas essencialmente pelo que não se vê de forma directa - as nossas escolhas pessoais. Pensar antes de comprar faz parte da cultura mais sustentável que podemos desejar. Assim os modelos apresentados apresentam cortes rectos, estruturados, de cor preto ou branco, feitos em Lisboa e com materiais nacionais, promovendo não só o empreendedorismo feminino e desenvolvimento local, como também influenciado para uma escolha salutar na hora de escolher e comprar. 
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Monday, April 27, 2020

Moodboard while #fiqueemcasa
April 27, 20200 Comments
Jardim das Estufas - Palácio de Queluz

Quem disse que estar em casa implicaria uma mudança radical nos comportamentos e mecânica mental tinha e continua a ter toda a razão. Ao final de um mês e meio de encarceramento domiciliário, a cabeça começa a pregar partidas, os dias poderão tornar-se excessivamente compridos e o quotidiano uma repetição ao extremo do dia anterior, como se estivéssemos dentro do filme de Bill Murray* e fôssemos o próprio protagonista, mas sem a marmota. Por agora, nem mesmo com as previsões de chuviscos e tempo mais rameloso as pessoas parecem querer aceitar a ordem de isolamento social, e mesmo correndo o risco de serem recambiadas para as suas habitações, qual pulseira electrónica que disparou o alarme a escassos metros de distância, arriscam-se a ir até ao parque, até perto do mar, onde tantas outras também possam estar, repetindo-se a premissa inicial de um possível risco elevado de contágio. Mas as pessoas são humanas, e habituando-se ou não a viverem confinadas em apartamentos durante a maior parte do tempo, todas geramos sentimentos, estados de espírito, desejos e vontades, que não correspondem a mais do que o total prazer do conceito de liberdade que irá bem mais do que aquele que o 25 de Abril terá ensinado. 

* - Groundhog Day (1993)

Juliana Bezerra - Brincos Majoletti

Guaja Studio - Juliette Knot Top + Francesca Fit Linen Pants

Falamos da Liberdade física, de percorrer espaços que se calhar antes nunca teríamos imaginado. Nunca campos de trigo no Alentejo, alfazemas azuis, jardins cheios de flores silvestres, ou mesmo aquela mata supostamente mal cuidada entre prédios e já no leito da ribeira, nos pareceram tão atractivos. Para mim a juntar seriam dunas, flores e ramagens secas, tons de terra, amarelos queimados, ocre, algum verde de plantas que se conjugam em ambientes extremos, ou de mar ou de deserto. Esse é o meu moodboard actual.  

Super Botânica

Cata Vassalo

Aproveitando a sensação, e enquanto os desejos são apenas isso, uma força poderosa que nos compele a fazer algo impetuoso, mas que por agora não é parcialmente negada, retomei o prazer de percorrer as galerias das várias marcas nacionais que fui (re)conhecendo ao longo dos últimos dois anos. De projectos familiares, pequenos, mas cheios de graça, estilo e design, são agora os mais procurados para qualquer pessoa, acima de tudo por duas razões: são trabalhos feitos em Portugal e porque são sustentáveis, tanto em termos de produtos e tecidos utilizados, como em termos de mão-de-obra, na sua grande maioria. (Podemos falar aqui dos preços "excessivos" praticados pelas marcas portuguesas, mas deixo a questão: acham justo que as nossas costureiras, sim, essas mesmas que agora estão a coser máscaras porque as colecções estão paradas, recebam 1 euro por dia de trabalho como acontece com as que trabalham para as "grandes marcas" que não passam de Made in PRC embora com o carimbo de Milan e Paris? Pois, bem me parece que não). 

Belle Epoque Boutique

Rust and May

Temos assim, uma lista de marcas bonitas com classe para mulher (neste caso), e nesta escolha pessoal, alguns dos artigos que mais enchem o meu gosto pessoal para os meses de Verão, mesmo que este ano possa vir a ser passado em casa: passando pelos linhos e acetinados da Guaja Studio e algodões da Rust and May que podem ser perfeitamente complementados com acessórios da Cata Vassalo e Juliana Bezerra (que apresenta o relançamento dos brincos desiguais Majoletti em prata e prata dourada). Claro que os ténis ou sapatilhas rasas teriam de aparecer nesta minha wishlist, ou no máximo sandálias para o conforto ao andar a passo mais rápido. Contudo e apesar que mais ideias e imagens bonitas ainda estão para serem mostradas, não me compete a mim estar a influenciar ninguém para comprar seja o que for. É importante pensar e afirmar que neste momento há temas bem mais sérios a serem discutidos, vidas a serem salvas, pessoas a lutarem para sobreviver. Mas também é certo que se adivinha com certezas tão letais quanto o vírus uma grande e longa crise económica que irá afectar não as tais grandes marcas internacionais ou grupos de moda, mas sim estes nomes nacionais. Projectos como mencionei que começaram apenas de ideias, que cresceram, que se tornaram sonoros e que também irão precisar de apoio. Uma marca que fabrica poucos artigos de cada modelo irá sofrer um impacto muitíssimo maior do que uma que fabrica 10 mil unidades de uma simples camiseta branca "feita lá fora". O conceito de moda e de compra precisa de ser redefinido sim, mas isso não implica que se deixe totalmente de comprar. A questão é repensar a forma como se compra, as nossas necessidades, e acima de tudo, se o investimento vale a pena em termos de preço/qualidade/durabilidade. Ser-se sustentável é também apoiar as empresas nacionais, a economia local e saber que temos produtos de qualidade que irão durar imenso tempo dentro dos nossos armários.  

Jardim das Estufas - Palácio de Queluz
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Sunday, April 26, 2020

Urbano-Feminino
April 26, 20200 Comments
Pouco tempo antes destes estranhos novos dias que estamos a viver, fui rapidamente e já no último dia de apresentação até Braço de Prata, onde na Underdogs Gallery, algumas das obras mais conhecidas de Tamara Alves estavam expostas. Aproveitando a presença da artista, acabei por lhe fazer uma curta entrevista para a Revista Rua onde nada ficou por dizer, a qual também, percebi pouco depois, poderia perfeitamente ter evoluído para uma conversa onde sociedade e direitos humanos seriam temas chave, além de formas de inspiração, filmes e música, e todo o potencial que o nosso país, de norte a sul, do interior ao litoral tem para dar e oferecer a quem não tenha medo de ser ousado e de correr riscos de parecer ridículo.
Esse texto, publicado originalmente aqui, poderá agora ser lido também aqui no blogue:


Tamara Alves será porventura uma das mais conhecidas artistas plásticas de arte urbana em Portugal. Nascida em Portimão onde viveu até aos 18 anos, filha de pais também pintores que são a sua maior influência, cedo mostrou uma capacidade inata para o desenho complexo que foi posteriormente sendo acompanhada pela forma como lidava com os vários tipos de materiais disponíveis e tintas. Depois veio a licenciatura nas Caldas da Rainha e finalmente Erasmus em Birmingham, no Reino Unido, onde ganhou o gosto pela arte urbana. Nesta sua exposição a solo mostra algumas das pinturas e esquissos mais emblemáticos da sua carreira, onde o feminino e o animal estão sempre presentes, numa definição direta de todo o seu trabalho, onde selvagem se funde com humano e irracional, onde a pele nua de mulher e homem contrastam com a existência de metais do dia-a-dia industrial, onde lobos convivem com a natureza, onde a natureza é no fundo o nosso habitat natural. Onde também há sempre Amor e Paixão.
Numa curta entrevista à Rua, minutos antes de um workshop de desenho para crianças, Tamara explicou como se sente enquanto artista feminina em Portugal, as principais diferenças que observa entre as cidades do litoral e do interior do país em relação ao desenho e arte urbanas e qual o papel do artista na sociedade.
- Como foi o teu percurso desde Portimão até ires para as Caldas? Os teus pais são pintores, de que forma é que isso foi um impulso para ti, uma vez que nem sempre é comum seguir as pesadas dos progenitores?
“Nasci já a pintar com os dedos! A minha mãe diz que eu ainda antes dos 2 anos já fazia desenhos super complexos, muito diferentes daquilo que as crianças da mesma idade fazem. E como ambos são pintores, para mim sempre foi muito natural a forma como lidar com os materiais. Nunca tive medo em experimentar – sabia desde muito jovem o que dava para misturar ou não, sou desenrascada, o que dá imenso jeito na minha área, mas continuo sempre a aprender a ganhar experiência. Felizmente sempre tive uns pais que me apoiaram e incentivaram, nunca me limitaram – lá em casa (em Portimão) existem desenhos meus desde os 9 anos de idade no meu antigo quarto e sempre que queriam partir paredes, pediam-me e ao meu irmão para ir pintar essas paredes antes de mudarem alguma coisa.
Outro incentivo acontece porque eu cresci perto da praia do Carvoeiro, e como no Algarve há muito pouca oferta cultural, havia sempre um deslocamento aos fins-de-semana – às vezes íamos a Lagos ou a Lisboa ver exposições e isso dava para aprender e ganhar mais informação, educar, ver e conhecer.”
- Qual achas que é a principal diferença entre a tal oferta cultural, principalmente artística de pintura, e o conceito de arte urbana, porque é aquilo que começou a ser a tua imagem de marca, com as pinturas em edifícios e murais, entre cidades como Lisboa e o Porto e cidades do interior, como Castelo Branco, onde já foste convidada para o Festival WOOL ou Trás-os-Montes? Como vês que as pessoas reagem?
“Para começar em Lisboa, tu vês tudo e consomes tudo de uma forma muito mais rápida. Tens uma parede, vês a parede, pintas a parede, e vais para a tua vida. Demoras cerca de uma hora a chegar ao café onde tinhas combinado alguma coisa. Nos locais mais pequenos (e nas pessoas mais velhas – aqui independente da região do país), tu vês um maior cuidado com a sua terra e sítio, vês uma valorização pelo espaço que se calhar a nossa geração já não tem tanto. Quando vais então para locais mais pequenos, deixar lá alguma coisa, elas ficam na dúvida, desconfiam do que vais lá fazer, ficam na defensiva e aí é importante conhecer essas pessoas, conviver com elas, ouvir o que elas têm para dizer. E se deixares algo que seja para a cidade, uma oferenda, então que seja algo com uma mensagem. Existe uma responsabilidade social enorme no trabalho de rua. Não é estar a apontar os dedos, ou dizer como as pessoas devem agir, é preciso aliás ter cuidado com o que dizes e respeitar toda a gente – mas se estás na rua, as palavras tem um peso, as imagens têm um peso e se for para passar alguma mensagem que seja algo inteligente.”
- De certa forma são as pessoas mais velhas do interior as mais recetivas?
“Sim, no início ficam muito defensivas, mas depois acabam por valorizar, e gostar, principalmente se já te conhecerem e acompanharem o teu percurso, e guardam aquilo possessivamente, é para eles, deles, defendem aquele trabalho. Já nas cidades “grandes”, a mensagem tem de ser mais direta e mais forte.”
- Viveste em Birmingham. O que achas que é diferente entre o feminino artístico cá, em Portugal e o que conheceste lá fora?
“Eu acho que quando falamos do papel na arte dizem sempre que somos poucas, e sim, a balança esta muito desequilibrada. Mas se calhar é porque tens mulheres que não querem mostrar o seu trabalho, não têm interesse ou acham que não podem. Então eu digo: elas que saiam e que venham fazer coisas. A rua é uma tela de exposição gigantesca e toda a gente está de olhos postos na rua agora. Hoje em dia mais que tudo é aproveitar a “onda” do feminismo, se estamos a ganhar mais consciência, melhor, então vamos mostrar o que valemos. Já passei por situações muito desagradáveis em que me pagaram para estar presente, para fingir que estava a trabalhar e se calhar aceitei com imensa dificuldade porque precisava do dinheiro. Mas qual é afinal o meu papel? É suavizar um meio de homens? Não é! Sei que somos 3 ou 4 muito ativas no meio de arte urbano, mas são várias exposições por ano e vai uma ou outra apenas para preencher o buraco da única mulher que está disponível. E isso é muito complicado, mas é preciso aproveitar e marcar presença para fazer a diferença!”
-Sim, o que é que se pode perder, principalmente durante esta altura?
“Ainda por cima, no meio de arte urbana, há muitos anos atrás, senti que havia uma desconfiança quando dizias que querias fazer alguma coisa. Nós vivemos numa sociedade machista – se hoje uma mulher quer ser condutora de um Uber ou um autocarro, há ainda uma censura imediata porque foi a sociedade que nos faz pensar dessa forma, é normal – por isso é uma questão de darmos a volta. Mas para mim, é uma questão de igualdade para todos. Para uma mulher ter empoderamento, o homem tem de se sentir também empoderado.”
-Tem de haver um equilíbrio…
“Sim, a maior parte das desigualdades é criada devido às inseguranças das outras pessoas.”
- Tu retratas tanto o universo masculino como o feminino nas tuas pinturas.
“Sim. O feminino porque sou mulher e sei exatamente como me colocar na pele de uma mulher. E acho que é importante, já que retrato o peito de um homem nu, retratar o peito de uma mulher também nu, porque é importante assumir-se tanto para um como para outro. Fiz um trabalho no Hospital dos Capuchos, onde o nu era essencial para que fizesse sentido e houve alguém que chegou lá e pintou os seios da figura feminina, mas como se tivesse sido eu a fazê-lo (está muito bem feito). E isso chateia-me. Uma coisa é fazerem tags ou bigodes por cima e isso não me chateia nada, mas quando vão desconstruir o teu trabalho e a mensagem que queres transmitir, isso é algo que me irrita muito.”
-Para finalizar porque já tens um público mais jovem à tua espera na sala ao lado, o que dirias à Tamara de há 20 anos atrás?
“Vai em frente, força e não desistas, porque tudo vai correr bem. Pode doer, mas vai correr bem (risos). Se há persistência, se há amor e paixão, então vai ter de correr bem.”




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Thursday, April 09, 2020

A Hora da Moda
April 09, 20200 Comments


Moda: substantivo feminino:
1. Uso, hábito ou forma de agir característica de um determinado meio ou de uma determinada época; costume
2. Uso corrente, prática que se generalizou
3. Estilo prevalecente e passageiro de comportamento, vestuário ou apresentação geral; tendência
4. Indústria ou o comércio de vestuário
5. Estilo pessoal, gosto
6. Hábito repetido; mania; fixação

Foquemos apenas nos pontos 3 e 4: Estilo passageiro de vestuário, tendência, comércio e indústria. Nos dias que correm, mediante a situação global que se vive, muito se tem falado, escrito e pensado sobre qual o futuro de vários setores industriais - como é que alguns irão recuperar de uma crise extremamente profunda que se adivinha com uma certeza absoluta, como irão as empresas recuperar lucros e como poderão voltar a empregar pessoas que, ou estão em lay-off ou já foram despedidas sem apelo nem agravo, pese as medidas impostas e todas as respetivas condicionantes que o Governo(s) tomou. Contudo, no que diz respeito aos setores de calçado e vestuário, sabe-se que para uma época menos boa, de vendas mais reduzidas ou mesmo nulas, por comparação com outros períodos, outras virão em que os clientes irão voltar a comprar. Ainda assim, para além do que fazer a economia girar, acaba por ser a nossa forma pessoal de lidar com uma nova realidade que irá fazer toda a diferença. Numa altura em que todos (os não essenciais) estamos (ou deveríamos estar) em casa, fará sentido continuarmos a adquirir peças de vestuário e calçado para um presente ou futuro breves que serão completamente imprevisíveis? Quantos de nós vestirão uma camisola ou umas calças novas estando 24 sobre 24 horas por dia em casa, mesmo que se esteja em modo teletrabalho? Ainda que possam haver reuniões formais, será que não vamos sempre estar com as calças de fato de treino ou pijama vestidas, pelo simples facto de conforto? Estar em casa hoje em dia implica muito mais do que estar sentado frente a um computador, existe sempre algo para fazer na cozinha, limpezas extra devido a todos os cuidados que temos de ter. Vale a pena estar a "estragar" roupa usando-a em casa? O certo é que as marcas acompanham a realidade e no caso, não faltaram opções para a chamada roupa confortável e elegante de andar por casa - uma forma simples de chamar os fatos de treino e pijamas a um lugar de topo nas escolhas e, uma vez mais, tendências dos consumidores. Ainda assim mantenho a questão inicial, haverá algum problema em nos arranjarmos mesmo que estejamos em casa? Há problema se houver maquilhagem, depilações, coloração de cabelo? Há problema em manter as novas tendências (assumidas no Inverno passado para a estação estival que se aproxima) mesmo estando fechados? Ou será tudo muito supérfluo, sem noção ou sem respeito pelo que se está a passar? Passamos uma vida inteira a sermos confrontados com as nossas escolhas de estilo, a nossa forma de vestir, e agora que estamos em casa e podemos fazer o que quisermos, continuamos a pensar no que dirão os outros - que nem nos estão a ver na sua grande maioria. 
Não creio que a Moda deixará de ter o seu espaço no mundo - muito menos que deixe de gerar tendências, mas não nos tempos que se avizinham. Podemos assumir que desta vez fomos nós, foi o Mundo quem mudou a tendência criada por estilistas e autores. Possivelmente será assim nos próximos tempos ou temporadas, à necessidade das pessoas a Moda terá de se adaptar senão corre risco de se tornar um elemento de criação a cair no ridículo. Deixará sim, temporariamente, de ditar formas de vestir, passará a ser menos elitista talvez. Mas acima de tudo, não desaparecendo, terá de inevitavelmente mudar o seu status até agora garantido, podendo talvez gerar um outro tipo de empatia para quem até agora acharia ser um mundo fait-divers.

Fotos @theyoumaybe


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