Cláudia Paiva Silva

Sunday, February 20, 2022

Sinopse de um livro
February 20, 20220 Comments

 


Eu não conhecia a obra de Afonso Cruz. A obra.... os livros que até agora escreveu e que já são alguns. Pensava sempre que fosse uma escrita estranha, difícil, onde a história fosse contada em soluços, ora avança no tempo, ora recua ao presente, ora vai ao passado, e sempre redigida numa estrutura ortográfica que, nos idos anos 2000, eu via como "moderna em demasia". Nada de pontos finais, nem letras maiúsculas, uma confusão de ideias que, para os romances que tanto gosto de ler, não me faziam sentido algum. 

Ouvi falar da sinopose a esta Sinopse. Temas essenciais para o meu interesse imediado: Segunda Guerra Mundial, seja imediatamente antes, ou geralmente, nos anos de pós-Guerra que se seguiram. Calhou ser baseada na história de um amor verdadeiro, que ocorreu mesmo, numa Berlim primeiro devastada pelo horror bélico, depois dividida por um muro ideológico. E nessa divisão, uma separação. Temas essenciais para o meu interesse imediato: os livros dentro do Livro. Se porventura pudermos juntar o poder literário dentro de uma história, desde que bem contado, melhor. No caso, existe uma livraria, um tio bibliotecário/livreiro, e outra história, dentro da história que deu origem à história da livraria em si. E claro, aí há livros e o que eles são capazes de fazer, a sua força transformadora de personalidades, caráter e, no fim de tudo, no que somos ou não capazes de fazer para nos protegermos, para cuidar dos nossos e por Amor. 

Acredito que haja quem aqui esperasse uma crítica detalhada às passagens, uma descrição síntese da trama "despacha lá isso para dizermos que também já lemos", mas não. Não o faço. Posso garantir que os livros no livro de Afonso Cruz (Companhia das Letras, Dezembro 2021), voam, transforma, salvam vidas, mas que também talvez NEM tudo seja justificável. Nem tão pouco admissível. É sim um livro lindíssimo que li entre o Natal e o Ano Novo, como que em pronúncio de novos tempos, mais esperançosos talvez, ou para refletir que na Vida, nada dura para sempre. Nem muros, nem separações físicas. Mas que existiu, sim, da parte do autor, trabalho de investigação, entrevistas e curiosidades familiares. 

Mas mais importante, uma escrita fluida, parágrafos belíssimos de analogias e comparações, apenas para que todos nós, os Theobalds, possamos ver mais do que o básico que se encontra mesmo à nossa frente.

Mais para ler aqui, na Revista Rua



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Wednesday, February 09, 2022

Rituais à primeira pele, na primeira pessoa do singular.
February 09, 20220 Comments

Se um dia é Não, no outro temos que o transformar num Sim gigante. 

Perante a confusão em que a vida se tornou, algo foi notório em mim. A transformação física que se observou - o que obviamente não será assim tão distinto do que acontece com todas as pessoas que podem passar por situações menos positivas. Como cantava Variações, "o corpo é que paga", seja com aumento ou redução bruscas de peso, seja com cabelos brancos, queda ou desfortelacimento, seja com mais rugas, papos e olheiras. E não havendo milagres para repor tudo como estava, podemos no mínimo ter a força necessária para, quando sairmos da toca, prevenirmos ou adiarmos um pouco mais estas alterações às quais somos expostos quase diariamente devido aos mais diferentes fatores ou causas. 

Tendo em conta que no meio do caos ainda fiz uma formação em Dermofarmácia e Cosmética, gostaria que esta publicação de hoje descrevesse e exemplificasse a minha rotina diária de hidratação da pele (facial), de forma simples, sem grandes alaridos sobre as formulações e ingredientes - contudo, mencionar apenas as marcas Caudalie, SkinPerfection e Clarins não irá clarificar ninguém, pelo que, bare with me, terei de me alongar aqui e ali no texto. 



Para começar, esclareço desde já que não há nada como a água para lavar a cara (sim, estamos a atravessar mais um período de seca prolongada e grande parte da população mundial não tem acesso a água potável - estou consciente disto tudo) - contudo, nada substitui a água para uma melhor limpeza e quanto a isso nada posso fazer. Claro que haverá excpeções: uma água mais ou menos rica em determinados elementos químicos poderá promover maior secura na pele, terá de estar a uma temperatura tépida, nem muito fria, nem muito quente para não causar choques térmicos, entre outros fatores. Digo desde já e também que, por muito bons que sejam (e já o são) as águas micelares ou outros produtos de limpeza facial que não tenham necessidade de serem usados com água, a minha sensação pessoal é de ficar com a cara pastosa, oleosa e, claro está, não limpa. Assim, o que geralmente faço de manhã é, ao lavar a cara, usar uma espuma de limpeza associada - gosto muito da textura, é de fácil utilização e permite-nos controlar melhor a quantidade que usamos. Para o caso, ou uso a espuma de limpeza da Yves Rocher cuja formulação contém extratos de microalgas (organismos da Natureza mais do que reconhecidos pelo seu potencial de oxigenação, remediação celular e limpeza em profundidade), ou a espuma da Caudalie. A sensação de conforto final é muito boa e não deixam a pele seca. 






Posteriormente à lavagem e remoção da água e humidade, e porque estamos no Inverno (ainda que mais quente, ou seja, estranho, do que habitual), tenho sempre de aplicar seruns ou cremes hidratantes. A nossa pele não reflete apenas o nosso organismo ou as consequências e respostas internas de qualquer problema, mas claramente também dá sinais às exposições ambientais, sejam elas as alterações de temperatura, a poluição, o uso de máscaras, num sem número de influências tóxicas que impedem a respiração através dos poros e células da epiderme, promovendo a sua desidratação e deteoriação. 
Neste momento, os meus produtos de eleição são o Vinosource Hydra da Caudalie em gel-creme, que além de ser rapidamente absorvido pela pele, é extremamente fresco, devido à sua forte composição de água, e o contorno de olhos da SkinPerfection, que me ajuda a combater os traços evidentes de noites sem dormir, onde o stress e a ansiedade dos últimos meses "falam mais alto". Em relação a este contorno de olhos, e sendo esta marca ainda pouco conhecida em Portugal, posso e devo explicar que o seu principal ingrediente ativo, o Plasmarine Active Complex (TM) é também conseguido a partir de microalgas marinhas. Formulado em lipossomas, que de forma simples podem ser explicados como "veículos" de administração aos produtos farmaceuticos ou nutrientes, atua assim em maior profundidade. Associado ao potencial que as microalgas possuem, o Plasmarine Active Complex (TM) é assim rico em ácidos gordos, vitaminas, aminoácidos e antioxidantes.  Por outro lado, este Soothing Eye Contour, também possui retinol (um derivado da Vitamina A) responsável pela ativação do colagénio* na pele, ou seja, tem uma maior capacidade de reduzir rugas ou linhas de expressão, aumentando a sua firmeza. Se bem que ao primeiro imapcto o aroma possa não ser agradável, a sua textura cremosa (possui Manteiga de Karité) permite uma aplicação de pouca quantidade, também rapidamente absorvida numa zona tão sensível, mas deixando uma sensação de hidratação. 
Regra geral, e como atualmente não aplico maquilhagem por uma questão de habituação da pele a novas rotinas de exposição (uso de máscara nos transportes, retorno à normalidade e maior suscetibilidade à atmosfera ambiente fora de portas, luz solar ...), o que costumo igualmente fazer, em dias intercalados, é aplicar o creme Extra-Firming de Dia da Clarins, um hidratante que atua exclusivamente para o preenchimento de primeiras rugosidades, para a firmeza no contorno de rosto, contribuindo também para o controlo das manchas escuras/pigmentação, e efeitos da poluição. 



Já em termos de cuidados noturnos, o truque é o mesmo. Agora sim, em primeiro lugar uso água micelar da Bioderma, com patchs de algodão ou tecido, removendo a primeira camada de sujidade (e acreditem, o algodão e tecido não enganam - é incrível a quantidade de partículas que nos afetam e ficam no nosso rosto diariamente) -, depois é que "lavo a cara" com a espuma, passando posteriormente à hidratação. 
Aqui recorro primeiramente ao sérum da gama de Vitamina C da Caudalie, que ao ser formulado para se obter uma maior biodisponibilidade (extensão e velocidade de absorção pela circulação sistémica), permite preservar a sua permanência e efeitos na epiderme - rápida absorção e sensação de pele seca, sem qualquer oleosidade ou presença de creme. Já para os olhos uso o creme contorno da mesma gama, que também atua de forma continuada - e daí eu o aplicar à noite, o que auxilia também a sua atuação enquanto existe um descanso da pele e corpo. Volto a constatar que, derivado dos seus ingredientes de origem natural, o aroma poderá ser um pouco mais intenso em ambos produtos, mas vale a pena a sua continuada aplicação - primeiro estrranha-se, depois entranha-se.
À noite, e também de forma intercalada, uso, desta feita, o Multi-Active Nuit da Clarins, com extrato de papoila, e formulado exclusivamente para o descanso e remediação celular, tonificação e luminosidade da pele. 

Se é verdade que uma boa gama de produtos, ou uma boa combinação acaba por ser um peso no orçamento pessoal, e nem todos temos esse poder de compra ou privilégio, também não deixa de ser verdade que hoje em dia, mais marcas de excelente qualidade, apresentam alternativas viavéis para tratamentos básicos ou continuados em problemas dermofarmaceuticos. Seja como for, nada equivale em falar diretamente com um especialista em cuidados da pele (designados por beauty advisors e associados às marcas específicas), dermocosmética ou farmaceutico que melhor podem aconselhar às nossas necessidades específicas. Cada caso é um caso distinto e cada pessoa terá uma resposta diferente ao que realmente precisa - até mesmo por uma questão de sustentabilidade, dever-se-á adquirir apenas o essencial e nunca optar pelos "pacotes" que nos são vendidos muitas vezes de forma agressiva e que não precisamos. 
Há que optar pelo melhor para nós, sempre, mas falando com quem sabe! 


* Colagénio - (proteína mais abundante no corpo humano, estrutura fibrosa, de sustentação não apenas da pele, mas principalmente também das nossas articulações)

 

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Tuesday, February 08, 2022

Esclarecimentos | Enlightments
February 08, 20220 Comments


Hoje nem é sequer um bom dia. 

Acabadinha de me estrear nos 38 anos, a vida encarregou-se em meados de 2021, dar-me um pontapé daqueles, que nos colocam em sentido e tudo o resto fica em perspetiva, às vezes até em stand-by só para que percebamos definitivamente para onde devemos ir, quem fica e quem sai.

Poderia ser pior, dizem alguns, poderia ter sido uma doença fatal, a morte de alguém, e não, felizmente nada disso. Simplesmente "coisas que acontecem" mas que nos marcam profundamente, obrigando-nos a olhar para dentro, compreender o "error" e mudar a nossa forma de ser e estar e atuar com os que nos rodeiam. Isto tudo é curto demais e passa demasiado rápido para ser vivido sempre com mágoa, mas a verdade é que nem todos os dias são genialmente bons. Hoje é um deles.

Por força das circunstâncias, algo que já se esperava há pelo menos 3 anos e meio, também fiquei durante o mês de Janeiro, oficialmente desempregada - contudo, porque das trevas ganhamos força, consegui focar-me para outro caminho, há já algum tempo, e estou num novo trabalho/emprego, numa nova área, com novos potenciais objetivos e, embora seja tudo novo, recente e dê algum receio (para mim cuja auto-estima está sempre nas lonas, associada a um franco e bem desenvolvido complexo de impostora está a ser o máximo dos mínimos históricos!), promete ser tudo de bom - uma mescla entre a ciência, a comunicação e dermofarmácia e cosmética e a geomedicina, why not? E embora tudo se possa dever a uma eventual capacidade de trabalho, força de vontade, motivação que terá surgido não sei como, sou obrigada a pensar que Deus ou o Universo tenham mexido alguma coisa - simplesmente não quero é ouvir, como já aconteceu, que tive "muita sorte" e que foi tudo "muito rápido".

Postas estas palavras sempre mencionadas com tanta ironia, torna-se ainda mais fácil eu própria colocar em causa as minhas capacidades, pensar sequer se as tenho, pensar em tudo o que fiz de errado, saber que talvez não passe mesmo de uma pequena impostora com a mania que sabe muito e que pensa ter uma grande cultura geral. É tão fácil quando levamos os tais safanões como banhos e choques elétricos, e invés de nos sentirmos mais alerta e vivos, nos sintamos mortos e pesos para todos os outros. Isto a todos os níveis, falhanços profissionais (forçados ou não), falhanços pessoais (forçados ou não) metem realmente tudo mas tudo o que eu faça em cheque. 

Hoje não é um bom dia. 

O que eu acho é que cada vez mais deveremos pensar bem na nossa vida, no que realmente nos faz bem ou mal, no que podemos considerar ser tóxico, no que nos poderá dar algum conforto, nas nossas pessoas, naquelas que queremos que continuem a fazer parte da nossa vida mesmo que o nosso instinto saiba que lhes teremos feito mais mal que bem - daí o esforço para melhorarmos. Um dia de cada vez, todos os dias. Nunca a saúde mental foi tão mencionada, muito se devendo à pandemia, aos confinamentos, às regras impostas. Mas ao mesmo tempo, continua a ser um assunto não falado nos locais onde mais se deveria: nas empresas, por exmeplo, nas escolas. Por várias questões eu fui finalmente diagnosticada com um esgotamento (que, embora podendo, não está diretamente ligado a uma depressão, sem dúvida que me traz momentos de pura exaustão para com a Vida), mas mais uma vez, da escuridão temos de ver a luz - mesmo que seja uma frase batida. 

Seja como for, a verdade é que nem sempre somos aquilo que parecemos ou que damos a entender, nem sempre somos as fotografias e imagens coloridas, nem sempre somos poemas, mas sim folhas de papel amachucadas após várias tentativas falhadas. E no fundo, eu pelo menos, tenho medo de ser apenas uma memória má, baça, na vida de alguém. 

Then, 38th, please, be kind... 

ENG|

Today is not even a good day.

As I just entered my 38th birthday, I remember that life took charge in mid-2021, giving me one of those kicks that puts our priorities in order and everything else is in perspective, sometimes even on stand-by, just so that we definitely understand where we should go, who stays and who leaves.

It could have been worse, some say, it could have been a fatal illness, someone's death, but luckily it was none of that. It was simply "things that happen" but that marks us so deeply, that forces us to look inside, understanding the "error" and change our way of being and acting with those around us. This is all too short and too fast to be lived with regret, but the truth is that not every day is amazingly good. Today is one of them.

By force of circumstances, something that had been expected for at least 3 and a half years also happend and I was also officially unemployed during the previous month - however, because from the darkness we usually gain strength, I managed to focus on another path, found a new job in a new area, with new potential goals and, although it's all new, recent and frightning (for me, whose self-esteem is always on the fence, longside with a very well-developed imposter complex, it's being the maximum of historical minimums!), it promises to be great - a mix between science, communication, dermopharmacy and cosmetics and geomedicine, so why not? And although everything could be due to a possible work capacity, willpower, motivation, that I don't know from where they came from, I'm forced to think that God or the Universe cooked something up - I just don't want to hear, as already happened, that I was "very lucky" and it was all "very fast".

As these words are always mentioned with such irony, it becomes even easier for me to question my own abilities, to think about whether I even can have them, to think about everything I've done wrong, to know that maybe I'm just a little "know it all" imposter thinking it has a great cultural sense. It's so easier when we take such bumps, like ice-cold baths and electric shocks, and instead of feeling more alert and alive, we feel dead and a burden to everyone else. This at all levels: professional failures (forced or not), personal failures (forced or not) which really puts everything, but I mean everything, I do in check.

Today is not a good day.

What I believe is that more and more we should think about our lives, what really makes us good or bad, what we can consider to be toxic, what can give us some comfort, our people, those we want to continue to to be part of our lives, even if our instinct knows that we've harmed them more than anything else - hence the effort to self-improvement. But its one day at a time, every day. 

Mental health issues, have never been so much mentioned as today, especially due to the pandemic, the lockdowns, the imposed rules. But at the same time, it remains an unspoken subject in the places where it should be the most: companies, for instance, schools. For several other reasons I was also finally diagnosed with a burnout (which, although possible, is not directly linked to depression, but still brings me moments of pure exhaustion towards Life). Once again, from the darkness we have to see the light - even if it's a beat-up phrase.

Nevertheless, the truth is that we are not always what we seem be, the way we look, we are not always nice photographs and colored images, we are not always poems, but sheets of crumpled paper after several failed attempts. And deep down, at least, I'm afraid of just becoming a bad, dull memory in someone's life.

Then, 38th, please be kind...


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Monday, February 07, 2022

Criar memórias Intax numa EVOlução natural
February 07, 20220 Comments

 

Cada vez mais a tecnologia moderna acaba por coincidir com ideias do passado recente. O conceito de polaroids ou impressão imediata de imagens não é novo, contudo, a forma de o realizar vai-se alterando ao gosto do que o público em geral pede e que se espera ver no mercado fotográfico. 

A nova Intax mini Evo é assim uma evolução natural do mundo proporcionado pela FujiFilm, permitindo não apenas a impressão tradicional já característica mas também a função de conectividade a smart-iPhones com multiplas vantagens - a gravação das imagens na memória telefónica, o disparo a partir de comando remoto, ou a impressão de imagens contidas nos aparelhos, através da App Instax própria e totalmente gratuita.

Além disto, permite realizar 100 hipóteses de imagem, combinando 10 filmes e 10 lentes para um resultado original - on top of that, a qualidade de impressão revela-se a melhor de sempre (até à data) pela Instax, o que leva uma maior valia face às outras máquinas do mesmo fornecedor. 

O artigo completo encontra-se aqui: Revista Rua





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Phoenix Aura, o Poder do Renascimento da pele
February 07, 20220 Comments

De forma a combater o stress do dia a dia, e mais ainda o rápido envelhecimento da pele ou o seu aspeto mais frágil - e basta para isso voltarmos à nova normalidade, com a continuação do uso de máscaras, a utilização de séruns torna-se um hábito essencial no cuidado a ter com a pele do rosto. Com o objetivo de atuarem em profundidade, sendo por isso mais fluidos e ricos em componentes ativos específicos, preparando a pele não apenas para um hidratante ou diretamente para maquilhagem, a utilização de séruns permite assim uma oxigenação e purificação da pele, com atuação ao nível das camadas mais profundas da epiderme podendo logo contribuir para uma melhoria nas funções celulares. Como tal a Freshly Cosmetics apresenta agora um novo produto, rico em ingredientes sustentáveis, como é seu habitual, através do qual, e por resultado da sua nova forma de transporte e atuação celular, permite uma quantidade até 12 vezes superior às normais em formas livres. 


Com 99,9% de ingredientes naturais (dos quais óleos essenciais e derivados de agricultura biológica), o novo sérum anti-idade da Phoenix Aura, atua em maior profunidade na epiderme, principalmente devido ao sistema de entrega Freshly Vegan Capsules. Este sistema, designado por “Deep delivery”, liberta os ingredientes ativos especificamente nos estratos mais profundos da epiderme, para atuar de forma mais intensa e precisa sobre as estruturas e as células como: Melanócitos, células de Langerhans, Queratinócitos, células basais e células de merkel, responsáveis pela resposta da nossa pele face às agressões externas e impactos do dia a dia. 


A sua formulação está especificamente desenhada para reverter rugas, preencher, melhorar a elasticidade e a firmeza, associando-se diretamente a um dos principais anti-idade, conhecido por Bakuchiol, (por substituição direta do retinol tradicional) - um extracto de Psoralea corylifolia (sementes de babchi), que ativa os genes do metabolismo do retinol e estimula a produção de colagénio I, III e IV. Outros dos seus ativos provêm de KANGAROO PAW FLOWER  (extraído de uma flor australiana) que aumenta a produção de colagénio e de elastina, ERGOTIONEÍNA E MATSUTAKE (extracto de cogumelo) que melhora a função mitocondrial, evita o dano celular e diminui a morte celular, sendo um poderoso anti-oxidante, RIBOSE, ativo que estimula a síntese de NAD+ e ATP, aumentando a produção de energia celular e também de RHODELLA VIOLACEA, uma alga marinha oxigenante e purificante, que permite a regeneração e hidratação da pele, firmeza de efeito imediato e aumento do NAD+ .

Sobre a lista de ingredientes, note-se também que os alcanos C13-C15, geralmente com origem em hidrocarbonetos fósseis, e que atuam como solventes deixando os produtos mais leves e com maior capacidade de absorção pela pele, são aqui igualmente de origem orgânica. 





De forma geral, o Phoenix Aura Well-Aging Sérum:
  • Melhora a luminosidade da pele até cerca de 100% após 56 dias de utilização.
  • Gera um efeito de pele preenchida e suculenta após 1 hora da sua aplicação. 
  • Apresenta uma excelente tolerância cutânea, adequado para todo o tipo de peles, inclusive as sensíveis e atópicas. 
  • A sua textura e acabamento de rápida absorção,incorporam grandes doses de conforto e suavidade. 
  • Adequado para uso tanto à noite como de manhã, uma vez que a  sua formulação não reage com a luz solar.
  •  Adequado o seu uso durante a gravidez. 







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Ano Novo, Vida Nova, Freshly Cosmetics
February 07, 20220 Comments

Já estamos em Fevereiro e, oh boy, tanto que se passou nos últimos tempos. Contudo, antes de comentar outras temáticas, faço entrada a pés juntos sobre assuntos mais leve-leve, mas que não são de todo frívolos. Aliás, cada vez mais, até mesmo por experiência pessoal, creio que a vida deverá compreender sim, haja essa possbilidade e privilégio, um equilíbro saudável (nem sempre assim o é) entre os problemas e contratempos sérios que todos temos e aquilo que gostamos de fazer, que nos permite alguns momentos lúdicos, ou de ralaxamento puro. Seja sob a forma de conteúdo cultural, ou passando pelo nosso cuidado pessoal, sejam livros, exposições, peças de teatro, ou simplesmente, produtos, bens (sim-não) essenciais mas que no final do dia, nos acarretam alguma disposição. 

Assim, e pegando no artigo que poderão ler na íntegra aqui: Revista Rua e que poderão conhecer em maior detalhe aqui: Freshly Cosmetics, apresento para quem ainda não conhece a marca de origem catalã, que disparou no mercado sustentável ibérico.




Com sede, laboratórios e logística em Espanha, a marca Freshly Cosmetics pretende acima de tudo ajustar-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas através de uma vasta to-do things list. Produção a nível regional e local, apostar nas vendas online com óbvia redução na pegada de CO2, produção própria de eletricidade através da instalação de painéis fotovoltaicos e construção de  espaços físicos que contribuam também por um melhor ambiente físico e natural, são apenas algumas das normas na sua missão estratétigca. Por outro lado, igualmente importante para a informação dos clientes modernos, atuais e atualizados, conscientes dos impactes resultantes das nossas próprias ações enquanto seres poluidores, será a formulação cosmética. Usando ingredientes que não impactam no ambiente, principalmente com os ecossistemas marinhos, a Freshly Cosmetics procura destacar-se nos cuidados da saúde da pele humana enquanto uma nova empresa empresa de biotecnologia sustentável por um objetivo em comum - o bem estar da população humana e o cuidado do planeta. 

Embora as mudanças não possam ocorrer do dia para a noite e a transição energética sendo tão necessária não poderá ser feita à velocidade atual, com risco de promover ainda mais desajustes sócio-económicos, sem dúvida que estas pequenas empresas, poderão contribuir para pequenos passos para uma primeira alternativa, sem excessos e de forma realmente sustentável e equilibrada, como escrevi ao início. 

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Monday, November 08, 2021

Dilaceração da alma por Tatiana Salem Levy
November 08, 20210 Comments



Conhecendo-se a obra ainda curta de Tatiana Levy, reconhece-se também sua intensidade em descrever contextos, histórias e personagens. Escavacando cada pedaço do mais íntimo de cada personalidade que nos vai descrevendo, a cada livro verifica-se que existem momentos muito pessoais de dor, de trauma, de ansiedade, e quantas vezes o Mal se sobrepõe ao Bem. Relações quebradas, famílias que se amam e se separam, casos de violação ou violência, de auto mutilação, quase como se a dor autoinfligida fosse o caminho para a verdade, para o correto. Como se fosse uma forma de purga, atravessando a dor, chegaremos ao perdão. 

Em Vista Chinesa, o tom não muda, mas a história deixa de ser apenas da cabeça da autora. É uma história resultante de um caso real. Uma violação, uma agressão a uma amiga de Tatiana, que acabará por passar a livro, um livro por vezes incómodo, outras vezes colocando-nos na dúvida do que afinal se espera que as vítimas (ou serão sobreviventes?) façam. Em alguns trechos é colocada a dúvida se a culpa não foi de Julia (a dona do corpo machucado), porque saiu noutro horário, porque mudou suas rotinas. E daí, será que não podemos usufruir de uma cidade ao nosso ritmo, à vontade de nossos impulsos? É, pode, e os impulsos dos outros? Os impulsos dos predadores mais animais que os animais em si, que se escondem atrás da mata, esperando as presas passarem, esperando o exato momento em que saltam, em que apontam a arma, em que ameaçam e arrastam o corpo dentro da floresta, do momento em que rasgam a roupa e abusam selvaticamente? É dessa gente que temos de nos precaver, desses impulsos - controle os seus e você ficará resguardada. Sim, mesmo que a cidade seja o Rio de Janeiro, mas poderia ser Lisboa, Tóquio, Nova Iorque, Berlim ou Londres ou qualquer outra. Não há cidades menos piedosas que outras, existem sim gentes sem alma, com instintos animais. Qualquer um de nós é capaz de matar, mas existe uma candura, um fundo em nós que nos separa dos outros, em normais circunstâncias. 

O que sobra então? Julia, a personagem, vai escrevendo uma carta aos filhos ainda crianças. Estes filhos nasceram já depois do evento. Chamemos-lhe assim, "EVENTO". São fruto de amor, são fruto de tesão e de sexo, entre Julia e o marido, companheiro, que sempre esteve com ela ao longo de todo o processo. Julia sabe que não voltar a ser a mesma, apresenta medo que o trauma possa ter passado para a filha, te claro que tem um certo preconceito em relação ao seu corpo. Preconceito esse que vinha desde criança. Julia lutou muito para que seu corpo chegasse onde ela queria, Era o seu troféu. Era o seu presente a si mesma. Até que o corpo dela se transforma apenas num veículo que transporta uma alma, uma pessoa, uma vontade, um impulso, uma sensação animalesca, orgásmica de Vida. Esse corpo dilacerado durante o "EVENTO" não é mais o corpo que ela tanto adorava. É um corpo sujo, violentado, que não lhe pertence, embora ela sobreviva à violência. 

Talvez não seja o corpo a ser quebrado. A alma é que é dilacerada por cada movimento, cheiro, toque, por fluidos corporais, por sabores, pela mata. A alma é o que cria o nosso trauma, a nossa psique o que nos traz todo o sofrimento. O corpo é só um veículo, um mero transporte de quem nós somos na realidade. 

Quando chove no Rio, Julia acredita que com as águas tudo será levado, limpo e esquecido, como se a destruição ainda que parcial da cidade, (entenda-se do caminho que leva à Vista Chinesa), a lavasse também, a ajudasse a encontrar a paz que tanto procura e anseia. Ao mesmo tempo que Julia recupera, o Raio afunda nos seus próprios traumas, problemas e preconceitos. 




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Sunday, November 07, 2021

Along the botanical garden
November 07, 20210 Comments

Embora os cheiros e temperaturas de Inverno se façam sentir de forma cada vez mais célere, e uma vontade crescente de enfeites natalícios se acumule numa ilusão de que algo está para breve, existe sempre em mim uma vontade de verdes, de tropical e de verão. Presas num cartão de memória fotográfico, existem imagens que possivelmente nunca veriam luz do dia, num registo de vários cliques únicos (algo que estou a aprender a fazer cada vez mais - como se tratasse de uma máquina de rolo). Possivelmente, um dia, quando a própria internet se tornar obsoleta, e quando as redes sociais desaparecerem, num evento potencialmente radical mas necessário a bem da nossa capacidade humana social, também todas as imagens de vários anos irão ser apagadas do universo de uma qualquer "nuvem". Um buraco negro irá sugar as vidas colocadas à vista de todos, mea culpa de cada um de nós. Até lá, existe todo um "dumping" que pode ser feito, mesmo que não seja o correto a fazer. 























Although the feeling of Winter scents and temperatures and a growing desire for Christmas decorations, as an illusion that something special is coming soon, there is always a desire in me for green, tropical and summer-ish things. Stuck on a photographic memory card, there are images that possibly would never see the light of day, in a register of several one-single shots (something I'm learning to do more and more - as if it was a film camera). Possibly, one day, when the internet itself becomes obsolete, and when social networks disappear, in a potentially radical but necessary event for the sake of our social human capacity, the images of several years will also be erased from the universe of a supposed "cloud". In that moment, a black hole will pull to itself the lifes placed in sight of everyone, in a mea culpa from each one of us. Until then, there is a whole lot of "dumping" that can be made, even if it is not the best thing to do.

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Tuesday, November 02, 2021

The Dead are Alive
November 02, 20210 Comments

Por estes dias existe um certo desespero de finitude. Talvez seja a mudança da hora, esse tempo contabilizado pelo homem, que faz os dias agora se tornarem mais pequenos, talvez seja a mudança do tempo, mesmo com as suas oscilações e vacilos, entre o quente e o repentino frio. Talvez seja por ser aquela época de retiro, de fins, para algures num futuro breve (sabemos que assim é sempre) ocorrerem recomeços. Hoje foi o dia de relembrar que existe essa passagem, de um plano físico para um plano etéreo e eterno - a forma como recordamos os nossos, mortos e vivos, é a forma de os manter entre nós ainda. Na nossa memória sim, mas também no nosso coração. E não há distância física ou temporal que nos faça esquecer aqueles que foram realmente importantes e que nos acompanharam nestas mudanças. Os Mortos estão Vivos. 


Foto de Albert Dros


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Wednesday, October 20, 2021

James Bond is dead. God save Daniel Craig!
October 20, 20210 Comments

"Does it bother you?" Nomi

" Nope. It's just a number." Bond

Existe, neste último filme da saga com Daniel Craig, uma série de diálogos que tornam a inevitabilidade de um final de ciclo, algo difícil de contornar. Se alguns críticos presumem a presunção que No Time to Die de longe será a melhor história desde a nova incursão pelo mundo de 007, não há quem duvide que a humanidade e sensibilidade apresentadas 15 anos depois pela personagem principal resulta exatamente da sua evolução enquanto homem que vai descobrindo mais sobre si mesmo e sobre os que o rodeiam. É precisamente essa a fórmula de NTtD - um Bond mais velho, mais experiente, que aprendeu à força de vários erros e mortes (realmente importantes para a sua vida) o que pretende. No final do dia, apenas e só uma casa à beira mar, e, quem diria, o Amor. 

Aludindo e prestando a devida homenagem aos clássicos, este 007, guardado na gaveta devido à pandemia, sem que fosse revelado qualquer pedaço de argumento, apenas pede, mais do que nada, tempo para viver. Não deixa por isso de, não entrando na margem de spoiling, ser no mínimo irónico este ser o desfecho de Craig enquanto agente do MI6. Onde alguns se indignam ao tal sentimentalismo outros vêem a mudança necessária para que entre em cena outro ator ajustado a um novo Bond, a um novo papel (está mais do que visto que uma mulher não poderá ser a agente mais famosa do mundo - não por falta de capacidades, mas sim porque algumas coisas não ganham qualquer sentido em serem alteradas), possivelmente criando o próximo James Bond em algo mais frivolo ou alheado, algo mais perto do que foram os "antigos" Bond's. Sem dúvida que Craig teve a tamanha sorte de ter entrado neste jogo de poker onde martinis são servidos entre pingos de chuva numa época em que quase todas as personagens do universo cinematográfico eram analisadas à lupa psicológica e, por isso claro, existe até uma certa semelhança entre o passado de Bruce Wayne (Batman) e do próprio Bond, revelado em Skyfall. 

Coloca-se contudo neste último apontamento, o fim não apenas de um ator, mas sim de vários outros - e uma vez revelado o twist nesta história parece-nos fazer todo o sentido. É a tal inevitabilidade que para um novo começo é necessário intrinsecamente um fim. 

Talvez sim, não seja o melhor filme da saga Bond/Craig para alguns, mas é sem dúvida um fim em grande para o ator que se prestou à interpretação durante anos, e que, qual Tom Cruise, se deu também a realizar as suas próprias cenas de ação e sofrendo os resultados dessas mesmas proezas. Um fim onde deveria haver mais tempo para viver e onde não deveria de todo coexistir o tal tempo de morrer, mas que nos deixa a certeza que este específico legado irá ser perpetuado por futuras gerações. 

Noutro campo, fora do contexto anterior em que menciono a narrativa de NTtD, pessoalmente tenho sérias dúvidas que as próximas histórias consigam prender tanto como esta dupla Bond/Craig. James Bond may be dead but God save Daniel Craig!


There are, in this last film with Daniel Craig, a series of dialogues that make the inevitability of a cycle end, something difficult to overcome. While some critics presumptionly assume that No Time to Die will not be by any chance the best story since 007's latest foray into the world, there is no doubt that the humanity and sensitivity shown 15 years later by the main character is precisely the result of his evolution as a man who discoveres more about himself and from those around him. That's precisely NTtD's formula - an older, more experienced Bond who has learned in the worst way, from several mistakes and deaths (truly meaningful in his life), what he genuinely wants. At the end of the day, a simple house by the sea, and, guess what, love.

Alluding and paying due homage to Bonds' movie classics, this 007, kept in a drawer due to the pandemic, and without any bit of argument being revealed, just asks, more than anything, time to live. However, not wanting to enter the spoiling margin, it is at least ironic that this is Craig's outcome as the MI6 agent. Where some can feel indignant at such sentimentality, others look at it as the necessary change for another actor to enter in scene, adjusted to a new Bond, a new role, (it is quite obvious by now, that a woman cannot be the most famous agent in the world - not because lack of capabilities, but rather because some things don't make any sense when changed), possibly creating the next James Bond into something more frivolous or aloof, something closer to what the "previous" Bond's were. No doubt Craig was very lucky to have entered this poker game, where martinis are served among raindrops, at a time when almost all characters in the cinematographic universe were analyzed with a psychological magnifying glass, resulting even in a certain similarity between the past of Bruce Wayne (Batman) and Bond himself, as revealed in Skyfall.

However, in this last appointment, its not only the end of one actor/character, but of several others -  once the twist in this story is revealed, it all seems to make perfect sense. It is the inevitability that for a new beginning, an end is intrinsically necessary.

And probably yes, it's not the best movie in the Bond/Craig saga for some, but it's undoubtedly a big ending for the actor who has lent himself to acting for years, and who, like Tom Cruise, has also given himself to directing his own action scenes plus suffering the results of those same feats. An end where there should be more time to live and where such time to die should not coexist at all. However, it also gives us the certainty that this specific legacy will be perpetuated for future generations.

On the other side, excusing the previous context in which it's mentioned the NTtD narrative, I personally have serious doubts that the next unfold stories will be able to capture fans as much as this Bond/Craig duo did. James Bond may be dead but God save Daniel Craig!

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Tradições que perduram - a história de um bordado
October 20, 20210 Comments






O bordado madeirense tal como o conhecemos não teve origem nem no século XIX nem na influência britânica, como poderíamos imaginar. Os primórdios remontam à própria povoação da ilha da Madeira e quanto à iniciativa inglesa, apenas serviu (e bem!) à abertura de portas a um mercado internacional. A partir deste momento, o bordado terá então deixado de ser uma arte local e os produtos passam a ser para consumo externo, crescendo tanto a sua importância, como, claro, o seu valor comercial.

ORIGEM HISTÓRICA

Pensa-se que os primeiros registos datem de longos tempos antes da era cristã. O primeiro vestígio fóssil pertence a 30000 AC, sendo que o primeiro tecido bordado encontrado na China tenha cerca de 5500 anos. E é possível também que o berço deste trabalho de agulha e perícia pertença algures entre o Oriente, o Médio Oriente e a Rússia. Tendo o Mediterrâneo como pano de fundo e meio de comunicação entre os povos, facilmente se entende que gregos, egípcios, muçulmanos e judeus tivessem tido igualmente um papel preponderante na sua divulgação.

Com a chegada à Idade Média, Roma torna o bordado como um produto de luxo, sendo que a partir do século XVI a capital passa a ser um dos maiores centros de trabalho manual - a idade do Ouro veio a tornar ainda mais rigorosa esta ideia. As aplicações várias dos bordados às várias monarquias europeias e ao clero, elevam esta arte a um patamar superior. Eram usados materiais como a seda e o próprio metal dourado para adornar as peças de vestuário - e estas apenas circulavam nos estratos sociais mais elevados. 

BORDADO EM PORTUGAL

Com presença secular antiga, o bordado em Portugal é geralmente atribuído às regiões do norte e centro do país com destaque também para a zona de Nisa. Não é por isso estranho quando olhamos para a Madeira, e observamos a presença do bordado desde os primeiros povoadores, oriundos, essencialmente, destas zonas. Um dos principais grupos de imigrantes era proveniente de Viana do Castelo oque reflete assim que a tradição é tão antiga como o povoamento da própria ilha atlântica. 

De forma a dar resposta às então necessidade de vestuário tornou-se comum o pastoreio de ovelhas para fornecimento de lã bem como o cultivo de linho na região insular. Só em Santana e na Calheta funcionavam 160 a 165 teares sendo que o Funchal funcionava como mercado de acesso aos tecidos importados - isto levou a alguns problemas, nomeadamente (e por incrível que pareça) devido ao facto de por esta via e forma de trabalhar, qualquer pessoa poderia envergar peças consideradas luxuosas. Se em 1686 D. Pedro tentou controlar a riqueza ostensiva que o povo envergava, já em 1749, D. João V admitia toda a possibilidade de se puderem usar roupas bordadas, brancas, desde que, facto muito importante, fossem fabricadas exclusivamente dentro do território dominado por Portugal. 

DESENHO, PICOTAGEM, ESTAMPA, BORDADO, ENGOMAR

         


Com a evolução do tempo e sem dúvida com o apoio de Mary Phelps, bem como de tantas outras ilustres famílias europeias, o Bordado da Madeira iria finalmente dar o salto e ser reconhecido internacionalmente, afastando-se da índole caseira e praticamente familiar. As bordadeiras dedicar-se-iam a partir desse momento à prática do bordado tendo por base 5 fases distintas mas essenciais à sua concretização sem mácula. Nascem assim as "casas de bordado", na realidade casas ou lojas comerciais, cuja função seria a preparação e a distribuição do tecido e linhas pelas bordadeiras espalhadas pela ilha através de caixeiros. Os panos eram já levados com as estampas sendo então bordados em casa de cada uma. Uma vez regressado à casa-mãe, no Funchal, a tarefa seria engomar e embalar as encomendas com destino à venda. 


SELO DE GARANTIA

Em Dezembro de 1938 passa a ser obrigatório a presença de 1 selo de qualidade e garantia em cada peça. Com a criação do Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira em 1977 a defesa da autenticidade do bordado passa a ser uma prioridade. A partir de 2000, o uso de 1 selo holográfico torna-se obrigatório bem como uma garantia contra falsificações. 

DIÁSPORA DO BORDADO DA MADEIRA

Marcados pelas Guerras Mundiais e pela pobreza causada pelo parco desenvolvimento e incúria governativa, muitos foram os madeirenses que abandonaram a sua terra natal em busca de melhor vida, não sem dor e mágoa pela sua difícil decisão. Consigo levaram os conhecimentos herdados da tradição e sendo recebidos por países como o Brasil, Venezuela ou África do Sul, em breve estes locais, principalmente o Brasil, pedem imigração de bordadeiras madeirenses para dar cobro à demanda de produtos. Se o bordado se torna conhecido no Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, é neste último estado e em quase toda a região nordeste onde ganha maior importância continuando aos dias de hoje um elemento bem vivo no seu setor industrial. Em Fortaleza chega a ser uma das principais atividades económicas. Na Bahia é conhecido o trabalho do bordado até mesmo nas tradicionais vestes baianas. Se o bordado nasceu do mundo até chegar à Madeira, da Madeira o Bordado Madeirenses cresceu para todo o Mundo. 

O BORDADO E O FUTURO

É cada vez mais evidente que em pleno século XXI o Bordado da Madeira passa a ser uma questão de tradição e cultura nacionais. Mais do que uma e qualquer necessidade de vestuário é sem dúvida um ex-libris de toda uma região portuguesa, uma lembrança para levar de regresso de viagem, um trabalho aplicado a estanho e madeira, rico, para destacar em uma ou várias divisões de casa. Mudam-se os tempos e as vontades, mas o orgulho pelo desenho, picotagem, estampa e bordado permanecem intactas mesmo face a várias crises, económicas ou pandémicas. Resta às gerações vindouras saberem preservar a manter viva esta tão bonita arte manual. 



(English Version)

Madeira embroidery, as we know it, is not from 19th century origin nor has British influence, as we might imagine. The beginnings date back to the early colonization of Madeira Island and, as for the English initiative, it only served (and well!) to open doors to an international market. From this moment on, embroidery will then no longer be a local art and the products will be for external consumption, increasing both its importance and, of course, its commercial value.

HISTORICAL ORIGIN

The earliest records are thought to date back long before the Christian era. The first fossil remains belong to 30,000 AD, with the first embroidered fabric found in China being around 5500 years old. It is also possible to consider that the cradle of this work of needlework and expertise belongs somewhere between the East, the Middle East and Russia. With the Mediterranean as a background and means of communication between people and cultures, it is easy to understand that Greeks, Egyptians, Muslims and Jews had equally played a preponderant role in its dissemination.

With the arrival of the Middle Ages, Rome turned embroidery into a luxury product, and from the 16th century onwards the capital became one of the biggest centers of manual work - the Golden Age made this idea even more serious. The several applications of embroidery to various European monarchies and clergy, elevate this art to a higher level. Materials such as silk and gold metal itself were used to adorn the garments - and these only circulated in the higher social strata.

EMBROIDERY IN PORTUGAL

With a centuries-old presence, embroidery in Portugal is generally attributed to the northern and central regions of the country, with an emphasis also on the Nisa area (north Alentejo). Therefore, it is not  strange when we look at Madeira and observe the presence of embroidery since its first settlers, which came essentially from these areas. One of the main groups of immigrants came from Viana do Castelo which reflects that the tradition is as old as the settlement of the Atlantic island itself.

In order to respond to early settlers need for clothing, the herding of sheep to supply wool as well as the cultivation of flax in the island region became common. Only in Santana and Calheta there were 160 to 165 looms, and Funchal was the market for access of imported fabrics - this led to some problems, namely due (and oddly enough) to the fact that with this way of working, anyone could wear pieces considered luxurious. If in 1686 D. Pedro tried to control the ostensive wealth that the people could actually wear, as early as 1749, D. João V admitted the possibility of everyone to use embroidered white clothes, provided that they were manufactured exclusively within the territory dominated by Portugal.

DRAWING, PICKING, PRINTING, EMBROIDERY, IRONING

With the evolution of time and undoubtedly the support of Mary Phelps, as well as of many other illustrious European families, Madeira Embroidery would finally take the leap and be internationally recognized, moving away from the homely and practically familiar nature. From that moment on, the embroiderers would dedicate themselves to the practice of embroidery based on 5 distinct but essential phases for its precise implementation. Thus,"embroidery houses" were created, corresponding in reality to houses or commercial stores, whose function would be the preparation and distribution of fabric and threads by the embroiderers spread across the island through clerks. The cloths would be already taken with the prints and then embroidered in each one's home. Once back at the mother house in Funchal, the task would be to iron and pack the orders destined for sale.

GUARANTEE SEAL

In December 1938, the presence of one quality and guarantee seal on each piece becomes mandatory. With the creation of the Instituto do Vinho, Bordado e Artesanato da Madeira in 1977, defending the authenticity of embroidery becomes a priority. From 2000 until today, the use of one holographic seal becomes mandatory as well as a guarantee against forgeries.

DIASPORA OF MADEIRA EMBROIDERY

Marked by the World Wars and poverty caused by lack in development and government negligence, many Madeirans left their homeland in search of a better life, but not without regret and sorrow for their difficult decision. With them there was the knowledge inherited from the tradition, and once arrived in countries like Brazil, Venezuela or South Africa, soon enough, they were asked to meet the demand for products. If embroidery becomes known in Rio de Janeiro, São Paulo and Ceará, it is in the latter state, and in almost the entire northeast brazilian region, where it gains greater importance, continuing to the present day a very lively element in its industrial sector. It is also one of the main economic activities in Fortaleza. In Bahia, the work of embroidery is best known in traditional Bahian garments. If embroidery was born from the world until it reached Madeira, Madeira Embroidery grew from Madeira to the whole world.

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