Cláudia Paiva Silva : Photography
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Tuesday, April 28, 2020

Moodboard while #vaificartudobem
April 28, 20200 Comments
Continuando a pesquisa entre as várias marcas nacionais, percebi que, sem dúvida e cada vez mais, se encontram colecções dedicadas e inspiradas à Natureza. Padrões tropicais podem mesclar-se com os tecidos mais fluidos de algodão e linho, peças de joalharia, são facilmente pensadas e criadas a partir de elementos naturais, sejam flores ou plantas ou até mesmo elementos telúricos, como formatos de rochas, bem como baseados e inspirados em elementos animais, conchas, búzios, estrelas do mar, uma panóplia de temas que acabam por servir aos vários artistas. 
@beneditaformosinho
Benedita Formosinho teve a visão e coragem de ser uma das novas empreendedoras de moda, dando o alma e o manifesto à cultura nacional. Quem conheceu a colecção de inverno sabe que os materiais de luxo, nobres, utilizados são todos portugueses de origem local e de alta qualidade, nomeadamente as lãs. A presença destes elementos são uma mais valia em cada peça única, de preferência e sempre que possível trabalhada à mão. O resultado são modelos clássicos mas que também apresentem um toque de modernidade, permitindo não só a permanência das influências tradicionais, o respeito pela autenticidade mas igualmente chegarem a um público vasto, de várias idades que procurem a tal relação já mencionada de preço/qualidade/durabilidade. Os chavões "zero waste" e "fair trade" nunca aqui fizeram tanto sentido. Tal como na lei da física, nada se perde, mas sim transforma-se em novos produtos, nomeadamente malas ou carteiras, numa máxima de sustentabilidade. 
@limboshop


@belleepoqueboutique

@beneditaformosinho

@ohMonday
De acordo com as palavras da autora e criadora da marca Margarida Marques de Almeida, mais conhecida pelo nickname @styleitup, a Oh Monday (@ohMonday) pretende essencialmente dar Força e Poder às mulheres. Iniciando com a premissa de slow fashion, as peças da marca foram criadas apenas a pensar no bem-estar e comodidade de cada uma de nós, de forma a que nos possamos sentir elegantes e ao mesmo tempo extremamente confortáveis, sem termos de pensar muito no assunto. No espírito que todas as marcas apresentam, também Margarida pretende que a Oh Monday seja uma identidade nacional de comércio justo e sustentável, onde não haja a tentação de comprar por impulso mas sim pela real necessidade de termos um artigo de qualidade dentro do guarda-roupa. O empoderamento feminino (e masculino) não passa apenas pelo que somos no dia-a-dia e acções, mas essencialmente pelo que não se vê de forma directa - as nossas escolhas pessoais. Pensar antes de comprar faz parte da cultura mais sustentável que podemos desejar. Assim os modelos apresentados apresentam cortes rectos, estruturados, de cor preto ou branco, feitos em Lisboa e com materiais nacionais, promovendo não só o empreendedorismo feminino e desenvolvimento local, como também influenciado para uma escolha salutar na hora de escolher e comprar. 
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Monday, April 27, 2020

Moodboard while #fiqueemcasa
April 27, 20200 Comments
Jardim das Estufas - Palácio de Queluz

Quem disse que estar em casa implicaria uma mudança radical nos comportamentos e mecânica mental tinha e continua a ter toda a razão. Ao final de um mês e meio de encarceramento domiciliário, a cabeça começa a pregar partidas, os dias poderão tornar-se excessivamente compridos e o quotidiano uma repetição ao extremo do dia anterior, como se estivéssemos dentro do filme de Bill Murray* e fôssemos o próprio protagonista, mas sem a marmota. Por agora, nem mesmo com as previsões de chuviscos e tempo mais rameloso as pessoas parecem querer aceitar a ordem de isolamento social, e mesmo correndo o risco de serem recambiadas para as suas habitações, qual pulseira electrónica que disparou o alarme a escassos metros de distância, arriscam-se a ir até ao parque, até perto do mar, onde tantas outras também possam estar, repetindo-se a premissa inicial de um possível risco elevado de contágio. Mas as pessoas são humanas, e habituando-se ou não a viverem confinadas em apartamentos durante a maior parte do tempo, todas geramos sentimentos, estados de espírito, desejos e vontades, que não correspondem a mais do que o total prazer do conceito de liberdade que irá bem mais do que aquele que o 25 de Abril terá ensinado. 

* - Groundhog Day (1993)

Juliana Bezerra - Brincos Majoletti

Guaja Studio - Juliette Knot Top + Francesca Fit Linen Pants

Falamos da Liberdade física, de percorrer espaços que se calhar antes nunca teríamos imaginado. Nunca campos de trigo no Alentejo, alfazemas azuis, jardins cheios de flores silvestres, ou mesmo aquela mata supostamente mal cuidada entre prédios e já no leito da ribeira, nos pareceram tão atractivos. Para mim a juntar seriam dunas, flores e ramagens secas, tons de terra, amarelos queimados, ocre, algum verde de plantas que se conjugam em ambientes extremos, ou de mar ou de deserto. Esse é o meu moodboard actual.  

Super Botânica

Cata Vassalo

Aproveitando a sensação, e enquanto os desejos são apenas isso, uma força poderosa que nos compele a fazer algo impetuoso, mas que por agora não é parcialmente negada, retomei o prazer de percorrer as galerias das várias marcas nacionais que fui (re)conhecendo ao longo dos últimos dois anos. De projectos familiares, pequenos, mas cheios de graça, estilo e design, são agora os mais procurados para qualquer pessoa, acima de tudo por duas razões: são trabalhos feitos em Portugal e porque são sustentáveis, tanto em termos de produtos e tecidos utilizados, como em termos de mão-de-obra, na sua grande maioria. (Podemos falar aqui dos preços "excessivos" praticados pelas marcas portuguesas, mas deixo a questão: acham justo que as nossas costureiras, sim, essas mesmas que agora estão a coser máscaras porque as colecções estão paradas, recebam 1 euro por dia de trabalho como acontece com as que trabalham para as "grandes marcas" que não passam de Made in PRC embora com o carimbo de Milan e Paris? Pois, bem me parece que não). 

Belle Epoque Boutique

Rust and May

Temos assim, uma lista de marcas bonitas com classe para mulher (neste caso), e nesta escolha pessoal, alguns dos artigos que mais enchem o meu gosto pessoal para os meses de Verão, mesmo que este ano possa vir a ser passado em casa: passando pelos linhos e acetinados da Guaja Studio e algodões da Rust and May que podem ser perfeitamente complementados com acessórios da Cata Vassalo e Juliana Bezerra (que apresenta o relançamento dos brincos desiguais Majoletti em prata e prata dourada). Claro que os ténis ou sapatilhas rasas teriam de aparecer nesta minha wishlist, ou no máximo sandálias para o conforto ao andar a passo mais rápido. Contudo e apesar que mais ideias e imagens bonitas ainda estão para serem mostradas, não me compete a mim estar a influenciar ninguém para comprar seja o que for. É importante pensar e afirmar que neste momento há temas bem mais sérios a serem discutidos, vidas a serem salvas, pessoas a lutarem para sobreviver. Mas também é certo que se adivinha com certezas tão letais quanto o vírus uma grande e longa crise económica que irá afectar não as tais grandes marcas internacionais ou grupos de moda, mas sim estes nomes nacionais. Projectos como mencionei que começaram apenas de ideias, que cresceram, que se tornaram sonoros e que também irão precisar de apoio. Uma marca que fabrica poucos artigos de cada modelo irá sofrer um impacto muitíssimo maior do que uma que fabrica 10 mil unidades de uma simples camiseta branca "feita lá fora". O conceito de moda e de compra precisa de ser redefinido sim, mas isso não implica que se deixe totalmente de comprar. A questão é repensar a forma como se compra, as nossas necessidades, e acima de tudo, se o investimento vale a pena em termos de preço/qualidade/durabilidade. Ser-se sustentável é também apoiar as empresas nacionais, a economia local e saber que temos produtos de qualidade que irão durar imenso tempo dentro dos nossos armários.  

Jardim das Estufas - Palácio de Queluz
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Tuesday, December 03, 2019

Renate Graf e a fotografia que faz pensar
December 03, 20190 Comments


“Não sou fotógrafa no sentido clássico, as minhas imagens existem para servir diferentes propósitos daqueles dos verdadeiros fotógrafos, não sendo completas ou conclusivas. Nem são fotografias perfeitas no ponto de vista de perfeição técnica. Elas funcionam não somente como imagem, mas como linguagem, como sinais apontando a algum significado…”. É assim que Renate Graf, fotógrafa austríaca se define. Desde os desertos de Marrocos, captando o detalhe das areias sendo transportadas pelo vento no Atlas, às montanhas do Utah, nos Estados Unidos, passando aos festivais de cores garridas na Índia, onde consegue, mesmo em fotografias a preto e branco, transmitir a palete cenográfica de rituais culturais, Renate é acima de tudo uma coletora de momentos e memórias. Não querendo colocar-se no mesmo estatuto que outros grandes fotógrafos, a verdade é que Graf é uma das mais brilhantes fotógrafas mundiais. As suas imagens revelam um cuidado e uma estética muito particulares, e sem dúvida que as mesmas, tiradas em locais tão místicos, como templos hindus, ou misteriosos e inóspitos, como as planícies de gelo na Sibéria, lhe auferem o estatuto dos Grandes.






Na verdade, Renate Graf começou de forma simples a sua carreira em fotografia há pouco mais de duas décadas. Somente após um amigo lhe ter oferecido uma Canon automática, e após começar a viajar com o seu companheiro, o reconhecido pintor e escultor alemão Anselm Kiefer, é que iniciou o hábito de fazer diários fotográficos. O essencial para ela, é poder relatar os códigos culturais e a forma como os mesmos se vão alterando no tempo e no espaço. De uma Europa pós Segunda Guerra Mundial, na qual Graf cresceu, passando pela queda da URSS, chegando ao mundo globalizado e multicultural dos dias de hoje, Renate declara que tenta sempre adicionar algo ou uma palavra que proporcione uma ideia ou pensamento, ao mesmo tempo que reconhece o desafio constante que as mudanças de Poder, de costumes e moral, possam empregar nas suas imagens.

A viver atualmente em Portugal (Comporta, Setúbal), define o povo português como tolerante e musical, muito graças à influência das várias "energias" provenientes de outros países. Mas é o mar que, para ela, nos destaca entre os demais: "os portugueses não olham para a Europa, mas sim para o mar, o que torna tudo muito especial e é uma visão poética". 

Quanto ao futuro, basta dar uma espreitadela à sua página de Instagram @renategraf: pensando em mover-se do registo em livro para filme, podemos já observar algumas imagens a cor e movimento, simples, feitas possivelmente com um intuito ainda "rascunho", fazendo lembrar Anton Corbijn (@antoncorbijn). 


A exposição está patente até ao final de Dezembro no Palácio dos Anjos em Algés. 




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