Marked as safe from... eclipses. Infelizmente, não de #pessoas. - Cláudia Paiva Silva

Thursday, August 13, 2026

Marked as safe from... eclipses. Infelizmente, não de #pessoas.



Inevitavelmente, graças a uma proliferação cada vez maior de notícas, de redes sociais, de vídeos para o TikTok, de vistas privilegiadas a Oeste ou, simplesmente, porque estávamos na rota, ontem, durante 26 segundos (o tempo suficiente para um sismo causar ligeiro pânico), o dia virou "noite". Ou melhor, a luz natural desvaneceu-se, tornando-se menos forte, esplendorosa, mesmo que em momento de ocaso. 

Se há coisa que este 2026 nos tem trazido, é que todos os dias temos de estar preparados para um evento diferente. E nem falo sobre as loucuras de Trump, os genocídios e destruição de património por Israel, ou a loucura viral em que grande parte da população ocidental parece estar a padecer (inclui-se falta de empatia, falta de respeito, xenofobia, racismo). 

É mesmo uma preparação para eventos naturais que, por andarmos ainda a pisar este chão e termos as cabeças protegidas por uma atmosfera, se tornam facilmente em catástrofres. Ele são sismos, ele são cheias, ele são ondas de calor, ou vagas de frio. Uma panóplia de sintomas a provar como a Terra está viva. E, no entanto, com tanta informação, a girar a uma velocidade cada vez maior, vamos perdendo a capacidade de assimilar, de viver os momentos, de compreender o esplendor que tudo isto é, mesmo que traga "desgraça". Na verdade, ontem, não foram poucos os comentários de "só isto?", "fiquei desiludido", "tão pouco tenpo?". 

Juro que não sei o que as pessoas querem mais - à medida que recebemos mais informação no sistema, menor a capacidade de processar, pelo que tudo nos parece pouco, sabe a pouco ou a nada - mesmo que seja apenas uma questão de "Fear Of Missing Out", FOMO para os amigos, ou o temos de não pertencer à comunidade, se não estivermos todos presentes no coletivo que viu, viveu, sentiu. 

Pessoal, nada contra, mas não há problema algum em não terem assistido a algo que durou, pasmem-se mesmo, 26 segundos. Sim, é algo único no sentido em que à nossa geração (e nas que virão após), só daqui a 100 anos é que voltaríamos a ver. Mas mesmo assim - em Portugal apenas. Porque eclipses totais vão acontecendo noutros países. Querem ver? É irem até eles. 

Mais preocupante, para mim, é observar um número crescente de descrentes às vacinas, à medicina moderna, aos tratamentos médicos - e que podem ter por suplementação outros de origem mais natural (não sou radical, mas definitivamente não sou chalupa), ou, pior, aos motivos pelos quais o planeta treme, os vulcões existem, os rios correm para o mar. Isso sim, deveria preocupar fosse quem fosse que tenha 3 dedos de testa. 

A gratuitidade com que algumas alminhas aparecem em espaço público dizendo mentiras, tornando-as realidades (paralelas, atenção!) e conseguem conquistar seguidores é, a meu ver, absurda - e a culpa é nossa também, porque lhes damos palco. E porque o dinheiro, claro, é quem mais ordena. 

Por isto, custa-me também saber que, vivendo num país com perigosidade sísmica moderada e numa zona com risco sísmico elevado, os nossos governos, continuamente, deixam passar o conhecimento técnico sobre a vulnerabilidade dos edifícios, sejam habitacionais, privados, públicos, hospitalares, escolares, não nos preparando nem defendendo para diferentes realidades.

Um sistema de risco antissísmico em hospitais poderá fazer a diferença entre o número de mortos e de potencial de salvação a feridos. Um sistema geotérmico que possa servir à climatização, poderá fazer a diferença, em algumas regiões, à continuidade de consultas médicas ou aulas, initerruptamente. E, no entanto, cá andamos, a rezar para que os nossos sismos (cada vez mais tidos como sinais bíblicos do fim dos tempos - influência de crenças cada vez mais enraizados por envagelismos que nem são a nossa "tradição" religiosa (se queremos mesmo ser honestos)) se mantenham curtos, de baixa magnitude ou, então, que ocorram lá longe, nos países pobres, onde os prédios abanam e caem como castelos de cartas. 

Mas no final de contas o que importa mesmo é o eclipse - quem viu, quem fotografou, quem "experienciou" e, no fundo, quem ficou muito desapontado porque foi "poucochinho", bonito, mas poucochinho.

Eu fico feliz por ter mantido a salvo. 

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