August 2026 - Cláudia Paiva Silva

Monday, August 31, 2026

efeito setembro
August 31, 20260 Comments

Colagem feita através de powerpoint, google e Magnific.

E eis que ele chega - presunçoso na sua certeza que iria entrar em grande (lixando aliás parte do mês de agosto), com temperaturas mais baixas, com chuva, a exigir que já se mude o guarda-roupa e o chip para "pós-férias". 

Pois bem, a mim nunca enganou - principalmente porque não ter férias obriga-nos a ver e a medir o tempo de outra forma. É exatamente a mesma rotina, todos os dias, mas observando que a velocidade da luz parece que aumenta. Ainda ontem estávamos a discutir as cheias do Mondego, os ventos de Leiria (e por acaco estivémos mesmo) e hoje já andamos aqui a debater os fluxos de lama no Nepal ou as chuvas intensas no Grand Canyon - são várias borboletas a bater asas e a gerarem tempestades em várias outras regiões do mundo. 

Mas sim, setembro chega para nos alertar que hoje, ainda 31 de agosto, às 20.00 horas já se põe noite, que os dias estão impressionantemente mais pequenos, que a volta do astro-rei já não chega para aquecer todas as divisões da casa, mesmo que estejam previstas mais algumas temperaturas elevadas. Já não "vai bater" da mesma forma.

As escolas reabrem céleres - os pais fartos das férias dos miúdos (e agora que poderiam eles ir de férias, têm as tarefas profissionais também a chamarem-os) e o vaivém dos trabalhos, das marmitas para fazer, dos banhos para tomar, dos jantares e almoços a preparar - o regressar aos escritórios para apenas verem as caras do costume. Aquelas que até se acha alguma piada - mas que não são os amigos de uma vida - e as outras as quais é um esforço sequer dar os bons-dias.

Vale-se quem vê isto tudo como se estivesse do lado de fora. E que esteve fora do padrão natural das coisas. Vi os dias a passar, mais curtos, depois mais compridos e agora mais curtos de novo. Comecei a expôr mais o trabalho que faço e a facilitar algumas informações à sociedade civil e às comunidades, ao mesmo tempo que tento manter-se sã num mundo que, claramente, começa a ter muito pouco lastro para quem tem ideias, ou pretende criar projetos. Ou simplesmente falar sobre eles. 

Ou então setembro volta a dar-nos aquele boost de "já falta pouco" para o final do ano - é só mais um esforço até ao apito final traduzido por fogo de artifício, passagem do ano em direto via RTP Madeira, e a expetativa de que para o ano "vou-me vingar" e durante 3 semanas andarei em modo "desaparecida" em combate. O problema é que não sei o dia de amanhã, quanto mais o que será daqui a 3 meses, menos ainda daqui a um ano.

Falando mal, mas de forma séria e realista? Quantas mais pessoas irão morrer? Quantas mais guerras terão começo? Quantas mais crises económicas, recessões, inflações - será que teremos mesmo oportunidade de estar "off", - ah, porque a nossa saúde mental..... FALÁCIA. Isso é uma falácia. Querem-nos ativos, disponíveis - e não, não é ao modo da coitada da Vanessa Martins (essa mesmo que tantos dizem que "apenas vende gomas") - tem piada - se ela fosse dona ou sócia da Bional ou Arkopharma e as gomas fossem vendidas numa farmácia comunitária, estariam calados - é mesmo ao modo que os governantes querem que estejamos a atuar. 

Uma sociedade hiper produtiva, mas a cair aos bocados com esgotamentos e depressões (que, no caso das mulheres e alguns homens que têm a coragem de o admitir) vistas como fraquezas, situações que não aconteceriam se tivéssemos realmente ocupações - veem o paradoxo idiota da coisa?

Voltemos a setembro - e não me lixem - existem livros que nos fazem lembrar setembro, aquele período de transição e melancolia, das férias saturadas a cores de filtros de telemóveis (alguém ainda usa, no mínimo, máquinas digitais?). Livros que são magníficos exercícios de escrita, mas que pouco adicionam às nossas vidas. Porque até a leitura começou a ser uma corrida. 

E existem músicas que não saem do modo verão, nem mesmo chegando o inverno. (E ainda bem por elas e por nós!). 

É o efeito setembro, digo-vos: as cores castanhas, verdes tropa, azuis marinhas e cores de vinho, que se mesclam com o saudosismo do verão, das tais férias rápidas (porque passam a correr, sem dúvida alguma), dos mergulhos em sal grosso de mar ou oceano. 

E não é que setembro impeça outras memórias e mais mergulhos - mas entendo. O sol não é o mesmo. O calor, mesmo que regresse, já se sente diferente. Os dias encurtam, não prolongam. É o pedido da natureza para retornar a casa, à zona de conforto, à comida caseira, ao aconchego. À normalidade dos dias. 

Reading Time:

Thursday, August 13, 2026

Marked as safe from... eclipses. Infelizmente, não de #pessoas.
August 13, 20260 Comments



Inevitavelmente, graças a uma proliferação cada vez maior de notícas, de redes sociais, de vídeos para o TikTok, de vistas privilegiadas a Oeste ou, simplesmente, porque estávamos na rota, ontem, durante 26 segundos (o tempo suficiente para um sismo causar ligeiro pânico), o dia virou "noite". Ou melhor, a luz natural desvaneceu-se, tornando-se menos forte, esplendorosa, mesmo que em momento de ocaso. 

Se há coisa que este 2026 nos tem trazido, é que todos os dias temos de estar preparados para um evento diferente. E nem falo sobre as loucuras de Trump, os genocídios e destruição de património por Israel, ou a loucura viral em que grande parte da população ocidental parece estar a padecer (inclui-se falta de empatia, falta de respeito, xenofobia, racismo). 

É mesmo uma preparação para eventos naturais que, por andarmos ainda a pisar este chão e termos as cabeças protegidas por uma atmosfera, se tornam facilmente em catástrofres. Ele são sismos, ele são cheias, ele são ondas de calor, ou vagas de frio. Uma panóplia de sintomas a provar como a Terra está viva. E, no entanto, com tanta informação, a girar a uma velocidade cada vez maior, vamos perdendo a capacidade de assimilar, de viver os momentos, de compreender o esplendor que tudo isto é, mesmo que traga "desgraça". Na verdade, ontem, não foram poucos os comentários de "só isto?", "fiquei desiludido", "tão pouco tenpo?". 

Juro que não sei o que as pessoas querem mais - à medida que recebemos mais informação no sistema, menor a capacidade de processar, pelo que tudo nos parece pouco, sabe a pouco ou a nada - mesmo que seja apenas uma questão de "Fear Of Missing Out", FOMO para os amigos, ou o temos de não pertencer à comunidade, se não estivermos todos presentes no coletivo que viu, viveu, sentiu. 

Pessoal, nada contra, mas não há problema algum em não terem assistido a algo que durou, pasmem-se mesmo, 26 segundos. Sim, é algo único no sentido em que à nossa geração (e nas que virão após), só daqui a 100 anos é que voltaríamos a ver. Mas mesmo assim - em Portugal apenas. Porque eclipses totais vão acontecendo noutros países. Querem ver? É irem até eles. 

Mais preocupante, para mim, é observar um número crescente de descrentes às vacinas, à medicina moderna, aos tratamentos médicos - e que podem ter por suplementação outros de origem mais natural (não sou radical, mas definitivamente não sou chalupa), ou, pior, aos motivos pelos quais o planeta treme, os vulcões existem, os rios correm para o mar. Isso sim, deveria preocupar fosse quem fosse que tenha 3 dedos de testa. 

A gratuitidade com que algumas alminhas aparecem em espaço público dizendo mentiras, tornando-as realidades (paralelas, atenção!) e conseguem conquistar seguidores é, a meu ver, absurda - e a culpa é nossa também, porque lhes damos palco. E porque o dinheiro, claro, é quem mais ordena. 

Por isto, custa-me também saber que, vivendo num país com perigosidade sísmica moderada e numa zona com risco sísmico elevado, os nossos governos, continuamente, deixam passar o conhecimento técnico sobre a vulnerabilidade dos edifícios, sejam habitacionais, privados, públicos, hospitalares, escolares, não nos preparando nem defendendo para diferentes realidades.

Um sistema de risco antissísmico em hospitais poderá fazer a diferença entre o número de mortos e de potencial de salvação a feridos. Um sistema geotérmico que possa servir à climatização, poderá fazer a diferença, em algumas regiões, à continuidade de consultas médicas ou aulas, initerruptamente. E, no entanto, cá andamos, a rezar para que os nossos sismos (cada vez mais tidos como sinais bíblicos do fim dos tempos - influência de crenças cada vez mais enraizados por envagelismos que nem são a nossa "tradição" religiosa (se queremos mesmo ser honestos)) se mantenham curtos, de baixa magnitude ou, então, que ocorram lá longe, nos países pobres, onde os prédios abanam e caem como castelos de cartas. 

Mas no final de contas o que importa mesmo é o eclipse - quem viu, quem fotografou, quem "experienciou" e, no fundo, quem ficou muito desapontado porque foi "poucochinho", bonito, mas poucochinho.

Eu fico feliz por ter mantido a salvo. 

Reading Time:

Friday, August 07, 2026

Nada de errado com a nova coleção da Zara
August 07, 20260 Comments

 



Não há nada de absolutamente errado com a coleção Scarves da Zara. A maior parte dos produtos ainda nem chegou às lojas nacionais, mas acredito que venha a fazer sucesso junto ao público feminino. E/ou feminino a ver roupa de homem. Porque se há coisa que eu sei, é que cada vez mais são eles que se olham ao espelho e querem estar sempre impecáveis. Sem tabus, nem preconceitos com padrões, cores, misturas.

E se há coisa que aqui se fala (e vê) são os tecidos multicoloridos que se mesclam de forma tão díspar que acontece caírem todos bem. Não falando das peças que são, realmente, unissexo - mesmo que não sejam (não sejam chatos!). 

Assim ficamos, simplesmente, no aguardo, durante a silly season. Entre eclipses e outros devaneios. 

Reading Time: