.... mas.... (a autora cinge-se a escrever no seu blogue e não na sua conta de LinkedIn com risco de ser amplamente ostracizada pela comunidade científica, energética, na qual, pensa ela, que se insere).
talvez eu esteja a pisar em ramo verde, areias movediças e a colocar a minha cabeça na guilhotina ao fazer esta questão, mas... está Portugal realmente preparado para uma transição energética pautada (quase e apenas) pela eletrificação?
Parece claro que são essas as orientações (regras) da Comissão Europeia, e que também parece ser esse o (único) caminho que o Ministério do Ambiente e da Energia quer que tenhamos. Mas questiono mesmo se Portugal está preparado para tal mudança. Falamos muito em infraestruturas e em veículos elétricos e em apoios para painéis solares (minas não, painéis solares com impacto ambiental e visual, sim, sem problema - é "verde" mesmo que precisemos de matérias-primas críticas para o seu fabrico) e na descarbonização da indústria atarvés de biometano e hidrogénio verde via eletrólise (e a gestão de água??). Mas quando verificamos que a rede nacional nem sequer consegue aguentar apagões, ou tempestades, não posso deixar de ficar na dúvida quanto à nossa resiliência.
E depois temos as justificações elevadamente técnicas quando na verdade apenas deveria ser: quando temos picos de consumo elevados, ou situações de eventos climáticos extremos, e a rede de produção não consegue dar resposta, "afunda", e é possível que haja uma falha geral. O mesmo quando temos, numa habitação com pouca potência, por ser antiga, pela instalação ser obsoleta, pelo quadro elétrico também estar a precisar de reforma: uma maquina de lavar e um forno elétrico a trabalhar em simultâneo - a energia vai abaixo.
Agora imaginem o que seria se, nos prédios construídos entre os anos 50 e 70, onde por assoalhada, no máximo existem 2 tomadas, ainda fôssemos carregar um veículo elétrico - e é porque sai mais barato do que carregar em postos de carregamento na rua!!
E sabem o que acontece quando temos uma frota de veículos elétricos de transporte de mercadorias a carregar em simultâneo junto a certas comunidades/localidades? Ou é a frota, ou é a cidade que se abastece.
Por outro lado, há-de ser linda a imagem dos tradicionais telhados dos casarios, tudo em barro vermelho, serem "substituídos" por painéis eletrovoltaicos. Em todo o lado. Em todo o país.
Ainda assim duvido que tivéssemos uma rede eficiente o suficiente para conseguirmos o feito de sermos sustentáveis - quando andamos a importar energia de fora. Valha-nos as barragens.
Agora pergunto, é normal o que se passou em Leiria e nalgumas outras zonas do país onde ainda não há energia?? Se queremos ser um país eletrificado, porque demora tanto tempo, pelo menos, a reposição da electricidade? "Porque houve um fenómeno extremo" - ok, o que significa que não existe qualquer capacidade de prevenção, apenas mitigação. Depois do mal estar feito.
E apenas me fico com isto, porque para mim, uma transição energética bem feita, justa, equilibrada, europeia, passaria pela pesquisa e prospeção de matérias-primas, que respondessem à indústria química e transformadora, ajustando-se com a produção em território europeu de combustíveis de baixo carbono que pudessem substituir os de origem fóssil (ainda que não na sua totalidade, em percentagens superiores de incorporação na mistura de abastecimento final) e, aí sim, contando com as energias sustentáveis, como o vento, a água e o sol que, como sabemos, podem falhar facilmente.
Mas isso são outros 500.
entretanto fiquem com: "Em Espanha, a queda na produção deveu-se à paragem da produção de eletricidade eólica, porque o excesso de vento durante a noite provocou a paragem de várias centrais, que param automaticamente por razões de segurança quando o vento sopra agressivamente. As centrais a gás natural foram chamadas para dar resposta à grande procura de eletricidade, com o jornal espanhol a apontar que a energia hídrica não conseguiu dar resposta, pois já estava em níveis elevados de produção." que pode ser lido AQUI, sobre o quase-apagão de ontem no país vizinho.

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