Se houvesse possibilidade de ser em inglês (and why not?) este título seria carregado de interrogações, de "numbness" words, de confusão mental. Tal como aqueles dias, cuja descrição vejo na literatura, sobre os dias de neve em países onde esse evento natural preenche a atmosfera elétrica de uma carga e cor cinza, amarelada por vezes, fria. Aqui não é muito diferente - um carnaval estranho, em que o tempo parece deslizar entre o quase parado ao estamos a avançar finalmente no calendário. Outras descrições deste limbo também podem ser usadas. Mas a verdade é essa. Por várias razões, sinto este arrastar, onde os dias parecem sempre da mesma cor, com a mesma luz, sem sol visível. Que quando aparece, até custa acreditar que existam céus de outras tonalidades. Talvez seja a falta de horas próprias para dormir, e o cérebro comece a entorpecer e a ver tudo igual. Mas não é apenas isso. É saber que as horas passam, mesmo que, por vezes, sem sentido real, ou objetivos totalmente definidos.
E, quando isso acontece, entre trabalhos que são feitos a partir de casa, em esforço mental, ainda se encontra disposíção para ler mais, para estudar mais. O costume, portanto.
Há quem entenda que isto é um preenchimento de algo. De um vazio, mesmo que não sentido na pele, por alguma origem quase traumática. E se for apenas vontade de combater esta quase apatia, esta normalidade que não nos foi pedida, mas sim semi-imposta, após quase 3 meses de chuvas, de enchentes, de cheias, de ventos, destruição e reconstrução que vai demorar a acontecer na sua totalidade ou, escuridão - mesmo que os dias já se comecem a notar, pouco, é certo.
Porque sim, existem projetos pendentes a serem realizados a seu tempo (mas não assim tanto tempo), ideias que estão em ebulição, mas com uma astenia que se lhes junta, crinado um combo estranho de pára-arranca.
E então, continuo a questionar-me, onde anda a arte e a cultura tão faladas no início de janeiro? Paradas também. Impossível de sair com mau tempo. Resta o que se pode identificar por vontade própria. Pelo menos, por agora.
Sabemos que será uma fase, sabemos que temos a imensa capacidade de superar e de ultrapassar todos os problemas, mesmo que sejamos portugueses e que passemos a vida com queixas, por tudo e mais alguma coisa. Ou que não digamos nada e vivamos no suspiro do passado, aceitando as coisas como elas são. Mas isso é exatamente o que já fazemos, hoje, agora. Uma normalização de várias realidades paralelas nacionais e internacionais, de vitórias, derrotas, desfiles carnavalescos e escândalos graves. Uma folia de temas, mostrando o pior e o melhor que as pessoas têm para dar, num mundo que, às vezes, acredito, já nem reconheça a humanidade que nele habita.

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