afinal, afinal, os resultados das eleições, não foram os por mim esperados - mas deram-se surpresas ainda assim. Nomeadamente na Madeira - quem diria que uma população que sempre foi de direita quisesse continuar AINDA MAIS à direita, um bocadinho mais radical, batendo no peito o direito à total separação de poderes com Portugal do "continente", aquele Portugal pobre, cubano (#PorquePS), com turistas pé de chinelo (que salvaram a economia turística madeirense durante o Covid), e que, para cúmulo, quando se chateiam ainda dizem "tu não és de cá, não sabes como isto funciona, não é por vires todos os anos, duas semanas que ficas a conhecer". Pois não, quem está de fora, mas conhece as pessoas por dentro, não faz ideia de como funciona a política regional, os favores, as influências. Chama-se a isso corrupção? Pensava que era assim que sempre funciona, em qualquer região do país. Não se iludam porque os novos salvadores da pátria já mostraram ao que vêm. Só se engana, agora, quem realmente quer.
Mas a questão continua a ser, no fundo, o "tu não és de cá". Porque é aplicado, ultimamente, à exaustão. Primeiro pelo estrangeiro imigrante, depois ao emigrante, mas como lidar e gerir quando não somos de cá, aos que são? Como saber manter a calma, com risco da coisa acabar mal, quando, por oposição argumentada à ideologia que o outro quer impor, nos respondem "tu não és de cá - ou melhor, és, mas vais deixar de ser, porque vais ser expulsa como todos os que defendem A, B, C...".
É isto que dizem que querem? Esta "liberdade de expressão", esta "democracia"? É que se sim, não contem comigo. Porque eu sou de cá. E sou da Madeira, e dos Açores. Sou Portuguesa, porra! E defendo o direito à liberdade dos outros. Mesmo que sim, os ache e chame de estúpidos e chalupas - nunca os mandei calar. Alías, aqui estamos não é? E atenção, isto não é apenas mimo fofo a quem vota em partido A D ou E. É mesmo para quem desvaloriza a educação e conhecimento científico, a quem espalha mentira, desiformação, a quem ache que a arte e a cultura deveriam ser destruídas porque "moldam politicamente" a sociedade. Quem escreve e diz isto tem medo. Tem cu, claro, e tem medo de se cagar todo, se um livro, uma canção, ou peça de teatro possam tocar nas suas crenças. Filhos, as revoluções artísticas dependem da política e a política está intrinsecamente ligada à criação artística. No dia em que deixarmos de sentir, esse sim será o dia em que "já não seremos de cá".

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