Cláudia Paiva Silva

Wednesday, January 09, 2019

Escrever, ler, ver o Mar
January 09, 20190 Comments
Começo pelo fim: na passagem de ano, uma das melhores que tive em muitos anos, com as pessoas de quem mais gosto (ou pelo menos as mais importantes num espetro não muito vasto de grandes mas essencialmente, verdadeiros amigos - daqueles que mesmo não falando meses, sabemos que estão lá para nós e que nós estaremos lá para eles), em casa, a ver o fogo de artifício a partir da televisão, resolvi para mim que o que eu mais desejava para 2019 seria sobreviver um dia de cada vez, porque, como já mencionei em publicações anteriores, os últimos 3 anos têm sido, tudo, menos pacíficos, e porque, por motivos de ordem pessoal/profissional, os próximos tempos também não se avizinham melhores. 
Agora o início e esperando não me repetir: desejei apenas "um dia de cada vez" porque no passado mês de Setembro, devido a uma situação por mim desencadeada, coloquei todo um crescimento e desenvolvimento profissionais em jogo, não só para quem em mim confiava, mas acima de tudo, para o EU que queria ir mais longe profissionalmente, que queria ser vista como uma geóloga competente, que queria ser uma mais valia na empresa onde estou a trabalhar, como noutras onde possa vir a ter algum cargo técnico. Posso estar a exagerar, claro, posso estar completamente errada e, a competência do meu trabalho nem sequer ter sido colocada em causa, mas sinto que ao ter falhado no básico, na confiança de pessoas que me são próximas, que sempre me apoiaram e deram a mão (muitas vezes me defendendo), estive mal, procedi de forma errada (não cheguei a pedir desculpa) e sinto uma culpa gigante. Ao mesmo tempo esta experiência mostrou-me finalmente que em empresas pequenas, as verdadeiras caras revelam-se quando as coisas não estão a correr bem; as máscaras caem quando menos se espera, e tudo se torna mais feio, mas também mais real. 
O Realismo leva-me então a não desejar nada, a não querer nada, a não ansiar por nada. Nada nos é colocado nas costas que não possamos aguentar no final do dia, embora eu me sinta sempre defraudada com as pessoas, por achar, ingenuamente, que posso confiar nelas também. 
Então não mais quero do que escrever enquanto me/nos é permitido, sem falsear acima de tudo o que eu penso. Quando, também em Setembro, deixei de ter perfil activo no Facebook - essa primeira rede social que usei desde o seu boom e que vim a observar servir para determinados fins pessoais, estabelecer determinados estilos e comportamentos, e claro, resultar em insultos a quem pensa diferente (e quando escrevo diferente, é mesmo diferente, do que eu possa pensar ou do que vocês podem pensar, e como tal, insulta-se, ponto!), fora servir também para estar atento ao que os colegas do trabalho escrevem ou partilham e poder usar isso como arma/desefa futuras -, pensei seriamente que pelo menos, no blog, nunca tive problemas em partilhar as minhas ideias ou opiniões. O blog é também um espaço publico-privado, mas o campo de observadores/ leitores, poderá ser mais reduzido e facilmente controlável. O que mais me assusta ou assustava no Facebook era a capacidade que todos tínhamos em chegar ao perfil privado de "amigos" e comentar ou contra-argumentar de forma quase irracional tanto quando impulsiva, o que cada um poderia escrever e, geralmente, pensar. Mais longe era mesmo comentar algo em páginas de pessoas ou instituições que não conhecíamos de todo, apenas e só pela liberdade de o podermos fazer. Mas sem dúvida que todos os limites de bom senso, fronteiras de liberdade de expressão se foram perdendo. No blog, o conceito de poder ser um quase diário, ajuda a manter o equilíbrio necessários para, "quem não gostar, não ler". 
Pressuposto 1: escrever mais em 2019 (no blog, do diário gráfico também, embora acabe sempre, agora, por ser mais fácil pegar no mundo digital)
Pressuposto 2: ler mais em 2019. Tudo o que me possa interessar, porque também me obriga a Pensar mais.
Pressuposto 3: ver o Mar. Desde que me lembre, o Mar faz parte de mim, de quem eu sou. Mesmo estando noutros países, sempre lhes vi o mar, ou o "toquei". Porque não há melhor calmante ou conselheiro. Porque na sua brandura ou tempestade, impõe-nos respeito, e necessariamente faz com que coloquemos tudo em perspectiva. 
Mas a verdade é esta, perante tudo o que já passei, pelo que me foi ensinado em chapadas sem mão, em conversas brutais, que com poucas palavras, me deram feridas para a vida, prefiro, finalmente, viver cada coisa à medida que ela apareça. Tendo o Mar como datum de referência, e o Norte como ponto cardeal. 
Reading Time:

Monday, January 07, 2019

Marcelo telefona a Cristina e a casa quase foi abaixo...
January 07, 20190 Comments
De tantos assuntos deveras mais importantes que poderia aqui escrever, não tenho como escapar ao que de facto parece ser mais interessante na vida cultural e televisiva portuguesa. Se na semana passada foi o Mário Machado ter sido convidado ao programa do Goucha, ou o Goucha na véspera de Natal ter entrevistado o Presidente da República, hoje cai "o Carmo e a Trindade" pelo Presidente ter telefonado em directo para o novo programa da Ferreira, sem ela estar à espera, para lhe desejar tudo de bom no novo programa. Há quem lhe chame de populismo, há quem lhe chame de narcisismo, há quem lhe chame chamariz de audiências, há quem pense (e aí concordo mais) que se calhar o PR poderia ter também este tipo de atitudes para com outros programas, apresentadores, ideias, conceitos, conteúdos televisivos, etc.. Porque a verdade é esta, por muito bons que sejam a Cristina ou o Goucha, ou a Furtado, ou o Malato, ou a Ribas, ou seja quem forem os apresentadores e equipas técnicas por detrás de tudo aquilo, o presidente não se pode esquecer que, apesar de toda a sua boa vontade, já deixou há uns anos de ser comentador televisivo, passando a sua responsabilidade prática e social a serem outras. Não estou nem a favor, nem contra - acho aliás, que mais cedo ou mais tarde terei de escrever algo sobre a Cristina Ferreira, porque realmente é espantoso como ainda dizem que as mulheres, para chegarem a determinado patamar, precisam de subir (quase obrigatoriamente) pela horizontal, e não admitem que possam ter uma valia, inteligências, força de trabalho, preserverança, eficácia, tão enormes como as dos homens. Se a Ferreira fosse O Ferreira, de certeza que ninguém comentava, ninguém falaria do salário (e caso fosse possível, cada aventura romântica desse mesmo senhor imaginário, seria vista como façanha de homem que não assenta, mas que nem por isso deixa de ser de valor e trabalhador, e até mesmo, muito boa pessoa). 


Não, meus caros, antes que atirem pedras à Cristina ou ao Marcelo, deveriam era perguntar porque razão o Mário Machado teve direito de antena num programa visto por uma enorme parte da nossa população? Isso sim populismo directo e intencional numa época em que se observa um mais crescendo nos grupos, ideias e ideais de extrema direita, com premissas que, por sermos politicamente corretos, dizemos abominar, mas por detrás das cortinas da casa, sentadinhos no sofá ou com contas falsas de Facebook, somos dos primeiros a dizer que os gays são uma desgraça para a sociedade, que as mulheres deveriam estar cada vez mais recatadas, que entre homem e mulher não se mete a colher e que por cada português eram precisos 10 Salazares. 
O que é que interessa se o Professor Marcelo ou Presidente Marcelo telefona à Cristina ou é entrevistado pelo Goucha? Nada! Ou quanto muito, falarmos sim, mas pelos motivos acima - não é criticar pelo simples gosto de criticar, porque é bom dizer mal e sentimo-nos superiores por insultarmos os outros. Até porque, por detrás de cada insulto grave que leio, vejo muita inveja e aspiração frustrada; exactamente: vejo frustração. As mulheres que gostariam de ter sido mas porque a vida, ou por opções próprias ou por exigências familiares/ sociedade/ sociais e enconómicas, nunca conseguiram fazer nada de extraordinário, os homens, porque vivem frustrados em relacionamentos monótonos, e gostariam de ver mais Mulheres  - REALMENTE - capazes em casa, ou no local de trabalho, e mesmo quando as vêem têm medo - e o mais fácil é cair na malidicência ordinária e óbvia. 
O que deveria de acontecer, era por cada homem, nós sermos 10 Cristinas Ferreiras em potência ou, para não dizerem que estou a exagerar, deveríamos querer fazer mais com as nossas valias enquanto respresentantes do género Feminino, com o que sabemos fazer, e não é preciso sempre ou quase sempre ter um curso superior (porque muitos homens também não o têm). Porque às vezes é preciso subir a pulso, engolir comentários e perceber que as atitudes ficam para quem as pratica. Sermos preserverantes e lutarmos (taco a taco no grau de trabalho e de capacidades), exigirmos os nossos direitos quando e só quando concretizamos determinados patamares  - não será justo Mulheres e Homens terem os mesmos resultados se não estão ao mesmo nível. Mas acima de tudo perceber mesmo, que na vida, no trabalho, na amizade e no amor, nem sempre vale tudo, e nem sempre se deve confiar em toda a gente. 
Reading Time:

Sunday, December 30, 2018

Antes de 2018 acabar, a sempre eterna pergunta.. Amizade ou Amor
December 30, 20180 Comments

Ainda antes do ano fechar as cortinas do seu acto, achei interessante pegar neste tema tão antigo como moderno, uma vez que nunca, em nenhuma época histórica, nunca em nenhuma década de maior ou menor resultado científico, tecnológico ou filosófico, se conseguiu chegar a qualquer conclusão. 
Podemos atribuir a uma questão de sorte, de química, de física, de equilíbrios neurológicos que passam pelos sentidos humanos (e não só), aos deuses do oculto, ao oculto em si, mas o certo é que, tal como a amizade, o amor não é explicável, não é fácil sequer. Sim, o Amor não é apenas uma doença como diriam os Ornatos, o Amor é sim complicado, matreiro, e realmente, muito difícil, tanto de cuidar e manter, como às vezes, de encontrar.
Este ano, nomeadamente neste último trimestre, uma vez mais a televisão nacional, à procura de audiências e escândalos, fez-nos o obséquio de nos presentear com a versão lusa de uma fórmula internacionalmente conhecida: gente que eu quero acreditar serem especialistas nas suas respectivas áreas de psicologia, terapia, psiquiatria e outros, tentam "juntar" almas que se adivinham serem "gémeas". Não é chocante. A ideia não será certamente nova - afinal poderão existir vários meios e métodos para se encontrar a outra metade da laranja, seja nos jantares dos amigos, nos bares, nos copos à noite, nas redes sociais à distância de vários cliques (e com alguns grandes riscos na mesma medida). Aliás, nem me choca que hajam vários e várias a concorrerem a este tipo de programas, que, também quero acreditar, o façam sem ser por protagonismo ou pelo dinheiro que ganhem (que não é assim tanto quanto isso, diga-se desde já). O curioso é que realmente, hoje em dia, continua a ser completamente impossível compreender os sentimentos de Amizade e de Amor. Tanta investigação, tantos tratamentos encontrados, tanta evolução e conhecimento, e não há ninguém que nos possa explicar concretamente a razão que faz com que duas ou mais pessoas ganhem laços tão fortes que possam durar uma vida toda. 
Estive igualmente a ler o artigo escrito pela Catarina Fonseca na Revista Activa (Janeiro 2019), sobre as amizades improváveis, ou seja, casos em que pessoas tão diferentes entre si acabam também por se tornarem grandes (e fortes) amigos. Às vezes basta a forma como estão lá para nós em determinadas fases da nossa vida, o tipo e a forma de apoio que nos dão em momentos (geralmente) maus e negativos que estejamos a passar. Noutras ocasiões é uma questão de empatia, de objectivos em comum, de to-do-lists que fazem sentido em conjunto; e outras vezes apenas entram porque têm determinado lugar e porque têm algo a fazer, a modificar em nós, e da mesma forma que entram, saem. Para sempre. Aquelas pessoas que às vezes nos lembramos, que ficamos a inquirir o que é feito, qual foi o seu rumo a seguir - e ficamos exactamente aí. Na pergunta, porque na verdade e no fundo, sabemos que já não fazem mais sentido no rumo que, entretanto, nós, após a sua retirada, decidimos seguir. 
No que concerne o Amor, as coisas pioram. Porque o Amor poderá não ser bonito. Poderá e deverá doer - e isso acontece mesmo naquele que dura a vida toda, mais tarde ou mais cedo, dói. Muitas vezes requer que se façam escolhas, que nos esqueçamos de alguma parte interior nossa, que haja flexibilidade e compreensão. E hoje em dia, num mundo rápido, num mundo que não está para esperar, porque as pessoas, os humanos, já não sabem parar e esperar (mesmo aqueles que vão para longe com ideia de "desaparecer", acabam sempre por lá publicar uma foto ou outra do estado zen em que supostamente se encontram), será que há quem tenha paciência para conhecer o par. No programa acima mencionado, o que mais se vai verificando (e isto pelos poucos minutos que perco volta e meia em ver), é que, além de não terem acertado na fórmula mágica (nem de Amor e em alguns casos, nem tão pouco de Amizade) é que não há respeito. Sim, é mau o suficiente conhecer o marido/mulher no dia do enlace, e tudo poderá começar a correr mal logo ali - porque a empatia geralmente é imediata, ou aquela pessoa te chama a atenção ou não (já que aconteceu ir a uma festa com a ideia preconcebida, dada por um familiar de uma amiga, que o fulano X seria perfeito para mim, e no entanto, mal entrei, bati de olho no fulano Y e foi exactamente esse que também me achou piada), mas é mais complicado quando no dia a dia, no convívio, não há espaço para entendimento quando as pessoas já têm os seus ideais de romance, o que querem num parceiro/a e afinal está tudo ao contrário, e nada é como eles imaginaram e o egoísmo é tão mais mensurável que também não há mais por onde continuar. 
Não, não acho que seja uma fórmula retrógrada - e isto é outra questão. As pessoas, na época actual, estão na verdade sedentas por companhia. Não há quem consiga imaginar-se a viver sozinho (de uma forma geral são ideias muito enraizadas por uma sociedade que se diz moderna, mas que também aponta o dedo a todos aqueles e aquelas que aos 30 e tal anos ainda são solteiros ou vivem uma vida mais independente), há um medo tremendo de se morrer sozinho um dia mais tarde. Contudo, todos nós iremos morrer sozinhos, de uma forma ou de outra. A diferença é se teremos alguém a lembrar-se de nós com carinho e saudade, ou não. E de certa forma acho que o Amor é exactamente isso, aquilo que transmitimos de Bom aos outros e que os outros poderão reconhecer em nós. E que também pode acabar de forma como começou. Pelo menos o Amor apaixonado. Porque o outro, quando há, dura sempre, quando é verdadeiro, é para a vida, e como diz lá no Livro, tudo Perdoa. 
Mas não, não haverá uma fórmula para o descrever. É sentir.

Reading Time:

Saturday, December 29, 2018

Último sábado do ano
O que se quer desta vida
December 29, 20180 Comments
Sim, posso andar mais "depressiva", ou mais realista com o dia-a-dia, ou mais sarcástica, ou mais imune aos sentimentos, mas claro que a sobrevivência diária mencionada anteriormente não será realizada sem ajuda externa. Os mais maravilhosos medicamentos que foram criados para humanos. Ou para alguns humanos. Ou, no caso específico, para mim. Porque cada um de nós é único, tem gostos específicos que nos tornam mais ou menos diferentes dos demais que nos circundam. Um dos atenuantes é e sempre será O Amor. Mesmo que eu nem sempre esteja disposta a recebe-lo ou a dá-lo (principalmente a dá-lo). Outro serão os Livros. Sempre e mais. Os únicos escapes que me fazem viajar, aprender, pensar.
Fiz uma lista. Não para ler apenas em 2019, mas para ir lendo. Livros novos a juntar aos milhares que já tenho por ler. Tenho anos em que leio 5 a 6 livros, outros em que nem um único consigo chegar ao fim. Outros em que começo a ler vários ao mesmo tempo e termino uns a seguir aos outros. Geralmente os temas são sempre os mesmos. Ou relacionados, não valendo a pena entrar em detalhes, pois seria realmente aborrecido e de certa forma estranho ou obsessivo para outros, embora não deixe de ter a sua piada, mas na verdade, começando a ler algumas curiosidades de certa época histórica, há sempre uma tendência natural em procurar saber mais, mais atrás no Tempo e na História. 
Então é por aí que o que se quer desta vida também seja mais histórias, mais História, mais memórias, mais Amor. E conhecimento. É ou deveria ser essa a diferença que faria da Humanidade realmente uma espécie diferente de todas as outras, o facto de querermos saber mais, sobre nós mesmos e sobre quem o que nos rodeia. 
Reading Time:

Thursday, December 27, 2018

O que se leva desta vida
December 27, 20180 Comments
Com a idade fui perdendo a paciência. Com a experiência percebi que as minhas batalhas pessoais são somente isso - batalhas pessoais, as quais ninguém quer saber, ninguém quer ler, ouvir, ou aprender. Então, além da paciência, desisti de querer mudar o mundo. Já não era sem tempo. E se me permitem, os últimos anos podem ter sido muito maus, 2018 não foi muito diferente. Fiz tanta porcaria, vi tanta desfaçatez, máscaras a cair, pessoas a mostrarem realmente quem são, vi-me envolvida em tricas que só terminaram mal (para mim claro), a mentirosa, a feia, aquela a quem se perdeu a confiança. Enfim, mais do mesmo, mas com a minha certeza que seja o que for que aí venha, quero apenas e desejo apenas sobreviver um dia de cada vez. Só isso. 
Em 2018, até à data, o que levo é que às vezes, para que alguns possam Viver, outros têm de morrer. E como é às vezes tão fácil perceber o que é incorrectamente correcto. O filme A Star is Born é o terrível exemplo do excepcionalmente maravilho e triste. É uma alegoria moderna. É a constatação de que a vida não tem de ser perfeita (nunca é perfeita e desengane-se quem achar o contrário), e que as coisas podem nem sempre correr bem. 2018 voltou a trazer-me sensações de perda, de tristeza e culpa tão profundas que me pareceu que algumas situações passadas, camufladas por outras agora bem mais recentes, nunca passaram - tenho a certeza que nunca passarão. Porque marcou-me profundamente, porque me transformou, porque me matou por dentro. E sim, é isso que 2018 me ensinou, metade de mim morreu lá atrás, e não mais vai renascer, por muito que eu tente ou que tentem compensar o peso na balança.
2018 ensinou-me também que estamos num crescente avanço de racismo, extremismo, generalização de massas e de pensamentos estranhos e irracionais. Deveríamos ter noção que os actos violentos contra pessoas de outras raças e credos, embora nascidas e criadas nos países ditos culturalmente superiores, irão crescer mais e mais, e que mesmo entre pessoas da mesma cor de pele comece a haver nova elitismo, separação por estratos sociais, contas bancárias, pedigree familar. 
Tenho plena consciência que os movimentos neo-feministas que terão nascido, certamente, pelos melhores dos motivos, estão a dar origem à própria segregação das mulheres numa série de acontecimentos. Que querermos tanto sermos respeitadas nos vai levar novamente a uma retrogradação geracional. Que tudo pelo qual andamos a lutar, só resulta em mulheres a maltratarem outras mulheres. 
2018 ensinou-me que, tal como escrevi ao início, não merece a pena falar ou ensinar aqueles que não querem aprender, que têm cada vez mais as suas ideias e ideais enraizados, pequenos ditadores com dogmas e tabus. 
2018 ensinou-me também que apesar disso, continuo a lutar pela cultivação das Ciências da Terra, embora a Geologia se tenha tornado um fardo demasiado pesado para a sociedade moderna.
Mas também 2018 me deu a perceber que se calhar está na hora de mudar de vida. De rumo. Que se calhar posso fazer tão e tanto mais do que faço até agora. 
O que se leva da Vida não é aquilo que ela nos dá, mas sim aquilo que nós queremos fazer dela. E eu ainda estou a aprender e a conhecer o que quero dela. 
Por agora, apenas e só, Sobreviver. 
Reading Time:

Sunday, November 18, 2018

Nem sempre há final feliz
November 18, 20180 Comments
Há dias, nas minhas visitas às paginas de outros, li o costume. Que ser-se influencer vai muito mais além do que publicitar as marcas, as roupas, os perfumes, as coisas completamente inúteis, que na verdade, usamos todos os dias, porque fazem parte dos nossos rituais privados, mas que no fundo, não nos trazem nada de mais, de novo ou de melhor. Não nos torna melhores pessoas. O querer e o ter, indicam, por vezes de forma enganadora, que aquela pessoa tem Poder, poder financeiro, poder para aquisição, poder para fazer mais, ou ter mais. E isso leva a invejas,  e as invejas a actos e palavras más. Sentimentos maus e negativos. Por isso, quando se quer ser influenciador ou influenciadora, tem de se saber exactamente o que se quer partilhar, ter objetivos concretos em mente, bons ideais de e para a vida. Geralmente para a própria vida. Se esses depois puderem influenciar os outros, melhor. Como no filme "Bohemian Rhapsody": "good deeds, good words, good thoughts". O que será que queremos mesmo mostrar aos outros? São pequenos momentos que nos dão prazer? Coisas giras que as outras pessoas podem igualmente realizar ou concretizar para se sentirem melhor?




Mas como é que gerimos os nossos fantasmas, como podemos mostrar aos outros ou quando, o lutar e lidar com as sombras negras que nos perseguem? Porque nem sempre há final feliz, porque a vida muitas vezes é e continuará sempre a ser uma luta diária, em que as pessoas mostram um exterior reluzente em lantejoulas, purpurinas coloridas, vestidos e roupas combinadas, em contexto social ou familiar muito bem arranjado, muito "in" ou na moda, mas por dentro são vidros partidos que cortam a carne e chegam ao osso. Porque haverão dias em que nem apetece sair da cama, não se quer enfrentar o mundo, não há como sair do fundo do poço, mesmo com cordas e escadas que nos coloquem em mãos. Apenas há um vazio, uma tristeza imensas, um vácuo que não se preenche com nada. E não, não há como estar a ajudar ninguém a passar por isto mesmo, quando nós próprios estamos a atravessar o momento mais negro. E não, também não há momentos depressivos apenas àqueles tais que "podem ter o Tudo", há em todos aqueles com os quais me cruzo na rua, no comboio, gente que eu vejo que também tem as suas cruzes a suportar, os seus problemas a resolver. Como eu. Como todas as mulheres e homens, rapazes e raparigas que estão nas redes sociais. Que tiram fotos em ilhas paradisíacas e comem em restaurantes 5 estrelas, mas que no fundo, por detrás dos telemóveis e das máquinas fotográficas, são humanos e mortais. Existem dores comuns a nós todos. E sim, devemos agradecer por termos possibilidade de o dizer, e sim, poderíamos não ter um tecto, ou comida na mesa, ou um emprego sequer. Podíamos viver num país em guerra, ou sem liberdade (seja qual for o vosso conceito para tal). Poderia nem ter a oportunidade de já ter conhecido alguns dos cenários mais bonitos do planeta. E poderia nem estar aqui sequer. 
Porque a depressão, depressões agudas ou de arrasto, esgotamentos, ansiedade afectam as pessoas que vivem a vida real. E isso também deveria ser debatido nos milhentos workshops que são feitos por aí. Ou simplesmente, partilhem mais, no no sentido do detalhe pessoal, mas sim, no geral. Deixem-se conhecer um pouco melhor, mostrem que têm falências. Façam das vossas dores, forças para vocês e para os outros. Das minhas dores, dos meus pesadelos, dos meus pesos na consciência, forças, para mim e para os outros. 




Reading Time:

Saturday, August 18, 2018

Urban Jungles
August 18, 20181 Comments
Considering the huge number of tourists up and down Lisbon, one may wonder if the city will not lose its typical light, the fascination among the small streets of Alfama, Mouraria, Bairro Alto, now filled with foreigners more than with locals. Can a person manage to "get lost" on purpose in the small alleys, backyards and "patios" when everyone is heading for the same tour guide scenarios?




It is however in that precise moment when we discover that there's more to see than the obvious and that the "tuk tuk" self-made man and woman do not know it all yet (and we must thank the gods for that).


There are still some quite exquisite places that even though can be meet & greet by everyone, not everybody (including the city natives) are familiarized with, and those are what cab be named as "urban jungles". Maybe it's too farfecthed but the city was not only created to support big buildings, vahicles, public transports. There are also beautiful gardnes and greenhouses where we can actually escape inside the turmoil but at the same time forget the world outside (a bit like Alice and the mirror).


Resultado de imagem para parque eduardo vii anos 40
(CML Archive - Parque Eduardo VII in the 30's)


The Lisbon Greenhouse (Estufa Fria) located at the Parque Eduardo VII was built on the location of a former basalt quarry dated from the 19th century. In 1912 one of the gardeners responsible for the new vegetation that was to decorate "Avenida da Liberdade" decided to create a shelter for the delicate plants that were being imported from all over the world. With the advent of the 1st World War, this plan was put on hold and the plants started taking root in the small sheltered place where they had been housed taking advantage of the mineral rich soils from basalt origin. In 1926 the painter and architect Raul Carapinha was surprised to find this pleasant space and thought it would be a good idea to establish a Greenhouse at the site. Four years later the project was completed and in 1933 it was officially inaugurated. 



Resultado de imagem para parque eduardo vii anos 30
(Parque Eduardo VII in the 30's)


During the 40's the greenhouse suffered a few alterations was well as the park landscaping, and a new lake, entrance and a ball room (by Edgar Cardoso) were added to the infrastructure extending its area. Finally in 1975, the "Hothouse" (with tropical and equatorial plants) and the "Sweet House" (where the beautiful cactus lay) were open to the public by Pulido Garcia.




As a tourist myself I'm shamed of not knowing most of these gardens. If it's true that while we are young we don't care, it is also true that becoming an adult with strict timetables, schedules and more responsability laying in our shoulders we never seem to find "time" to enjoy ourselfs at this places.

I love being wonder. I mean I love getting surprised by places I visit and for sure the Greenhouse had that overwhelming effetc on me. After more than a century after its opening it makes even more sense its presence in a city like Lisbon. In the 40´s and 50´s the capital limits to the "região saloia" ended up there. After that limit only farms and fields were seen until what the eye could reach in the horizon.
Today that region corresponds to the suburbs and it became imperative to have a loophole to run from the imense craziness, noise, confusion of every day living or surviving. 


Inside the Greenhouse the architectural impact is huge. The obvious luxurious green in high contrast with the ceiling wooden rips that provide the proper light and temperature conditions for plants, trees and unusual flowers to grow and develop is quite a sight, and the feeling of entering into a tropical forest is imense. 



Don't forget that it's an open ceiling so it really pours inside when it rains and it can get extremely hot in high temperature days. Apart from that advice, I will return several times. It's free sunday and holiday mornings so it's impossible not going there. 

An attraction and bond was created. It will remain.

Reading Time:

Wednesday, August 08, 2018

Quando Bordalo já não é o Pinheiro original..
August 08, 20181 Comments
Pegar em lixo e fazer com ele obras de arte não é para todos. Claro que não falo em lixo biodegradável, mas sim naquele que se não for realmente tratado, apenas irá encher o nosso já tão doente planeta de mais mazelas físicas e visíveis.
BordaloII tem essa capacidade, muito mais do que a Joana (não desfazendo) tem de pegar em tachos e fazer sapatos Cinderal tamanho Triple XL, ou em tampões e criar candelabros (volto a dizer que gosto muito de alguns trabalhos dela). 
Mas o que ele faz transcende um bocado a fasquia. Porque mesmo com obras lindísismas, acusa-nos, a todos, de sermos os responsáveis por todo aquele desperdício. Poderia fazer outra coisa qualquer, mas obriga-nos a pensar que, realmente, a quantidade de lixo é tão imensa que até obras de arte gigante conseguimos de lá retirar. 




Uma das suas frases emblemáticas (que cito a partir do site oficial) é sem dúvida a mais verdadeira e felizarda das expressões: "o lixo de um homem é o tesouro de outro". E sim, nascido, tal como eu, e crescendo, tal como eu também, numa época de sobre-consumo, em que desperdício deixou de ser algo mau ou feio, e imagens de crianças subnutridas já não fazem impressão aos olhos de ninguém, quando todos os valores estão invariavelmente invertidos e acaba-se por confundir várias formas de ser, idealogias, e uso sustentável dos recursos naturais fósseis e ou renováveis do planeta, é importante pensar seriamente no que podemos fazer para que os nossos egos sobrevivam mais uns milhares de anos na Terra. 




Porque meus caros, não pensem que ando ou andamos aqui a atirar com areia aos olhos de ninguém. Eu sou o que sou e faço o que faço consciente de que temos todo o cuidado do mundo para que nada de mal aconteça, para não prejudicar ainda mais o que outros já fizeram o cuidado em estragar. Mas não me digam que as vaquinhas não produzem mais metano do que os automóveis CO2, que a reciclagem não tem os seus benefícios, ou que realmente estamos a sobrepovoar o planeta azul e exactamente por causa disso estamos a entrar num grave declínio na Humanidade. 

É que a Terra irá sem dúvida, qual Fénix, auto restabelecer-se, nós é que temos os dias contados. Basta ver e perceber bem os sinais que ultimamente ela nos tem dado.




E não haja esquecimento que não estamos a tentar salvar o planeta, estamos sim, em mais um acto de puro egoísmo, a tentar salvar-nos. 


Reading Time:

Tuesday, May 29, 2018

Um Estado chamado.... Palestina
May 29, 20180 Comments
Não vou entrar em grandes lenga-lengas sobre o tema. É melindroso. E além disso, a maioria de nós sabe que os países se constroem ou destroem em função de outros se destruírem ou construírem. Mais recente se calhar que Israel, temos toda uma Guerra dos Balcãs que dividiu países, famílias, e matou muito mais e muito além do que deveria. E não deveria sequer ter morrido ninguém. A diferença é que ao final de 20 anos, e embora ainda possa haver ódio étnico, os países resultantes são e estão definidos, não havendo nem atropelos, nem colonatos, nem muros da vergonha, nem armas automáticas contra pedras. E é isso que me revolta. Porque Israel nasceu de uma "oferta" política feita há 70 anos, não foi um território conquistado, mas sim ofertado e que, desde então, tem estado a aumentar indevidamente, com apropriação de solo que, por alguma razão que eu não compreendo, os israelitas acham que lhes pertence. E porque, perante o óbvio, não temos uma comunidade internacional que se imponha - muito possivelmente por medo - os judeus sonhavam com a Palestina, Israel apenas caiu do céu. A Palestina sempre existiu. Os judeus palestinianos sempre viveram pacificamente até 1948 com as tribos ou comunidades muçulmanas e cristãs; irei mais longe, Jerusalém é uma cidade da Palestina. Mais além ainda, eu não reconheço o Estado de Israel da forma como querem impôr um território à força. E no entanto, seria uma das mais bonitas e históricas regiões para eu um dia visitar. Simplesmente porque foi ali que, dizem, tudo ter começado. Crescente fértil, Mesopotâmia. 




Então, pegando nas imagens da Revista Holiday, nº 381, mostro cidades de uma terra que não deveria ter fronteiras, nem muros a separar vidas. Dentro do contexto da moda e do registo fotojornalístico, o conteúdo e resultado são simplesmente brutais. 









Reading Time:

Thursday, May 10, 2018

Ghosting e Orbiting ou como eu realmente passo pelas coisas sem lhes conhecer os nomes...
May 10, 20180 Comments
Este artigo que junto em link é bastante interessante sobre os dois maravilhosos conceitos que infelizmente tive de aprender nos últimos 3 anos. "Ghosting" que eu desconhecia, porque, sabem, sou uma rapariga da velha guarda que acha que "acabar com alguém" implica pelo menos uma conversa básica, e não, como de facto agora parece ser sempre o caso, desaparecer sem deixar grandes rastos (fora as pegadas digitais), deixando simplesmente de responder a mensagens, a telefonemas, ao longo primeiro de dias, depois, semanas, e por fim, meses. Ok, isso seria óbvio a quem, como no meu caso, fica na dúvida do que afinal pudesse ter acontecido. Contudo, a parte perturbadora do segundo conceito que SÓ HOJE aprendi, embora o tivesse vivido na altura do "ghosting", é o "orbiting". Basicamente, a personagem desaparece, mas não totalmente, porque não corta o contacto de forma definitiva e radical, uma vez que não só não se digna a explicar a razão do afastamento, mas, também não bloqueia, não "desamiga" (claro que estamos a considerar as relações modernas que são igualmente alimentadas por interacção via redes sociais, telemóveis (sms), etc), e PIOR... LÊ, VÊ, TUDO, MAS TUDO, o que lhe escrevemos. Porque, lá está, como, o nosso lado, está ou é tão estúpido, ou cego (sim, porque definitivamente não sabemos como lidar com o sentimento e a situação e começamos a achar que o problema é nosso), insistimos no erro, não é? O que leva alguém a fazer isto a outra pessoa eu não sei. Mas sei que psicologicamente afecta tanto quem sofre, mas claramente indica um grave distúrbio de quem o pratica. Não é algo que eu possa considerar normal e é, sem sombra de dúvida, uma espécie de violência durante um relacionamento. Contudo... também há a outra parte que é TÃO ÓBVIA: "There is no shame in prioritizing your mental health, and it’s honestly destructive to be ignorant of how much social media bullshit can affect your mental state. It’s stupid, but it’s reality." Que tal sermos nós, por muito que nos custe, a meter o travão na história? Certamente que não somos os culpados pela infantilidade do outro (ou outra), mas a partir do momento em que nos deixamos consumir por isso (especialmente quando pensamos que se eles lêem os textos mega longos é porque ainda estão interessados - por favor!!!!) estamos nós a ficar infantis, parvos, e outros adjectivos menos próprios. Há sempre forma de controlar a coisa, porque se é uma quase questão de Poder, então nós é que podemos fazer algo: bloqueamos nós, afastamos para sempre esses fantasmas que ainda orbitam as nossas vidas.. e, tal como no filme Poltergeist, também mencionado neste artigo, podemos finalmente respirar fundo e dizer: "This house/head/phone is clean!"



Reading Time: