January 2026 - Cláudia Paiva Silva

Thursday, January 29, 2026

não percebo nada disto...
January 29, 20260 Comments

 


.... mas.... (a autora cinge-se a escrever no seu blogue e não na sua conta de LinkedIn com risco de ser amplamente ostracizada pela comunidade científica, energética, na qual, pensa ela, que se insere).

talvez eu esteja a pisar em ramo verde, areias movediças e a colocar a minha cabeça na guilhotina ao fazer esta questão, mas... está Portugal realmente preparado para uma transição energética pautada (quase e apenas) pela eletrificação? 

Parece claro que são essas as orientações (regras) da Comissão Europeia, e que também parece ser esse o (único) caminho que o Ministério do Ambiente e da Energia quer que tenhamos. Mas questiono mesmo se Portugal está preparado para tal mudança. Falamos muito em infraestruturas e em veículos elétricos e em apoios para painéis solares (minas não, painéis solares com impacto ambiental e visual, sim, sem problema - é "verde" mesmo que precisemos de matérias-primas críticas para o seu fabrico) e na descarbonização da indústria atarvés de biometano e hidrogénio verde via eletrólise (e a gestão de água??). Mas quando verificamos que a rede nacional nem sequer consegue aguentar apagões, ou tempestades, não posso deixar de ficar na dúvida quanto à nossa resiliência.

E depois temos as justificações elevadamente técnicas quando na verdade apenas deveria ser: quando temos picos de consumo elevados, ou situações de eventos climáticos extremos, e a rede de produção não consegue dar resposta, "afunda", e é possível que haja uma falha geral. O mesmo quando temos, numa habitação com pouca potência, por ser antiga, pela instalação ser obsoleta, pelo quadro elétrico também estar a precisar de reforma: uma maquina de lavar e um forno elétrico a trabalhar em simultâneo - a energia vai abaixo. 

Agora imaginem o que seria se, nos prédios construídos entre os anos 50 e 70, onde por assoalhada, no máximo existem 2 tomadas, ainda fôssemos carregar um veículo elétrico  - e é porque sai mais barato do que carregar em postos de carregamento na rua!! 

E sabem o que acontece quando temos uma frota de veículos elétricos de transporte de mercadorias a carregar em simultâneo junto a certas comunidades/localidades? Ou é a frota, ou é a cidade que se abastece. 

Por outro lado, há-de ser linda a imagem dos tradicionais telhados dos casarios, tudo em barro vermelho, serem "substituídos" por painéis eletrovoltaicos. Em todo o lado. Em todo o país.

Ainda assim duvido que tivéssemos uma rede eficiente o suficiente para conseguirmos o feito de sermos sustentáveis - quando andamos a importar energia de fora. Valha-nos as barragens. 

Agora pergunto, é normal o que se passou em Leiria e nalgumas outras zonas do país onde ainda não há energia?? Se queremos ser um país eletrificado, porque demora tanto tempo, pelo menos, a reposição da electricidade? "Porque houve um fenómeno extremo" - ok, o que significa que não existe qualquer capacidade de prevenção, apenas mitigação. Depois do mal estar feito.

E apenas me fico com isto, porque para mim, uma transição energética bem feita, justa, equilibrada, europeia, passaria pela pesquisa e prospeção de matérias-primas, que respondessem à indústria química e transformadora, ajustando-se com a produção em território europeu de combustíveis de baixo carbono que pudessem substituir os de origem fóssil (ainda que não na sua totalidade, em percentagens superiores de incorporação na mistura de abastecimento final) e, aí sim, contando com as energias sustentáveis, como o vento, a água e o sol que, como sabemos, podem falhar facilmente. 

Mas isso são outros 500. 

entretanto fiquem com: "Em Espanha, a queda na produção deveu-se à paragem da produção de eletricidade eólica, porque o excesso de vento durante a noite provocou a paragem de várias centrais, que param automaticamente por razões de segurança quando o vento sopra agressivamente. As centrais a gás natural foram chamadas para dar resposta à grande procura de eletricidade, com o jornal espanhol a apontar que a energia hídrica não conseguiu dar resposta, pois já estava em níveis elevados de produção." que pode ser lido AQUI, sobre o quase-apagão de ontem no país vizinho. 

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Tuesday, January 27, 2026

so this is Christm... carnaval, outra vez, and what have you done, até agora..
January 27, 20260 Comments



os anúncios publicitários não deixam margem para dúvidas! Então aquele sobre investimentos é, deveras, elucidativo. Além de informar que já estamos em fevereiro, vai mais longe até, afirmando que, não tarda, já estamos mas é em 2027 (garrafas de champanhe e fogo de artifício incluídas nas imagens). 

Mas a verdade é esta... grandes objetivos, grandes planos, grande mudanças se esperavam para final de 2025 e foram empurradas para logo logo, início de 2026- Chegamos a 2026 e é tudo colocado em "stand-by". Porque burocracias, porque outras urgências, porque eleições (novamente e novamente e novamente, sabemos lá). Porque, "tem de ter paciência e saber esperar". Porque estamos em reestrutuação, porque estamos em mudanças de equipa, porque temos agendas super cheias e outras já completamente lotadas. 

Ou seja, chegamos a fevereiro e o que é que afinal fizemos ao longo deste primeiro e imensamente longo e louco mês de janeiro? Nada. Temos estado a fazer o mesmo, ou a preparar, na esperança de melhores dias, projetos, iniciativas, trabalhos, ideias. Temos estado a olhar as notícias não acreditando que a distopia dos livros que líamos há 20 anos e que foram escritos ainda num tempo em que havia meia dúzia de máquinas, se tornou a nossa realidade. Banalizámos, completamente, o mal, como a Hannah Arendt tinha preconizado. E aceitamos e normalizamos, porque estamos a ver que ir contra acaba connosco dentro de um caixão. 

O que fizemos durante janeiro? além de trabalhar, naquilo que já dei por garantido, sem garantias algumas, adquiri uma série de livros novos (mas não edições recentes) ainda em dezembro, as quais estou a desfazer, literalmente, em leitura, nos finais de tarde e fins de semana de chuva intensa, vento, mais chuva, mais neve, mais frio. Sim, porque dedicar-me à cultura física, como tanto apregoei, torna-se impossível com dias permanentemente ou cinzentos ou bipolares. Aproveita-se para colocar a escrita em dia aqui no blogue que ninguém lê (aliás, só lê quem eu NÃO quero que leia, porque não quero essas pessoas presentes na minha vida). Estou a generalizar. Sei que certamente ainda lê gente interessante. 

Vou pensando em temas para apresentações em seminários, onde a minha área de estudos base possa imiscuir-se com a tal arte que busco agora também aprender - e não é nada esotérico. Pretendo sempre aos fins de semana conseguir escapar-me para algum museu ou exposição que ache importante - sem nunca o fazer porque os fins de semana passam a correr, essa coisa inexorável que é a passagem do tempo -, e há sempre mais que fazer e com que nos preocuparmos, tarefas domésticas, compras de supermercado, resolução de situações in situ.

e no meio disto, chegam os 42 anos de vida e o Carnaval que vai começando a antecipar a Páscoa. E, sem contarmos, claro, que temos de ser os Cristianos Ronaldos das nossas vidas, com pena de nos arriscarmos a sermos, como somos, na maioria, medíocres. Aliás a palavra meritocracia, que é uma falácia, deveria ser substituída por mediocracia. Isso sim, faz mais sentido. Quanto mais medícore, mais longe cheganos. ChegaMOS. Peço desculpa.

Por isso, sim, há que continua à espera, a ter paciência, porque já sabemos como o país funcionar, devagar, a modos que parado, mas deixem lá o outro trabalhar. E que venham mais umas 5 eleições que já andamos com pouco circo. Aliás, fevereiro? O que andámos a fazer até agora? A preparar o caos... samba que se adivinha. 

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tu não és de cá
January 27, 20260 Comments

afinal, afinal, os resultados das eleições, não foram os por mim esperados - mas deram-se surpresas ainda assim. Nomeadamente na Madeira - quem diria que uma população que sempre foi de direita quisesse continuar AINDA MAIS à direita, um bocadinho mais radical, batendo no peito o direito à total separação de poderes com Portugal do "continente", aquele Portugal pobre, cubano (#PorquePS), com turistas pé de chinelo (que salvaram a economia turística madeirense durante o Covid), e que, para cúmulo, quando se chateiam ainda dizem "tu não és de cá, não sabes como isto funciona, não é por vires todos os anos, duas semanas que ficas a conhecer". Pois não, quem está de fora, mas conhece as pessoas por dentro, não faz ideia de como funciona a política regional, os favores, as influências. Chama-se a isso corrupção? Pensava que era assim que sempre funciona, em qualquer região do país. Não se iludam porque os novos salvadores da pátria já mostraram ao que vêm. Só se engana, agora, quem realmente quer. 

Mas a questão continua a ser, no fundo, o "tu não és de cá". Porque é aplicado, ultimamente, à exaustão. Primeiro pelo estrangeiro imigrante, depois ao emigrante, mas como lidar e gerir quando não somos de cá, aos que são? Como saber manter a calma, com risco da coisa acabar mal, quando, por oposição argumentada à ideologia que o outro quer impor, nos respondem "tu não és de cá - ou melhor, és, mas vais deixar de ser, porque vais ser expulsa como todos os que defendem A, B, C...". 

É isto que dizem que querem? Esta "liberdade de expressão", esta "democracia"? É que se sim, não contem comigo. Porque eu sou de cá. E sou da Madeira, e dos Açores. Sou Portuguesa, porra! E defendo o direito à liberdade dos outros. Mesmo que sim, os ache e chame de estúpidos e chalupas - nunca os mandei calar. Alías, aqui estamos não é? E atenção, isto não é apenas mimo fofo a quem vota em partido A D ou E. É mesmo para quem desvaloriza a educação e conhecimento científico, a quem espalha mentira, desiformação, a quem ache que a arte e a cultura deveriam ser destruídas porque "moldam politicamente" a sociedade. Quem escreve e diz isto tem medo. Tem cu, claro, e tem medo de se cagar todo, se um livro, uma canção, ou peça de teatro possam tocar nas suas crenças. Filhos, as revoluções artísticas dependem da política e a política está intrinsecamente ligada à criação artística. No dia em que deixarmos de sentir, esse sim será o dia em que "já não seremos de cá". 

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Saturday, January 17, 2026

the upside down... com MAIÚSCULAS
January 17, 20260 Comments


Passaram-se apenas 17 dias - logo nos 6 primeiros, deus fartou-se de trabalhar e ao 7º ainda nos pregou um susto com a Venezuela. Temos de IDOLATRAR os nossos ícones e deuses, senão seremos castigados.

Passaram-se apenas 17 dias - e parecem 13 NOVOS MESES. Puta de ano!

Certamente que ninguém, mas NINGUÉM, tinha dúvidas que 2026 não iria ser melhor que 2025. Ou se achavam que sim, pois... são os que aprovam e escolhem e votam numa nova ordem mundial, a qual já ando a reconhecer sintomas há uns 20 anos. Mas, como de costume, eu sou sempre uma exagerada. 

Amanhã, dia 18, Portugal vai, NOVAMENTE a eleições. Depois de ano e meio com legistlativas, mais umas autárquicas que parece só me terem colocado a vida (profissional) em stand-by eterno, faltavam as "presidenciais", claro. Umas eleições renhidas. Nomeadamente pela falta de atributos que possamos dar a cada um dos 1000 candidatos que amanhã teremos para escolher, "minus" 3, que estarão lá só para confundir. Ainda. Mais. 

But first things, first! Não tenho iguais dúvidas que Portugal não é diferente de mais nenhum país europeu, ou, a ver, mundial. Numa onda de radicalismo a todos os quadrantes políticos, estamos claramente à beira de regressar a um mundo às direitas, que, na verdade, não irá passar de um "upside down". Como a base do Carnaval, no qual a troca de papéis permite os excessos a todos os níveis e requintes de malvadez. E sim, há muita gente a ser levada pela ideologia e a acreditar que assim, com velhos costumes (mas, dizem, modernizados) é que voltamos ao caminho do "bem" - não raramente associado à religião. Temos realmente de idolatar os nossos DEUSES políticos. Até mesmo porque, não querendo, de todo, comparar com tempos que já lá vão, como a idade média, na qual não havia vacinas, as pessoas eram influenciadas a não tomar banho, e tínhamos uma SANTA INQUISIÇÃO com os seus Familiares, ou mesmo, alguns séculos depois, já em pleno século XX, onde uma PIDE com, também, os seus familiares, faziam as delícias das famílias de bem, podemos estar a escassos momentos de entrarmos numa época moderna de censura, onde as distopias já não serão distopias algumas e tornam-se a realidade dos nossos dias e momentos. 

Mas calma, que hoje é dia de reflexão e eu estou aqui, apenas e só, a refletir na podridão a que todos chegámos. Um desbafo se assim o entenderem. E sim, eu sei que EU é que estou ERRADA. Porque todos são mais inteligentes que eu, e sabem as COISAS da vida pela experiência que a mesma lhes deu, embora sejamos uns privilegiados, geralmente, brancos, que nunca passámos por situações de preconceito ou ostracismo. Bom, enquanto mulher, quantas vezes, nomeadamente nos últimos tempos e, exatamente pelos belos, brandos costumes a que queremos regressar. Porque mulher séria e honrada é aquela que se mantém no seu recato. E já se entendeu como eu sou, não é?

Mas tudo bem. Em Portugal, como sempre, aliás, está sempre tudo bem. Vai correr tudo bem. Seremos sempre felizes neste nosso modo de ser "português suave". 

Mas ninguém nos livra da infelicidade de uma nova liberdade que não será assim tão liberta.





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