Cláudia Paiva Silva

Saturday, February 17, 2007

Para M.
February 17, 20071 Comments

Nos teus olhos castanhos, encontra-se o outro lado.

O lado das coisas boas

O lado onde a Terra é mais bela e as flores têm mais cor.

Agora que o Verão vai chegando,

de mansinho,

quero-te só para mim, sem tabus

ou ressentimentos;

Tocar no teu corpo e penetrar na tua alma

Até sermos uma única chama,

Brilhando no infinito dos tempos,

até à exaustão do Universo.

E vindo o calor da estação,

dormindo abraçada a ti,

percorreremos os mundos em câmara lenta,

sorvendo cada imagem como água purificadora.

E no teu cabelo revolto, verei a espuma do mar

E as ondas que nele se formam, enrolando-se

como fios nos nossos dedos.

E os meus dedos percorrem o teu corpo

e os teus o meu.

Mil sensações indescritíveis.

Uma paixão que não nos é possível viver.

Mas tu és um deus,

e eu tua escrava.

Por isso nos amamos até ao impossível. Até que tudo seja insuportável para nós

E os nossos corpos cedam à exaustão.

Então olharei para os teus olhos,

E verei tudo de novo.

(Datado de 2002 ou 2003)

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Thursday, February 15, 2007

Anatomia de Grey
February 15, 20070 Comments
Pelos dois últimos episódios que passaram pelo canal Fox Life, da série, Anatomia de Grey, cheguei à conclusão que ser-se médico, e no caso específico, cirurgião, não é, realmente para todas as alminhas que conseguem atingir a média dos 19 ou 20 valores durante o ensino secundário. Os episódios revelaram que uma das personagens, Isobel Stevens (protagonizada por uma estrondosa Katherine Heigl, conhecida do público português da série Roswell), atingiu o extremo de dedicação a um paciente. Claro que a sua história pessoal é exarcebadamente dramática. Izzie, como é conhecida pelos colegas aka amigos aka família, e pelos médicos residentes do Seattle Grace Hospital, nasceu e cresceu numa roulotte, num estado sulista dos Estados Unidos, ficou grávida aos 16 anos dando o bebé posteriormente para adopção, tornou-se gira demais para passar despercebida, posando para uma marca de lingerie de forma a pagar os estudos e formou-se numa prestigiada universidade em Medicina, conseguindo uma vaga num programa de Cirurgia na cidade do Leste americano. Contrariando um espírito cinzento e chuvoso da mesma cidade e do grupo composto por ela juntamente com Meredith Grey (que andou um tempo obcecada com a sua pseudo relação amorosa por um dos chefes), Cristina Yang (obcecada em ser a melhor em tudo, sendo por isso, demasiado fria e bruta com os pacientes), George O'Malley (querido demais para não o pensarmos gay) e Alex Korav (o bruto do grupo, em termos masculinos), será Izzie que tenta animar sempre os espíritos, refugiando-se na cozinha, especialmente na feitura de bolos ou queques. É ela que irrita todas as pessoas com o espírito natalício, com o Dia de Acção de Graças, com todos os feriados municipais e religiosos, mas também é ela que dá verdadeiras dores de cabeça, quando se envolve demais, emocionalmente, com os pacientes. Só tendo-o visto um par de vezes, conseguiu a proeza de se apaixonar por Denny Duquette, numa relação que não só poderia estar condenada pelo factor médico-paciente, bem como pelo estado de saúde dele. Para quem não viu ou para quem ainda não viu o episódio, prepare-se para grandes emoções. Izzie ultrapassa os limites da ética em nome do amado e o resultado final, depois de tudo o que foi feito, não poderia, contudo ser mais trágico. É com uma Isobel a dizer: "I thought I could be a surgeon but I can't, so I quit" que termina a sua participação na 2ª época de Anatomia de Grey. O resto ainda está para vir em Portugal, mas a nova temporada já está a dar nos EUA. http://abc.go.com/primetime/greysanatomy/index
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O dia dos Namorados aka 14 Fevereiro parte II
February 15, 20070 Comments
Marketing. Uma forma das floristas, casas de artigos de decoração e casas de prendas, facturarem um pouco mais. Como não tenho ninguém, porque, bem diz o ditado, mais vale só que mal acompanhada e isto serve para uma ou duas pessoas aí do mundo cibernautico, para mim é um dia de se escutar canções de amor e canções de mal dizer do género oposto. Cá vai mais uma... Break Me, Shake Me- Savage Garden - I never thought I'd change my opinion again, But you moved me in a way that I've never known, You moved me in a way that I've never known. But straight away you just moved into position again, You abused me in a way that I've never known, You abused me in a way that I've never known, So break me shake me hate me take me over, When the madness stops then you will be alone, Just break me shake me hate me take me over, When the madness stops then you will be alone. So your the kind that deals with the games in the mind, Well you confuse me in a way that I've never known,You confuse me in a way that I've never known. So break me shake me hate me take me over, When the madness stops then you will be alone, Just break me shake me hate me take me over,When the madness stops then you will be alone. She says, "I can help you, but what do you say?" But it's not for free baby, you'll have to pay. You just keep me contemplating, that your soul is slowly fading… God don't you know that I live with a ton of regret? 'Cause I move you in a way that you've never known, But then I accused you in a way that you've never known, But you hurt me in a way that I've never known... Break me shake me hate me take me over,When the madness stops then you will be alone. Just break me shake me hate me take me over, When the madness stops then you will be alone… Listen, baby…You'll be, you'll be alone … Break me shake me hate me take me make me, Fake me break me shake me hate me take me, Break me...

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Escolha de horários.
February 15, 20070 Comments
Hoje, foi de dia de escolha de horários do 4º ano. Ninguém pode imaginar (ninguém que faça parte do curso de Geologia) a emoção que é escolher os horários. Sempre na ânsia de se saber quantas turmas sobram, quantas vagas nas turmas práticas, se os grupos ficam todos juntos ou não. Eu, pelo menos, por ser polivalente e um bocado burra, pois hoje a minha escolher recaiu sobre turmas de anos anteriores, já nem tenho desses problemas. O melhor horário para mim, é o horário onde ficarei. É difícil concilar um horário e turmas práticas diferentes, com uma aula de campo às quartas feiras, por exemplo, mas posso pensar que é desta vez que ficarei perita em cartografia geológica já que as disciplinas são: Campo I (realizado na nobre zona saloia de Loures,- e não há mal nenhum nisso, porque é zona do Complexo Vulcânico de Lisboa-, Geologia Estrutural, Geomorfologia, Geomatemática (isto é que já é pior), Métodos Estatísticos (está a piorar mesmo) e Matemática II (ou Análise Matemática, cuja minha turma prática irá ter como professor, Jorge Buesco). Como se pode ver, parece muito complicado, afinal são 6 cadeiras, mas olhem que o meu horário até fica porreiro. Portanto, já não faz sentido, o acordar quase às 05.00, para se colocar o nome numa lista de chegada, para somente às 11.00 se começar a efectuar a chamada para inscrições e escolhas de turmas. Mas já fiz isso, por duas vezes, no 1º ano. Desde lá, já a cabeça me doeu muito. Mas aconselho a todos vós que estais no mundo universitário a observarem o ritmo aluciiiinante que é a escolha. Adora-se e chora-se por mais...
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Wednesday, February 14, 2007

14 de Fevereiro
February 14, 20070 Comments
"We're In This Together"- Nine Inch Nails - I've become impossible, holding on to when when everything seemed to matter more. the two of us, all used and beaten up watching fate as it flows down the path we have chose. you and me we're in this together now none of them can stop us now we will make it through somehow you and me if the world should break in two until the very end of me until the very end of you. awake to the sound as they peel apart the skin, they pick and they pull trying to get their fingers in. well they've got to kill what we've found, well they've got to hate what they fear, well they've got to make it go away, well they've got to make it disappear. the farther I fall I'm beside you, as lost as I get I will find you, the deeper the wound I'm inside you, for ever and ever I'm a part of you and me we're in this together now none of them can stop us now we will make it through somehow, you and me if the world should break in two until the very end of me until the very end of you. all that we were is gone we have to hold on, when all our hope is gone we have to hold on, all that we were is gone but we can hold on. you and me we're in this together now none of them can stop us now we will make it through somehow, you and me even after everything you're the queen and I'm the king nothing else means anything
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Foi uma pena, mas não pude mesmo ir...
February 14, 20070 Comments
Ou melhor, poder até podia e devia mesmo ter ido, porque o exame de Computação realizado ontem, teria corrido na mesma tão bem, como se eu não tivesse ficado em casa (tou para aqui com coisas, mas depois ainda passo ao raio da disciplina). Mas sim, foi uma pena não ver pessoalmente, ao vivo e a cores Trent Reznor e amiguinhos em palco durante 3!!!! noites seguidas no Coliseu. Fico-me com as imagens de telemovéis duvidosos de qualidade terrível e com as memórias de quem foi, gostou e queria mais. Passado um ano daquele que foi para mim um dos melhores concertos (bom, eu até hoje também vi poucos), DM, fiquei bastante decepcionada avec moi même por não ter pelo menos, tentado ver Nine Inch Nails em Lisboa. Mas, se tudo correu tão bem como se diz, pelos vistos, na próxima digressão europeia, eles voltarão a dar a fronha por cá. Pelo menos foram inteligentes o suficiente de começaram numa das pontas da Europa e não fazerem como muitas outras que depois dizem que Lisboa fica fora de mão. Ao que determinadas bandas ganham, peguem mas é nos jactos e aviões privados e tragam as bundas e resto do cabedal até nós, até porque é publico que lhes paga as contas ao final do mês. E já agora, façam o favor de dar o litro em palco, porque foi o que os NIN fizeram, e fizeram muitíssimo bem.
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Passado quase um mês, muita parra, pouca uva!
February 14, 20070 Comments
Sabem qual é o resultado de misturar vários anti histamínicos no nosso corpo? Sou eu, no dia que corre...
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Wednesday, January 24, 2007

Blogue do Não

Monday, January 15, 2007

Estudo das variações nos principais reservatórios terrestres após a ocorrência de um Evento Tectónico.
January 15, 20070 Comments
Retirado de 3º Trabalho Prático da disciplina de Ciclos Geoquímicos, Geologia e Recursos Naturais do 4º ano.
(avaliação de 16 valores)
Por Claudia Silva
Qualquer evento tectónico, que ocorra instantaneamente, tem como consequência principal o aumento da taxa de desgaseificação, uma vez que existe vulcanismo e metamorfismo intensos. Neste aspecto, pode-se falar sobre a taxa de alastramento dos fundos marinhos a partir de uma zona central de rifte. De acordo com a figura 1 e figura 4, a variação do nível do mar, a área dos oceanos e a área dos continentes, dependem da pulsação tectónica, uma vez que à medida de um alastramento maior, o volume das cristas oceânicas sofre um empolamento, alargando-as, o que por sua vez, desloca grandes massas de água, responsáveis pelas transgressões marinhas. Como tal, a área continental diminui e a área dos oceanos aumenta, sendo ambos inversamente proporcionais. Por outro lado, voltando à premissa inicial, à taxa de desgaseificação associa-se imediatamente a libertação de gases para a Atmosfera, entre os quais, CO2, extremamente importante e existindo em todos os reservatórios terrestres uma vez que é um dos principais elementos voláteis da Terra. Como se sabe, o aumento na Atmosfera deste composto, irá resultar no aumento da Temperatura global (a variação de Temperatura é proporcional ao empolamento e contracção das cristas médias, logo à libertação de material mantélico), aumentando também o “efeito de estufa” do planeta, ao que se denomina por Aquecimento Global. Uma vez que a Temperatura aumenta, embora não seja um facto científico muito significativo, pelo que tal acontecimento responderá ao longo do tempo geológico (Milhões de Anos), poderá também provocar o degelo de calotes polares, contribuindo também para o aumento do nível médio das águas. Será então lógico afirmar que na figura 2,a Atmosfera sofre um pico no instante tectónico, devido às emissões imediatas de gases. Contudo, também é o primeiro reservatório a diminuir a sua concentração em CO2, pois serão os Oceanos que irão receber a maioria dos produtos atmosféricos, bem como produtos continentais, funcionando com um sumidouro da Atmosfera. (Para este raciocínio ter-se-á mais à frente que mencionar a interligação deste gráfico, com o gráfico 3). Os Calcários, que se encontram como uma espécie de sub-reservatório nos Oceanos, também respondem com uma diminuição significativa da concentração em CO2, aumentando à medida, que as concentrações voltam a atingir os valores iniciais, correspondendo então ao reequilíbrio do sistema. Contudo, estas variações só serão possíveis de explicar através do estudo da resposta dos Fluxos. Como já foi visto, devido ao aumento de CO2 e outros gases na Atmosfera, a T aumenta. Sabe-se também que a um aumento de T, corresponde uma maior condensação de vapor, visto isto, pode-se afirmar que ocorre precipitação sob a forma de chuvas, neste caso, ricas em H2SO4, denominadas por chuvas ácidas: Geologicamente, esta precipitação irá provocar a alteração das rochas, bem como da biosfera terrestre. No entanto, a meteorização (figura 3) das litologias será a responsável pelo remoção de CO2, que uma vez libertado irá, juntamente com outros produtos sedimentares, removidos por agentes de meteorização externos, ser transferido para os oceanos. Como se sabe, a dissolução de gases nos oceanos superficiais (para onde primeiramente são lançados todos os produtos de meteorização), ocorre em águas frias. Assim sendo, podemos, após a precipitação dos carbonatos, verificar a sua dissolução. À medida que este processo se dá, a matéria superficial começa, por correntes convectivas oceânicas a aumentar a sua profundidade, ocorrendo o chamado downwelling, uma vez que a T atmosférica acabará por aquecer as águas superficiais, e a água fria, mais densa, terá obrigatoriamente que “descer”. Ocorrendo a dissolução, aumenta-se a alcalinidade nos oceanos, o que por outro lado, aumenta ainda mais a absorção do C atmosférico. Os Calcários serão então primeiramente dissolvidos, como resposta à entrada de um grande fluxo de matéria carbonatada nos oceanos, o que provoca a diminuição observada primeiramente na figura 2, e devido à mistura de águas pela circulação oceânica, em latitudes equatoriais, onde a coluna de água aquece para maiores profundidades, acabarão por sofrer upwelling, sendo substituídos pelos sedimentos provenientes do downwelling (aumento de concentração do reservatório 2). Assim, pode-se verificar que ocorre uma circulação de material carbonatado nos oceanos, a qual está dependente do input nas águas superficiais e do output através da dissolução dos carbonatos do reservatório Calcários dos fundos marinhos. A Sedimentação que se verifica na figura 3, atinge um pico após o efeito de meteorização, diminuindo logo a seguir, pois revela a interacção das águas oceânicas superficiais, com as profundas, bem como o fim da actividade vulcânica e consequente acidificação nas águas de precipitação (diminuição do efeito de meteorização). Pode-se concluir que o reservatório que volta mais rapidamente ao estádio inicial é a Atmosfera, (tempo de resposta proporcional à dimensão do reservatório), mas o que sustenta o reequilíbrio do sistema após o pico tectónico, será o Oceano, pois será nesse reservatório, dependente das reacções externas, que se dará a circulação de carbono, juntamente com o reservatório Calcários, de grande dimensão, reajustando os níveis da concentração do composto na Atmosfera terrestre. Este reequilíbrio dá-se após 3.0 Milhões de Anos do início da simulação.
(à espera das figuras....)
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Sunday, January 14, 2007

Colagens

Wednesday, January 10, 2007

Indecisões de Ano Novo
January 10, 20071 Comments
As festividades já passaram, rápidas e desprovidas de qualquer bom sentimento. Já comi a minha dose de bacalhau para este ano (uma vez que considero o início do ano ou fim, durante o Verão, porque não me faz muito sentido ter uma semana de pseudo-interrupção de aulas, para logo de seguida iniciar o doloroso processo semestral de avaliação), e muito sinceramente, passei a noite de 31 para 1, mais interessada em saber qual das moças tinha ganho quais dos concursos que a televisão dava. Isto porque não tinha dinheiro para deitar fora num casino qualquer, e porque, não me apetecia muito constipar-me quando estava rés-vés a ter que voltar para a faculdade, numa rentreé tão interessante como a que ocorre em Janeiro. Também é verdade que a partir de dia 25, comecei a pensar realmente no que era ou não importante, porque, naquela semana "nataliciamente" pagã, os meus compatriotas conseguiram gastar mais (muito mais) dinheiro do que têm (e podem), e, pela primeira vez que me lembre, conseguiram-se saber notícias governamentais, feito antes nunca alcançado por outros grupos políticos (eu escrevi grupos, não partidos). Bom, se no total foram contabilizados 11 milhões de euros em ATM's aka Multibancos, fora transferências e créditos, com certeza que temos financeiramente disponíveis as quantias necessárias para enfrentar quaisquer aumentos que se avizinhem, fora os que desde há 10 dias atrás, foram postos em prática. E aí começou a revolta na minha cabeça. Eu devo viver num país de atrasados mentais (eu própria admito contribuir para essa multidão de pessoas retardadas, pois também eu contribuo para a crise nacional, (sou estudante, mas ao contrário do que ocorre nos outros países, não trabalho para sustentar os meus estudos) também eu ando de vez em quando a proclamar aos 4 ventos, que hoje em dia, para cada português seriam precisos 3 Salazares, no mínimo). Bom, mas eu digo aquilo às vezes, todos os dias contudo ando em transportes públicos (um luxo ainda desconhecido de muitos portugueses, principalmente aqui da região de Sintra), onde há sempre uma nota de indignação, uma pontinha de descontentamento aqui e além, umas conversas matutinas bem efusivas quanto à política nacional. Que se pode fazer? Portugal é um país onde as pessoas gostam de ter empregos, mas não de trabalhar, um local onde a mão de obra é cara, e nem sempre rentável. Bom, existe sempre a opção Ucrânica, Moldávia, Hungria, Eslováquia, Roménia e tantos outros países que tendo passado por milhentas privações, ao contrário de nós, que nunca passámos por uma guerra sequer "a sério", não tarda ultrapassam-nos (acho que alguns já nos ultrapassaram) no comboio que se chama Europa. Estou lixada? Pois estou. Vivo num sítio onde acontece de tudo e ninguém se quer envolver. Sabe-se que a vizinha de cima leva tareia do marido e ninguém resolve chamar a polícia, sabe-se bem que o marido da mulher que era casada com o Jorge que fugiu com a brasileira (podia ser de outra nacionalidade qualquer, aparte do meu "fascínio" por brasileiros), mal trata o enteado que tem 2 anos, mas só sabem falar depois da criança morrer e do sujeito ter ido parar à prisão (ainda que preventiva por falta de provas concretas), num país, mudando de assunto, onde pescadores sem meios de segurança, morrem a 20!!!!!!! metros se tanto das praias e só meia hora depois é que alguém tenta resgatá-los, num país onde se constrói atrás de dunas e se espera que a areia que é depositada por camiões e que o mar, enfurecido volta a levar, trave o poder destrutivas das ondas, num país que se constroem casas que em 5 anos possuem uma inclinação com 20 cm. Realmente parece que vivo num país de fantochada pegada, mas há quem goste. Aqui na minha rua, tenho algumas pessoas que gostam, das que ainda estão vivas, porque nesta zona de Queluz, vivem os mais velhotes, os da velha escola, aquela zona que foi construída há 39 anos. A minha mãe vive cá desde os 19 e acreditem, está farta.
Eu sonho alto, com uma vivenda com sotão, onde se veja o mar, mas não cá na nossa costa, pelo menos na costa continental portuguesa, por mim podia ser na costa insular, mas estou a ver que se tiver sorte, as asas de um avião levam-me para o outro lado do Atlântico, por onde me ficarei. Não fiz resoluções de Ano Novo, não fazem grande sentido. Não sei que haveria de desejar ou de mudar. Talvez a merda do feitio. Mas nem sequer isso sei fazer, tomar decisões. Mas, cá entre nós, aparte do Primeiro Ministro, quem é que as sabe tomar?
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