Cláudia Paiva Silva

Sunday, April 22, 2018

Comemoração do Dia da Terra 2018
April 22, 20180 Comments
Para quem não sabe, sou geóloga de formação e profissão. Contudo, trabalho na área (agora politicamente incorrecta e ingrata) da pesquisa de petróleo e gás, parecendo contudo que nunca usámos até hoje, derivados indirectos dos combustíveis fósseis, nem tão pouco necessitamos ainda deles no nosso dia a dia. Caros e caras, a nossa pegada na terra não se prende apenas e só no recurso a estes produtos que demoram milhões de anos a serem gerados, mas sim com os nossos comportamentos diários. Esses sim, poderão eventualmente fazer toda a diferença. Mas posto este desabafo de parte, até porque nunca entrei aqui em detalhes desta natureza, nem pretendo fazer qualquer manifesto político ou de opinião sobre o assunto - aprendi a estar literalmente calada -, deixo a minha contribuição para o #EarthDay2018 e #ImAGeoscientist. Enjoy!



Datadas de 2014, estas fotografias foram registadas junto à Pedreira de Ana Ferreira, no Porto Santo. Trata-se de uma estrutura geológica particular denominada disjunção prismática e resulta da forma como as rochas (na sua generalidade) basálticas arrefecem à medida que o magma ou lava vai solidificando. A forma das colunas, em hexágono, deve-se ao facto de ser esta uma das formas de polígono mais estáveis na natureza, e também aquela onde não ocorrem espaços que não possam ser ocupados. Na Natureza, nada se perde....
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Saturday, April 21, 2018

April 21, 20180 Comments
Será realmente importante começar a haver mais debates públicos sobre o tema de recolha de dados dos utilizadores da Internet e das redes sociais em Portugal. O Nónio será mais uma ferramenta que irá possibilitar a uma serie de empresas obterem informação CONSENTIDA, já que será necessário fazer login para aceder aos conteúdos dessas páginas, na sua maioria orgãos de comunicação social (logo por acaso e logo por azar). O objetivo? Segundo o director comercial do Público, Mário Jorge Maia: "O Nónio é uma plataforma de recolha, tratamento e qualificação das audiências”, descreve Luís Nazaré, referindo que esses dados ficarão registados num acervo disponível a todos os membros da PMP (Plataforma de Media Privados, grupo COFINA), o que lhes permitirá “qualificar a informação e valorizar as audiências”, nomeadamente através da segmentação de perfis. Assim, o inventário publicitário passa a ser mais valioso." Portanto, basicamente, a ideia é sermos bombardeados apenas e só com publicidade que seja ou esteja de acordo com as nossas preferências pessoais, medidas e analisadas por algoritmos nacionais, tal como acontece noutros países. Resta saber se esta informação que é recolhida não poderá igualmente servir para fins de políticos, religiosos, agências de segurança. Não esquecer que ao fazermos login, algo que será obrigatório, estamos a aceitar que acedam aos nossos dados também. "Este projecto recebeu 900 mil euros de financiamento do Google, no âmbito do fundo de inovação “Digital News Initiative”, que já apoiou outros projectos do PÚBLICO. O mecanismo financiado está assente em dois pilares essenciais: o SSO (Single Sign-On, um dispositivo integrado de registo único) e o DMP (Data Management Platform, um suporte lógico de qualificação e tratamento de audiências)." Therefore, Google is watching you...
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Wednesday, April 18, 2018

April 18, 20180 Comments

À medida que pensava escrever estas palavras, descia a Avenida a caminho do Rossio e parei para tirar fotos aos locais de sempre. Vendo a praça cheia de imigrantes, e o Largo de São Domingos com as suas africanas de vestes coloridas e africanos certamente muçulmanos, custa-me pensar que na idade média, a intolerância religiosa imperasse sobre o mesmo local. Quando olhos para as centenas de turistas que todos os dias aterram ou desembarcam em Lisboa, nos grupos "follow me", interrogo-me se saberão eles qual a nossa História e qual a História da cidade. Contarão os guias que na semana santa de 1506, entres os dias 19 e 24 de Abril, milhares de pessoas foram perseguidas, torturadas e mortas em fogueiras a céu aberto? E depois pergunto-me a mim mesma: quantos portugueses também saberão deste evento? Possivelmente poucos e possivelmente desses poucos, quase nenhuns pensarão igualmente nisso. A vida é tão mais, não é? Contudo, num período em que se volta a observar e a sentir o preconceito, o racismo e o medo face a outras religiões, e perante a data de hoje, será interessante voltar a contar a história da História. Para não esquecer que não foram apenas as fogueiras das Guerras contemporâneas que arderam e queimaram, que os pogroms (ataques violento maciço a pessoas, com a destruição simultânea do seu ambiente (casas, negócios, centros religiosos)), sempre existiram ao longo dos séculos, que a intolerância não é uma coisa recente (último século e meio).




Pelo menos dois ataques violentos foram registados em Lisboa contra a minoria judia durante a idade média. O primeiro, em Dezembro de 1449, tratou-se de um assalto à Judiaria Grande de Lisboa (localizada na zona que hoje corresponde à Igreja da Madalena e Igreja de S. Nicolau, abrangendo as ruas perpendiculares, atuais Fanqueiros e Bacalhoeiros), como resultado de confrontos entre um grupo de jovens cristãos-velhos quando estes terão ofendido um outro grupo de (ainda) judeus junto à zona da Ribeira. Apesar da queixa, os culpados foram apenas açoitados publicamente, o que ainda assim enfureceu a horda cristã ao ponto de clamarem por justiça imediata e vingança. A Judiaria Grande foi assim assaltada, tendo sido mortos vários judeus. As casas foram vandalizadas e saqueadas. D. Afonso V que estava em Évora veio de imediato para Lisboa de forma a colocar um ponto final aos tumultos.




O segundo registo histórico a um ataque a cristãos-novos, já em reinado de D. Manuel I, vem pela pena de Garcia de Resende contemporâneo do acontecimento, associado presumivelmente à história do suposto milagre ocorrido durante uma missa na Igreja de São Domingos, durante a semana santa de 1506. Em ano de seca, com temperaturas mais elevadas do que era suposto para aqueles meses, e em plena época de peste, que se alastrava por uma Europa (e Portugal) imunda de gente e com falhas graves de higiene, eram várias as missas e eventos suportados pelas famílias abastadas e pela corte, de forma a pedir "auxílio divino". Numa Lisboa fervorosamente católica, com imensas igrejas e capelas por cada esquina pré-terramoto, não é difícil imaginar a imensidão de pessoas que se aglomeravam nos pequenos edifícios. De tal ordem foi este ataque que ficou igualmente registado em relatos anónimos alemães: "Haveria uma cruz com um espelho no meio, então surge a imagem de Maria a chorar ajoelhada em frente a Jesus e por cima da cruz, surgiram luzes pequeninas e uma grande..." Damião de Góis, em relato muito mais tardio refere que se tratou apenas de um possível reflexo de uma vela. Contudo, qualquer autor menciona o questionar de um cristão-novo sobre o porquê: ".. que o dito céu não realizava o milagre da água, mais do que o fogo?" aludindo à rigorosa seca que se atravessava. 
O cristão-novo é de imediato arrastado até à rua, ao largo, e morto. As horas e dias que se seguiram são de uma autêntica orgia de terror e de morte (porterrassefarad.blogspot.com). Entre 19 e 24 de Abril de 1506, perto de 4000 pessoas (cristãos-novos, cristão-velhos, mulheres, idosos, crianças de berço) foram mortas nas ruas de Lisboa, incitadas pela própria igreja e ordens religiosas. O Rei D. Manuel, que se encontrava, uma vez mais ausente da capital, envia a partir de Avis, o regedor de justiça Aires da Silva e o governador da Casa Civil de Lisboa (D. Afonso Castro) de forma a controlarem a população. Contudo ambos ficaram retidos nas muralhas das portas da cidade até "pagarem" entrada. Não foi a corte real quem conseguiu acalmar a população. Mas sim quando passados três dias, finalmente, houve "cansaço e entorpecimento" dos que mataram, violaram e pilharam centenas de almas e habitações.



Pessoalmente, de todos os livros que li até agora sobre o acontecido, tenho dois que aconselho a quem possa querer saber mais do que se passou:
Sem dúvida o romance de Richard Zimler "Último Cabalista de Lisboa" cuja acção decorre exactamente durante a semana santa de 1506, mencionando locais nossos conhecidos ainda, personagens históricas, e "O Massacre dos Judeus" de Susana Bastos Mateus e Paulo Mendes Pinto.


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Mentiras sempre as houve. Agora existem apenas mais.
April 18, 2018 4 Comments

Do Prólogo do livro EVERYBODY LIES de Seth Stephens-Davidowitz:
"Big Data from internet searches and other online responses are not a cerebroscope, but Seth Stephens-Davidowitz shows that they offer an unprecendented peek into people's psyches. At the privacy of their keyboards, people confess the strangest things, sometimes (as in dating sites or searches for professional advice) because they have real-life consequences, at other times precisely because they don't have consequences: people can unburden themselves of some wish or fear without a real person reaction in dismay or worse. Either way, the people are not just pressing a button or turning a knob, but keying in any of trillions os sequences of characters to spell out their thoughts in all their explosive, combinatorial vastness. Better still, they ley down these digital traces in a form that is easy to aggregate and analyse. They come from all walks in life. Theu can take part in unobtrusive expermients which vary the stimuli and tabulate the responses in real time." (Steven Pinker, 2017)
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Capas bonitas de revistas portuguesas
April 18, 20180 Comments
A última da GQ Portugal é simplesmente linda. A edição com a Joana Ribeiro, cujo tema principal pende com a questão de gestão dos recursos hídricos, apresenta duas capas, para coleccionador. A não perder.
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Sunday, April 15, 2018

Esses bichos que são as redes sociais e dados pessoais
April 15, 2018 3 Comments
Sobre o caso do Facebook e sobre as questões colocadas pelo senado norte-americano ao fundador da rede social mais utilizada no mundo, deixo aqui as minhas pequenas considerações, que não são mais do que uma opinião pessoal, feita por alguém que não percebe nada de informática, mas crê perceber como funciona o mundo da internet, para que servem os anúncios e a publicidade, e compreende que ao aceitar instalar aplicações e ao fazer logins e registos em algumas páginas, está realmente a conceder a visualização dos seus (meus) dados a inúmeras empresas que funcionam com recolha estatística. 
Primeiro que tudo... com este escândalo veio logo a clara noção de que as pessoas, na sua maioria, portanto, utilizadores regulares da Internet e das redes sociais, não sabem de todo como estas operam e funcionam. Não coloco em questão a eloquência com que as questões são colocadas, nem tão pouco farei juízos de valor sobre a capacidade de cada um dos senadores no que concerne à validade ou sentido crítico das suas próprias perguntas - as pessoas realmente não são obrigadas a perceber de informática. Mas o mínimo deveríamos todos saber. Toda e qualquer rede social, na qual exista uma página (público ou privada) sobre o utilizador, pede e ganha dados básicos sobre o mesmo. Nome, localidade, (endereço de IP), alguma informação considerada "normal" sobre alguns gostos e preferências são assim recolhidos e armazenados numa mega base de dados. Até aqui tudo seria supostamente aceitável. Ao longo de 10 anos, o Facebook, contudo, deixou de ser apenas uma rede social para amigos e familiares, e a sua mega base de dados de milhares de milhões de utilizadores, começou a servir para outros fins. Aceitaram (e aceitamos) aplicações, as quais, de forma muito evidente, nos perguntam se deixamos que acedam à nossa informação pessoal, lista de amigos, lista de comentários, publicações e fotos. Nós dizemos sim, logo nós, utilizadores, estamos a aceitar de forma inequívoca essa invasão de privacidade. Não podemos então, posteriormente, dizer que "não sabíamos de nada". Ponto 2. Acho importante mencionar que o Facebook, tal como o Instagram (mesma empresa) precisam, obviamente de dinheiro. Se os utilizadores não pagam o acesso e utilização destas redes, alguém tem de o fazer. E aí entram os anúncios e publicidade e páginas oficiais de marcas, etc.. Porque é que isto é possível? Porque os sistemas estão interconectados entre si, ou seja, uma pesquisa feita num browser (Opera, Chrome - e a maioria dos smartphones opera com o Google- Windows, Safari...), irá ser partilhada com as redes que usamos, e por isso não será estranho procurar por um artigo específico numa data e esse mesmo artigo começar a aparecer de forma insistente em todo e qualquer lado, nas páginas onde estamos. Porque é que o Facebook aceita ou ganha com isto? Porque, ao aceitarmos a tal invasão de privacidade anteriormente mencionada, permitimos que os algoritmos (dados estatísticos que podem ser usados de variadas maneiras para perceber como é que o utilizador se comporta online - e, por consequência, na vida real - auxiliando à venda e apresentação de conteúdos que parecem ter sido feitos especialmente para aquele único consumidor), acedam então à nossa informação. Os nossos pontos de vista políticos, religiosos, morais, éticos, as nossas taras, as nossas manias, as nossas orientações sexuais, tudo, é assim utilizado em prol de multinacionais e empresas que funcionam com apenas e só dados estatísticos, para seu próprio ganho. O que se passou com Trump foi um caso óbvio de usurpação dos dados pessoais de usuários norte-americanos em prol da campanha eleitoral. Se o Facebook saberia ou não, tenho as minhas dúvidas. Com certeza que de todos os empregados, informáticos, gestores de conteúdos, matemáticos e estatísticos, alguém deveria certamente ter conhecimento da fuga (autorizada, atenção!) de informação. Mas mais uma vez, quando digo autorizada, não é apenas pelos CEO's da empresa, mas acima de tudo, lá está, por nós. Nós é que temos a obrigação de saber que tudo está a ser "vigiado", que existem determinadas palavras que são imediatamente filtradas por serviços secretos de alguns países, sabemos também muito bem, que, cada vez mais, patrões e empresas de recrutamento, pesquisam informação sobre os candidatos online. Quando um senador pergunta se as informações e recolha de dados poderão então ser enviesados pelos colaboradores do Facebook, mediante as suas próprias escolhas e orientações, a verdade é que se esquece que nenhuma (ou praticamente nenhuma) empresa o faz também "fora da rede". Não nos perguntam numa entrevista se fumamos, qual o nosso partido, qual a nossa orientação sexual, se somos vegetarianos. Quem usa os nossos dados, garantidamente também não o faz por lhe dar mais jeito. Simplesmente em termos estatísticos, faremos parte dum grupo maior de pessoas que respondem e correspondem a determinado parâmetro. Que pode ou não ser vendido. E premissa contudo, é esta. Desde que a Internet foi criada apenas para partilha, na altura, de informação científica: "what goes online stays online forever". E mais uma vez a citação de Daniel Oliveira: "Este é o pior pesadelo de George Orwell".

Contudo, o que me parece ser mesmo muito mais pertinente ainda é: Será que a intervenção de todo e qualquer algoritmo, com a justificação de "ser uma forma de dar ao consumidor ou utilizador os conteúdos que melhor se adaptam ao seu perfil e aos seus gostos" não irá resultar em enviesamento total da nossa personalidade? Se aceitarmos, sem filtrar, que aquilo que nos aparece à frente é realmente o mais indicado para nós, não iremos perder capacidade de crítica, de pensarmos por nós mesmos? Existe toda uma questão de ética, mais até do que invasão de privacidade, associada às plataformas digitais e acesso de dados. Essa sim é a principal questão. Andámos tão preocupados em proteger a nossa segurança online que nunca nos passou pela cabeça saber como é que os nossos dados eram ou não guardados e usados pelas redes.



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Monday, April 09, 2018

Influencer ou being Influenced?
April 09, 2018 6 Comments

É cada vez mais impensável hoje não vermos um mundo feito por e com base em redes sociais. A velocidade vertiginosa com que nos é bombardeada informação é cada vez mais rápida, e, sendo que nem sempre temos tempo para ler ao certo o que nos aparece pela frente, torna-se igualmente mais difícil fazer a filtragem necessária em separar o que é realmente útil do que é completamente irrelevante. Mais ainda, não nos bastava termos a vida exposta, sem querer ao início, agora porque quase se torna "obrigatório" mostrar o que vestimos, comemos, fazemos, lemos, e ainda termos de aprender os novos conceitos de blogger, youtuber, instagrammer, influencer
Quanto ao primeiro, há já mais duma década que existe. Uns duma forma mais ou menos publicitada, outros mais restritos ao espaço doméstico de familiares e amigos que liam alguns textos redigidos à laia de artigos de opinião, diários de vida, entre outros. Já os três últimos são claramente resultantes do efeito bola de neve que as redes sociais vieram trazer às nossas vidas. Um amigo faz um vídeo mais ou menos palerma, outra amiga mostra como se maquilha para diferentes ocasiões, outros tantos acabam por fazer vídeos de coaching (eu também não tenho bem a certeza do que é, mas acho que se trata de ensinar as pessoas a viver a vida de uma forma mais positiva e sustentável?) e lifestyle (estilo de vida mais optimista, geralmente sustentável, mas acima de tudo, que esteja na moda), que, agora sim, se aliam aos blogues e às páginas de Instagram que, outrora serviam como plataforma para os pioneiros do iPhone apresentarem bons trabalhos fotográficos. Não digo que com o boom dos/ das influencers isso não aconteça. Aliás, todo o conceito de influenciar alguém parte exactamente do pressuposto que as ideias, fotografias, estilo de vida, estão bem apresentados, sendo extremamente apelativos visualmente. E é aí que, para mim, o rótulo poderá mudar completamente. O que é realmente ser-se influencer? Contra mim falo. Tenho este canto há mais de 10 anos, tenho conta no IG há uns 4, e, "just for fun", iniciei com  o meu namorado, um segundo espaço, onde a ideia seria publicar fotos minhas (onde eu apareço), dele (onde ele aparece), dos locais onde vamos, do que fazemos, eventualmente do que eu visto, sabendo logo a priori que eu NÃO SOU NEM TENHO QUALQUER INTENÇÃO DE SER OU ESTAR A INFLUENCIAR ninguém. Simplesmente é mesmo pela piada. Porque além de ser (para mim/nós) apenas um hobby, claramente que nos dá algum prazer em conhecermos mais do nosso país - além do que já conhecíamos -, doutros países, espaços interessantes que podem ou não estar na moda, e com isso, poder também chamar a atenção de quem vê, ao que realmente interessa, fazendo e apresentando com isso o nosso ideal de fotografia (ambos temos páginas autónomas também, cada um com o seu registo fotográfico completamente distinto). Se por acaso eu colocar alguma fotografia online com um livro, revista, artigo, não é apenas para ficar bem esteticamente com a caneca de Mokambo, ou com as flores de plástico e computador do tempo do antigamente: é para que realmente o mesmo seja lido e se torne conhecido. Exemplo acima: na última edição da revista Vogue Portugal (que raramente ou quase nunca comprei porque nunca achei interessante os artigos), surgem apenas e só uns 4 textos (dos que vi entretanto) em que se fala, concretamente, no conceito de, tcharan, influencer. Mais uma vez, mas o que é isto? Não há muitos anos atrás, o influencer seria quem nos inspirava, a pessoa que tivesse deixado uma marca ou legado tão impactantes no mundo, que fossem dignos de terem igual impacto ou serem mais sugestivos nas nossas próprias vidas, fossem eles músicos, personalidades públicas, políticos, actores. Hoje em dia, e não querendo ofender absolutamente ninguém, será que poderemos considerar uma rapariga under-30 como influencer? E influenciadora de quê? Moda? Lifestyle? Experiências de vida? Como é que de repente o mundo virtual ficou pontilhado de estrelas em rápida ascensão cujo objectivo de vida é aparecerem em vários locais que estão na moda, partilharem 500 imagens de modelitos (que mais outras 500 irão comprar/copiar) catitas, e fazerem unboxings (isto é, abrirem os artigos que as marcas lhes começam a enviar apenas por uma questão de publicidade). O pior é saber que isto não lhes paga um ordenado, e até começaram a ganhar realmente alguma base financeira com a "brincadeira", é bem possível que gastem muito mais. 
No artigo acima da revista Vogue, a entrevistada foi uma das primeiras jovens a aparecer nos últimos 5 anos, com um blog e conta de IG. Foi uma das primeiras a ser apelidada de influencer, (um pouco como a Olivia Palermo, que também não sei o que faz na vida sem ser aparecer, simplesmente) faz parte da geração millenial (tal como eu, nascida em meados dos anos 80 e início dos 90, que, segundo consta, não tem tempo para nada, não se quer agarrar a nada, não tem paciência para nada, é tudo muito "depeche mode", e como tal, começam a vida muito mais tarde do que a geração acima de nós - que não dos nossos pais, mas possivelmente os nossos primos nascidos na década de 70, início de 80), e é a primeira a dizer que o conceito está um bocado overrated (ultrapassado), na medida que só serve mesmo para publicitar algo, ou, eventualmente, para te conseguir uma carreira a solo no mundo empresarial da moda, design, ou outros. Há quem tenha sorte, e há aquelas que já começam a sofrer a pressão dos mercados, abrido páginas de venda online de roupa para anunciarem a bancarrota poucos meses depois. Jovens esses e essas que gastaram fortunas a pensar que iria ter futuro, quando o futuro hoje já nem nos é garantido com o suposto "emprego estável" quanto mais com fogo fátuo que para muitas pessoas não passam de fait-divers, perdas de tempo. Volto a dizer que há casos e casos, há vontades e vontades, há hobbies. No meu caso especificamente é um hobby. Não tenho qualquer problema em assumir que gosto de me vestir bem, de me maquilhar, que tenho as minhas marcas preferidas. Contudo, e aí está o outro lado da moeda... até que ponto é que me posso deixar influenciar até deixar de ter a minha própria personalidade ou gosto pessoal? Será que ao copiarmos as peças de roupa que vemos, estamos a confluir para a perda de identidade pessoal (ou quase colectiva), ou simplesmente funciona da mesma forma como quando compramos uma revista de estilo? Outro dos artigos apresentados na edição, era referente à forma como o Pinterest tinha mudado o paradigma de design e decoração dos espaços - fossem casas particulares ou outros. E a verdade é que antigamente  quando se adquiriam produtos para uma casa (moveis, panos da loiça, talheres, camas, estantes, loiças, acessórios vários), era suposto serem para a vida. O enxoval. Aquela coisa muito antiga que as nossas avós e tias falavam. Hoje é tudo descartável. Ao ser mais barato, pode-se trocar mais facilmente, mas ao mesmo tempo, o ser mais barato implica que muitas vezes a qualidade seja bastante inferior, obrigando o consumidor em prazos cada vez mais curtos de tempo a trocar toda uma decoração que se pretenderia durar bem mais do que o previsto. Até que ponto somos influenciados em fazer essas mudanças? Será que o mundo está a ficar de tal ordem saturado de si mesmo que tenha perdido a noção de identidade, de gosto? Até que ponto podemos influenciar ou ser influenciados por outras pessoas? Mais ainda, até que ponto é que nós, todos, temos esse direito? 
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Wednesday, April 04, 2018

Sobre o "Melhor do Mundo"

Monday, March 19, 2018

Thursday, March 08, 2018

March 08, 20180 Comments
Para mim, o dia de 8 de Março é uma faca de dois gumes, um presente envenenado, envolto numa cobertura deliciosa de apreço e respeito pela Mulher, mas que quando se trinca, sabe logo a fel, tal é a hipocrisia com que é feito. 
O problema do 8 de Março não é ser o Dia Internacional da Mulher. O problema é que ao ser um dia para falar de um género, acaba-se por cometer muitos excessos de preferência, de críticas, de análises sociológico-políticas sobre o estatuto, sobre os direitos, sobre aquilo que uma Mulher é ou deixa de ser, só porque outros e outras assim o decidem.
O dia deveria servir para recordar aquelas, bravas, que fizeram frente às comunidades onde estavam inseridas e, dentro das quais morreram ou foram mortas. O dia deveria servir para comemorar essa bravura, essa Vida, que permitiu que outras, agora, tenham a hipótese de ter uma Voz. O problema é a forma como essa Voz é colocada e a mensagem que é transmitida. 
É imperioso perceber que em quase 20 anos de existência de internet de acesso livre no nosso país, e praticamente no mundo inteiro, existe todo um mundo de possibilidades em partilhar informação, em dar a cara às declarações, em realizar acções de protesto ou chamar a atenção a determinados temas e assuntos. Não posso contudo esquecer que para uma mulher casada votar foi preciso vir o 25 de Abril e para uma mulher poder ou não escolher se quer ter um filho ou não, temos de regressar somente uma meia dúzia de anos atrás, quando finalmente foi realizado um referendo em que estavas em causa "fetos" ou "amontoados de células", numa grande algazarra que mostrou em pleno que afinal as Feministas da altura não o eram tanto assim (não pelas suas ideias - eu sou feminista, mas não encaro o aborto como a resolução de um "ups" - mas sim pela forma como argumentaram com as outras que eram claramente contra o aborto, numa onda de "insultos religiosos" como se só isso fosse explicação para tudo). Mas não é isso que me irrita nesta hipocrisia. Irrita-me simplesmente o facto de haver mulheres que tentam atirar areia para os olhos achando que por fazermos barulho de fundo as coisas estão a mudar - não estão, de todo, caríssimos. Queremos de facto acreditar que os números das estatísticas estão em baixo, mas na verdade não estão e há fases em que até sobem mais. 
O que me irrita no dia 8 de Março é que invés de estarmos constantemente a falar do mesmo, daquilo que agora está na moda, de todos os hashtags possíveis e imaginários, do assédio sexual, deveríamos estar TODOS OS DIAS a educar Homens e Mulheres (principalmente também Mulheres) para serem feministas. É que o feminismo deveria ser de todos - de toda a Humanidade. O feminismo não é mais do que uma declaração de direitos humanos que o género DEVERIA ter. Uma questão tão simples como não sermos descriminadas no que toca a salários, por exemplo, ou posições hierárquicas. Podem até me vir contra que para posições de chefia são poucas as mulheres sequer a concorrer em termos de concursos internos nas empresas - sem dúvida. Mas também é certo que a maioria das empresas não quer uma mulher como directora ou CEO de nada com risco desta decidir ter filhos e passar "temporadas" fora, coisa que com um homem, certamente não acontece. Ou se acontece é numa dosagem muito menor. Tal como acho simplesmente ridículo alguns textos partilhados por plataformas como as Capazes, que se limitam a humilhar constantemente os homens, tentando com isso fazer uma vitimização generalizada do papel da mulher na sociedade e em casa (exemplo: a chatice que é termos de explicar 50 vezes como é que se coloca o programa e detergente na máquina de lavar roupa, como se por acaso, hoje em dia, muitas raparigas o soubessem fazer sequer. Eu sou o exemplo vivo de aos 34 anos, um forno para mim ser um bicho de outro mundo. Engomar roupa? Não sei o que é.), e com isso acabando por ridicularizar as mulheres também, porque se nós fazemos as coisas em casa e já não temos paciência, então é um deixa andar, uma rotina, uma tradição e, um dia, claro, eles sabem que não têm mesmo que se chatear com nada - coisa que, a meu ver, passa bem por uma educação que deve vir de berço, para menino como para menina. 
Falando de empregos, é como aquela questão que sempre coloquei, talvez nos últimos 5 anos, um pouco menos: porque é que vejo sempre as mulheres a saírem dos trabalhos mais cedo do que os homens em constante lufa lufa. E porque é que os homens chegam sempre ou quase mais tarde do trabalho? Se a maioria dos horários é igual, alguma coisa não está bem. Pergunto-me se não será pela máxima de, tal como a questão de uma mulher num lugar de topo não conseguir ser boa profissional como chefe de família, o homem, por ser homem, poder ficar até mais tarde porque tem "menos responsabilidades" em casa (ou no horário pós-laboral). Claro que isto não é regra. Em alguns casos que conheço quem sai primeiro vai buscar crianças (se as houver) à escola, trata de trabalhos de casa, banhos e jantares, seja ele ou ela. Mas se formos fazer uma estatística, que está tão em voga, vemos claramente que os números não enganam. Eles fazem menos. E nós fazemos sempre mais. Tudo mais. E não ganhamos mais por isso. Bem pelo contrário. A mesma premissa aplica-se à violência de género. Claro que nós, mulheres, quando damos uma de doidas, temos atitudes piores que eles, mas o certo é que por muita igualdade que queiramos, não poderemos nunca comparar a força física de um homem para uma mulher, logo, a balança inverte-se, e 90% dos casos são de violência de homens contra mulheres. Não é estar a dizer que são menos importantes, ou que não sejam vítimas, claro que também o são. Mas o importante seria educar para que não houvesse estatística nem balança sequer. Violência não! Ponto final! Abuso sexual não! Ponto final! Piropos, flirt? Não vamos começar a exagerar! E aqui há um grande exagero das novas feministas - como se flirt, sedução fossem minimamente comparáveis a assédio. E conseguimos perceber bem a diferença. 
Portanto, eu, como se pode constatar, tenho uma relação de amor-ódio a este dia. Mas não me bastava apenas dizer que o acho obsoleto. É que na verdade ele não é. Mas gostaria que num futuro, começasse apenas a ser celebrado pela memória e evocação às Mulheres primeiras que lutaram para e por desbravar num mundo de homens. Desde a Sara dos tempos bíblicos, até a todas e todos que hoje em dias não têm nem tabus, nem, para vencerem na vida, rebaixam e humilhem os seus e suas pares. 
(Anjo de Paula Rêgo, roubado à Anabela Mota Ribeiro)
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Wednesday, February 14, 2018

O Tempo e o Vento
February 14, 20180 Comments
Sim, estou a usurpar o título da saga de Érico Veríssimo para este texto. Mas não irei registar nenhum romance com este nome. 
Simplesmente faço a exultação do Tempo, que parece escorrer cada vez mais célere nas nossas vidas modernas, e das palavras que são proferidas e levadas em ondas sonoras por vibrações que não vemos, mas que podemos sentir. 
Hoje é uma daquelas datas mágicas. Escrevem-se milhares de reportagens sobre o assunto mais do que falado. Agora com a nuance de acrescentar que o namoro e o amor não seja, per si e afinal, a melhor coisa do Mundo - basta vermos os relatórios públicos sobre violência entre casais para fazer nisso acreditar, ou então perceber que o organismo humano pode, realmente, sofrer perturbações graves com exposto à dor da perda de alguém que se ama/amou/amava. 
Mas se calhar, hoje em dia, mais do que nunca, dever-se-ia escrever sobre o Amor/Tempo. Talvez há uns anos fosse mais simples manter o Amor, ou pelo menos, não seria tão fácil dispersar por outros mundos. Então, chegados à era em que o Amor também se quer rápido, quase como tudo o resto, tendo hora marcada em Outlook, porque a nossa agenda está mais do que ocupada com eventos laborais, sociais, familiares, pessoais até (porque no meio do caos precisamos de estar a sós para ouvirmos o rumor do Mundo), como é que este se mantém? Se consegue Amar?
Eu preciso de Tempo, eu preciso de tempo claro, óbvio, de começar de manhã e terminar à noite, de ter tempo para fazer coisas a dois, sem telemóveis, sem horas, sem olhar para o relógio. Mas o Tempo é mau (e estou em crer que os astrónomos concordam comigo quando digo que o tempo está a ser contabilizado mais rapidamente - e nem é apenas a quem tem sempre muito que fazer - eu noto mais até nos dias em que fico de pijama, em que só apetece fazer coisas que realmente gostamos nos nossos "tempos" livres - eu acho que os astrónomos não nos andam a contar a verdade toda sequer), o Tempo não perdoa, não quer saber se estamos ou não juntos, por quanto será, ou o que fazemos, se estamos a gostar ou não. É implacável quando tira. E ao mesmo tempo é amável quando dá, porque permite que fluamos na vida uns dos outros, que nos conheçamos, que possamos ser felizes, ainda que por breves instantes. 
Mais do que flores e mensagens, quero tempo. Tempo para dizer que Te Amo e deixar que as palavras cheguem ao fim do Universo, porque temos essa capacidade de transpor barreiras de som, mesmo que "lá fora" o som não se propague. Claro que propaga. As tais ondas. A tal relação que existe com o Tempo. Com todas as teorias de relatividade de espaço-tempo-luz. O Amor e o Som, deveriam ser incorporados em formulas matemáticas e assim aplicados ao mais básico ensinamento. 
Talvez as nossas vidas apressadas e cheias de coisas para fazer abrandassem. Talvez 1 ano equivalesse a 6. E não iríamos envelhecer. 
Talvez houvesse mais Tempo. 
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