Cláudia Paiva Silva

Monday, April 09, 2018

Influencer ou being Influenced?
April 09, 2018 6 Comments

É cada vez mais impensável hoje não vermos um mundo feito por e com base em redes sociais. A velocidade vertiginosa com que nos é bombardeada informação é cada vez mais rápida, e, sendo que nem sempre temos tempo para ler ao certo o que nos aparece pela frente, torna-se igualmente mais difícil fazer a filtragem necessária em separar o que é realmente útil do que é completamente irrelevante. Mais ainda, não nos bastava termos a vida exposta, sem querer ao início, agora porque quase se torna "obrigatório" mostrar o que vestimos, comemos, fazemos, lemos, e ainda termos de aprender os novos conceitos de blogger, youtuber, instagrammer, influencer
Quanto ao primeiro, há já mais duma década que existe. Uns duma forma mais ou menos publicitada, outros mais restritos ao espaço doméstico de familiares e amigos que liam alguns textos redigidos à laia de artigos de opinião, diários de vida, entre outros. Já os três últimos são claramente resultantes do efeito bola de neve que as redes sociais vieram trazer às nossas vidas. Um amigo faz um vídeo mais ou menos palerma, outra amiga mostra como se maquilha para diferentes ocasiões, outros tantos acabam por fazer vídeos de coaching (eu também não tenho bem a certeza do que é, mas acho que se trata de ensinar as pessoas a viver a vida de uma forma mais positiva e sustentável?) e lifestyle (estilo de vida mais optimista, geralmente sustentável, mas acima de tudo, que esteja na moda), que, agora sim, se aliam aos blogues e às páginas de Instagram que, outrora serviam como plataforma para os pioneiros do iPhone apresentarem bons trabalhos fotográficos. Não digo que com o boom dos/ das influencers isso não aconteça. Aliás, todo o conceito de influenciar alguém parte exactamente do pressuposto que as ideias, fotografias, estilo de vida, estão bem apresentados, sendo extremamente apelativos visualmente. E é aí que, para mim, o rótulo poderá mudar completamente. O que é realmente ser-se influencer? Contra mim falo. Tenho este canto há mais de 10 anos, tenho conta no IG há uns 4, e, "just for fun", iniciei com  o meu namorado, um segundo espaço, onde a ideia seria publicar fotos minhas (onde eu apareço), dele (onde ele aparece), dos locais onde vamos, do que fazemos, eventualmente do que eu visto, sabendo logo a priori que eu NÃO SOU NEM TENHO QUALQUER INTENÇÃO DE SER OU ESTAR A INFLUENCIAR ninguém. Simplesmente é mesmo pela piada. Porque além de ser (para mim/nós) apenas um hobby, claramente que nos dá algum prazer em conhecermos mais do nosso país - além do que já conhecíamos -, doutros países, espaços interessantes que podem ou não estar na moda, e com isso, poder também chamar a atenção de quem vê, ao que realmente interessa, fazendo e apresentando com isso o nosso ideal de fotografia (ambos temos páginas autónomas também, cada um com o seu registo fotográfico completamente distinto). Se por acaso eu colocar alguma fotografia online com um livro, revista, artigo, não é apenas para ficar bem esteticamente com a caneca de Mokambo, ou com as flores de plástico e computador do tempo do antigamente: é para que realmente o mesmo seja lido e se torne conhecido. Exemplo acima: na última edição da revista Vogue Portugal (que raramente ou quase nunca comprei porque nunca achei interessante os artigos), surgem apenas e só uns 4 textos (dos que vi entretanto) em que se fala, concretamente, no conceito de, tcharan, influencer. Mais uma vez, mas o que é isto? Não há muitos anos atrás, o influencer seria quem nos inspirava, a pessoa que tivesse deixado uma marca ou legado tão impactantes no mundo, que fossem dignos de terem igual impacto ou serem mais sugestivos nas nossas próprias vidas, fossem eles músicos, personalidades públicas, políticos, actores. Hoje em dia, e não querendo ofender absolutamente ninguém, será que poderemos considerar uma rapariga under-30 como influencer? E influenciadora de quê? Moda? Lifestyle? Experiências de vida? Como é que de repente o mundo virtual ficou pontilhado de estrelas em rápida ascensão cujo objectivo de vida é aparecerem em vários locais que estão na moda, partilharem 500 imagens de modelitos (que mais outras 500 irão comprar/copiar) catitas, e fazerem unboxings (isto é, abrirem os artigos que as marcas lhes começam a enviar apenas por uma questão de publicidade). O pior é saber que isto não lhes paga um ordenado, e até começaram a ganhar realmente alguma base financeira com a "brincadeira", é bem possível que gastem muito mais. 
No artigo acima da revista Vogue, a entrevistada foi uma das primeiras jovens a aparecer nos últimos 5 anos, com um blog e conta de IG. Foi uma das primeiras a ser apelidada de influencer, (um pouco como a Olivia Palermo, que também não sei o que faz na vida sem ser aparecer, simplesmente) faz parte da geração millenial (tal como eu, nascida em meados dos anos 80 e início dos 90, que, segundo consta, não tem tempo para nada, não se quer agarrar a nada, não tem paciência para nada, é tudo muito "depeche mode", e como tal, começam a vida muito mais tarde do que a geração acima de nós - que não dos nossos pais, mas possivelmente os nossos primos nascidos na década de 70, início de 80), e é a primeira a dizer que o conceito está um bocado overrated (ultrapassado), na medida que só serve mesmo para publicitar algo, ou, eventualmente, para te conseguir uma carreira a solo no mundo empresarial da moda, design, ou outros. Há quem tenha sorte, e há aquelas que já começam a sofrer a pressão dos mercados, abrido páginas de venda online de roupa para anunciarem a bancarrota poucos meses depois. Jovens esses e essas que gastaram fortunas a pensar que iria ter futuro, quando o futuro hoje já nem nos é garantido com o suposto "emprego estável" quanto mais com fogo fátuo que para muitas pessoas não passam de fait-divers, perdas de tempo. Volto a dizer que há casos e casos, há vontades e vontades, há hobbies. No meu caso especificamente é um hobby. Não tenho qualquer problema em assumir que gosto de me vestir bem, de me maquilhar, que tenho as minhas marcas preferidas. Contudo, e aí está o outro lado da moeda... até que ponto é que me posso deixar influenciar até deixar de ter a minha própria personalidade ou gosto pessoal? Será que ao copiarmos as peças de roupa que vemos, estamos a confluir para a perda de identidade pessoal (ou quase colectiva), ou simplesmente funciona da mesma forma como quando compramos uma revista de estilo? Outro dos artigos apresentados na edição, era referente à forma como o Pinterest tinha mudado o paradigma de design e decoração dos espaços - fossem casas particulares ou outros. E a verdade é que antigamente  quando se adquiriam produtos para uma casa (moveis, panos da loiça, talheres, camas, estantes, loiças, acessórios vários), era suposto serem para a vida. O enxoval. Aquela coisa muito antiga que as nossas avós e tias falavam. Hoje é tudo descartável. Ao ser mais barato, pode-se trocar mais facilmente, mas ao mesmo tempo, o ser mais barato implica que muitas vezes a qualidade seja bastante inferior, obrigando o consumidor em prazos cada vez mais curtos de tempo a trocar toda uma decoração que se pretenderia durar bem mais do que o previsto. Até que ponto somos influenciados em fazer essas mudanças? Será que o mundo está a ficar de tal ordem saturado de si mesmo que tenha perdido a noção de identidade, de gosto? Até que ponto podemos influenciar ou ser influenciados por outras pessoas? Mais ainda, até que ponto é que nós, todos, temos esse direito? 
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Wednesday, April 04, 2018

Sobre o "Melhor do Mundo"

Monday, March 19, 2018

Thursday, March 08, 2018

March 08, 20180 Comments
Para mim, o dia de 8 de Março é uma faca de dois gumes, um presente envenenado, envolto numa cobertura deliciosa de apreço e respeito pela Mulher, mas que quando se trinca, sabe logo a fel, tal é a hipocrisia com que é feito. 
O problema do 8 de Março não é ser o Dia Internacional da Mulher. O problema é que ao ser um dia para falar de um género, acaba-se por cometer muitos excessos de preferência, de críticas, de análises sociológico-políticas sobre o estatuto, sobre os direitos, sobre aquilo que uma Mulher é ou deixa de ser, só porque outros e outras assim o decidem.
O dia deveria servir para recordar aquelas, bravas, que fizeram frente às comunidades onde estavam inseridas e, dentro das quais morreram ou foram mortas. O dia deveria servir para comemorar essa bravura, essa Vida, que permitiu que outras, agora, tenham a hipótese de ter uma Voz. O problema é a forma como essa Voz é colocada e a mensagem que é transmitida. 
É imperioso perceber que em quase 20 anos de existência de internet de acesso livre no nosso país, e praticamente no mundo inteiro, existe todo um mundo de possibilidades em partilhar informação, em dar a cara às declarações, em realizar acções de protesto ou chamar a atenção a determinados temas e assuntos. Não posso contudo esquecer que para uma mulher casada votar foi preciso vir o 25 de Abril e para uma mulher poder ou não escolher se quer ter um filho ou não, temos de regressar somente uma meia dúzia de anos atrás, quando finalmente foi realizado um referendo em que estavas em causa "fetos" ou "amontoados de células", numa grande algazarra que mostrou em pleno que afinal as Feministas da altura não o eram tanto assim (não pelas suas ideias - eu sou feminista, mas não encaro o aborto como a resolução de um "ups" - mas sim pela forma como argumentaram com as outras que eram claramente contra o aborto, numa onda de "insultos religiosos" como se só isso fosse explicação para tudo). Mas não é isso que me irrita nesta hipocrisia. Irrita-me simplesmente o facto de haver mulheres que tentam atirar areia para os olhos achando que por fazermos barulho de fundo as coisas estão a mudar - não estão, de todo, caríssimos. Queremos de facto acreditar que os números das estatísticas estão em baixo, mas na verdade não estão e há fases em que até sobem mais. 
O que me irrita no dia 8 de Março é que invés de estarmos constantemente a falar do mesmo, daquilo que agora está na moda, de todos os hashtags possíveis e imaginários, do assédio sexual, deveríamos estar TODOS OS DIAS a educar Homens e Mulheres (principalmente também Mulheres) para serem feministas. É que o feminismo deveria ser de todos - de toda a Humanidade. O feminismo não é mais do que uma declaração de direitos humanos que o género DEVERIA ter. Uma questão tão simples como não sermos descriminadas no que toca a salários, por exemplo, ou posições hierárquicas. Podem até me vir contra que para posições de chefia são poucas as mulheres sequer a concorrer em termos de concursos internos nas empresas - sem dúvida. Mas também é certo que a maioria das empresas não quer uma mulher como directora ou CEO de nada com risco desta decidir ter filhos e passar "temporadas" fora, coisa que com um homem, certamente não acontece. Ou se acontece é numa dosagem muito menor. Tal como acho simplesmente ridículo alguns textos partilhados por plataformas como as Capazes, que se limitam a humilhar constantemente os homens, tentando com isso fazer uma vitimização generalizada do papel da mulher na sociedade e em casa (exemplo: a chatice que é termos de explicar 50 vezes como é que se coloca o programa e detergente na máquina de lavar roupa, como se por acaso, hoje em dia, muitas raparigas o soubessem fazer sequer. Eu sou o exemplo vivo de aos 34 anos, um forno para mim ser um bicho de outro mundo. Engomar roupa? Não sei o que é.), e com isso acabando por ridicularizar as mulheres também, porque se nós fazemos as coisas em casa e já não temos paciência, então é um deixa andar, uma rotina, uma tradição e, um dia, claro, eles sabem que não têm mesmo que se chatear com nada - coisa que, a meu ver, passa bem por uma educação que deve vir de berço, para menino como para menina. 
Falando de empregos, é como aquela questão que sempre coloquei, talvez nos últimos 5 anos, um pouco menos: porque é que vejo sempre as mulheres a saírem dos trabalhos mais cedo do que os homens em constante lufa lufa. E porque é que os homens chegam sempre ou quase mais tarde do trabalho? Se a maioria dos horários é igual, alguma coisa não está bem. Pergunto-me se não será pela máxima de, tal como a questão de uma mulher num lugar de topo não conseguir ser boa profissional como chefe de família, o homem, por ser homem, poder ficar até mais tarde porque tem "menos responsabilidades" em casa (ou no horário pós-laboral). Claro que isto não é regra. Em alguns casos que conheço quem sai primeiro vai buscar crianças (se as houver) à escola, trata de trabalhos de casa, banhos e jantares, seja ele ou ela. Mas se formos fazer uma estatística, que está tão em voga, vemos claramente que os números não enganam. Eles fazem menos. E nós fazemos sempre mais. Tudo mais. E não ganhamos mais por isso. Bem pelo contrário. A mesma premissa aplica-se à violência de género. Claro que nós, mulheres, quando damos uma de doidas, temos atitudes piores que eles, mas o certo é que por muita igualdade que queiramos, não poderemos nunca comparar a força física de um homem para uma mulher, logo, a balança inverte-se, e 90% dos casos são de violência de homens contra mulheres. Não é estar a dizer que são menos importantes, ou que não sejam vítimas, claro que também o são. Mas o importante seria educar para que não houvesse estatística nem balança sequer. Violência não! Ponto final! Abuso sexual não! Ponto final! Piropos, flirt? Não vamos começar a exagerar! E aqui há um grande exagero das novas feministas - como se flirt, sedução fossem minimamente comparáveis a assédio. E conseguimos perceber bem a diferença. 
Portanto, eu, como se pode constatar, tenho uma relação de amor-ódio a este dia. Mas não me bastava apenas dizer que o acho obsoleto. É que na verdade ele não é. Mas gostaria que num futuro, começasse apenas a ser celebrado pela memória e evocação às Mulheres primeiras que lutaram para e por desbravar num mundo de homens. Desde a Sara dos tempos bíblicos, até a todas e todos que hoje em dias não têm nem tabus, nem, para vencerem na vida, rebaixam e humilhem os seus e suas pares. 
(Anjo de Paula Rêgo, roubado à Anabela Mota Ribeiro)
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Wednesday, February 14, 2018

O Tempo e o Vento
February 14, 20180 Comments
Sim, estou a usurpar o título da saga de Érico Veríssimo para este texto. Mas não irei registar nenhum romance com este nome. 
Simplesmente faço a exultação do Tempo, que parece escorrer cada vez mais célere nas nossas vidas modernas, e das palavras que são proferidas e levadas em ondas sonoras por vibrações que não vemos, mas que podemos sentir. 
Hoje é uma daquelas datas mágicas. Escrevem-se milhares de reportagens sobre o assunto mais do que falado. Agora com a nuance de acrescentar que o namoro e o amor não seja, per si e afinal, a melhor coisa do Mundo - basta vermos os relatórios públicos sobre violência entre casais para fazer nisso acreditar, ou então perceber que o organismo humano pode, realmente, sofrer perturbações graves com exposto à dor da perda de alguém que se ama/amou/amava. 
Mas se calhar, hoje em dia, mais do que nunca, dever-se-ia escrever sobre o Amor/Tempo. Talvez há uns anos fosse mais simples manter o Amor, ou pelo menos, não seria tão fácil dispersar por outros mundos. Então, chegados à era em que o Amor também se quer rápido, quase como tudo o resto, tendo hora marcada em Outlook, porque a nossa agenda está mais do que ocupada com eventos laborais, sociais, familiares, pessoais até (porque no meio do caos precisamos de estar a sós para ouvirmos o rumor do Mundo), como é que este se mantém? Se consegue Amar?
Eu preciso de Tempo, eu preciso de tempo claro, óbvio, de começar de manhã e terminar à noite, de ter tempo para fazer coisas a dois, sem telemóveis, sem horas, sem olhar para o relógio. Mas o Tempo é mau (e estou em crer que os astrónomos concordam comigo quando digo que o tempo está a ser contabilizado mais rapidamente - e nem é apenas a quem tem sempre muito que fazer - eu noto mais até nos dias em que fico de pijama, em que só apetece fazer coisas que realmente gostamos nos nossos "tempos" livres - eu acho que os astrónomos não nos andam a contar a verdade toda sequer), o Tempo não perdoa, não quer saber se estamos ou não juntos, por quanto será, ou o que fazemos, se estamos a gostar ou não. É implacável quando tira. E ao mesmo tempo é amável quando dá, porque permite que fluamos na vida uns dos outros, que nos conheçamos, que possamos ser felizes, ainda que por breves instantes. 
Mais do que flores e mensagens, quero tempo. Tempo para dizer que Te Amo e deixar que as palavras cheguem ao fim do Universo, porque temos essa capacidade de transpor barreiras de som, mesmo que "lá fora" o som não se propague. Claro que propaga. As tais ondas. A tal relação que existe com o Tempo. Com todas as teorias de relatividade de espaço-tempo-luz. O Amor e o Som, deveriam ser incorporados em formulas matemáticas e assim aplicados ao mais básico ensinamento. 
Talvez as nossas vidas apressadas e cheias de coisas para fazer abrandassem. Talvez 1 ano equivalesse a 6. E não iríamos envelhecer. 
Talvez houvesse mais Tempo. 
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Saturday, January 20, 2018

Claudia e a Super Nanny
January 20, 20180 Comments
Até me custa a acreditar que só vou escrever sobre este assunto passada uma semana. Noutras alturas seria na hora, de cabeça quente. Mas, esperei, respirei fundo, li tudo o que foi dito e escrito. Ao longo de uma semana!
Pois bem, aqui vai: eu acho que o programa deve continuar. Simplesmente tapando a cara das crianças em causa, referidas em cada episódio. Pensei muito sobre tudo o que foi mencionado, sobre as críticas, sobre as ameaças. E de uma forma simples e directa digo que o programa apenas mostra a cada vez mais real vida entre pais e filhos. Pais que não são negligentes, que não compram os filhos com presentes todos os dias só para terem paz e sossego, mas sim pais trabalhadores, de classe média ou média baixa, que têm de lidar com crianças hiperactivas (fruto da constante necessidade que a  sociedade tem em criar actividades extra curriculares de forma a desenvolver o intelecto e o físico das crianças), que se tornam mal educadas, que sofrem influências externas, dos colegas de escola, de casos de violência que vão observando e absorvendo fora de casa. 

Isto é o que me apraz dizer de forma realmente muito sucinta, uma vez que poderia escorrer capítulos inteiros de psicologia infantil invertida. 

Claro que na segunda feira a seguir ao programa pensei que aquela menina iria ser muito provavelmente vítima de maus tratos dos colegas, dos professores, dos vizinhos. Mas acima de tudo percebi que aquele programa, a forma como às tantas me agarrou, não deixava de ser um reality show, puro vouyerismo, ainda para mais com meandros naquela história que passavam muito mais para além da criança. Aspectos familiares entre a mãe e a avó que nem nos chegaram a ser apresentados. De qualquer forma, aquilo era real. A presença de uma psicóloga e a continuação de uma terapia de acompanhamento - que eu sei que está a acontecer neste mesmo momento -, são essenciais para estes casos, e sem dúvida que é uma mais valia a todos os progenitores que se vêem nas mesmas circunstâncias. 
Mesmo assim, e continuo a insistir, tudo pode ter o seu limite, o seu filtro. E no caso, bastaria tapar a cara das crianças, porque para piorar tudo, eu continuo com a imagem daquela garota na cabeça. 
Da mesma forma que digo que o programa deve continuar, também acho muito feio que os pais ganhem dinheiro com isto. Porque isso sim, é uma violação aos direitos dos filhos. Fazerem render um problema que é importante e que se pode tornar grave com o passar do tempo não é bonito. E aí nem sei se será um problema da produtora (SIC) ou dos próprios adultos. 

Não, nada aqui é linear. Mas é importante partilhar o que se passa. 


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Tuesday, November 07, 2017

WebSummit e a Geração Unicórnio
November 07, 20170 Comments
Realmente existem imensas formas de Marketing e Publicidade, mas um dos seus melhores exemplos e produtos é, sem dúvida o WebSummit (e o Rock in Rio, Alive e outros mega eventos que esgotam muitas vezes ainda antes de se saber o cartaz na sua totalidade). O problema do WebSummit é exactamente a sua fatal falácia em que todos parecem acreditar: qualquer empresa irá conseguir desenvolver os seus projectos no futuro a curto/médio prazo, garantindo lucros. A ideia claro que não é cortar as asas de ninguém - é excelente ter sonhos e objetivos, mas que sejam palpáveis, que tenham realmente um "purpose" e claro, que sejam aplicáveis. A metáfora do unicórnio é perfeita - estamos perante a geração unicórnio, a que acha que o futuro passa exclusivamente por projectos rápido, fast information, que requeiram algum trabalho, mas não muito, e que tenham uma projecção social incrível. Nem sempre assim acontece, e de acordo com as estatísticas são muito superiores as quedas (ou quase sempre).


A taxa de sucesso das start-ups é de 2% e não 1% (10% se citarmos ao The Guardian para uma estimativa internacional)... mas em todo o caso é como comparar tentar encontrar um palito numa sala de 30 metros quadrados ou num campo de trigo de 30 hectares... são coisas diferentes. Nem todas as start ups estão destinadas a vingar no mercado e nem todas as empresas têm pessoas à frente com capacidade e visão para as sustentar a longo prazo... a Websummit vende sonhos é verdade. Mas ninguém está lá (acho eu) para fazer negócio hoje. As pessoas estão para fazer networking e benchmarking, o que nem sempre é compreensível aos próprios participantes.







Não seria melhor investirmos nas "antigas" TedTalks? Eu acho esse conceito (ainda) muito bom, e igualmente influenciador de massas (trend and mind setter).
Quanto ao voluntariado - chama-se mesmo voluntariado por isso! Quem se inscreve sabe que não vai ganhar nada a não ser más refeições, horas e horas de confusão (como pelos vistos está a acontecer neste momento - não há badges suficientes para o número de voluntários), e muitas ressacas - o público alvo é cada vez mais jovem e, como tal, irá certamente aproveitar a noite lisboeta (apenas não no Urban, porque encerrou e já foi tarde!)
"(...)a suprema honra de ser escolhido, entre nove mil candidatos, para ser um dos 500 voluntários no maravilhoso sarau. Definição de voluntário: trabalhar à borla durante 18 horas num evento onde a entrada normal custa 1500 euros."
"E, segundo o Expresso, o número de startups criadas em Portugal em 2017, após o enorme sucesso da primeira Web Summit, diminuiu. Isso mesmo: diminuiu. Parece que há muita oferta de trabalho e as pessoas preferem a segurança de um bom emprego à insegurança de um novo negócio."





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Wednesday, November 01, 2017

Harvey Weinstein vs. Kevin Spacey ou como se destroem carreiras.
November 01, 20171 Comments
Que todos sabemos a fama menos boa que as actrizes (e actores) têm desde os tempos do antigamente, lá isso sabemos. O que eventualmente me choca no meio destes escândalos todos é que de repente todos e mais alguns parecem ter sido vítimas indefesos de predadores sexuais super activos em Hollywood e quiçá, noutros meios artísticos de outros países. 
Harvey Weinstein, embora produtor da maioria dos grandes filmes dos últimos 30 anos, é simplesmente um ser asqueroso - não obstante eu acreditar que haja quem abra as pernas propositadamente para chegar ao topo, também sei que existe uma grande maioria silenciosa, que enfrentou com coragem, todo e qualquer tipo de tentativa de agressão sexual. Mas a verdade é que não se pode dizer que sejam todos seres inocentes que não sabiam ao que iam. A Annabela Sciorra só agora (quase 25 anos depois) é que se lembrou, por exemplo, de fazer queixa, porque, nas palavras da própria, quem é que iria acreditar numa mulher que sim, tinha aberto a porta a um homem a altas horas da manhã? 
Mas agora ao que realmente me lixa: o Kevin Spacey. Acho que todos sabíamos ou desconfiávamos que ele fosse gay (ou bissexual). Não é aí que recorre qualquer problema. Que a comunidade gay fosse sexualmente activa durante os idos anos 70 e 80, também é de conhecimento público. Que infelizmente se associe a homossexualidade a comportamentos de abuso sexual a menores, também é do conhecimento recorrente - e é errado, porque na maioria das vezes é apenas a desculpa usada para encobrir casos e casos de violações realizados por homens e mulheres. Que um actor de 46 anos, que é abertamente homossexual venha agora perder a vergonha e acusar publicamente Kevin Spacey de o ter tentado violar há mais de 30 anos atrás, é simplesmente mesquinho. Porque não antes? Não refere que tenha sido ameaçado sequer, simplesmente, agora, porque todos estão a contar as suas "histórias", ele resolve também contar - ok, não foi bonito, mas, alguém honestamente acredita que um puto de 16 anos vá parar por engano a um quarto de um hotel numa festa de Hollywood? Sozinho? Só porque estava cansado e queria dormir? E não não estava acompanhado por pais, parentes, agentes? Não me enfia o gorro. A partir de certa idade só é Lobo quem lhe veste mesmo a pele. E porque não acusá-lo no auge da sua carreira, quando ganhou o Óscar de melhor actor? Ou quando começou a fazer imensas peças de teatro? Ou quando começou a ser nomeado anos e anos a fio pela série House of Cards (que entretanto e estupidamente foi cancelada)?? 
Há uns meses atrás uma série de actores foi igualmente acusada de assédio pela parte das colegas: desde Robert de Niro, passando por Nicholson, até ao Fassebender, nada nem nenhum escapou. Era como se de repente todos os actores conhecidos fossem uns predadores sexuais que fosse preciso afastar desta terra e da outra.
Portanto digam o que quiserem, mas isto, agora, contra o Spacey, é apenas um pretexto, uma ponta de um iceberg enorme ou então apenas e só maldade de alguém que quer os seus 15 minutos de fama - mas que também pode com isto dar-se muito mal. Veremos. 




Eu, por exemplo, não acredito que nunca nenhuma de nós, por exemplo, tenhamos sido aludidas a determinadas acções: de um padre confessor, de um vizinho, do tio solteiro que gostava muito de crianças, de um professor na universidade, de um colega de trabalho ou superior hierárquico. O que nos define nem é a forma como encaramos ou nos vergamos por medo ou se os deixamos apenas com as calças na mão. Mas sim quando fazemos a queixa - se alguém acredita ou não isso logo se vê. Mas a ideia é logo apontar o dedo, mostrar que está errado. Claro que é mais fácil, por princípio, quando somos adultas. No meu caso não seria aos 8 anos de idade que poderia ter contado fosse o que fosse que me foi proposto - nomeadamente pela vergonha e por achar que eu é que poderia ter feito algo errado. 
Contudo, não nos podemos comparar com homens e mulheres que ganham milhões, com gente que por ser quem é, por ter a exposição mediática que têm, podem e devem falar e condenar. Mas não passados anos, não por moda, não por simpatia ou empatia. Mas porque se sentem realmente mal, porque o trauma é forte demais. Porque eu penso que, se fosse comigo, se eu fosse vítima, se me tivesse calado, não conseguiria nunca continuar numa profissão destas, nunca conseguiria passar por vários filmes, papéis, contracenado com actores, actrizes, certamente compactuantes com tudo o que se passa. Ou seja, não podem realmente ser tão inocentes assim não é? Ou serão? 

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Monday, October 30, 2017

Das chamadas futilidades nas redes sociais
October 30, 2017 3 Comments
Embora já passem mesmo muitos anos desde que comecei a escrever online, primeiro no mundo Blogger, depois no Facebook (e neste, de uma forma mais frontal, bruta, muitíssimo mais pessoal, uma vez que estou a redigir textos de opinião para um “grupo restrito de perto de 300 pessoas”), a verdade é que aqui, publicamente, poucas foram as vezes em que consegui escrever exactamente o que queria, pôr o dedo na ferida, assumir publicamente alguma bandeira, mesmo que pudesse chocar os (cada vez menos) leitores.
Posso ter dado alguns toques na questão da homossexualidade, nos direitos das mulheres, no que este ou aquele partido, quando Governo, faz ou deixa de fazer. Mas é tudo muito ao de leve – primeiro porque os textos querem-se curtos para consumo rápido, depois porque cada vez há menos gente ainda com paciência (e tempo) para ler e apreender. E apreender sem precisar de julgar – porque todos somos comentadores de sofá, ou de computador, portanto todos temos direito a opiniões mais ou menos exacerbadas.
Isto tudo para quê? Porque nos últimos meses, enquanto algumas pessoas que se acham realmente importantes no seu mundinho, deixaram sequer de me falar (quando antes se diziam grandes amigas), outras tantas, bem mais interessantes, têm surgido como cogumelos (e sim, há os venenosos e não venenosos, mas às tantas conseguimos distingui-los bem). Podia estar aqui a descrever cada uma dessas pessoas (na sua grande maioria Mulheres, dentro da minha faixa etária), mas então prefiro deixar a lista para outra publicação.
Uma dessas pessoas interessantes dá pelo nome de Helena Magalhães, escritora (ou pseudoescritora como outras mulheres com m, a ela se referem), 31 anos (mais nova que eu 2, portanto), mas com uma capacidade, obviamente, de escrita, de elocução, de, lá está, ter os ditos no sítio para escrever sem temer ser mal ou bem interpretada, colocar os pontos dos i’s e estar-se a marimbar para o que os outros pensam. E isso é de louvar hoje em dia, em que a Mulher estar cada vez mais na mira de toda a gente – não tanto por homens, mas acima de tudo por elementos do género feminino.
Li hoje dois artigos dela (ou publicações no blog) que podiam ter sido escritos por mim – e irei escrever algo sobre isso, mas não daquela forma, porque quem me conhece sabe que sou muito radical nas minhas palavras – sobre a capacidade que nós, mulheres, temos em ser umas cabras. Porque a verdade é essa minhas caras (e caros), nós somos realmente más, não só para os homens (isso dá um texto lindo que me atirará para as chamas da inquisição neo-feminista) mas acima de tudo contra nós próprias, umas contra as outras, em definições e conceitos de malvadez e maledicência que só me trazem à ideia uma única justificação: inveja devido a vidas frustradas e objectivos inalcançados. Não justifica apenas sermos, desde que começamos a escola, a ser comparadas com as filhas das outras mães, filhas das colegas das mães, e mais tarde, com o nosso grau de aprendizagem (=inteligência), quando começamos a ler bem, a falar bem, a contar bem “ai que a minha filha/ neta já faz contas como se andasse no liceu”, às tantas, se temos melhores notas, se vamos ou não para Medicina ou Direito sermos doutoras “coitadinha, a Lena, perdeu o 12º ano, pudera, também com aquele exemplo de mãe que ela tem em casa – e o pai coitado, também não deve muito à inteligência” (embora até possam ambos ser engenheiros), e claro, às tantas, aquelas perguntas óbvias que se colocam como: já acabaste o curso? Já estás a trabalhar? Já tens namorado? Agora tens de assentar (= casar e ter filhos após curso feito e (qualquer) trabalho/emprego posto).
A pressão ao longo da nossa vida até aqui (casa dos 30’s) é enorme. Mas o futuro não é mais brilhante. Como tal, e visto que hoje em dia, em 2017, vivemos num mundo de aparências, resultante de uma educação determinada quase constantemente pelas referências de internet (que há 10 anos nem existiam desta forma), e nenhumas por pais e educadores (não me refiro a professores, porque esses não podem fazer o trabalho de quem nos deu à luz – e aqui entenda-se pai e mãe), não é de estranhar que haja cada vez mais uma proliferação de mulheres que querem ter tudo a mais, e serem mais do que a do lado. Não posso, nem podemos levar a mal. Tudo até agora tem sido feito nesse sentido. Uma constante pressão da sociedade, da família, aliada a centenas de páginas sociais e revistas supostamente feitas por e para Mulheres, que na verdade não ajudam à festa.
Da mesma forma, temos agora um flagelo a meu ver ainda mais perigoso, que é a radicalização do Feminismo. Peço desculpa, mas não é queimar soutiens enquanto fumamos charros que vamos conseguir seja o que for, da mesma forma que não será com pelos no sovaco ou depilação por fazer nas pernas – isso não é feminismo – isso é estupidez. Mesmo que venham evocar que os conceitos de beleza são uma imposição das sociedades ao longos das últimas décadas, eu digo que existe uma diferença GRANDE entre sermos Barbies, com corpos perfeitos, e sermos femininas e acima de tudo termos o mínimo de higiene pessoal. O que é que me traz de bom se eu me vestir como um homem ou ter comportamentos como um homem? O que me traz de bom eu andar a evocar aos 7 ventos que os homens devem começar a fazer a lida doméstica e nós é que temos direito a estar sentadas no sofá? Isso são estereótipos bacocos, mas sim, que infelizmente ainda acontecem – e tenho a sensação que vão recomeçar a acontecer ainda mais.
Existe uma expert do assunto a escrever TODOS OS DIAS no Expresso, chamada Paula Cosme Damião. A moça assusta-me. Não me parece que seja feminista, feminina, ou qualquer coisa a favor das mulheres, embora esteja sempre a tentar “defender-nos”. Assusta-me porque os textos delas, às tantas, roçam um ódio profundo aos homens, como se fossem a pior coisa à face da Terra, mas também a algumas mulheres, nomeadamente àquelas que procuram, dentro do seu feminismo, serem femininas. Uma das lutas das neo-feministas é exactamente isto: uma mulher feminista não anda de salto alto, mini saia, ou batom vermelho, porque está a sexualizar-se perante a sociedade e isso vai contra o que se pretende. Pois bem, na minha modesta opinião, a Mulher hoje em dia, além de poder e dever ter os mesmos direitos e oportunidades que um Homem, pode e deve fazê-lo sem se tornar masculina, sem ter de para isso, esconder a sua sexualidade ou sensualidade ou simplesmente, o facto de ser feminina. E é aí que passa também a cisão entre as Mulheres e o facto de dizermos mal umas das outras.
Para terminar, deixo-vos a parte da citação do juiz desembargador Neto de Moura, cujas palavras que se seguem não estarão completamente erradas no que toca ao conteúdo “O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) (…)". I rest my case.


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Monday, October 16, 2017

Incêndios e palavras incendiárias.
October 16, 20170 Comments
Após os discursos desta noite não restam dúvidas: António Costa e a Administração Interna estiveram muito mal, uma vez mais. Antes tinha sido por falta de organização, experiência nestas situações, uma série de (desculpas) factores que podem ter contribuído para uma imensa catástrofe humana e natural. Desta vez não. Não podemos aceitar que as palavras hoje proferidas sejam exactamente as mesmas que há 4 meses atrás - numa nova desculpabilização. Em Junho foi o calor e um raio (que afinal foi um cabo de alta tensão), e falhas na comunicação que acontecem mesmo quando não ocorrem incêndios. Ontem foram as temperaturas anómalas para a época, terras secas, e falta de chuva. Ou seja, as medidas de prevenção que deveriam ter sido implementadas, e que não o foram, não interessam - porque o relatório de há 4 meses curiosamente só ante ontem é que tinha sido apresentado -, pelo que, só agora é que, a sério, temos de olhar de outra forma para (o que resta) a floresta nacional. Contudo, para não estar a repetir o que escrevi na última publicação, o que me irrita ainda mais é a politização que se dá a isto tudo. Como se o governo X ou Y fossem culpados por alguma coisa. Todos são culpados. Não é por eu achar a MAI uma inútil que não está a fazer lá nada que seja de direita ou do PSD ou do CDS ou contra o PS. Não haja dúvidas que muitas palavras irão ser ditas e muitas atitudes tomadas - resta saber se os portugueses serão realmente inteligentes para saberem separar o trigo do resto, e perceber que o Mário Centeno não é o António Costa. E que o dinheiro a mais não é tudo na vida, quando a Vida nos é roubada pelo fogo. 
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Portugal de Culpas Parte 2
October 16, 20170 Comments
Tal como disse a outra, quase dá vontade de rir. Por vezes pensava que deveria regressar ao blogue, escrever as palhaçadas das minhas mini férias, mostrar fotos de outras paragens. Mas não. Por alguma razão, assim não aconteceu - e hoje percebe-se porquê. 
4 meses depois, exactamente 4 meses depois dos imensos incêndios que ceifaram 64 vidas, novamente outros tantos, de forma implacável, mas desta vez com mão criminosa mais do que vista e comprovada, até agora contabilizando 36 mortos, 16 feridos graves, e outros tantos (mais) ligeiros. O que se aprendeu em 4 meses? Nada. O Governo nada aprendeu. Activaram-se mecanismos de apoio e estados de calamidade. E talvez, TALVEZ, tenha ocorrido uma melhor coordenação de meios, dentro do que o caos permitia. Porque sim, a floresta continua desgovernada, porque as matas continuaram por limpar, porque continua a dar jeito termos eucaliptos e pinheiros para a indústria da celulose. Não houve, portanto, desta vez, uma possível ignição natural (como da outra vez, um potencial raio, que afinal, de acordo com o relatório de análise à prevenção e combate a incêndios florestais, não foi nada um raio - e foram precisos 4 meses para apresentarem os resultados), com excepção do calor extremo que se fez sentir, igualmente e ironicamente até hoje, num Outubro atípico. Houve sim uma total desresponsabilização do Estado. Um Primeiro Ministro que diz apenas, como que encolhendo os ombros, "isto vai voltar a acontecer" como se fosse a coisa mais natural do mundo. Agora mesmo, em directo, a dizer que "agora sim, vão aplicar uma reforma na floresta". Agora sim?? Agora sim??? Fora a frase que fica na história: "o governo não tem uma varinha mágica para resolver estes problemas e a população tem de estar preparada para mais eventos assim". Já deveria ter sido feito. Já deveriam ter sido empregues as medidas de prevenção - não achando apenas que o que lá foi, lá foi e que não voltaria afinal, a acontecer. Aplicar medidas?? Já deveriam ter sido aplicadas há muito. Não interessa se estamos num governo de esquerda ou direita ou centro. É simplesmente um falhanço total do Governo. E uma vergonha para todos nós que continuamos a votar neles (todos), sabendo que nunca nada muda. 
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