Cláudia Paiva Silva

Monday, July 06, 2015

Noites mágicas. Sintra.
Para a Grécia, com amor...
July 06, 20150 Comments
Não nos façamos de tontos.  Este referendo foi apenas simbólico. Uma tentativa de mostrar aos restantes estados membros da moeda única que as coisas devem ser feitas sempre com o apoio do Povo. O Povo, esse que supostamente, mais ordena. Em Portugal não houve qualquer referendo para saber se queríamos um pacote de medidas de ajuda (austeras) para podermos começar a pagar uma dívida astronómica para com aqueles que nos emprestaram dinheiro (e roubaram com isso toda a nossa indústria). Mas não vale a pena estar a discutir o passado. O importante é que começámos a pagar (e bem) e no entanto ainda cá estamos, mesmo com cortes, mesmo com salários congelados, ainda conseguimos ter dinheiro para pagar alguma comida, alguns medicamentos, alguns exames médicos e consultas. Ainda não estamos totalmente falidos. Ainda vamos sobrevivendo.
Na Grécia isso não acontece. Os bancos não têm mais dinheiro. As pessoas não têm empregos e para piorar, a forma como vemos um grego é praticamente verdadeira: um bocadinho para o aldrabão, como eles próprios admitem. 
Daí que não em espanta nada que Varoufakis tenha pedido demissão do cargo mesmo com a esmagadora vitória do Não - ele que disse que se demitiria ("prefiro cortar um braço...") caso vencesse o Sim. É que ele sabe (e nós também) que não há outra solução para a Grécia a não ser ceder perante a União Europeia. O Não ter ganho é realmente simbólico e importante - o povo grego, democraticamente, fez História. Fez um STOP à Europa -, contudo não é assim que os bancos irão reabrir amanhã. Não é assim que vai haver crescimento económico, criação de empregos. Se às medidas que a UE poderá impôr á Grécia durante o impasse do Grexit ou não-Grexit, juntarmos a possível saída do EURO, estamos tramados - os mercados financeiros já estão a ceder e a banca de Lisboa é logo das primeiras a dar sinal. Aflige-me as repercussões que esta atitude grega possa ter em nós. Nós Portugueses porque honestamente com o mal dos outros países posso eu bem, e já se viu que uma Espanha e uma Itália, por pior situação que estejam em relação a nós, parecem ter sempre as costas quentes. 
Que a Grécia tenha demorado 15 anos a "bater o pé" à UE é apenas de lamentar - vem agora um governo de esquerda, que não tem nenhum partido que lhe faça oposição, brincar às birras e com a vida das pessoas. Ontem estava o Daniel Oliveira preocupado com a esquerda e a direita.. ele deveria era estar preocupado com as pessoas. Vidas Humanas que devem querer lá saber se é a Esquerda ou a Direita. O que querem é poder sobreviver. 
Não tenho nada em favor ou contra a Grécia - enquanto país nunca me fascinou, com excepção de Salónica (e por motivos Históricos não-recentes). A única coisa que peço é: não nos lixem a nós também, já que não souberam fazer o mínimo dos trabalhos de casa ao longo dos últimos tempos. 
Vejam lá então se fazem o que todos esperam: um acordo que não vos mate, mas esfole - é que isso toca a todos! 

PS - Segundo o gráfico abaixo, a Grécia é sem dúvida o país com maior dívida pública - ainda assim há países que embora não estejam nestas mesmas condições financeiras, estão a passar por momentos mais difíceis, quer pelo valor dos salários, pensões e reformas ser mais baixo, quer pelos impostos serem mais elevados. 


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Tuesday, June 16, 2015

June 16, 20150 Comments
Não há título. Não há nada. Apenas palavras. Nem sons. Apenas escrita. Acelerações do coração, calafrios na espinha, estômago em reviravolta.
Tudo aquilo em que eu firmemente acreditava (será que não acredito ainda?) está a ser derrubado. Uma sensação completamente estranha e diferente: porque é assustadora. Pela primeira vez em muito tempo tenho medo por mim. Tenho medo real de me perder, de vir a sofrer a sério - até porque desta vez gostaria de saber fazer tudo perfeitinho. Já me magoei antes, por amigos, devido a mal-entendidos, por ter sido influenciada negativamente e não ter aguentado mais, mas desta vez é na pele. Aquela previsão estúpida que nos atravessa a alma que quando terminar vai doer até mais não e nos iremos novamente fechar ao mundo. No mundo. 
Eu não sei ser amada, palavra de honra que não. Sei o que é ter amigos que me aturam e gostam de mim por essa mesma razão, sei o que é sentir-me desejada num ponto de vista puramente físico, mas que alguém, ainda por cima inteligente e jovem, possa nutrir qualquer sentimento mais puro por mim, é-me simplesmente surreal. E eu sempre fugi disso - eu sei é ser amiga, grande amiga, aparar os golpes, fazer triplos saltos e aterrar em pé, nem sempre em equilíbrio, mas isto, isto é um assombro. É desconhecido para mim e faz-me sentir literalmente aterrorizada. 
Pessoas, é isso: eu estou aterrorizada. A simples ideia de ser beijada ou acariciada deixa-me em estado de alerta geral. Tento ficar o mais "cool" possível, afinal já tenho 31 (!!!) anos, e até já tenho a carta de condução (finalmente e às primeiras!!). Mas no que toca a Amor, Amor à séria, finalmente correspondido, não sei o que fazer. Não me sinto capaz, sinto-me tola e tonta e brutalmente estupidificada com a minha tolice. Tenho medo primeiro que eu fuja, depois que ele fuja e que finalmente tudo acabe tão rapidamente como começou. Pondero a situação de não estar psicologicamente preparada para um relacionamento, mas o pior é que se até há uns meses atrás, a ideia era "curtir" - e acreditem que nunca passou dessa ideia -, agora o que eu quero é estabilidade, paz, tranquilidade, sentir-me simplesmente em calmaria e aquilo que eu sinto é aquela instabilidade toda associada ao mais bonito dos sentimentos humanos. 
Amar não é bonito. Nem simples: dá trabalho e mete medo. Muito medo mesmo. 
A minha única questão é se ele tem medo também ou se simplesmente me vai abraçar até o meu medo passar.. 
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Monday, June 15, 2015

Há coisas que não se explicam. Acontecem. Simples.
Das amizades e afins
June 15, 20150 Comments
Lá vou eu falar de amizade, dos amigos para a vida, dos ciclos, das entradas e saídas da vida das pessoas, do nosso papel na vida dos outros, etc..
Não precisaria de estar constantemente a mencionar isto, mas a verdade é que são estas pessoas que, num círculo cada vez mais restrito em número, mas abrangente de conhecimento, me vão puxando para cima, me fazem ter forças para coisas mais complicadas, me levam a descomplicar outras mais banais, me fazem colocar em perspectiva a minha forma de estar e alertam para as minhas pisadelas de risco.
Há coisa de três meses, se tanto (time flies baby, e se eu me perco nas horas, imaginem então nos dias e semanas), conheci mais uma menina que poderá com o tempo, ser considerada daquelas especiais que irão permanecer durante muitos anos.
Tudo começou com uma revista. Comprei a Umbigo quando percebi que o tema seria sobre Fotografia. Ao ver uma série de nomes que eu reconheço (e conheço) acabei por comprá-la, e foi numa viagem ao Algarve que acabei por ler a entrevista à Ana Morais (ou Anita dos 7 Ofícios). Fiquei siderada. Uma miúda, porque o é, de Mirandela, ter largado a terra natal e ponto de segurança, lançando-se no mundo com uma força daquelas poderosas, que conseguem fazer tudo. 
Apanhei-a no Instagram, trocámos umas mensagens, acabámos por nos conhecer pessoalmente. Mulher do Norte, sem papas na língua, uma tipa que aos 29 anos sabe o que quer da vida - e quer tanto, mas tanto mais, que me deixa a um canto em termos de acção/ reacção.
Talvez porque ainda esteja a tentar singrar no mundo que realmente gosta, talvez porque não seja fácil conciliar trabalho com os estudos de mestrado, talvez porque organize e participe em workshops de fotografia que valem realmente a pena, a Ana é daquelas pessoas incríveis porque são muito completas e não têm medo de aprender mais. 
E eu gosto de pessoas assim - que não têm medo de arriscar, mesmo que o risco possa ser elevado, que lutam pelo que querem, mas principalmente porque durante esse processo de aprendizagem não se armam em vedetas (e a Ana se quisesse poderia ser assim porque já vai sendo reconhecida pelas ruas da capital), nem tentam chegar ao topo pisando outras pessoas - e há tanta gente que pisa, mas também outros tantos que merecem ser pisados. Contudo, para esses casos, o karma encarregar-se-á de dar a devida resposta.
Para e quanto à Ana é só o que me ocorre dizer, uma pessoa nova na minha vida e que me vai ensinando a perder medos, a ganhar outras confianças, que me inspira (e não apenas que me influência), que tem um sentido de estilo extremamente cool, que é reservada, que sabe estar no seu espaço e preservá-lo tanto como sabe abrir os seus muros e deixar as pessoas lá entrarem. 
É uma garota especial, no final do dia. E que eu acho que todos e todas deveriam conhecer porque o mundo é feito de gente honesta, real, divertida e responsável. Pão, pão, queijo, queijo. Que sabe criticar sem ofender, construtivamente, sem invejas ou falsas intenções. 
A Ana é assim... 

Foto: Luís Octávio Costa (@kitato)




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Tuesday, May 26, 2015

El camiño se hace camiñando. Parte 50 mil!
May 26, 20150 Comments
Isto de se tomarem as rédeas de eventos incomuns que podem não chamar muito a atenção das pessoas que se querem participantes activas, tem imenso que se lhe diga! Ainda assim, no meio de congressos, apresentações, discussões técnicas sobre geoquímica e calhauzada, consegui arranjar espaço para organizar e estar a coordenar o evento de Escrita Criativa Writing Wallpeople para o próximo dia 6 Junho, no Largo São Carlos, em pleno coração da cidade de Lisboa.

Posso dizer que até foi fácil conseguir os nomes ilustres que deram origem às que vão ser as nossas histórias, mas na verdade foi uma questão de sorte. Podia ter tido o azar das pessoas não quererem colaborar, ou não estarem disponíveis para isso.

Contudo, o brilhante Vicente Alves do Ó, o Herman José (sim, pelo amor de Deus, o HERMAN!!!) e a queridíssima Ana Paula Almeida foram alguns dos autores que aceitaram o desafio de iniciar os textos que depois cada pessoa poderá continuar. 

Ainda assim também posso afirmar a pés bem juntos que a falta de feedback e apoio dos órgãos de comunicação social é tão gritante como a minha falta de jeito para o ponto de embraiagem de um carro. Não compreendo como tanto as revistas cor-de-rosa, que adoram debitar sobre pessoas "famosas", assim como as super intelectuais (que devem ver este evento como algo de baixo-nível cultural), nem sequer um email de "tomámos nota" até agora enviaram. 

Bem sei que sou peixe fora de água, num mundo realmente feito de hostilidade e de muita cagança associada, onde quem ganha é o amigo do amigo, do conhecido que até pode dizer mal pelas costas, mas é capaz de vender um rim para ser mencionado num artigo de 3 linhas. É feio, ponto.

Portanto, utilizarei o meu blogue, tal como faço a minha página no Facebook para divulgar a Edição 2015 do Writing Wallpeople. 
É só aparecerem pelas 15.30/16.00 no Largo de São Carlos em Lisboa, lerem o início de história que está colada na parede e acrescentarem-lhe um "desfecho". Simples e gratuito. Apenas deixar a imaginação correr. 

Prometo pelo menos boa disposição e uma tarde bem passada - e depois podem ir todos a correr para a Praça das Flores onde a revista Gerador estará com a festa Trampolim! 


Obrigada desde já a quem ler isto, a quem partilhar e principalmente a quem aparecer - se o fizerem, identifiquem-se! 


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Wednesday, April 29, 2015

A Música Portuguesa a Gostar dela Própria - a minha visão
April 29, 20150 Comments
Raras vezes temos a sorte de nos cruzamos com pessoas inteligentes que apresentam ideias interessantes. Raras também são as vezes em que essas ideias são inovadoras e não sejam uma espécie de repetição melhorada de algo que já se fez antes. 
É o caso do projecto a Música Portuguesa a Gostar dela Própria (MPGDP). Pegando no conceito de recolhas musicais ao e no interior provinciano do nosso país, (feito iniciado por Michel Giacometti durante os anos 60), este projecto tem, ao longo dos quase últimos 10 anos, tentado promover não só a música que é feita em português de Portugal, como, maioritariamente, durante os últimos 5 anos, de uma forma mais coerente e "certinha", digamos assim, a música tradicional portuguesa. Sim, com os instrumentos tradicionais, os cordofones, os cavaquinhos, os adufes, as gaitas de foles, os cantares e cantes alentejanos, os pauliteiros lá de cima, as senhoras de ouro ao peito, tudo o que possam imaginar do que se espera de "tradicional".
Ora, como o próprio autor do projecto (Tiago Pereira) diz: o "tradicional" é a uma mentira. É um preconceito (ide ver o que pre-conceito significa ao google, aos livros, etc.) em cada um de nós. É a forma como queremos ver o que é típico de cada região - mesmo que mais não seja apenas do que uma imagem que nos queiram transmitir. 
E há realmente um outro tipo de preconceito associado. Durante muitos anos o folclore português, o rancho, os grupos tradicionais eram vistos com algum desdém, como se fosse piroso falar ou escutar-se isso. Hoje simplesmente não é algo que gere dinheiro ou com que se ganhe audiências. Ninguém quer aparecer na televisão a participar num grupo folclórico; já com as pernas e mamas à mostra a cantar cantigas de conteúdo duvidoso... Mas presunção e água benta, cada um toma a que quer. 
O que aqui interessa referir mesmo é que o trabalho que o Tiago e restante equipa (e são muito poucos mesmo!) não é fácil. Não é fácil saber lidar com egos de pseudo-artistas de aldeia que pensam que vão entrar num programa de televisão (e rádio) e ficar famosos, não é fácil lidar com idosos e idosas muitas vezes isolados no meio dos montes e vales de um país ao abandono infinito dos tempos, e ganhar-lhes uma confiança tal com a qual eles possam não só contar as histórias de Vida (e muitas vezes feias e más e ingratas) e cantar as suas canções. Não é fácil deixar-se para trás uma vida normal, a família e amigos para rapar frio, calor, chuva, sol, neve, humidade, currais, animais, grutas, pedras, serranias e conseguir desencantar sons que de outra forma seria praticamente impossível. 
Não é fácil pegar nesses milhares de registos e conseguir montar um puzzle que se transforma em episódios de 20 e poucos minutos semanais. Horas e horas de gravações que farão parte da nossa memória colectiva Futura de um Passado que em breve vai deixar de existir. Porque igualmente não é fácil lidar com a desertificação do tal país ao abandono e com a  morte das gentes de outra cepa e de outros tempos. Os nossos egrégios avós como diz "a cantiga". 
E eu acho, pelo que vou lendo aqui e ali, que as pessoas pensam que isto tudo é muito fácil. Que se passeia imenso e que se trabalha pouco. Que a dificuldade de e em falar com as pessoas está apenas na nossa cabeça. O que não deixa de ser curioso, uma vez que às vezes para se dizer um Bom Dia num café da capital é um esforço tremedo que se aparenta fazer. 
Eu tive a sorte em me ter cruzado com o Tiago. E de ele me ter re-apresentado algo que já estava há alguns anos adormecido em mim - o gosto pela música tradicional. Nunca tive problemas com ela, nem preconceitos. Muito pelo contrário. Mas com o passar do tempo e com mudanças no estilo de vida há coisas que foram ficando arrumadas nas suas respectivas gavetas. Felizmente este tema voltou a ser retomado. 
Espero realmente que se saiba aproveitar este esforço que este grupo anda a fazer. Todas as imagens e sons que vão sendo recolhidos e, que saibamos nós também ir preservando alguma memória de "tradição" ou não tradição, que possamos ter. Gravar os nossos avós, gravar o amolador de facas, às vezes o barulho de uma viola de dois corações com o bater do Oceano nas rochas como pano de fundo. 
Num Portugal de Torga, Brandão, Garrett, Pessoa, não é só pela nossa janela que vemos o mundo. Nós é que temos um Mundo e temos que o saber ainda guardar. 
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Tuesday, April 28, 2015

De quarta feira para uma terça-feira ou como os gajos conseguem sem Nhurros
April 28, 20150 Comments
Tudo muda. Tudo está sempre em constante mudança. Seja a nível profissional ou pessoal. 
Num momento parece que estamos em pleno equilíbrio com o Universo e logo de seguida, quem menos esperamos faz-nos uma sacanice qualquer que até ficamos vesgos com tamanha audácia e desplante. 
Claro que a amizade é isso mesmo. Principalmente quando é de largos anos, e quando sabemos já o que esperar (mesmo quando não o esperamos) um do outro. Mas ainda assim, custa quando nos ocultam pequenas coisas. Coisas básicas mas que fariam toda a diferença. Avisar que iria a determinado local, para determinado objectivo, mas que iria levar determinada pessoa, não custava dizer. A sério que não. Só lhe ficaria bem. Mas não. Gajo nhurro faz a merda toda sozinho. E depois nem tem coragem para contar ou assumir. E eu, como amiga, também fecho os olhos e engulo o sapo. Também não foi assim tão grave. Não matou, mas moeu. 
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Wednesday, April 22, 2015

Coisas que se vão aprendendo
April 22, 20150 Comments
... Realmente é certo que isto de eu escrever e ter um blogue e tudo o mais é muito bonito. Sem dúvida que aqui se calhar revelo muito mais do que numa rede social. E o mais estranho é que aqui escrevo para o "público" (esse enorme universo de totais desconhecidos que podem tropeçar neste link ou simplesmente serem vouyeurs de vidas alheias). 
Já que assim é, revelo aqui e agora que os últimos 4 meses têm sido plenos de coisas novas. De gente nova na minha vida, de outras actividades, de momentos de lucidez e outros de pura alucinação que abanaram as minhas bases, tudo aquilo em que eu, aliás, acreditava. 
E foi tudo para melhor - sabem aquele medo que sempre sentimos em enfrentar o desconhecido, em largar a mão daqueles que sempre vimos como as únicas âncoras? Pois, é o melhor que nós fazemos. Não só enfrentamos esses medos, como acabamos por ver que essas pessoas não vão a lado algum, continuam ao nosso lado, simplesmente já não estamos dependentes delas para a nossa sobrevivência.
Assim, também digo que aos 31 anos ainda tenho muito por viver e aprender.
Por isso é que hoje, ao ler um artigo da Maria Capaz - plataforma interactiva criada por mulheres e para mulheres (e homens) - defrontei-me com o óbvio. Com aquilo que todos os dias eu penso, mas não tinha coragem de assumor, de entender como adulta que agora sou: vive-se em Portugal numa sociedade preconceituosa e triste. 
Uma sociedade que continua a olhar para a Mulher enquanto mãe, enquanto, esposa (dedicada), fada do lar. Uma sociedade que não admite que as mulheres possam escolher o que querem fazer das suas vidas a partir de certo momento, como se até uma fase da vida nos fosse permitido alguns excessos (mas apenas alguns) e depois disso, é hora de arrumar ideias, assentar arraiais com alguém, ter uma vida familar e profissional perfeitas - com crianças incluídas se possível (porque caso não seja, coitadinhas de nós que iremos sofrer o resto da vida com a falha eterna de não termos posto na Terra mais um ser). 
A Vida é uma responsabilidade imensa. A nossa própria Vida é da nossa responsabilidade infinita. 
O facto de só agora eu estar a dar-me com imensas pessoas (vá, não são assim tantas), mas de tão diferentes mundos, só me faz pensar não que eu tenha vivido mal ou pouco - pelo contrário -, mas si, que existe um outro Mundo imenso por descobrir e que eu, nós, não temos idade para nos auto-impôr barreiras, sejam elas etárias ou psicológicas. 
Claro que se alguma mulher ler isto, vai achar todo o texto balofo. Sim, porque na maior parte dos casos dou-me com mulheres bem resolvidas que não têm quaisquer problemas com as suas vidas. Contudo, parem bem para pensar no contexto global. Olhem bem para as que vos rodeiam - aquelas que não fazem parte do vosso círculo de conhecidas sequer. Olhem para as que vão nos transportes públicos, as que levam ou não as lancheiras. Talvez aí, nessa comparação de caras e sucessivos momentos de monotonia automana, vejamos que realmente espelhamos o que a sociedade portuguesa espera da Mulher: ou és casada, mãe, com emprego (ou não), porque isso acaba por ser irrelevante (com ou sem crises económicas), ou então és uma falhada, mesmo que sejas CEO de uma grande empresa. Porque falhámos realmente em tudo o resto. Não somos capazes de manter um relacionamento, de ter tempo para a família, uma série de outro episódios que só nos fazem umas tristes e sozinhas.
Desculpem a franqueza, eu não vou voltar a repetir que é bom viajar e estar com pessoas novas e bla bla bla, eu apenas me vou focar nisto: no falhanço que representa para a sociedade uma Mulher que seja emancipada e que tenha realmente mão na sua vida - seja em que aspecto for e para o que for. 

Por minha parte, vou continuar a dizer que estes meses têm sido de uma aprendizagem constante, conhecendo pessoas incríveis que sei que entram na lista dos que serão grandes Amigos/as. 

E agora, tenho empadas para comer. Obrigada. 
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Thursday, April 16, 2015

Das coisas que eu adorava dizer-lhe...
April 16, 20150 Comments
E que até lhe digo, mas ele pensa que eu estou a brincar (não se costuma brincar com o fogo....).

Cala-te e beija-me de vez pá! 
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A Viagem Começou #3
April 16, 20150 Comments
A Viagem não é só com uma pessoa. Ou com duas, Ou três, ou várias.
A Viagem é interna e engloba alguns dos seres que nos rodeiam e que nos vão influenciando ora de forma mais positiva, ora de forma mais negativa. 

Esta minha Viagem começa realmente no dia em que consegui ultrapassar algumas barreiras. Começou no dia em que deixei cair algumas defesas - e no dia, pouco depois, em que percebi que sou realmente mais forte do que pensava em algumas circunstâncias. 

Por outro lado, também compreendi que tenho falhas, que erro, que posso colocar-me (e aos outros) em situações constrangedoras e embaraçosas, que podem nem sempre acabar bem. Até agora tive sorte. E por uma questão de idade e aprendizagem, consigo com maior rapidez identificar esse comportamento padrão que me tem levado a alguns azedumes internos. 

A Viagem começou quando percebi que estou bem comigo mesma. Mesmo quando não estou. Compreender que tenho mau feitio, que sou desconfiada, que falo em demasia com pessoas com quem tenho (ou penso ter) grande confiança, que quando o meu organismo (corpo) cede ao cansaço eu tenho de lhe dar descanso, compreender que sou metediça demais na vida dos outros (e que isso tem de parar), que gostava imenso de fazer imensas coisas, mas, devido às vicissitudes da vida nem sempre me é possível.
Compreender que tenho imenso Caminho por percorrer, imenso para aprender, que tenho de aprender a respeitar o espaço e tempo dos outros, que o meu ritmo é diferente dos demais.

Compreender também que a minha Vida nem sempre sou eu quem a escolhe, mas sim aquilo que me é dado no Presente.

Seria sempre tão mais fácil conseguir estar neste estado de equilíbrio, de aparente "normalidade", em que tudo parece fazer o mais perfeito dos sentidos, mas sei bem que não é assim. Que, tal como acima escrito, somos seres altamente influenciáveis pelos que nos rodeiam, pelo que nos rodeia. E que o tempo nem sempre cura tudo. Pode curar a dor e a mágoa, mas não cura saudades, nem substitui pessoas, momentos, magia. 

A vida nem sempre pode ser Poesia, mas podemos torná-la mais poética. 
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