Monday, January 11, 2016

Os inícios do ano...

O início de um novo ano civil tem sido, de há uns tempos para cá, pautado quase sempre por notícias fortes. Daquelas que dão murros no estômago, nos deixam em estado catatónico, despertam o nosso estado de alerta geral, independentemente dos nossos próprios começos, das nossas instabilidades ou fragilidades.
2016 não é (até à data) excepção. 

Morreu David Bowie, hoje, aos 69 anos. Um puto, portanto. 

E com isto acabei de ler algo que realmente começa a bater cada vez com mais força dentro de mim e a ganhar a forma de um monstro: "O século XX está a fugir-nos debaixo dos pés". Um dia destes ninguém sabe ou se lembra deste ou daquele elemento que fez parte de todo um conjunto cultural inspirando mais do que duas gerações. O século XX fez-se devagar mas evoluiu a um ritmo interessante, deixando espaço para que as pessoas se conseguissem "apropriar" de alguns momentos, conseguissem identificar-se com determinada forma de ser, de pensar, politicamente e em tudo o resto. A evolução das máquinas, a entrada dos computadores, a internet, as redes sociais, acabaram por ser o instante de transição, a mudança de estádios, e, coincidindo com o final de uma época, de um milénio, tudo a partir daí começou a ser rápido demais, até que, na minha mente, começa a ser confuso entender o que foi, quando foi - parece que foi ontem, e afinal já foi há quase 20 anos. 

A morte dos grandes, em idades tão "tenras" não faz sentido algum. Pondero o expoente máximo de se manterem no asfalto de tantas outros, invés de envelhecerem como os restantes comuns mortais. É que há pessoas cuja existência é por si mesma já um facto histórico; pessoas que preenchem os espaços vácuos e que, como tal, não podem passar pelo território do esquecimento, do envelhecimento, da carcaça que vai ficando corroída com o passar da idade. 

Por outro lado, a ideia de perdermos os nomes que mudaram (quase) tudo, faz realmente pensar que as futuras gerações não saberão distinguir o quem FOI quem, tal é a velocidade de informação que nos é bombardeada diariamente, com os novos/ velhos ídolos culturais que todos os anos nascem e todos os anos desvanecem. É bom ouvir novas coisas, conhecer novos autores, mas a verdade é que são apenas passagens fugazes - não conseguem destacar-se dos demais por serem cada vez mais e com cada vez mais brilho. Nenhum irá ficar o tempo suficiente para entrar nos livros de História. Não por desprimor, mas porque há sempre alguém em fila de espera, como se fossem produtos de supermercado à espera de serem passados pela máquina que lê os códigos de barra - os 15 minutos de fama. 

A morte de Bowie apenas nos faz pensar na passagem do Tempo. Em como iremos explicar aos mais jovens quem era o homem que sempre tentou destacar-se de si mesmo. E porque razão o fez. Aliás, como iremos explicar aos mais jovens toda uma Cultura que se vai esquivando deste mundo físico, cada vez mais cedo e depressa. 

Mais uma vez nos consegue confundir. 



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