Saturday, November 14, 2015

O dia em que o mundo podia ter mudado, mas não mudou

Sabia que quando acordasse o mundo muito possivelmente e mais uma vez não seria o mesmo. 
Na verdade, agora que acordei e caí em várias realisades, vejo que o Sol continuou a aparecer como em todas as manhãs, os raios preenchendo e entrando pelas frestas dos estores. 
Continuo a estender roupa em mais um dia que promete ser soalheiro. 
Pergunto-me como seria caso eu fosse francesa, ou inglesa, ou espanhola e o meu país, a minha capital ou alguma cidade emblemática explodisse por ódio. O que faria caso tivesse amigos e família dentro de uma grande sala de espectáculos e os soubesse mortos. 
Faço a pergunta ao contrário: como reagiria se os atendados ocorressem em Lisboa ou no Porto. É apenas e só neste momento que a resposta acelera pelas minhas veias e dispara antes sequer do cérebro a processar: matá-los a todos! Como se atrevem a fazer isto? Muito possivelmente a uma terra que os acolheu há muitos anos, que os criou e educou dentro do melhor, ainda que pobre, que pode e conseguiu. E é assim que nos tratam? Com ameaças? Com destruição? Não têm tanta terra sagrada para consumirem? Não adianta mentir. Não tenho vergonha pelo que sinto, mas o certo é que ter vivido o 11/9 tão intensamente há vários anos já, fez-me imune à dor alheia. Tenho pena mas já não me tira o sono. Como tenho dito, o mundo hoje gira tão rápido, já são tantos os massacres mas também as evoluções que tudo já se mistura. 
Apenas tenho noção que na MINHA terra, por muito violentada que já esteja pelo meus próprios conterrâneos, aquela gente iria morrer. Há coisas que sinto a alma lusa em força e sei que pelo menos nisto teríamos realmente coragem.. De os matar a todos! É por nós que me sinto. Mas enquanto eu vir o sol raiar pela minha janela, do meu mundo lusitano, nada irá realmente mudar. 

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