Cláudia Paiva Silva

Tuesday, July 26, 2011

Ainda a Amy
July 26, 2011 3 Comments
Por Alexandre Borges do blog: sinusitecronica.blogs.sapo.pt
O estranho caso de Amy
Pedindo permissão ao NMG por persistir no assunto.
Agora, soará a piada de mau gosto, mas sempre achei que o problema de Amy Winehouse não seria bem a droga, mas os dealers. Vejamos David Bowie, Iggy Pop, todos os Rolling Stones, Ozzy Osbourne, toda essa gente que consumiu hectares de plantações e laboratórios durante décadas e ainda aí está, pronta para nos enterrar. Amy andou, desde cedo, a fazer qualquer coisa terrivelmente errada.
O mais chocante na notícia da sua morte não é a notícia em si, mas o facto de todos, há tanto tempo, a esperarmos. E tenho dificuldade em livrar-me dum certo sentimento colectivo de culpa nisso. Como aquela gente que assiste, impávida, a um crime.
Nos últimos anos, todos fomos espectadores da morte lenta de Amy Winehouse. Da decadência galopante, do desastre. Amy foi estrela durante um centésimo de segundo; todo o resto do tempo foi estrela cadente. O público não a seguia pelas canções. O público gostava das canções – nenhuma dúvida acerca disso – mas essa Amy artista, essa Amy da obra, era há muito tratada como coisa póstuma. Ela já tinha sido. Agora, era seguida como fantasma de si mesma, à espera do acidente. Amy Winehouse não tinha público; tinha voyeurs. Não tinha espectadores, tinha visitantes do Zoo. Gente grotescamente à espera de qualquer acrobacia exótica.
Espanta-me, com toda a franqueza, que tanta figura inunde agora sites e jornais com declarações acerca do quanto eram amigos de Amy, do vazio que sentem, da memória da pessoa maravilhosa, et cetera, et cetera, et cetera. Toda essa multidão de amigos não serviu de nada. Nem a família, nem os agentes, nem a inominável gente que lhe agendou uma tour cancelada ao primeiro concerto, ainda há um mês. Nem o cretino, quem quer que tenha sido, que terá dito “não, não. Ela agora está óptima. Podem vender bilhetes à vontade. É à confiança.”
Como foi que toda essa gente falhou? Como é que o mundo inteiro não conseguiu salvar uma só rapariga? Uma figura tão frágil que durante tanto tempo todos fomos vendo cair?
Algures pelo caminho, lixámos violentamente os nossos códigos morais.
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Sunday, July 24, 2011

Para vocês... que me moldaram à imagem da Mulher que sei ser e sou hoje.
Oração ao infinito
July 24, 20110 Comments
Quero um intervalo. Longo. Para reboot total ao sistema. Apanhar Sol. Senti-lo a entranhar-se na pele. Quero sentir o sabor da água salgada do mar. Não sei nadar? Pois não, que se dane. Quero Paz e Sossego e Tranquilidade. Quero regressar incrível, linda, bronzeada, com pesos a menos e sorrisos a mais. Quero ter a consciência livre de qualquer pecado, de qualquer problema adicional. Quero voltar e ver e perceber que afinal este mundo, esta Terra na qual habito é formidável e que tenho uma sorte imensa em cá morar. Não me façam ser como o Principezinho que apanha boleia nas aves migratórias e acaba por visitar novos mundos. Quero que isto mude, TUDO. Para melhor se possível. Sim. É uma oração. E como todas, em qualquer língua, termina-se com um Amen.
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Saturday, July 23, 2011

July 23, 20110 Comments
Amy Winehouse (1983-2011)
É verdade... os génios requerem sempre o essencial da natureza humana: o quererem sempre mais... e sim, não estão compatíveis com este plano em que caminhamos. Têm que estar sempre à frente do nosso tempo... que estejam pelo menos, e finalmente, em Paz.
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Monday, July 11, 2011

Dia 21de Julho@Pickpocket Gallery - Fotos de Vasco Pimentel
July 11, 20110 Comments

Há quem fale dos sons de África, há quem mencione os cheiros e sabores, há quem conte do odor da terra, da Saudade do Além-Mar. Eu falo do pouco que posso conhecer e ver pelos dedos, mãos, punhos dos outros, pelas paisagens que filmam e pelas imagens que gravam para sempre no arquivador da Memória, no fundo do Ego de cada um. É das imagens que vos quero contar então. Das fotografias que possuem vida para além do breve instante em que os retratados deram o melhor de si e nós, que os retratamos, o aceitamos de bom grado. É das imagens coloridas de crianças com sorriso rasgado e olhar triste que aqui falo. De putos que não têm escolas inteiras, nem cadernos, nem canetas, a quem lhes falta de tudo, mas não a vontade de aprender, de voarem mais longe; a quem não falta a dignidade e a coragem de, enquanto seres-humanos, quererem mais contentando-se com o pouco que possuem.

São as cores dos trajes, misturadas com as da terra vermelha e paisagens com céu imenso, que me emocionam e me levam a tirar das fotografias do Vasco, mais do que aquilo, que eu, moça da senzala grande, na realidade mereço. Fotos puras, honestas, feitas de forma quase que ocasional, diria. Mas de uma intensidade tão grande que praticamente nos conseguem ofuscar, quanto mais não seja pela verdade que nos mostram. Que não existem coitadinhos, que existem por sua vez criaturas do Universo, como qualquer um de nós, que são apenas Luzes para darem sentido às vidas patéticas e vazias dos outros, preenchendo espaços e poros há muito tempo vagos. Por isso falei em “tirar” mais do que mereço. Espero não ser a única.

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Sunday, July 10, 2011

Chamem-me o que quiserem...
July 10, 20111 Comments
De convencida, de falsa, de armada aos cucos, de "tem a mania que", de tudo mesmo, mas por favor, NUNCA mas NUNCA, me digam directa ou indirectamente, por frases subtis ou citações tiradas do Wikipédia, que eu sou burra, que eu não sou inteligente. NUNCA JAMAIS me MANDEM estudar dentro daquele contexto de "oh querida, vai mas é estudar, que tu não sabes nada!". A sério, admito que me façam críticas construtivas, que debatam comigo o que eu escrevo, digo, faço, mas não o coloquem como se fossem vocês os senhores da Verdade, que têm o Dom da Palavra e a Razão de tudo o que acontece ao cimo desta terra que um dia nos vai comer. Não há nada que me deixe mais triste, magoada mesmo, senão ouvir pessoas que, simplesmente, não me conhecem de lado algum, fazerem juízos de valor sobre os meus conhecimentos e sabedoria, tal como fico grata, embora saiba que é mentira, aos que, me conhecendo ainda pouco me tratam como sua igual, embora sejam milhões de vezes mais sábios do que eu. Mas agora fiquem a saber que sim, TENHO UMA CULTURA GERAL ACIMA DA MÉDIA E SIM SOU INTELIGENTE. Só mesmo para evitar problemas futuros.
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Thursday, July 07, 2011

Sobre a Maria José Nogueira Pinto
July 07, 20110 Comments
Há obviamente por aí muita gente com problemas de ressabiamento puro, destilando veneno por todos os poros, como se isso lhes garantisse a felicidade momentânea, quase da mesma forma como aquelas pessoas (como eu) que ficam felizes durante umas horas ou dias com uma malinha nova, um livro novo, etc.. Contudo este consumismo pela desgraça alheia é pronúncio de uma personalidade terrível, de um mau fundo desmesurada, de uma capacidade de, quiçá, efectuarem-se as maiores atrocidades só porque sim, só porque se sentem realmente bem com a infelicidade dos outros, com a maldade pura, com a dor de quem nunca conheceram, mas simplesmente, "não gostam". Ultimamente tenho visto muito disso pelos mais variados motivos. Obviamente que com Maria José Nogueira Pinto não é excepção e recusei-me a comentar o seu falecimento via Facebook porque já sabia que corria o risco de ser destratada por "amigos" que simplesmente não gostavam dela. Eu podia também não concordar com ela. Fez-me muita confusão a troca partidária que ela de forma tão ligeira efectuou. Mas... mas.... isso não me dá qualquer direito em chamá-la qualquer tipo de adjectivo. Lutou sempre pelas suas convicções e se isso significava deixar um partido e mudar para outro, então ela fazia-o sem complexos, lutou pelas suas ideias e ideais mesmo que não fossem iguais aos da restante população, lutou sempre até ao fim da vida, com uma dignidade sem igual, mantendo-se activa enquanto o corpo físico lhe permitiu. Uma Mulher fantástica no sentido de perseverança e vontade de fazer, não se deixando ficar de braços cruzados em qualquer batalha que travasse. A Zezinha fará muita falta quanto mais não seja, como exemplo para outros, dentro das suas próprias convicções.
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Optimus Alive e dormir para "stay alive" num caixote do Lixo económico
July 07, 20111 Comments
Há quem tenha ido ao Optimus Alive ontem. Eu era para ter ido. Eu gostava de ter visto Coldplay (e os outros, mas essencialmente Coldplay), mas não vi. Não estava mesmo com vontade nenhuma (embora tenha sido das primeiras a comprar bilhete para o 1º dia do festival), mas tive consciência que um concerto destes a meio de uma semana de trabalho, para alguém que não tem férias há já muito tempo, não era de todo boa ideia. Então vendi-o. E não me arrependo. Não tenho uma pena brutal, não estou desalmadamente a ler as críticas, nem tenho muita pena de não ter ido. A ver apenas e só, se com a recepção que tiveram ontem, não voltam a repetir a proeza de não aparecerem em Portugal durante um longo intervalo de tempo. A não ser que vejam o nosso país como um enorme e rectangular caixote de lixo (Moody's style) e não queiram andar a chafurdar no meio da pseudo-porcaria que um grupinho de atrasados mentais que gosta de brincar ao Monopólio lixando a vida dos outros, afirma que somos. De outra forma nada mais tenho a acrescentar (ao evento de ontem) a não ser, talvez, que os apresentadores da SicRadical necessitam urgentemente de aprenderem a ser isentos de opinião. Podem não gostar das bandas (e têm todo o direito), mas limitem-se a comentar os concertos. Não se ponham com graças, bocas, palpites diversos mas pessoais, catalogando quase todas as pessoas que gostam deste ou daquele agrupamento musical disto ou daquilo, como ontem ouvi "Os fans de Coldplay são betos!" Para o c...alho! Eu não sou beta, sim filha? E pronto, é só isto.
Em relação aos ratings sobre Portugal pelas agências financeiras... LOLOL - só o título me faz rir-, gostaria de lhes dizer que não sabem nada de nós, não fazem sequer ideia de onde nos situamos geograficamente, não conhecem a nossa cultura (tal como a Finlândia também não conhecia), não têm sequer consideração pelos enormes esforços que estamos a fazer e iremos continuar. O que eles apenas querem dizer com isto é que se estão literalmente a cagar para a Europa, para o conceito de União Europeia, para a feiticeira Merkel, para o FMI (que ironicamente também é estado-unidense), e que têm no fundo um medo do caraças que em breve os EUA também resvalem para a sarjeta, o que deixaria a economia mundial em lençóis ainda piores do que aqueles em que se deita. De resto, acho que eles não servem para mais nada. Mas um tirinho nos cornos só lhes ficaria bem. E digo isto de forma muito controlada, sem ser preciso me darem calmantes ou medirem-me a tensão arterial. Até porque tenho coisas bem mais giras em que pensar como... nódulos de sílica.
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Monday, July 04, 2011

Nós a patinar que nem parvos...
July 04, 2011 2 Comments
... porque não sabemos de todo andar em patins e ficamos todos lixados com medidas de austeridade do novo Governo. Vocês sabem que eu vivo com austeridade desde há já algum tempo, pelo que, (arriscando-me a ouvir e ler o que não quero, mas a vida é mesmo assim), há que saber viver com o que se tem (ou neste caso, com o que se ganha) e parece-me assim óbvio que há muito boa gente que quer continuar a fazer a mesma vida de classe média a classe média-alta, quando na realidade o escalão desceu para classe média-baixa e classe baixa. Mais uma vez é apenas e só a minha opinião. (Pelo menos é o que entendo quando pergunto às pessoas que se queixam, se sentem na pele estes apertos como eu sinto, e me respondem que vão de férias para fora ou que vão comprar um i-Pad ou o novo i-Phone e etc's.).
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Ironias da coisa em questão e tal
July 04, 20110 Comments
Enquanto que a sociedade portuguesa estava pronta para dizer barbaridades contra o actor/cantor/modelo Angélico Vieira, tal como está pronta a dizer barbaridades HOJE contra as duas portuguesas, mãe e filha, que sofreram um acidente grave ao passarem (merecidas, sim! porque felizmente ainda o podem fazer) férias em Mallorca, a sociedade portuguesa HOJE também já NÃO ESTÁ PRONTA a falar ou discutir ou a emitir qualquer espécie de grunho sobre a situação de expulsão dos emigrantes portugueses ilegais de Angola. AH pois é. Porque é fácil apontar o dedo a "certas" pessoas e é com dificuldade que se ganham tomates para apontar o dedo a "outras certas" pessoas e situações. Medinho não é? Somos um povo mesmo MESMO muito corajoso. Só garganta, mas é! Contudo esta é apenas e só a minha opinião e vale o que vale.
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Wednesday, June 29, 2011

Sobre Angélico, sobre o acidente, sobre tudo o que tenho ouvido e lido, sobre a sociedade
June 29, 2011 3 Comments
Como podem reparar tenho vindo a escrever menos no blog (e para os que me acompanham no Facebook, também). Contudo, estava somente à espera do desfecho já previsível do último caso mediático nacional. "Finalmente" lêem-se nos escaparates "Angélico Vieira morreu". E escrevo "finalmente" porque, pessoalmente, acho um absurdo todo o circo que foi feito devido ao seu acidente. Bem sei que era uma figura pública, bem sei que (pelos vistos), era uma excelente criatura. Tinha apenas 28 anos (eu tenho 27, logo...). Era bonito, inteligente. E é exactamente por isso que, por um lado, o lado consciente, a sua morte não me afecta, não me choca. Era um adulto conhecedor das regras da estrada. Era um indivíduo como tantos outros milhares que sabia apertar um cinto de segurança. Ele e os outros que com ele seguiam e não o fizeram de igual forma. O resultado é o que se vê. Ele morreu, o amigo morreu (amigo esse, aproveito para dizer, colega meu da Faculdade de Ciências no curso de Eng. Informática), a amiga, pelos vistos, vai pelo mesmo caminho, sendo que a única não-fatalidade se prende num 4º ocupante do automóvel que, vejam a ironia, era quem levava o cinto colocado.
Vamos agora para a parte emocional: o Angélico não me dizia grande coisa. Como nunca vi os Morangos com Açúcar (e podia tê-lo feito exactamente na época em que ele e muitos outros começaram, porque somos todos da mesma idade), nem alguma vez escutei as bandas produzidas, geradas, promovidas pela TVI, não sabia muito sobre ele, sequer. Vi-o em duas novelas e pouco mais. Não o achava sequer engraçado e pensei sempre que ele ainda teria muito que aprender, ao contrário da Rita Pereira, a ex-namorada, que tem realmente jeito para a coisa. Contudo sei que ele era extremamente simpático, simples, humilde... tinha sempre palavras de carinho e afecto para as fãs (e sem fãs, meus amigos, não se fazem "estrelas de sucesso"), gostava da família, não se metia em confusões, nem em drogas, nem em álcool (ao contrário dos muitos comentários que tenho lido - mas já lá vamos); em todos esses aspectos era, simplesmente e pacatamente um rapaz jovem, como tantos outros, que entram nas novelas, que rapidamente se tornam conhecidos de um público alvo, que são expostos à pseudo-fama que isso lhe aufere. Nesse aspecto, saber a morte dele, foi sim, um choque. Um rapaz que tinha grandes ideias, grandes projectos para a sua vida e, que de uma forma brutal (como são todas as que ocorrem dentro da mesma medida e contexto) já não existe. Lamento muito pela família, pelos pais, pelos amigos, pelas ex-namoradas, por todas aquelas que o aspiravam a ser, pelos outros tantos fãs que o considerariam família. A esses a dor, o choque, ninguém os tira... nem tão rapidamente e... nem nunca, para quê inventar?
Agora o acidente: carro novo, BMW de alta cilindrada, (ainda não se sabe a velocidade a que ele iria, mas numa auto-estrada é natural que fosse a bem mais de 110km/h), sem seguro e de "um amigo". Sabemos lá nós, quando vamos comprar um automóvel, quem já andou nele, quantas voltas é que ele já deu, em que estado estão os pneus, o motor, os travões, a caixa de velocidades. Parecem novos, são-o em termos de tempo, mas... e quem andou neles? Tratou bem da mercadoria, ou apenas se serviu para mostrar o quão boa é a "máquina"? Acho muito estranho o carro nem sequer ter seguro. Pede-se ao "amigo famoso" para levar o bólide XPTO até Lisboa, fazer publicidade e tal, e nem sequer se pensa que pode acontecer algum percalço, alguma coisa que obrigue a pessoa a ter de mostrar os documentos. Nada! E agora, tal como eu esperava assim que ouvi de quem era a viatura, a quem pertencia, é o stand, o "amigo" que quer ser compensando pela destruição de um veículo. Veículo esse que até alguém afirmar o contrário (policialmente de preferência, porque de outras forma, eu não aceito), podia estar muito bem com problemas, concretamente, no uso e estado dos pneus. Segundo sei, os pneus não precisam de estar velhos e gastos para rebentarem; basta-lhes mudança de piso, diferentes tipos de pressões, temperaturas... e BUM!
Agora passo aos comentários. Numa palavra: asquerosos. Duas palavras afinal: revoltantes. Cada vez tenho a maior sensação de que o povo (pá!) gosta mesmo de dizer mal. Sente-se bem assim. Qualquer coisa de superioridade alfa, ou beta, ou mesmo omega, porque não? Revoltante a forma como ou por uma questão de gosto pessoal ou de racismo, se conseguem dizer tantas barbaridades ao mesmo tempo? Que ele estava drogado, que ele estava bêbedo, que ia a 300 à hora, que foi bem feito, que ele já tinha morrido desde que tinha aparecido na TV, que ele deveria ter morrido sozinho, não levava os outros atrás, enfim... quase como se ele.. o ele de 28 anos, feliz com a sua vida, tivesse feito de propósito, tivesse querido morrer naquela noite. "Quem era o Angélico? Mas ele era "alguém"? Tanta gente morre e nunca se faz este cagarim.." A Angélico era cada uma destas pessoas pequenas, mesquinhas, más. O Angélico representava, de certeza, para elas, a concretização de um, dois, três sonhos que ficaram para trás, que tiveram de ser postos de parte (porque a vida é difícil e temos que "trabalhar a sério" - que raio de teoria estúpida, porque a realização dos nossos sonhos parte da nossa vontade de os levar a bom porto e não a desistir só porque não dá jeito lutar por eles), ou seja, um recalcamento bastante grande sobre as suas próprias e tristes, patéticas vidas. Ele reflectia o sonho de muitos outros jovens, que querem aparecer na televisão, que querem cantar e dançar. Eventualmente será por causa dele também, (não menosprezo nem os grandes nomes ou os pequenos que influenciam as pessoas para as artes do espectáculo), que muitos irão para o Conservatório, ou para a Escola Superior de Artes e Cinema. Agora não podemos estar nem a apontar o dedo, nem a dizer barbaridades só porque o Angélico era uma figura pública. Sabemos que funciona assim, tanto em Portugal (com ou sem crise) como lá fora (embora eu recorde que houvesse quem chamasse de puta à Princesa Diana, após a sua morte). Somos abutres por natureza e gostamos do caos que se gera à volta destes casos. Seria de supor, pelo menos, que servissem de exemplo: não servem. Amanhã haverá outro brutal acidente com mortos anónimos, onde não irão jornalistas comparecer nem ao hospital, nem ao funeral. A vida é assim mesmo. Só damos a importância às coisas porque queremos, de outra forma, ninguém nos obriga. Agora é nossa obrigação moral, como cidadãos até, em reflectir muito antes de escrevermos seja o que for, sobre o que for. De outra forma, apenas atiramos pedras aos outros, sem pensar que não somos melhores que eles e que, se calhar, também as merecemos.
Angélico Vieira (1982-2011)
Fiquem bem. E sim, será o meu único comentário e opinião sobre o assunto.
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