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Showing posts from 2017

WebSummit e a Geração Unicórnio

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Realmente existem imensas formas de Marketing e Publicidade, mas um dos seus melhores exemplos e produtos é, sem dúvida o WebSummit (e o Rock in Rio, Alive e outros mega eventos que esgotam muitas vezes ainda antes de se saber o cartaz na sua totalidade). O problema do WebSummit é exactamente a sua fatal falácia em que todos parecem acreditar: qualquer empresa irá conseguir desenvolver os seus projectos no futuro a curto/médio prazo, garantindo lucros. A ideia claro que não é cortar as asas de ninguém - é excelente ter sonhos e objetivos, mas que sejam palpáveis, que tenham realmente um "purpose" e claro, que sejam aplicáveis. A metáfora do unicórnio é perfeita - estamos perante a geração unicórnio, a que acha que o futuro passa exclusivamente por projectos rápido, fast information, que requeiram algum trabalho, mas não muito, e que tenham uma projecção social incrível. Nem sempre assim acontece, e de acordo com as estatísticas são muito superiores as quedas (ou quase sempre…

Harvey Weinstein vs. Kevin Spacey ou como se destroem carreiras.

Que todos sabemos a fama menos boa que as actrizes (e actores) têm desde os tempos do antigamente, lá isso sabemos. O que eventualmente me choca no meio destes escândalos todos é que de repente todos e mais alguns parecem ter sido vítimas indefesos de predadores sexuais super activos em Hollywood e quiçá, noutros meios artísticos de outros países.  Harvey Weinstein, embora produtor da maioria dos grandes filmes dos últimos 30 anos, é simplesmente um ser asqueroso - não obstante eu acreditar que haja quem abra as pernas propositadamente para chegar ao topo, também sei que existe uma grande maioria silenciosa, que enfrentou com coragem, todo e qualquer tipo de tentativa de agressão sexual. Mas a verdade é que não se pode dizer que sejam todos seres inocentes que não sabiam ao que iam. A Annabela Sciorra só agora (quase 25 anos depois) é que se lembrou, por exemplo, de fazer queixa, porque, nas palavras da própria, quem é que iria acreditar numa mulher que sim, tinha aberto a porta a um…

Das chamadas futilidades nas redes sociais

Embora já passem mesmo muitos anos desde que comecei a escrever online, primeiro no mundo Blogger, depois no Facebook (e neste, de uma forma mais frontal, bruta, muitíssimo mais pessoal, uma vez que estou a redigir textos de opinião para um “grupo restrito de perto de 300 pessoas”), a verdade é que aqui, publicamente, poucas foram as vezes em que consegui escrever exactamente o que queria, pôr o dedo na ferida, assumir publicamente alguma bandeira, mesmo que pudesse chocar os (cada vez menos) leitores. Posso ter dado alguns toques na questão da homossexualidade, nos direitos das mulheres, no que este ou aquele partido, quando Governo, faz ou deixa de fazer. Mas é tudo muito ao de leve – primeiro porque os textos querem-se curtos para consumo rápido, depois porque cada vez há menos gente ainda com paciência (e tempo) para ler e apreender. E apreender sem precisar de julgar – porque todos somos comentadores de sofá, ou de computador, portanto todos temos direito a opiniões mais ou menos…

Incêndios e palavras incendiárias.

Após os discursos desta noite não restam dúvidas: António Costa e a Administração Interna estiveram muito mal, uma vez mais. Antes tinha sido por falta de organização, experiência nestas situações, uma série de (desculpas) factores que podem ter contribuído para uma imensa catástrofe humana e natural. Desta vez não. Não podemos aceitar que as palavras hoje proferidas sejam exactamente as mesmas que há 4 meses atrás - numa nova desculpabilização. Em Junho foi o calor e um raio (que afinal foi um cabo de alta tensão), e falhas na comunicação que acontecem mesmo quando não ocorrem incêndios. Ontem foram as temperaturas anómalas para a época, terras secas, e falta de chuva. Ou seja, as medidas de prevenção que deveriam ter sido implementadas, e que não o foram, não interessam - porque o relatório de há 4 meses curiosamente só ante ontem é que tinha sido apresentado -, pelo que, só agora é que, a sério, temos de olhar de outra forma para (o que resta) a floresta nacional. Contudo, para não…

Portugal de Culpas Parte 2

Tal como disse a outra, quase dá vontade de rir. Por vezes pensava que deveria regressar ao blogue, escrever as palhaçadas das minhas mini férias, mostrar fotos de outras paragens. Mas não. Por alguma razão, assim não aconteceu - e hoje percebe-se porquê.  4 meses depois, exactamente 4 meses depois dos imensos incêndios que ceifaram 64 vidas, novamente outros tantos, de forma implacável, mas desta vez com mão criminosa mais do que vista e comprovada, até agora contabilizando 36 mortos, 16 feridos graves, e outros tantos (mais) ligeiros. O que se aprendeu em 4 meses? Nada. O Governo nada aprendeu. Activaram-se mecanismos de apoio e estados de calamidade. E talvez, TALVEZ, tenha ocorrido uma melhor coordenação de meios, dentro do que o caos permitia. Porque sim, a floresta continua desgovernada, porque as matas continuaram por limpar, porque continua a dar jeito termos eucaliptos e pinheiros para a indústria da celulose. Não houve, portanto, desta vez, uma possível ignição natural (como …

Portugal de Culpas

Não há qualquer justificação para o que aconteceu no passado fim de semana. Os dias 17 e 18 de Junho de 2017 ficarão para sempre e infelizmente, nos livros de História, nas imagens da comunicação social, na nossa Memória colectiva. Não há culpados, não há mão criminosa, não há milagres e milagres houve. Não se consegue simplesmente perceber, por muita revolta e dor e mágoa e horror, como a tragédia aconteceu. Ou sequer pensarmos em imaginar, OUSAR imaginar o que um ser, SER, sente, SENTE, quando sabe que vai morrer, e muito menos imaginar o que sente depois quando percebe que se salvou enquanto que os outros que iam atrás, ao lado, à frente, foram comidos e levados por um vento de fogo e calor, que só se conhecia por outros relatos, de outras histórias. A única coisa que resta é o descrédito, a incredulidade, o parecer estar a viver planando entre o sonho e o pesadelo. Para muitos, a realidade vai demorar a chegar. Quando ontem se ouve que a culpa foi da GNR que não encerrou a estrad…

Negação! (Festival de Cinema e Cultura Judaica)

Pelo início: eu nem sabia quem era o "historiador" David Irving (um deturpador de factos históricos, histérico, incoerente, emproado, racista, misógino, anti-semita e com uma enorme admiração por Hitler). Mas sei quem são os negacionistas actuais do Holocausto. Parece-me perverso que haja alguém na Terra, que tenha alguma cultura geral, e negue algo tão óbvio, apenas afirmando o seguinte: "sem corpos não há prova que tenham sido mortos 6 milhões de judeus (e outros: crianças, idosos, deficientes, ciganos, comunistas, homossexuais) em campos de extermínio ou trabalho forçado". Mas existe. O problema é esse. 
Ontem fui ver o filme que abriu o Judaica - Festival de Cinema e Cultura.
Não me surpreendeu - durante a tarde de ontem estive a ler tudo sobre o caso. E nem sequer menciono aqui o nome da protagonista feminina - porque o que estava em causa o tempo todo era a veracidade de factos - provar por A+B que o Holocausto existiu. Que houve mortos, vítimas e alguns, ra…

World Press Photo ou como tudo mudou

Não há como negar. Em 10 anos o mundo mudou radicalmente e muito se deve, clara e obviamente, à presença cada vez maior das redes sociais, não apenas em estratos académicos, jornalísticos e políticos, mas porque, com a possibilidade de cada um de nós ter um espaço público-privado em rede, online, vemos, partilhamos, comentamos e acabamos por ter um papel muito mais importante do que pensamos no mediatismo dado a determinados assuntos e temas, a pessoas, acontecimentos. Quando no passado as nossas opiniões limitavam-se ao que se lia nos jornais e via nos noticiários, e às conversas típicas e míticas quase, de café, hoje dos cafés, passamos rápida e de forma selvagem, diria mesmo, para os computadores. A forma despudorada como repartilhamos notícias e informação (nem sempre verdadeiras), mas acima de tudo, a forma como criticamos os outros, sem filtro (ou com filtro - basta ser através duma máquina, sem mostrarmos realmente a nossa cara), torna-nos tão ridículos como aqueles que dizemos …