Wednesday, July 20, 2016

Outra vez...? Sim, outra vez, porque o blog é meu e escrevo o que quiser.

Teoria do Caos.

Ponto primeiro: O problema do terrorismo na Europa tem, obviamente, como pilar base, algo que nos chega a partir do médio Oriente. 

Ponto segundo: Os terroristas da Europa são (na sua grande maioria) europeus. Não são do médio Oriente. 

Ponto terceiro: Então que raio se passa? (Porque existe toda uma população europeia que não quer - não quer mesmo! - compreender como é que chegámos a este ponto). 

Faço esta analogia constantemente. Olhemos para a população emigrante portuguesa e olhemos para os seus descendentes luso-qualquer nação. Verificamos, de uma forma bastante rude e preconceituosa, sem dúvida, que estas comunidades estão e são bem demarcadas da sociedade onde estão inseridas. Ou seja, mesmo que estejam todos legais, mesmo que paguem os impostos, que frequentem as mesmas escolas, trabalhem nas mesmas empresas, etc., somos uma comunidade fechada sobre si mesma, com as suas paranóias, preconceitos e formas de estar. Com jovens que não querem estudar, que se vestem todos os dias da semana como se fosse Domingo, que parecem fazer parte dos gangs da Linha de Sintra (nada contra a forma de vestir dos gangs da Linha de Sintra, ok?), sem objectivos na vida, porque, felizmente, podem contar com a família, e porque não raramente, essa família conseguiu com muito suor e trabalho, ascender ao patamar do pequeno a médio empresário com o seu negócio familiar, quase como uma máfia sagrada. O filme Gaiola Dourada não era um filme de clichés. É um filme realizado por um luso-descendente, bastante jovem, que sabe exactamente o que estava e queria contar. 
Posto isto, e querendo então demonstrar que muito do que as pessoas são, se deve ao ambiente e contexto cultural, sócio-económico, no qual estão inseridas, imaginemos outras comunidades, muito mais agressivas na protecção da sua herança cultural do que nós, mais religiosas, mais tementes aos bons costumes e práticas que a sua cultura exige. 
Imaginemos então as comunidades muçulmanas - tal como a nossa, os seus jovens, acabam por não ter exemplos, não querem continuar a estudar porque não vêem objectivos práticos, além de que, a sua etnia geralmente lhes garante um sinónimo de violência, de agressividade (e a imagem mundialmente passada não é de todo a melhor). 

Se um jovem, altamente influenciável (atenção porque também acontece com aqueles que têm as possibilidades, que estudam, que são cabeças de topo em universidades as quais eu nunca conseguiria pôr as pontas dos pés, sequer), altamente moldável na sua personalidade e forma de pensar, é arrastado para algo que lhe pareça fazer sentido, imbuído no espírito religioso que a sua cultura lhe terá dado, ainda que numa forma não tão forte, não me espanta que seja ou venha a ser carne para canhão de senhores da guerra que estão fisicamente longe, enfiados em alguma montante ou enclave. 
Estes são os novos terroristas, jovens, na sua maioria, que não possuem valores, que não têm objectivos de vida e que acabam por ver nisto, uma saída, um propósito, sendo levados a acreditar que estão a cumprir uma missão numa guerra, que, por mais incrível que pareça, nada tem a ver com eles, com as suas famílias, com as suas vidas sequer. 

Os novos terroristas são criados dentro da Europa, dentro das comunidades que os governos vêem crescer e nada fazer para ajudar na sua integração, sendo agora, quando o mal já existe e está bem enraizado, mais fácil apontar-lhes o dedo, colocar o rótulo de terrorista a cada muçulmano que passe pela rua, a cada mulher que cubra os cabelos com um simples lenço. 

Estamos a atravessar um momento além de perigoso, melindroso; a brincar a brincar, a extrema-direita vai crescendo dentro de cada um de nós, fazendo ou não parte de uma cada vez maior desunião europeia, chegando de mansinho, de forma educada e simpática, sempre, afirmando que vai resolver os nossos problemas, que vamos voltar a ter segurança e mais liberdade, que não vamos ter mais medo, e que iremos recuperar os nossos empregos. A verdade é que o Fascismo (de esquerda ou direita radicais), vem sempre camuflado de cor-de-rosa, e quando menos esperarmos, voltamos a uma época de trevas, onde o livre pensamento, o simples acto de dizer o que se pensa, poderá ser um bilhete de morte. 

O terrorismo europeu é realmente por culpa da Europa. Não soubemos cuidar nem proteger as comunidades que vieram ter connosco para procurar uma nova vida, com maior significado, com objectivos, com vontade de mostrar todo o seu potencial. Invés colocámo-las em guettos, bairros sociais, afastados dos grandes centros, em subúrbios onde há maior facilidade e proliferação de vícios e radicalismos. Onde as comunidades vivem fechadas sobre si mesmas, onde mais ninguém quase pode entrar. 

E tudo isso não é também ser-se terrorista? 

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