Wednesday, September 28, 2016

Como se tornarem numa real bestinha? Perguntem a Gustavo Santos.

Quem é o Gustavo Santos? 
Na verdade, eu não sei bem - acho que apresentava o Querido, Mudei a Casa, e fora disso, escrevia umas patacuadas no Facebook na linha da auto-ajuda. Em tempos viu-se o nome dele envolvido numa polémica qualquer (porque comentou já nem sei o quê e muitas pessoas ficaram em modo "ira"), mas depois passou. Eu acho-lhe alguma piada, mas quando ele tenta dar exemplos básicos às pessoas, quase que nos toma por estúpidas (e como a maioria até é, podem interpretar as coisas de uma forma menos boa e mais radical). 

Sei que, contudo, escreveu um livro. Ou melhor, pagou a alguém para lhe publicarem um livro. E a coisa pelos vistos vendeu. Quanto mais não seja para os leitores terem algo com que se rir de manhã nos transportes públicos, ou, em caso de SOS, que lhes sirva de papel higiénico. 

O Gustavo apresentou em duas páginas do seu livro um exemplo brilhante de como aquilo que nós queremos (o nosso EU quer) é mais importante do que qualquer outra coisa. Atenção! Ele tem razão - não podemos abdicar das nossas vontades só porque quem está connosco não sabe, não quero, não tem certezas ou quer algo completamente diferente. O título do episódio é perfeito: "Se sabes o que queres, não pode haver cedências". Contudo, o exemplo é super infeliz.

Ele foi a um restaurante com a namorada. Queria peixe. 
A namorada não gosta de peixe, pediu arroz de marisco.
O "homem" (sujeito a quem o Gustavo se refere - presumo que empregado ficaria melhor na escrita), disse que arroz não, porque era para duas pessoas.

E pronto. Arrumava-se a história. A menina pedia outra coisa e ponto final. Mas não.

O Gustavo pegou então neste exemplo (ela acabou por escolher um bife - pior seria se também não comesse carne), para explicar que quando nós (o nosso EU) sabe o que quer, seja comida, seja na vida, não pode haver qualquer tipo de cedências, não há cá ser-se fofinho ou fofinha em prol da nossa cara metade, ou seja de quem for que esteja connosco. O que NÓS queremos (e ele queria peixe) não pode ser o que o nós quer (ela tinha de comer arroz a dobrar ou levar para casa ou então ele tinha de comer o arroz com ela). 

O que eu concluo é que não foi um bom exemplo. Uma pessoa realmente parva lê isto e interpreta que não se cede a uma refeição, nem a mais nada - é como eu quero e pronto. E com isto pode ser qualquer coisa. Um filme, um livro, uma ida à praia, um estilo de vida. 

É demasiado simples para algo tão mais importante do que uma dourada grelhada. 


Monday, September 26, 2016

Chaves






A promessa de ir a Trás os Montes já me foi cumprida. E que surpresa ter sido recebida de braços abertos.

Monday, September 12, 2016

When Love Takes Over

Existem momentos únicos na vida. 
Há coisas que realmente não se explicam, apenas se sentem, e que sabemos que não podem ser meras coincidências. 

Quem me conhece sabe o quão importante é a minha família de Amigos, aqueles que mesmo à distância, mesmo com silêncios prolongados, está lá sempre. O grupo dos jantares que se fazem duas vezes por ano, sem hora para terminar, com cartadas à mistura e muitas palermices ditas e escritas (Jamie Foxx = Cantor de ópera cego, como exemplo). 

No sábado casou-se um desses melhores amigos, um dos meus irmãos sem ser de sangue, aquele irmão da família que podemos escolher ter. Aliás, agora ganhei uma irmã (oficial) a mais, o grupo só irá ter tendência a crescer. 

Ninguém, nem eu mesma, saberá o quanto de Felicidade o dia 10 de Setembro me encheu a alma, ninguém poderá perceber como um casamento e festa "normais" se tornam únicas só porque celebraram aquela União. 

E diz-se à boca cheia que em Dezembro haverá mais, de outro irmão (e irmã), também do mesmo grupo. E assim a vida vai correndo. E eu sinto-me imensamente grata de poder estar presente na vida destas pessoas maravilhosas que tornam a minha muito mais alegre e interessante.

Quando o Amor Vence, tudo se Pode e Consegue. 

Friday, September 09, 2016

Aqui vem...

É o Outono. A queda das folhas, os dias mais curtos, aquele calor que já pede um casaco ao final do dia, um recanto num café enquanto as pessoas passam a caminho de casa.
Com o Outono vêm os fins e os princípios. Os fins de férias, de banhos de sol e mar, dos amores estivais (que podem ser doces ou deixar marcas a ferro e fogo), mas também os começos. Os inícios. As coisas boas, a sensação de novidade. 
O meu ano termina e começa nas férias de Verão. Os meus fantasmas são enterrados nestas alturas. Outras pessoas poderão ou não manter-se, ir embora, ou entrar.
Só o Universo saberá qual a escolha certa. 

Mas este Setembro trouxe Esperança com ele. Assim. Do nada. Sem esperar. Sem procurar. 

E não vou estar aqui com merdas, porque tenho realmente medo. Medo de repetições, medo das pressas, medo de não saber parar a tempo. Medo de um dia não estar lá alguém. 

"Se tu caíres, eu vou lá estar..." - Mas não esteve. 

Não. Vou. Repetir. A. Queda. Sem. Rede. 



O que é que sente?

- Sentir ainda não sinto, começo é a ter aquela sensação de barriga embrulhada...

- Sintomas de nervoso miudinho?

- Sim, acompanhado por aquele sorriso tolo.

- Qual a frequência desses sintomas?

- Começa a ser mais do que 3 vezes por dia?

- Podemos estar aqui perante a doença de "Borboletas no Estômago"... (expressão de pena)

- Oh não Doutor!! Isso não!! Como podemos reverter a situação? (expressão de pânico e descrença)

- Não podemos - ou melhor, poder, pode. Mas sabe quais são os efeitos secundários.

- Coração partido.. (expressão triste)

- Exacto; mas escute, a probabilidade de isso ocorrer é igual. Resta saber se vai doer mais ou menos. A escolha é sua.

- Pois sim, Doutor. Eu percebo. A escolha é minha. 


Fade Out... 

Wednesday, September 07, 2016

Instagram vs. Tinder vs. Facebook

Sou utilizadora do Instagram e tenho perfil activo e verdadeiro no Facebook. Só segue (não é quem quer) quem eu quero que me siga - raramente tenho pedidos de "amizade virtual" e na maioria das vezes sou eu a enviar os mesmos a gente que me parece porreira - mas que ao primeiro desvio comportamental, sai banido para todo o sempre. Muitas vezes com direito a "verificação de conta". No último ano (2016) admito que à pala do Instagram tenho adicionado muito mais malta ao Facebook - o Instagram não deixa de ser uma rede social só porque foi criado com a ideia de partilhar fotografias instantâneas tiradas com iPhone ou smartphone. Hoje em dia é um espaço acima de tudo publicitário, mais do que um espaço onde imensos artistas mostram os seus portefólios. 
Contudo, também já dei conta que o Instagram pode uma espécie de novo Tinder - a possibilidade de haver conversas em modo privado, partilha de fotos pela mesma via, mensagens essas que podem ser apagadas automaticamente (e, tanto quanto saiba, não serem recuperadas), permite um maior despudor aos utilizadores; não há regras nem restrições. Só fala e responde quem quer - mantendo-se à mesma a política do "bloqueio". 

Não me parece que haja alguém ingénuo o suficiente para não compreender "segundas e terceiras" interpretações em determinadas conversas e, se as pessoas não são burrinhas, ao continuarem e permitirem esses diálogos, diria, mais "pitorescos", é porque, claramente, assim o desejam.

Pessoalmente até agora tive sorte. Também porque não ando a colocar fotos semi nua como muitas raparigas o fazem (então agora no Verão...), também porque para mim o Instagram continua (e cada vez mais continuará) a ser um espaço de partilha de imagens, instantâneas ou não - um local onde a pouco e pouco começo a ter "seguidores" e a "seguir" também com regularidade, impressionada pela quantidade e qualidade de fotografias que são apresentadas a um ritmo horário. 

Se alguém passar do Instagram para o Facebook é bom sinal - é sinal que há confiança suficiente para partilhar mais alguma coisa de forma virtual; isto se formos a acreditar que não sabemos nada nem como como chegar à vida dos outros por via da internet. 

Algo é contudo certo; uma vez na web, para SEMPRE, na web.

Tenham então (tenhamos) cuidado com o que andam por aqui a fazer. 

Vamos lá então falar sobre o Pokemon Go

.....

...........


................

Diz que foi uma febre passageira, uma moda rápida de Verão, como todas as paixões e vícios.

End of story. 

Friday, July 22, 2016

E como estou a fazer 10 anos e porque também mereço coisas bonitas...

Aqui deixo fotos tiradas pela minha própria pessoa.

Porque eu sou uma rapariga fixe!

#10anosdeblogue
#éspoucoconvencidaés



(Castelo de Vide)


(Castelo de Vide)


(Serra de São Paulo - Castelo de Vide)


(Bairro da Bica - Lisboa)


(República dos Kágados  - Coimbra)



(Sé Velha - Coimbra)


(Real República Prá-Kys-Tão - Coimbra)


(Noite de Santo António - Praça da Alegria - Lisboa)

Thursday, July 21, 2016

10 anos de A Carroça da Clau

#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue
#10anosdeblogue



Pronto. Era apenas isto. 

Wednesday, July 20, 2016

Outra vez...? Sim, outra vez, porque o blog é meu e escrevo o que quiser.

Teoria do Caos.

Ponto primeiro: O problema do terrorismo na Europa tem, obviamente, como pilar base, algo que nos chega a partir do médio Oriente. 

Ponto segundo: Os terroristas da Europa são (na sua grande maioria) europeus. Não são do médio Oriente. 

Ponto terceiro: Então que raio se passa? (Porque existe toda uma população europeia que não quer - não quer mesmo! - compreender como é que chegámos a este ponto). 

Faço esta analogia constantemente. Olhemos para a população emigrante portuguesa e olhemos para os seus descendentes luso-qualquer nação. Verificamos, de uma forma bastante rude e preconceituosa, sem dúvida, que estas comunidades estão e são bem demarcadas da sociedade onde estão inseridas. Ou seja, mesmo que estejam todos legais, mesmo que paguem os impostos, que frequentem as mesmas escolas, trabalhem nas mesmas empresas, etc., somos uma comunidade fechada sobre si mesma, com as suas paranóias, preconceitos e formas de estar. Com jovens que não querem estudar, que se vestem todos os dias da semana como se fosse Domingo, que parecem fazer parte dos gangs da Linha de Sintra (nada contra a forma de vestir dos gangs da Linha de Sintra, ok?), sem objectivos na vida, porque, felizmente, podem contar com a família, e porque não raramente, essa família conseguiu com muito suor e trabalho, ascender ao patamar do pequeno a médio empresário com o seu negócio familiar, quase como uma máfia sagrada. O filme Gaiola Dourada não era um filme de clichés. É um filme realizado por um luso-descendente, bastante jovem, que sabe exactamente o que estava e queria contar. 
Posto isto, e querendo então demonstrar que muito do que as pessoas são, se deve ao ambiente e contexto cultural, sócio-económico, no qual estão inseridas, imaginemos outras comunidades, muito mais agressivas na protecção da sua herança cultural do que nós, mais religiosas, mais tementes aos bons costumes e práticas que a sua cultura exige. 
Imaginemos então as comunidades muçulmanas - tal como a nossa, os seus jovens, acabam por não ter exemplos, não querem continuar a estudar porque não vêem objectivos práticos, além de que, a sua etnia geralmente lhes garante um sinónimo de violência, de agressividade (e a imagem mundialmente passada não é de todo a melhor). 

Se um jovem, altamente influenciável (atenção porque também acontece com aqueles que têm as possibilidades, que estudam, que são cabeças de topo em universidades as quais eu nunca conseguiria pôr as pontas dos pés, sequer), altamente moldável na sua personalidade e forma de pensar, é arrastado para algo que lhe pareça fazer sentido, imbuído no espírito religioso que a sua cultura lhe terá dado, ainda que numa forma não tão forte, não me espanta que seja ou venha a ser carne para canhão de senhores da guerra que estão fisicamente longe, enfiados em alguma montante ou enclave. 
Estes são os novos terroristas, jovens, na sua maioria, que não possuem valores, que não têm objectivos de vida e que acabam por ver nisto, uma saída, um propósito, sendo levados a acreditar que estão a cumprir uma missão numa guerra, que, por mais incrível que pareça, nada tem a ver com eles, com as suas famílias, com as suas vidas sequer. 

Os novos terroristas são criados dentro da Europa, dentro das comunidades que os governos vêem crescer e nada fazer para ajudar na sua integração, sendo agora, quando o mal já existe e está bem enraizado, mais fácil apontar-lhes o dedo, colocar o rótulo de terrorista a cada muçulmano que passe pela rua, a cada mulher que cubra os cabelos com um simples lenço. 

Estamos a atravessar um momento além de perigoso, melindroso; a brincar a brincar, a extrema-direita vai crescendo dentro de cada um de nós, fazendo ou não parte de uma cada vez maior desunião europeia, chegando de mansinho, de forma educada e simpática, sempre, afirmando que vai resolver os nossos problemas, que vamos voltar a ter segurança e mais liberdade, que não vamos ter mais medo, e que iremos recuperar os nossos empregos. A verdade é que o Fascismo (de esquerda ou direita radicais), vem sempre camuflado de cor-de-rosa, e quando menos esperarmos, voltamos a uma época de trevas, onde o livre pensamento, o simples acto de dizer o que se pensa, poderá ser um bilhete de morte. 

O terrorismo europeu é realmente por culpa da Europa. Não soubemos cuidar nem proteger as comunidades que vieram ter connosco para procurar uma nova vida, com maior significado, com objectivos, com vontade de mostrar todo o seu potencial. Invés colocámo-las em guettos, bairros sociais, afastados dos grandes centros, em subúrbios onde há maior facilidade e proliferação de vícios e radicalismos. Onde as comunidades vivem fechadas sobre si mesmas, onde mais ninguém quase pode entrar. 

E tudo isso não é também ser-se terrorista? 

#jesuis....jenesaisquoi

#jesuis
#prayfor

#fuckyouall

Tempos loucos estes de manifestações pacíficas. Tal como mencionei num post anterior, todos podemos agora contribuir para um mundo mais justo e pacífico através das redes sociais (ah, afinal apenas podemos espalhar algum veneno moralista e cuspir postas de pescada - 'ca nojo!). 

Ele é hashtag (eu conhecia o símbolo por cardinal: # ) por isto e por aquilo, até pelo que se não deve. 
Pessoalmente apenas costumava usar no Instagram (esse novo Tinder - outro tópico #jálávamos), mas agora, basta rebentar uma bomba no centro comercial e lá seguimos nós: #prayforthosewhohadtosmellit -bomba de mau cheiro ok? Embora também resulte em #prayforthosewhowereintheelevatorwhenthefatguyfarted .

Fora de ironias, a verdade é que, uma vez mais, não é com frases feitas partilhadas à exaustão através do Twitter que iremos controlar os radicais, cada vez mais radicais, e cada vez mais europeus, e as suas acções. Não é com frases feitas que iremos impedir (bom, neste caso os estado-unidenses), que os Trump da vida nos venham realmente a governar. 

Sempre percebi que a Humanidade funciona em golfadas de ar. Antes, por falta de informação, agora porque a globalização induz a uma quantidade incalculável de informação que nos deixa perdidos de bom-senso, impedindo-nos, cada vez mais, de conseguir filtrar tudo o que é realmente sério e importante, do resto. As golfadas de ar ocorrem quando há um evento fora do normal - e o problema é que esse "fora do normal" está cada vez mais normalizado no nosso dia a dia. 

Talvez por isso eu ache que sou um pouco je ne sais quoi. Nem carne, nem peixe. Um mero hashtag desprovido de importância. 

Já me ia esquecendo...

Ganhámos o Europeu.


Em praticamente todas as modalidades.

Só nos falta a modalidade terrorista. Not there yet. Não há franceses suficientes. 

Turquia, esse belo país democrático.

Gosto da Turquia. Nunca lá fui, diga-se, mas gosto. 
Parece ser uma coisa bonita ali, plantava junto ao Bósforo, Mediterrâneo, Egeu, Negro, a porta do Oriente, um local onde durante centenas de anos, várias raças e religiões conviveram em paz. Um país para onde (na altura ainda Império Bizantino) se concentravam as diásporas de vários outros povos em fuga. 

Gosto agora ainda mais da Turquia. Um país que faz fronteira com o Irão, a Síria, o Iraque e, ainda assim, consegue ter tantos atentados como a França. Um país onde os direitos humanos são assegurados todos os dias, onde a liberdade de expressão é marcante, onde o voto é livre. 

A verdade é que Erdogan é um verdadeiro homem político. De verdade que foi eleito em eleições livres e democráticas, em que o povo o elegeu como seu representante, povo esse que há dias, quando em menos de 4 horas foram mortas cerca de 300 pessoas só porque, enfim, eram contra o Estado, foi para a rua aplaudir o contra-golpe. Sim, é dessa gente, que apoia fortemente uma crescente islamização, um corte aos fracos direitos humanos, que concorda com a reinstalação da pena de morte (pena de morte not cool to EU entrance application), que o mundo precisa. 

Gente que, na verdade, não tem por onde se agarrar mais, gente que se não aplaude, não concorda, pode ser presa, torturada, morta, porque não têm alternativa à tirania. Porque não existe ninguém credível e pró-ocidental, que consiga fazer frente aos ditames de um retrocesso histórico cada vez mais evidente. Malta culta, evoluída, viajada, que um dia vê-se obrigada a emigrar, quiçá com o carimbo de "terrorista" no passaporte.

O mais estranho, para mim, nem é o que se passa lá dentro, mas sim as opiniões dos de fora. Há gente pró-ocidental contra os reaccionários, há gente cá fora que também bateu palmas à "força e resistência do povo turco que apoia incondicionalmente o seu representante maior", há gente cá fora que também ela vive sobre regimes ditos democráticos, mas que, sendo de esquerda ou direita, não deixam de ser totalitários, reveladores apenas da prepotência que os seus líderes possuem.

Na Turquia, em menos de uma semana, contratos com agências noticiosas, por televisão e rádio, foram cancelados, e várias mãos cheias de professores, afastados dos seus cargos. Sim, não podemos deixar que esses tais reaccionários, essa pandilha que faz as pessoas pensarem, que transmitem informações verdadeiras, consigam monopolizar mentes, influenciar espíritos. Há que os travar o quanto antes.

O problema do golpe de estado, além de ter sido realizado igualmente por gente de se torcer o nariz, em menor número e sem quaisquer condições, assenta acima de tudo no total revés ao seu objectivo real: com este contra-golpe Erdogan apenas conseguiu mais apoiantes, mais força, mais poder - e tem tudo para seguir com o seu plano democrático de dar cabo da democracia turca. 

Ainda assim, pergunto-me: quantos serão aqueles que, se pudessem governar (livremente) a Turquia, a conseguiriam proteger de todos os invasores vizinhos? 
Pergunto também, quantos foram os países, governados por tiranos e ditadores, que após terem sido "libertados pelas forças ocidentais da NATO (e americanas)" se encontram neste momento em plena tranquilidade. 
Pergunto até que ponto não serão os regimes anti-democratas que nos irão safar a todos um dia destes... 

Mas como I don't give a fuck...

Diz que fui ao Super Bock Super Rock.
Diz que eu não gosto de cerveja - detesto mesmo cerveja, qualquer que ela seja. 
Diz que fui ao SBSR no primeiro dia. Queria ver uma lista impossível de concretizar devido às sobreposições de artistas - ainda assim é melhor ver por 50 euros 3 grandes concertos, do que pagar 50 euros, muitas vezes para ver apenas 1 e não raramente também, ser-se embarretado (porque o artista estava com maus fígados, porque o som estava uma merda, porque o público estava a jogar Pokemon Go durante o espectáculo .... já chegaremos a este tópico).

Diz que gostei muito de Temper Trap (embora estivesse sempre a confundir o nome com os Tame Impala).
Diz que não percebo a panca associada aos The National (definitivamente não é o meu tipo de som, nem a minha onda).
Diz que gosto mesmo de dançar e Disclosure portaram-se muito bem.

Não posso comentar mais nada, porque não vi mais nada. Ah, talvez Lucius tenha sido fixe - elas cantam muito bem, mas o som estava demasiado alto para uma Pala de Pav. Portugal demasiado vazia.

Mas posso garantir que o SBSR ainda não está num local devidamente correcto. O Parque das Nações não serve como espaço a um festival. Os palcos encavalitam-se de uma forma pouco acessível e há mais espaço para passar figurinos do que para ouvir, concretamente, a boa música que por lá vai passando. 

Não, não tenho fotos. Diz que agora, concertos é para serem realmente ouvidos e sentidos e não para serem vistos através do telemóvel (a não ser que seja para jogar Pokemon Go, calma!). 

Dias sem fim

Houve uma época em que eu escrevia bem. Tinha jeito para o sarcasmo e ironia, com os quais pautava as opiniões muitas vezes radicais sobre inúmeros assuntos e, não contente, ainda expunha muito do que me é privado.
Acontece porém que vamos aprendendo com o passar da idade (há quem lhe chame erros, eu apenas chamo experiência). 

A verdade é que a paciência vai escorrendo muito rapidamente, tanto quanto o Tempo, à medida que vemos os dias ficarem maiores e mais quentes, para logo começarem a ficar mais curtos. 
E eu perdi a paciência para muita coisa. É que sabem, antes do fenómeno Facebook, eu já tinha blogue, e já escorria sobre os mais variados temas da (minha) vida. Quem gostava e não gostava, lia, podia comentar ou remeter-se ao silêncio e discussões argumentativas e filosóficas eram remetidas para as duas ou três conversas mantidas através de sms, quanto muito messenger ainda do Hotmail.

Hoje, são às centenas as opiniões que ecoam pelas redes sociais, treinadores de sofá, politólogos de vão de escada e café, gente tão pacata e honesta como mesquinha e reles. Há de tudo, e não se coíbem mesmo assim, de se resguardarem mais, mesmo que sejam perfis falsos ou verdadeiros. 
Deveria ser realizado um estudo sociológico (e antropológico) a esta nova geração (não, geração não é a palavra correcta, porque todas as faixas etárias estão aqui misturadas), a esta nova fauna de pessoas que por tudo e por nada, comentam, partilham, mesmo que nem sequer saibam ao certo o que estão a comentar ou a partilhar.

A minha experiência ensinou-me que, ao não saber sobre determinado tópico, devo-me remeter ao silêncio. Depois, nesse canto, pegar numa série de dados, livros, pesquisas várias, para aprender um pouco mais (sabem como é, malta que estuda calhaus na faculdade não consegue ser muito inteligente no resto) sobre o tema falado. E só então, depois de compreender que talvez consiga contra-argumentar em caso de necessidade, sim, dar opinião.

Atacar e ofender apenas por gozo pessoal é algo que não me passa pela cabeça - mas passa pela cabeça de muita gente. Mas gosto ainda mais quando, por apenas se ser ideologias políticas, religiosas, sociais, diferentes se "desamiga" virtualmente amigos da vida real, de anos, de adolescência, ou infância até. Então, foi preciso uma rede social mostrar que aquela pessoa era assim? Que pensava daquela forma? Das duas uma, ou nunca se foi realmente amigo, ou então as redes sociais têm aquele poder sobre todos nós, conseguindo expor-nos duma forma que nem mesmo nós próprios conhecíamos. 

Não me alongo mais com este assunto.
Era só para explicar que, se deixei de vir aqui com tanta frequência é porque, mais opinião ou menos opinião não fazem falta. Blogues sobre moda e cosmética sim. E culinária também. Cenas do quotidiano mundo-social-coiso é que não. Já existe a Jugular. 

Friday, June 17, 2016

3.

Não posso usar roupa justa, decotada, mini saias, batom vermelho.

Sou apelidada de mulher da vida, prostituta, puta.

Se for violada ou ouvir piropos, é porque a) estava a pedi-las; b) uma mulher só se veste assim para provocar e chamar a atenção; c) todas as anteriores. 

2.

Não posso dizer que gosto de meninos.

Mas posso comprar armas à vontade que estou apenas a precaver-me. E cuspir para o chão. E bater em Mulheres (não, posso e devo, levar tareias, porque é para isso que a Mulher existe na sociedade).

1.

Também gosto de meninos.

Também sou pedófila, ou isso só funcionaria se fosse do género masculino e tivesse uma pila no meio das pernas? 

Wednesday, June 15, 2016

Passa a correr...

Há muito que não venho cá, nem para espreitar, nem para matar saudades, nem ser curiosa.
Há tanto para dizer, para partilhar, novas imagens para mostrar, mas por vezes falta da paciência mais até do que a vontade.
Outras coisas se colocam em primeiro lugar e nem sempre há inspiração ou tranquilidade para escrever, um exercício que para mim é quase uma religião - e como tal deve ser respeitada, ter o seu tempo e lugar para não se tornar ou banal ou ordinária. 

Posso dizer que tenho viajado mais cá dentro, que tenho conhecido terras pelas quais nunca tinha estado antes, que tenho fotografado imenso (nem sempre bem, é certo), que tenho andado ocupada com trabalho (long live Petrel, o Rei!), que tenho estado a ver o Mundo a morrer cada vez mais todos os dias - mas que eu, ao mesmo tempo, tenho andado a distrair-me cada vez mais à mesma proporção (porque só se vive uma vez e não é bom deixar a Vida passar ao lado, à espera de coisas que nunca vão acontecer), que fui ao Santo António (yé yé yé, Lisboa é que é... e Porto e etc.), que fui assistir ao Prós e Contras quando da polémica da pesquisa de hidrocarbonetos no Algarve. 


Que soube do atentado (atentado, massacre) em Orlando. Que isso me deixa aterrorizada.
Que vejo ódio racial em todo o lado (e eu também sou contaminada, somos todos contaminados), que vejo os Trumps da vida a escalarem a escada do Poder e isso assusta-me ainda mais. 

Que a vida passa a correr, que o tempo não desacelera, que tudo está sempre em transformação, em mudança, um dia é uma coisa, no segundo seguinte é outra. 

Que tenho de vir cá mais vezes. 

Tuesday, March 15, 2016

Lisbon.

For those who've never been to Lisbon all I can say to describe it in one word only: LIGHT 
It doesn't matter if it's winter time or summer. The city will always be recognized through its light. I have no idea if it is because of the (mostly) white buildings, pale colors that characterize so much almost all of the metropolitan region or because the river (Tagus) reflects in "his" course all of the sun that carries from a long distance. It all confers a mystic soul for the (so I call) "lisboners". 
Yes, we are a sailers country - woman of a certain era wore black for those who were taken away by the sea - it still happens from now and then. Fisherman who don't return to their homeland, wifes without their husbands, children who grow up without their fathers. But we are also a country of conquerors, of brave people - who took their Life, Faith (Fado - that magical word) and Courage to the limits of an unknown sea. 
The Light it is also within our souls. We are not a gloomy country. We might not have the energy of our same-language speakers across de Atlantic, but we are proud of who we are, of who we were. 
And Lisbon is, by its own right, the Queen of Light. The last heart of the last piece of Land in the Old Continent. After that only mystery.
Inside it we'll find the remains of old History. Romans, muslims, all lived here. The city is filled with artefacts of those times. And of course, every Light has its Shadows. We also have the memoir of a earth that trembles, shakes, destroys and kills. We have the memory of those who parished under the so-called confort of their churches and beliefs, in fires that no man or god can explain, under the storm surge waves that vanished great part of the coast line. "Bury the dead and take care of the living". What was dark, became clear again. And a new city was built on top of the other and the other and other. 
The Light of Lisbon is filled with small shades then. Reminding us of our small we all are. 





Monday, February 29, 2016

Antes que o dia acabe, este ano foi brindado com um dia extra. Mais um para fazer muito, pouco ou nada. Acho que desta vez serviu para muitos descansarem dos Óscares, outros voltarem aos trabalhos de sempre. Mais um dia apenas que pode fazer toda a diferença ou não. 
"Foi apenas mais um dia como outto qualquer.. "

Tuesday, January 12, 2016

Para não acharem que estou a exagerar e que o meu discurso também denota algum desdém rácico...

http://joaoferreiradias.blogs.sapo.pt/colonia-dimensoes-de-um-problema-de-77807

OS ACONTECIMENTOS de Colónia, Hamburgo e Zurique tiveram o condão de transpor à realidade problemas até então meramente potenciais. Os problemas resultantes de integrações falhadas e exclusões sociais nos imigrantes de primeira e segunda geração, são temas de fôlego das ciências sociais. Os traços comuns entre mexicanos nos Estados-Unidos, turcos na Alemanha e norte-africanos em França foram tratados por Richard Alba, a título de exemplo. Os processos de assimilação e definições identitárias são jogados nos espaços de socialização. É, pois, sempre leviano supor que a mera entrada num país confere automaticamente as condições para a integração total dos sujeitos. Os choques culturais tendem a guetizar os migrantes que se vão fechando nas suas próprias comunidades, reproduzindo os seus padrões autóctones, transitando mal entre clusters culturais. Os atentados na Europa e a adesão de jovens imigrantes de segunda geração ao Estado Islâmico, demonstram bem o alcance do problema das inclusões sociais quando os valores culturais são transpostos e implementados sem processos de ressignificação. 
Nos casos dos refugiados sírios, acontecimento emblemático que colocou sobre a mesa o dever humanitário em supressão das cadências de inclusão convencionais, sempre foi expectável que a entrada massiva de refugiados produziria o caldo sociológico adequado às crispações sociais. Salvo atos de hostilização, oriundos de segmentos sociais nacionalistas, não se pode demonizar ad eternum o país de acolhimento e forças os cidadão a alterar os seus padrões comportamentais -- como queria a presidente da Câmara de Colónia -- mesmo em casos de falhas no processo. As violações em massa que ocorreram na noite de passagem-de-ano e o envolvimento de refugiados e candidatos ao asilo político revelam o quão longe estamos de uma realidade linear onde os refugiados podem ser tomados em comparação com os judeus vítimas do holocausto. Não que se deva tomar o todo pela parte, mas importa compreender que a parte produz efeitos profundamente negativos. Isto porque, o choque cultural é evidente. Como resposta a Bélgica pretende desenvolver uma série de ações de formação para os refugiados masculinos, clarificando os direitos das mulheres no Ocidente. Estamos, pois, num cenário perigoso, em que o melting pot é cada vez menos uma realidade de diversidades incluídas e mais de diversidades em confronto, em que a cultura do país de acolhimento se torna num problema e em que o sujeito imigrado recusa a aceitação das regras sociais. Quando partindo dos seus padrões nativos, homens refugiados decidem que violar mulheres representa um direito natural, é dado um golpe profundo na democracia e na visão da integração social, expondo, igualmente, que nem sempre a minoria é vítima. 

Qualquer coisa de bastante diferente agora.

Este já tem título. 
E é um assunto sério. Afinal o que é que aconteceu em Colónia na noite véspera ao Ano Novo? Ataques sexuais a mulheres? Violações (pelo menos 3 reportadas)? E por quem de facto? Apenas estrangeiros, alemães e estrangeiros, ou estrangeiros "refugiados", ou "estrangeiros sem autorização de residência"? Será que vai virar moda? E que ideia maravilhosa foi aquela da Mayor da cidade dizer para as mulheres andarem a um braço de distância de estrangeiros do género masculino de forma a evitar confrontos? Já agora, pergunto, que distância é essa, a do braço da mulher, ou do braço do homem? E porque não, já agora, evitarem usar saias, maquilhagem, decotes, e assim evitar todo e qualquer tipo de aproximação - com sorte usar um lenço e mais tarde, quem sabe, uma burka? 
O que é verdade é que isto realmente aconteceu, e apenas acrescentou mais lenha a uma fogueira que já virou incêndio de grandes proporções há muito tempo. As políticas de emigração estão a ser colocadas em causa e já ninguém se consegue sentir minimamente seguro na sua própria "casa". Sejam refugiados ou não, o certo é que os emigrantes ou migrantes são cada vez mais odiados, e, claramente, todos os que venham do médio Oriente - e não apresentarem qualquer tipo de certificação (comprovada) laboral ou habilitações não ajuda. Não é uma questão sequer de mão de obra barata, estou a referir-me a médicos, enfermeiros, professores, engenheiros e tantos outros e outras que realmente estejam a fugir de uma situação de todo não procurada, ao contrário de compatriotas iletrados e cegos por ditares militares, de ódio racial por uma cultura e religiões diferentes, mascarados por desígnios religiosos de livros sagrados. 
Além de fomentar racismo e xenofobia, estes designados humanos, acabam por fazer escalar a violência patriótica contra os outros emigrantes, aqueles que sempre existiram dentro das fronteiras europeias possuindo maiores ou menores recursos. A uma crise de refugiados podemos associar uma crise económica e financeira em que, também se questiona, a sobrevivência de tanta gente. Não havendo para os locais, como haverá para os outros, que ainda por cima, aspiram a chegar a "determinados" países. Porque razão? Alguém já parou realmente para perceber o motivo dos El Dorados? Ir para Espanha, Portugal, até mesmo França, está quase fora de questão - uma chatice - mas para a Alemanha, países nórdicos, não há problema - e países que como se sabe, historicamente (embora na capa da cidadania exemplar) escondem muitos ossos dentro dos armários, principalmente no que concerne a fanatismos de extrema direita. 

Por outro lado, durante a época natalícia, foi pedido a algumas comunidades para evitarem o uso de fogo de artifício, música, e outras formas festivas nas ruas, no intuito de "evitar recordações de explosões nos países em guerra". Compreendo perfeitamente bem que isso possa ocorrer, CONTUDO, duvido que seja essa a principal razão de tal pedido "simbólico". Deixar de fazer o que é natural dentro de uma cidade, evitando assim ir contra as crenças de pessoas que estamos a acolher parece-me exagerado, além de humilhante. Vamos deixar de fazer a nossa vida? Iremos começar realmente a praticar atitudes que matem a nossa liberdade para que os "estrangeiros" possam viver em plenitude a deles? Estarei eu na Europa ou estarei eu a, eventualmente, trabalhar num país do médio Oriente onde, LÁ SIM, terei de respeitar costumes e hábitos? 

Muitas perguntas, poucas respostas. 
Esta publicação vai sem título. Simplesmente porque não sei bem que título lhe dar: se escrevo "antes e depois" lá estou eu a referir e a comparar o passado com o presente, a velocidade das rotações da Terra e todos esses temas que já começam (até a mim) a irritar. Se escrevo taxativamente "das redes sociais" e sendo eu blogger, utilizadora de Facebook e Instagrammer, parece que estou a queixar-me (e nesse caso, se estou mal, então, que deixe de usar as mesmas). Por isso mesmo não lhe darei qualquer título. É apenas uma constatação. E está ligada com o Instagram.
Se é verdade que existem (várias) pessoas que adoram publicitar tudo o que lhes acontece na vida no espalhafato da internet, outras apenas há que fazem alguns desabafos, partilhas, que sim, claramente e invariavelmente têm de estar relacionadas ou com algum assunto pessoal, ou com alguma opinião pessoal. Nesse caso, mesmo com maior cuidado, não estão livres dos comentários dos outros, dos conselhos ou das "postas de pescada" sempre tão sábias, por quem nunca teve quaisquer problemas na vida - ou simplesmente não partilha nada dessas coisas, mais ou menos abertamente, em qualquer meio do género - mas se não partilha, também não deveria comentar, até porque isto é como aquele "provérbio": mais uma entrada, mais uma voltinha, a mulher grávida não paga, mas também não anda.

No caso concreto, falo na utilização do Instagram. Aplicação inventada apenas para utilizadores de iPhone (que hoje em dia tanto passa pela miúda fashion de 16 anos, como o mais intelectual dos intelectuais) que se propagou aos utilizadores de Smarphones (como eu). 
O uso do Instagram é, mais uma vez, apenas e só exclusivo de cada utilizador. O que se publica ou deixa de publicar é com cada um. Claro que há cada vez mais páginas de utilizadores falsas, mas a verdade - e é isso que quero deixar claro - o Instagram não obedece a normas de fotografia. Cada pessoa é livre de publicar o que quiser. Existem autores e fotógrafos que têm simplesmente perfis magníficos, "limpos", com imagens bem captadas e posteriormente trabalhadas (e não me refiro aos filtros). Estes autores fazem do Instagram um quase portefólio sem ganharem nada por isso - é certo que não podemos apropriar-nos dessas fotografias, nem gravá-las, mas estão muito mais vulneráveis. Ainda assim tenho visto trabalhos excelentes. E isso interessa-me porque acabo por retirar ideias para futuras fotografias que eu, enquanto amadora, possa vir a fazer.
Por outro lado, o meu perfil, que nem é dos piores, é uma mescla. Prefiro pensar que é exactamente aquilo que o Instagram deveria ser: instantâneos. Não pensar muito, não ter obrigatoriamente um tema, um objectivo, um enquadramento específico, um filtro único, uma imagem sempre imaculada. É apenas aquilo que sai. Se eu vou pela Mouraria fora e começo a clicar o bairro, teremos umas 4 fotos (que eu pense estarem minimamente decentes) publicadas, se eu estou junto a uma praia, não raramente terei umas tantas orientadas a Oeste, sobre o mar, ou sobre vilas junto à orla costeira e por aí vai. 

Não tenho temas específicos. Não olho o "meu" Instagram como ferramenta de trabalho (claro!!), mas faz-me igualmente espécie aquelas pessoas que usam o Instagram só por usar. Tiram uma foto ao cão, de pantufas, pelo gozo e toca a partilhar. Isso também roça o ridículo. Não queremos artistas de renome, nem grandes génios de photoshop. Mas sim alguma coisa que mostre qualidade e não apenas quantidade. Digo que o meu perfil é um patchwork de vários momentos. Não se rege por modas, não tem qualquer fim. Mas penso que algumas fotos possam ser realmente interessantes. E quando acho que não, simplesmente apago. Fico com elas registadas numa plataforma de memória qualquer.

Não queiram contudo que todos sejamos iguais, que os perfis, (e quantos mais seguidores, pior), comecem por estabelecer uma cadência típica - um autor, um género fotográfico, algo que se olhe e pense: ah, isto é daquele/a pessoa específica. Pelo menos não para mim. Sou "fotógrafa" de coisas, pessoas, paisagens, sapatos, árvores de natal, montras, mas com algum sentido de gosto e estética. É essa a diferença. Há quem os tenha (ou estude para os ter), e há quem estrague o conceito, acabando por resultar num quase desligamento a uma plataforma que continua a ser tão interessante. A esses aconselho o Snapchat. Mas deixem o Instagram sossegado de lixo visual. 








Monday, January 11, 2016

Os inícios do ano...

O início de um novo ano civil tem sido, de há uns tempos para cá, pautado quase sempre por notícias fortes. Daquelas que dão murros no estômago, nos deixam em estado catatónico, despertam o nosso estado de alerta geral, independentemente dos nossos próprios começos, das nossas instabilidades ou fragilidades.
2016 não é (até à data) excepção. 

Morreu David Bowie, hoje, aos 69 anos. Um puto, portanto. 

E com isto acabei de ler algo que realmente começa a bater cada vez com mais força dentro de mim e a ganhar a forma de um monstro: "O século XX está a fugir-nos debaixo dos pés". Um dia destes ninguém sabe ou se lembra deste ou daquele elemento que fez parte de todo um conjunto cultural inspirando mais do que duas gerações. O século XX fez-se devagar mas evoluiu a um ritmo interessante, deixando espaço para que as pessoas se conseguissem "apropriar" de alguns momentos, conseguissem identificar-se com determinada forma de ser, de pensar, politicamente e em tudo o resto. A evolução das máquinas, a entrada dos computadores, a internet, as redes sociais, acabaram por ser o instante de transição, a mudança de estádios, e, coincidindo com o final de uma época, de um milénio, tudo a partir daí começou a ser rápido demais, até que, na minha mente, começa a ser confuso entender o que foi, quando foi - parece que foi ontem, e afinal já foi há quase 20 anos. 

A morte dos grandes, em idades tão "tenras" não faz sentido algum. Pondero o expoente máximo de se manterem no asfalto de tantas outros, invés de envelhecerem como os restantes comuns mortais. É que há pessoas cuja existência é por si mesma já um facto histórico; pessoas que preenchem os espaços vácuos e que, como tal, não podem passar pelo território do esquecimento, do envelhecimento, da carcaça que vai ficando corroída com o passar da idade. 

Por outro lado, a ideia de perdermos os nomes que mudaram (quase) tudo, faz realmente pensar que as futuras gerações não saberão distinguir o quem FOI quem, tal é a velocidade de informação que nos é bombardeada diariamente, com os novos/ velhos ídolos culturais que todos os anos nascem e todos os anos desvanecem. É bom ouvir novas coisas, conhecer novos autores, mas a verdade é que são apenas passagens fugazes - não conseguem destacar-se dos demais por serem cada vez mais e com cada vez mais brilho. Nenhum irá ficar o tempo suficiente para entrar nos livros de História. Não por desprimor, mas porque há sempre alguém em fila de espera, como se fossem produtos de supermercado à espera de serem passados pela máquina que lê os códigos de barra - os 15 minutos de fama. 

A morte de Bowie apenas nos faz pensar na passagem do Tempo. Em como iremos explicar aos mais jovens quem era o homem que sempre tentou destacar-se de si mesmo. E porque razão o fez. Aliás, como iremos explicar aos mais jovens toda uma Cultura que se vai esquivando deste mundo físico, cada vez mais cedo e depressa. 

Mais uma vez nos consegue confundir. 



Friday, January 08, 2016

Ano novo, vida nova, mas a chuvinha continua impávida e serena. 

Sempre se disse que quando Deus fecha uma porta, abre algures uma janela, frase feita válida para tentar justificar que nem tudo o que acaba é necessariamente mau ou funciona pelo pior. Simplesmente é altura de aprender com o que se viveu, bom e mau, e tirar conclusões + ensinamentos para o futuro (a tal janela).
Para mim mais uma jornada/ ciclo/ momento chegou ao fim e com ela, e com isso, outra se iniciou - sem fazer planos de agenda ou numerações em listas, porque raramente resulta a não ser num contexto de trabalho. 
Pois bem, mãos à obra, recordar o passado com carinho mas aceitar que não podemos voltar atrás e repetir os bons momentos vividos. Há agora que trabalhar para o Futuro nos proporcionar ainda melhores e maiores surpresas. 
Com isto talvez comece a pensar seriamente a realizar um pequeno portefólio com algumas das minhas fotografias de amadora incipiente. Nada de especial, apenas reunir aquelas que penso serem as "melhorzinhas", sendo mais fácil depois encontrá-las para algum concurso ou exposição online (já conhecem o site Exposure.co? Permite-nos, antes de iniciar - e só se quisermos - o pagamento de cota, realizar 3 projectos fotográficos (incluindo texto) que podem ser visualizados por outros utilizadores da mesma plataforma bem como partilhar na Internet. Não deixa de ser muito relevante o facto de permitir uma maior segurança no que concerne aos direitos de autor, já que as fotografias só podem ser inseridas pelos próprios fotógrafos). 

Da mesma maneira iniciei um novo diário (manual), que terá de ser pautado por imagens também. Aliás, nos últimos 2 anos já começava a usar muito mais as referências em suporte físico de algumas entradas em museus, bilhetes de concertos, viagens de avião para descrever situações do quotidiano. Agora quero incluir imagens da vida real. Ainda que possa ser um trabalho privado, apenas meu, o que me adianta estar a referir que apanhei um trânsito infernal e não ter o registo em imagem desse caos? Ou a correria desenfreada das pessoas para a estação após as 18 badaladas? Ou "fui hoje ao miradouro tal e o céu estava magnífico" e não mostrar que céu era aquele? Um diário gráfico - ilustração e escrita, algo que há muito eu já deveria ter começado a fazer, mas que a preguiça digital acaba por deixar rolar no tempo.

Continuarei a usar o blogue para assentar ideias ou partilhar opiniões várias, eventualmente para expor também o que me assola. Os desafios, as ansiedades e angústias de quem pensa que já conhece muita coisa, mas na volta, ainda não sabe nada. 

Portanto e por agora vai sendo assim. Sem grandes expectativas e sem grandes ilusões, porque a própria Vida já é, de si, desafiante e não precisamos de a fazer um bicho de sete cabeças.