Friday, October 30, 2015

Up, up and away

Continuo a achar que nada acontece de propósito. Ontem, numa tentativa de "escapar" ao marasmo quotidiano, numa fuga (não) intencional à realidade e aos problemas do último mês, acabámos por ser protagonistas numa história que poderia eventualmente ter corrido muito mal. 
Valeu-nos o sangue frio de quem já passou por isto antes, e o pêlo na venta de quem já esperou, em outras ocasiões, demasiado por uma ambulância que tardava em aparecer. 
89 anos de juventude. Sete Rios. 
A primeira impressão de sangue é sempre assustadora, até que temos de estancar as hemorragias. Depois é pressionar bem. E falar sobre outra coisa qualquer. E assimilar aquilo que os 89 anos nos vão dizendo. Rijos, sem papas na língua. Bem-dispostos. 2 Filhos, 3 netos, 2 bisnetos (mais um 3º a chegar). "Nunca na minha vida fui a um hospital, não é hoje com certeza. Aliás, eu estava a caminho do centro de saúde..." Acabou por ir, consciente de si e dos que a rodeavam, segura de si mesma. 
Pela madrugada uma das netas enviou-me a mensagem de que tudo estava bem (menos o tempo de espera na urgência, algo perfeitamente normal para uma pessoa daquela idade, ainda para mais lúcida). Que era cada vez mais raro haver quem fizesse o que fizemos pela avó. Eu interrogo-me quem é que não o faria. Um animal? Será que continuo a viver numa bolha de sabão e não vejo que as pessoas estão cada vez menos preocupadas umas com as outras? Valeu a pena aquele contacto com outra realidade e sim, acabou na mesma por ser uma fuga para outro lado, mesmo que não fosse o que eu gostaria, se calhar, valeu ainda mais a pena. 

Tuesday, October 27, 2015

Oriente(-se) - início de colecção

Fotos tiradas na Estação do Oriente - sem sombra de dúvida uma das mais fotogénicas na região de Lisboa, talvez pelo ar de modernidade, pelo facto de ser local de convergência e quase entroncamento de vários comboios com vários destinos e proveniências, de imensa gente que habita a margem norte do Tejo até ao final das linhas suburbanas. Talvez também por ficar orientada a Leste (com direcção Norte-Sul) e com isso o Poente e Nascente ficarem em posições diferentes às que estou habituada, conferindo, principalmente durante a Primavera e Verão, uma luminosidade incrível. 



O momento em que eu gostava muito que os geólogos que me lêem ajudassem...

Há ou não há Cretácico inferior (K1) acima da falha da Nazaré, sector norte da Bacia Lusitânica? Algumas pessoas, algumas pessoas, dizem taxativamente que não, mas, nos relatórios de poço (plataforma) ele ocorre sob a forma da Formação Torres Vedras, por exemplo. Por favor, digam que eu não estou a alucinar. Mas na verdade, nas cartas geológicas o sacana também aparece e tal. Deus dai-me paciência para aguentar determinadas coisas... 

Contra o Poder, nada se Pode #2

Notícia da manhã, e talvez do dia, considerando que a política nacional pouco ou nada poderá impressionar mais: Luaty Beirão pôs fim à greve de fome.
Eu acredito piamente que tenha sido apenas e só por amor à família, por amor à filha. Não me convence o discurso de que "ganhou" a batalha, ou que a "máscara" (da política praticada) tenha caído. Na realidade eu acho que não são precisas greves ou manifestações para se perceber o que se passa em determinados países do mundo, mas sim, uma boa dose de bom senso em não criar ondas (mais uma vez porque outros valores falam mais alto...) (des)necessárias. 
E isto, para mim, cada vez será mais um assunto "areias movediças". É incrível como o direito à Liberdade de Expressão se torna cada vez mais raro - quanto mais plataformas de comunicação existem, maior será o grau de vigilância. Há sempre um Big Brother a espreitar a cada palavra escrita. 

Monday, October 26, 2015

Por falar em "desbloqueio"... Contra o Poder, Nada se Pode.

Luaty Beirão. O activista angolano contra o regime. 
Não há forma do rapaz voltar a comer. O mais provável é realmente sucumbir à fome e sede por acreditar em algo tão fundamental como no direito à Liberdade de Expressão, Direitos Humanos, anti-corrupção, coisas tão corriqueiras nos dias de hoje que infelizmente andam a falhar seja em que país for (sim Finlândia, estou a falar também de ti aqui). 
Contudo o problema atravessou fronteiras e chegou obviamente a Portugal, parceiro de negócios e outros que tais com Angola. 
Se há coisa de duas semanas o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros pronunciava-se em nada se pronunciar sobre o assunto, há dias o nosso Embaixador em Angola cometeu o enorme erro de ir visitar o rapaz, misturando-se com a legião estrangeira que foi igualmente mostrar solidariedade. 
Tal como eu tinha mencionado num comentário um bocado (mas só um bocado) estúpido no Facebook, claro que Portugal não tinha nada que se meter nestes assuntos. Nós que temos, ainda assim, uma boa relação comercial e económica com Angola, que temos investimento angolano, vamos visitar pessoas que estão contra esse mesmo regime que possibilita esses negócios? É dar uma no cravo e outra na ferradura  - e olhem que eu sou perita em instabilidade emocional. 
Peço desculpa, porque neste momento da minha vida a minha opinião já não pode entrar em jogo, mas a verdade é que se queremos continuar com algum apadrinhamento angolano pró-Santos em Portugal, temos de nos sujeitar ao básico dos básicos, e por muito que discordemos de determinadas situações, temos também de engolir em seco a bem das relações diplomáticas que eu sei, serem muito difíceis de, primeiro, se estabelecer e, segundo, se manter. 
Claro que o politicamente correcto é muito bonito, mas por vezes traz-nos muitos dissabores. Há que ter em atenção vários factores antes de se fazer seja o que for, principalmente neste tipo de casos. 
Luaty, compreendo a tua luta e se eu pudesse, outro galo cantaria, mas infelizmente contra o Poder, nada se pode.  

Desbloqueio

Quando estás há quase 1 ano histérica com a revelação da existência de fontes termais (termas romanas) e finalmente sabes que sim, que estão a fazer alguns estudos arqueológicos sobre o assunto. Isso sim, é finalmente um (quase, vá) desbloqueio. 

Para quem não sabe, as termas romanas estariam localizadas à que agora é a Rua das Pedras Negras, junto à Igreja de Santo António (à Sé) e, em Alfama, algures entre colina da Sé e os Chafarizes de Dentro e d'El Rei, outrora conhecidos pelas suas propriedades medicinais. 

Friday, October 23, 2015

The pursuit of happiness is not outside you but yet, within you.

Tão bonita esta frase. Tão reveladora de um profundo auto-conhecimento adquirido em livros de auto-ajuda (que nunca li) e romances cinematográficos desde que a Scarlett O'Hara assumia que resolveria os seus problemas "amanhã". NOT! 

Na realidade é muito mais que isso. 

Quando não sabemos silenciar o nosso EU, começa a ser muito difícil escutarmos realmente o que a nossa mente nos tenta dizer, o que os outros nos tentam dizer, e por aí vai. O silêncio É desconfortável - todos sabemos isso, e só se torna mais "aceitável" quando começamos a preencher esse pseudo-vazio com nós próprios. Fazendo algo que nos preencha de tal forma que não seja obrigatoriamente necessário serem outras pessoas a fazerem-no. 

Dito isto o difícil é (re)começar. Aceitar o que tiver de ser aceite, perceber que não podemos mudar o que está para trás mas sim, no presente moldar um rumo melhor, e coiso e tal. No Fim está o Princípio e só dentro de nós é que conseguimos desligar o botão das rAlações externas e passamos a admitir que afinal até conseguimos sobreviver mais um dia "sozinhos", lidando e lutando apenas com e contra nós mesmos, contra os nossos medos. 

Na verdade é o Medo que nos vai controlando em tudo. O medo da rejeição, o medo de sermos mal interpretados, o medo de falharmos, de incomodarmos. Quando mostramos essa faceta tão insegura aos outros, então imaginemos o quão partidos afinal estamos por dentro, de forma a necessitarmos daquele apoio extra que os outros não têm na realidade obrigação de nos dar. Aliás, podem nem querer dar sequer, uma vez que quando nos conheceram e se aproximaram de nós foi por sermos independentes e felizes e pró-activos e com sonhos e planos - e, lá está, fazendo coisas que nos preenchiam sempre. A única coisa que podemos esperar dos outros é companheirismo, amizade, e, quando isso não ocorre, então é tempo de avançar. Custa muito? Custa... Silêncios, enfrentar medos, lutar contra as nossas inseguranças, saber avançar (e largar o que nos prende - porque o que está feito, está feito, dito, não há forma de o alterar), principalmente o largar e saber avançar (porque foi bonito e porque sentimos falta ou saudade, porque agora dói - e se continuarmos a pensar nisso, vai continuar a doer, porque é como estar sempre a tirar a crosta de uma ferida). 

Não sou cá guia nem exemplo para ninguém - estou aqui com este paleio exactamente porque estou numa situação que me obrigou (em parte por minha culpa) a estar num silêncio atípico e conseguir esperar por uma coisa simples. Um "olá". 
O que aprendi em (só) 4 dias e meio? Ainda não sei. Acho que ainda não aprendi nada. Mas simplesmente o facto de me estar a controlar internamente já deve ser um passo rumo a algo mais positivo e melhor em mim. 

Ficarei a aguardar por melhores dias. Mas a verdade é que não passará apenas e exclusivamente pelo "Olá". Até pode chegar e eu continuar a sentir-me mal - ou seja, a cura para o mal-estar passa apenas por mim. Dentro de mim. 

Posto isto, acho que vou voltar a viajar..  


Tuesday, October 20, 2015

Tudo acontece por uma razão. Estou aqui farta de o dizer e de certa forma é assim que, depois das grandes tormentas, eu acabo por pensar no meu dia-a-dia. Ou é isto que eu digo às outras pessoas quando são elas que não conseguem ver a luz no fundo de tudo o que se lhes passa. 
A Vida seria muito mais bem aproveitada se não houvessem ansiedades, ou ilusões ou criação de expectativas. Um dia de cada vez, sem pressas. Contudo, não é assim que ela se nos apresenta. A Vida quer-se vivida a uma cadência normal, equilibrada, sim, mas quando tem de ser rápida, aproveitando o momento também assim o é. Há quem não o entenda. Há pessoas, como eu, que sofrem de ansiedade, essa ansiedade torna-se em insegurança, essa insegurança em tristeza, a tristeza em ansiedade, num ciclo vicioso que só termina quando "algo" termina também. Num relacionamento há sempre esse fervor de tudo ser para ontem. Porque há uma vontade incrível de querer estar com o outro, de absorver cada movimento e cada toque e olhar. E sim, com o passar do tempo, com o desenrolar da Vida, essa primeira sensação de euforia vai passado, ou pelo menos relaxa um bocadinho, desde que haja sempre paixão e afecto (seja ele que tipo for). 
Por muito que eu também diga que é essencial, devo admitir no entanto que esperar (ou dar tempo), não é o meu forte. Posso esperar por coisas (porque são isso mesmo, objectos), posso esperar por realizar certos trabalhos (porque ainda não recebi dados suficientes para pôr "as mãos da massa"), mas não concebo esperar por pessoas, por disponibilidades temporais. Nem eu, nem (quase) ninguém. Ou quer-se estar com a outra pessoa, ou então não quer - e a razão, se for aceitável, pode simplesmente terminar com um: "neste momento não tenho tempo para estar com outra pessoa a meu lado, sequer". Se assim não é, é apenas um tormento para uma das partes. Tentar aceitar justificações atrás de justificações que nos levam a pensar "nem 2 minutos?" acaba por ser penoso. Mas mais penoso é, quando elas são realmente verdadeiras. Antes fôssemos todos uns sacanas, a mentir descaradamente, mas não. Temos realmente aqui um problema de falta de tempo, de timing, de vidas que estão em níveis totalmente distintos. Há falta de carinho ou do tal afecto? Talvez não. Concerteza que não. O que falta é a altura certa da Vida - porque ela é para ser vivida à tal cadência sim, mas em alturas que sejam perfeitas para um casal. Contra-pesos na balança, um dar mais, o outro não dar de todo, depois receber-se tudo de uma vez só transbordando o copo e acabando por se entrar numa maré de quase enfado é simplesmente errado, porque não apresenta equilíbrio. Porque uma das partes acaba por sair mais fragilizada e quebrar. E fazer coisas que não devia de todo - a bem da sua integridade psicológica, pelo menos. 
Às vezes limito-me a ver o óbvio (que custa mais que traições), o Amor só por si, nem sempre é O suficiente. E não se pode esperar para sempre. Porque a Vida não espera. É isso... a Vida não espera. 

Friday, October 02, 2015

Porque está na hora de falar de coisas sérias...

Sobre as eleições (porque estamos a dois dias e amanhã tenho o dever e a obrigação por Lei, em estar calada): sempre votei, SEMPRE. Desde os 18 anos, nunca falhei nada, nem referendos, nem legislativas, nem autárquicas, sempre votei com consciência que o meu voto sairia das minhas convicções, fossem elas mais de esquerda ou mais de direita (quem nunca se sentiu ligeiramente JCP que atire a primeira pedra ao charco!). Mas este ano, neste 2015 que tem sido algo trapalhão, já não tenho a certeza que o meu Voto seja útil, inútil, assertivo, de coração ou de convicção. Tenho, pela primeira vez, a sensação de atirar tudo ao ar e dizer "que se lixe esta merda toda, eles que se decidam e escolham!" E acho que se não puser os pés na minha antiga escola secundária, não estarei "nem aí" para o sucedido. Assobiarei para o lado como tantas outras pessoas costumam fazer - mas ao contrário delas, que depois passam 4 anos a criticar, a maldizer, eu ficarei calada a ver a caravana passar. É um bocadinho como aquelas pessoas que passam um Inverno inteiro a dizer que estão fartas do frio e da chuva, mas assim que apanham os primeiros raios de sol queixam-se: "ai, este sol faz impressão à vista"... PQP! Ide-vos morder todos num sítio que eu cá sei, mas por favor, livrem-se de dizer seja o que for perto de mim! (E muito menos livrem-se de me apontar o dedo como possível eleitora não participante...)