Monday, February 04, 2013

Gucci pour Homme

.... adoro o cheiro do perfume. Sim, é para homem, fragrância masculina pura, amadeirada. Quando referi ao vendedor que adorava para mim, ficou-me a olhar de alto a baixo, culimando com um "bom, os perfumes são feitos para quem gostar dos aromas os usar, realmente julgar os cheiros por feminino/masculino e usar só o que a "etiqueta" de género recomenda, é patético. Eu adoraria tê-lo para mim. Há quem sonhe a mala Chanel, eu é mais o perfume.


Filmes do médio Oriente...

... um do Irão, que acabou por vencer no ano passado o Óscar para melhor filme estrangeiro e o outro de Israel, também conhecido nas esferas mais "indies". Para quem tiver paciência de ver películas com histórias diferentes das do costume - é tão raro encontrar-se isso, hoje em dia, na cinematografia norte-americana, com excepção do Regras para um final Feliz, que ainda tenho de ver, e de Juno (que vi e também gostei) - e quem não se importe de ler as legendas, porque os filmes não são dobrados e assim estão na suas respectivas línguas originais (árabe e hebraico - a juntar inglês e russo, ao segundo). Vi-os ambos, tarde e a más horas, como a nossa televisão pública gosta tanto de fazer, e realmente apelam ao sentido de conhecer o que mais, dentro do género, se fará naquela parte do mundo.

De uma forma ou de outra, são filmes que nos ajudam (a nós, "ocidentais") a revermos os preconceitos que temos sobre duas nações antagónicas. No caso do filme Uma separação, essa ideia ocorre dentro do próprio filme, uma vez que retrata - numa urbe quase europeia, senão mesmo, muito europeia- duas famílias muito diferentes. A "moderna", onde ambos os protagonistas são licenciados, pretendem emigrar e, face a uma dificuldade familiar, é a mulher, a esposa, quem pede o divórcio, sem que o marido entre em qualquer conflito (a única coisa que os conecta é saberem com quem a filha decide ficar em tribunal). No lado da família pobre, vemos pessoas com parca instrução, amarradas ao tradicionalismo islâmico de chaddor e corão em riste. A dicotomia que o filme lança sobre a situação que une estes pólos é incrivelmente bem concebida, acabando também por delinear aquilo que os nosso olhos vêem e aquilo que a comunicação quer que se veja. 
No filme Director de Recursos Humanos, o contorno do plot resulta bem devido ao clima de terror que israelitas e palestinianos vivem dentro da cidade de Jerusalém (e quem diz eles, diz qualquer outra pessoa e religião que por lá habite). Partindo do centro da cidade, onde se verifica uma constante militarização (irritante até para os próprios israelitas), e uma separação de cortar à faca entre os judeus ortodoxos dos "não-praticantes", termina-se a viagem na Roménia, após algumas voltas na história essenciais para a caracterização do carácter (sim, redundância) do personagem principal. Bem realizados e melhor ainda protagonizados, porque em filmes destes, o melhor é sem dúvida os actores a trabalharem sobre bons argumentos.