Thursday, October 25, 2012

Dia de temporal...

E agora colocava aqui uma foto das nuvens negras do horizonte lisboeta ou de um mar supostamente revolto. Não... simplesmente isto: hoje, dia 25 de Outubro, a minha melhor amiga (de entre as melhores amigas que tenho) irá realizar um almoço-festa-convívio, quase parecido com a Festa do Avante, mas sem qualquer conotação política, porque, daqui a 1 semana, mais coisa, menos coisa, vai-se embora. Vai-se embora para outro país. Vai-se embora para outro país, trabalhar. Vai-se embora para outro país trabalhar porque aqui ela já não pode continuar. Vai-se embora para outro país trabalhar porque aqui já não pode continuar a ser bolseira de investigação. Porque o Governo cortou com essas despesas menores, porque quer fundir instituições de ensino, como se fosse uma coisa básica e simples, como se isso não fosse, de alguma forma, eliminar toda uma história académica. Terão noção de que a geração a seguir à minha, a geração dos nossos filhos irão apenas imaginar (e mal) que antigamente em Lisboa existia a Universidade Clássica e a Universidade Técnica? Que eram dois monstros de ensino com ritmos e objetivos diferentes? Mas o que hoje aqui me traz é realmente o fato dela se ir embora. O fato de, durante um vasto período de tempo, poderei não voltar a vê-la, que deixarei de contar com a sua presença, muitas vezes silenciosa enquanto eu disparatava a torto e a direito sobre os mais variados tópicos. Acima de tudo tópicos não-essenciais mas que nos faziam rir.. ou não. Ela vai-se embora porque encontrou um lugar onde pode fazer aquilo que gosta, contribuindo para uma atividade bastante interessante, e ganhando um ordenado com isso, passando a ter os mesmos direitos e deveres que todos os outros cidadãos, sem ser por isso apelidada de "encargo extra ao Estado". Bem pode chover hoje a potes e trovejar o que quiserem, porque esses são os gritos de raiva de quem tem de ir para fora procurar um futuro. Ou são os gritos de alegria de quem se vê finalmente livre deste país que amamos mas que já não aguentamos mais, como aqueles casamentos em que o que resta é apenas a companhia irritante do outro. Eu estou a perder os meus amigos para outros amigos que eles, obviamente, irão conhecer... Portugal perde uma geração inteira de pessoas mais do que qualificadas mas sem espaço já para poderem respirar. Eu não tenho pena dos que vão, eu tenho pena dos que ainda não conseguiram ir. E sinto falta deles todos. 


PS - Eu sou sem dúvida uma das poucas sortudas. Amo o que faço, o meu trabalho. Tenho a sorte de fazer exatamente aquilo que queria quando estava a terminar o meu (longo) processo de licenciatura. Mas isso não me impede de sentir saudade. Ou impede?

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