Wednesday, December 23, 2009

Foi só uma chuvinha e um ventinho.. não percebo a razão do cagarim..

Portugal é realmente um país da ponta da Europa...

É triste, mas nem com a porra do tempo atmosférico, Portugal ganha o mínimo de destaque. Temos frio a menos, temos chuva a menos, temos neve a menos, teve vento a menos. Os nossos Invernos continuam a ser suaves e quase tropicais quando comparamos com os outros países. Não interessa que a região Oeste TENHA SIDO MUITO AFECTADA PELO MAU TEMPO, que continuaremos a ser um país de merda. Isto cá dentro. Lá fora: tivémos, ou melhor, tiveram, umas centenas de pseudo-cientistas, governantes e políticos, durante 2 semanas e 1/2 em Copenhaga, a fazer um cu! Ou melhor dizendo a não fazerem nada. Foram lá passear. Passar umas mini-férias na Dinamarca deve ser giro. Eu também gostava, principalmente porque não tinha que trabalhar. Porque aquilo que eles fizeram, ou seja, nada, foi mesmo isso.. NADA. E não fazer nada deve acabar por cansar. Assim que a cimeira acabou, PIMBAS! mau tempo nos "states", mau tempo na Europa, mau tempo no raio que o parta. Só me conformo no dia em que vir o nível médio das águas subir tanto que eu, como não sei nadar, morra afogada e veja a MERDA DESTE PLANETA E DESTE PAÍS E DESTA GENTINHA ESTUPIDA, morrer também. São estes os meus votos para 2010. Passem bem!

Saturday, December 19, 2009

Soube-se ontem que o letreio à entrada do Campo de Concentração de Auschwitz na Polónia foi roubado. Desta vez é que não consigo compreender qual a razão para tal acto, nem quem poderia tê-lo realizado. Não acredito que tenham sido alemães de esquerda, até porque desconhecem-se quaisquer delitos por eles efectuados; pode cruzar-me por breves instantes, apoiantes extremistas muçulmanos que de tanto ouvirem o Holocausto ser uma mentira, tenham interiorizado a ideia de forma a cometerem mais este crime. O pior cego é aquele que fecha os olhos e não quer ver. É tão criminoso aquele que mata como aquele que esconde a culpa. O Holocausto aconteceu quer se queira, quer não, quer se goste do povo judeu, quer não, e uma das frases mais marcantes dessa época de horror (muitas outras se seguiram), "O trabalho liberta", "Arbeit macht frei", não pode ser esquecido, não pode ser roubado para que ninguém veja ou se recorde ou, pior ainda, venha a saber que isso ocorreu. Não compreendo, nem aceito. Tenho muitos defeitos, cometo erros e injustiças, posso não gostar de determinados povos e culturas, mas fechar-me à sua História, que invariavelmente terá marcado a História Mundial, é o pior erro de todos, o pior crime a pior ameaça à civilização dita moderna. O futuro constrói-se a partir do Passado. E este nunca pode/deve ser esquecido.
Porque o blog é meu e só lê quem quer, o que quer e quando quer. Não devo satisfações a ninguém e muito menos tenho que seguir o rebanho no que diz respeito à escrita e aos temas abordados.

Para muitas é uma perca de tempo. Com tanta coisa para se fazer, não se perdem minutos preciosos a ver uma merdice destas na televisão, muito menos quando se trata de uma novela brasileira de merda. Bom, por acaso a última que vi (e gostei) chamava-se Paraíso Tropical (2007), e apresentou ao mundo português um magnífico rapaz que, por acaso começou com o pé direito a interpretar o vilão. Mas a isso já chegaremos.

Estava a dizer que a maioria das pessoas com quem me dou afirmam que não vêem este tipo de coisas porque não merecem a pena. Talvez tenham razão, mas eu vejo quando gosto, mesmo que seja uma história escrita em cima do joelho.

Viver a Vida é isso mesmo, uma história que começou muito bem, a ser filmada em Maio/Junho em países do Médio Oriente e tal, que parecia ser mais uma daquelas (via Manoel Carlos) com tudo para ganhar. Agora sabe-se que o autor, com 70 e tantos anos, não é nem um Saramago, nem um Lobo Antunes, escreve muito devagar…tão devagar que os episódios chegam a ser transmitidos no mesmo dia em que foram gravados.

Mas a ideia aqui é de classificar as personagens; alguma principais, outras nem tanto. E para mim, uma novela que no país de origem já está quase a meio, não reserva muitas surpresas. Se reservar é porque realmente está a ser muito mal redigida.

Helena (Taís Araújo): é a típica não-heroína da história. Geralmente o autor costuma utilizar sempre uma Helena nas suas histórias, mas de há uns anos para cá, estas têm-se tornado fraquinhas, deixando sempre o mega protagonismo para as rivais/vilãs. Este deve ser o caso (quando finalmente aparecer (?) uma inimiga público-privada). Helena tem tudo para ser feliz, é uma famosa modelo internacional, conhece grande parte do mundo, tem dinheiro suficiente para viver bem e para ajudar a sua família, teve já os seus romances e problemas também e diz ser independente. Realmente parece, mas quando chega à parte do casamento e marido, o caso muda de figura e esta Helena perde diálogos, passa para 2º plano. Um fracasso enquanto personagem.

Tereza (Lília Cabral) :

em relação a esta personagem só posso dizer que ainda bem a Lília Cabral nunca ter sido escolhido como Helena destas novelas. Não faz o papel de malvada, mas sim de mulher madura que se divorciou ainda gostando do marido, que vê o mesmo casar com uma mulher mais nova que, vejam só, tem a mesma profissão que ela teve um dia e que, a pedido do legítimo esposo, deixou de lado. É daquelas pessoas que nós compreendemos os sentimentos, as perdas, as angústias, e até lhe damos razão quando é hora de atribuir culpas pelas desgraças. É das melhores personagens conseguidas para esta novela e rouba, sem qualquer dúvida o brilho que Tais Araújo poderia ter.

Luciana (Alline Morais): esta é fácil. Mimada, filha de pais ricos, gira, gira e gira, modelo, com um namorado q.b.; vai fazer um desfile na cidade de Petra, na Jordânia porque Helena, a nova mulher do pai e amiga/colega/rival das passereles assim pede ao agente das duas, mas não sabe que a razão é essa. No regresso sofre um brutal acidente onde (só ela) fica magoada. Para quem vai ver a cena aviso o seguinte, no meio de toda a confusão, são várias as raparigas que andam aos trambolhões tipo máquina de lavar. Só a Luciana é que fica mal. Chama-se a isto ter azar, muito azar com a personagem. Digamos que de certa forma, a Lu, é a desgraçadinha da história que serve de mote para o título da novela. (Todas as novelas do Manoel Carlos têm tido uma componente moral forte, ou assim ele pensa).

Renata (Bárbara Paz): namorada de Miguel, o médico. Louca e viciada em álcool. Como também quer ser modelo ou actriz não come para emagrecer, trocando comida por bebida, dando origem a momentos embaraçosos. É, contudo muito humana e perspicaz, e quando sabe que está a mais retira-se sem fazer quaisquer ondas. É totalmente insegura e com uma auto-estima pior que a minha, mas quando Osmar lhe dá a oportunidade da vida dela, torna-se um pouco mais confiante. Por agora tem-se portado bem (episódios no Brasil), já não bebe tanto (que isto não era assim, de um dia para o outro) e vai fazer a campanha publicitária de uma marca de roupa, embora continue com inúmeras inseguranças.

Vamos aos homens que até à data são os mais importantes:

Marcos (José Mayer): caramba! Péssimo marido. Já o era na época de Tereza, quando a traía a torto e direito dando origem a filhos bastardos e tudo. Assim que vê Helena a caminho do estrangeiro (ainda que contra gosto) enrola-se com uma tipa que encontra em Búzios (zona de praias a 2 horas do Rio de Janeiro, se para Norte ou Sul, é-me completamente irrelevante); bonito que agora a gaja está grávida. Portanto, para mim, e pelos vistos para Helena também, a fidelidade é uma coisa séria, importante, que não deve ser perdoada. Quando ela souber, vai ser giro. E ainda “só” estamos no episódio nº 82.

…. Deixa-me ver mais homens… ah sim, claro!

Miguel (Mateus Solano): até poderia escrever sobre a personagem gémea, Jorge, mas como é interpretado pelo mesmo actor (que deveria receber salário a triplicar pela quantidade de cenas que faz como irmão de si mesmo) e não lhe acho muita piada (é o ainda-namorado da Luciana, arquitecto, sempre de sobrolho carregado, um bocadinho beto na forma de vestir) não falo mais do que já falei. Miguel é, por seu turmo, uma ternura. É médico, tem paciência infinita para a Renata (Bárbara Paz) que sofre com alcoolismo, é giro, giro e giro, bem mais leve do que o irmão e, antes do acidente com a Lu, andava sempre a meter-se em confusões com o mano. É o típico namorado de família bem, mas sem dar estrilho por isso, que todas as raparigas querem, mas não podem ter porque geralmente já várias outras também andam a rondar o pitéu.

Bruno (Thiago Lacerda): é filho ilegítimo de Marcos e andou semi-enrolado com Luciana na Jordânia (ou seja, incesto não consumado). Pelo menos é o que se diz pelo Internet e eu acredito, mesmo que não se confirme nunca. É fotógrafo freelancer, mas quando regressa ao Brasil, depois de saber do acidente, acaba por se tornar fotógrafo de moda. É um aventureiro (ou seja, deve também ter resmas de dinheiro na conta bancária) e, juntamente com Filipe (Rodrigo Hilbert), farta-se de viajar. Não posso escrever muito mais porque em Portugal o rapaz ainda está nas “arábias”; no Brasil já regressou e ainda não aconteceu nada de especial. (Presume-se que se vá enrolar com Helena quando esta descobrir que o marido lhe pôs um par de cornos enquanto viajava).

Posso falar do Osmar?? Posso, posso????

Osmar (Marcelo Valle): esta é a personagem que eu quero para o sapatinho. O brasileiro que a je nunca irá conhecer, porque já teve essa oportunidade e deixou escapar por entre a porra dos dedinhos das mãos. É o agente da Helena e da Luciana. É o tipo que, juntamente com Marcos, mais tem chorado no total dos episódios até hoje. É também o tipo que mais beijos tem dados em tudo quanto é mulher na novela e isso mete-me um bocado de coiso. É querido, é produtor de moda, é aquele rapaz que está sempre lá quando é preciso, que nos levanta o astral, que diz que somos lindas, mesmo quando estamos gordas e desmaquilhadas e, no caso da Luciana, deitadas numa cama, tetraplégicas, é o homem que nos diz o que havemos de vestir, o que combina e não combina, o que é trend e não fashion. Não sei se a personagem é gay (parece que iria virar bissexual com filho…), mas prefiro-o gay e bi, do que andar enrolado com uma tipa qualquer. (Na realidade já tenho uma pessoa que me faça isso tudo. O P., com a excepção do vestuário, claro.

Gustavo (Marcelo Airoldi): é o cómico de serviço. Um mulherengo eterno, mas diferente de Marcos. Mete-se com todas, mas na realidade só se enrola mesmo com a prima da mulher. Anda a ser chantageada pela empregada depois de ter sido apanhado a beijar a primeira. E fala inglês bem que se farta, ao contrário do que dizem no próprio Brasil. Chiça! Percebi que eles são como nós no que diz respeito à ficção nacional, arrasam tudo e nunca gostam de nada. Bom, fala bem que se farta sim, com sotaque e tudo.

Mas depois de tantos semi-chifres à mulher, ainda vai chegar a vez dele provar um pouquinho do próprio veneno.

Vilãs/Mazonas da fita:

Vou falar de duas, mas para mim só uma é que é o demónio.

Isabel (Adriana Birolli): 2ª filha de 3 de Tereza e Marcos. É o diabo em forma de humano. Só está bem quando humilha os outros, por vezes a irmã mais nova, Mia (Paloma Bernardi), muitas vezes Renata, amiga da família. Invejosa desde criança, nunca fez nada sem ter um propósito escondido. Quando Luciana tem o acidente a suposta preocupação transforma-se numa raiva ainda maior vendo que os pais e as amigas viram as atenções para a mana mais velha. Esconde o vídeo que Luciana, Osmar, Helena, Bruno e Filipe fizeram para Tereza pelo seu aniversário e costumava vê-lo imensas vezes, naquilo que muitas pessoas chamam de prazer mórbido. No episódio de ontem à noite (em Portugal), Renata avisa-a: “Sabe o que a gente vai fazer um dia? Nós todas? Vamos pegar você e dar uma valente surra”. Pois, talvez assim ela vá aos eixos, que até agora, nem com as “cinturadas” da mãe ela reconhece a própria maldade.

Dora (Giovanna Antonelli): mas será que se pode mesmo considerar Dora a vilã da novela? É que so far não tenho visto nada de demais. Sim, enrolou-se na praia com Marcos, mas para já ela nem sabe que o Marcos É “o” Marcos; nunca mais o viu, embora seja amiga de Helena, não faz ideia de quem era aquele homem, onde mora, onde deixa de morar. Não sabe de nada. Viu a marca da aliança e disse que não queria saber se ele era casado ou solteiro, que não lhe iria pedir nada ou complicar-lhe a vida. Pois, mas agora está grávida e, ainda que morando em casa do patrão (Garcia), que a adora e adora também a filha, Rafaela, não sabe o que fazer. Só sabe que pode ir morar com Helena, na casa desta, como babysitter do filho que ela espera. De resto, não faz ideia de mais nada. Virar má agora, quando a novela irá acabar para Maio/Junho, tendo estreado em Setembro? Não me parece. Se assim for, será tudo muito apressado e as Helenas costumam encontrar problemas com as rivais logo no comecinho das historietas.

Convém realmente explicar a razão pela qual as novelas continuam a chamar a atenção de tantas pessoas. Primeiro, fazem sonhar, segundo, mesmo com um cenário perigoso por fundo (Rio de Janeiro), ainda dá para acreditar que é possível, com algum dinheiro, viver bem no Brasil. Sem dúvida que para os próprios brasileiros estas novelas da Globo, realizadas nos estúdios da Projac, são uma afronta, que não passam de historietas de “dondocas” ou seja, mulheres ricas, sem grandes problemas, que comem várias refeições por dia. Resta saber como é que ainda resistem. Porque o Brasil continua a apostar no que é nacional, porque não faz importações, porque é um dos países que geralmente nunca passa notícias internacionais. E para quê? Com toda a sua dimensão, com todos os seus problemas sociais não precisam de se preocupar com os dos outros. Bom, será contraditório, mas continuam a ter sucesso e, devido à proximidade com Portugal, basicamente através da língua, continuam a ter audiências por cá, numa altura em que a ficção portuguesa voltou a cair em desgraça com temas/histórias que não despertam a atenção.

Mais dia, menos dia, assalto a gota de Fairy....

Friday, December 18, 2009

Ontem o dia foi bom para as Testemunhas de Jeová

Durante a madrugada, um abalo sísmico. Durante o dia, o Governo decidiu finalmente ter tomates e ir para a frente no que toca a casamentos entre pessoas do mesmo género. Eu bem que as vi durante a manhã a pregarem os "dias do fim", mas aposto que não estavam à espera do que viria a acontecer mais tarde. E ainda leio que um militante/deputado do PSD afirma que aceitar casamentos destes é o mesmo que aceitar uniões entre irmãos. Só se for com irmãos brasileiros/as, de certeza, darling. (Apre, apetecia-me imenso ser papel de pastilha elástica esquecido num fundo de um bolso de casaco ou mala, de um destes seres, para saber se na sua vida privada seguem a Bíblia a dedo. Cheira-me que não.).
Pastilha elástica de menta, ou melancia. (they're the best ones).
Resta saber se o senhor Presidente da República se lembra de não aprovar a Lei, escondendo-se por detrás da já batida frase "Portugal tem problemas mais sérios e importantes com que se preocupar..." Ora, mais me ajuda, se é esse o caso, despacha-se já este assunto para nos concentar no que realmente interessa.

Lamento não ter um país para comparação...

Tenho lido em blogs de portugueses a residir no estrangeiro europeu que cá, em Portugal, não está frio nenhum, que frio são temperaturas negativas, que nós devíamos era estar caladinhos. Ora, peço desculpa a esses mesmos conterrâneos que vivem além de Espanha. Não posso ter um grau de comparação porque simplesmente nunca vivi ou estive de passagem por qualquer país desse mundo fora durante o Inverno, portanto apenas posso imaginar que sim, se com 8ºC às 14.00 em Lisboa eu sinto frio.. muito até, vivendo numa região onde as temperaturas rondam os -4ºC, iria com certeza sentir-me bem pior; mas lá está. Não tenho como comparar. O máximo que consigo é recordar os dias que estive na Alemanha (Colónia e Dusseldorf), poucos dias antes do Mundial de futebol, onde se fez sentir um friozinho e umas rajadas de vento que, sem dúvida, eu voltei a sentir nos dias que têm passado. E estava em Maio, pelo que não posso sequer ver na minha mente, como será um Inverno num país desses. Lamento que possa parecer uma menina de leite, mas que está frio, para os padrões nacionais, está! E por muito que queiram insistir que aí fora está mais frio, por mim, na boa. Acredito em vocês, mas não nos obriguem a fazer comparações um bocado à toa.

Thursday, December 17, 2009

A identificação de um edifício Pombalino é feita essencialmente pela existência da estrutura gaiola, que consiste num sistema de pórticos tridimensionais contraventados de madeira, perpendiculares entre si. "São geralmente constituídos por cinco pisos, com rés do chão de comércio e restantes andares de habitação, apresentavam apenas variações de pormenor: no 1º piso tinham janelas de sacada, 2º e 3º pisos janelas de peitoril e no 4º piso águas furtadas. A altura das fachadas seria aproximadamente igual à largura das ruas principais e sempre a mesma dentro de cada quarteirão". rés-do-chão amplo e rasgado para permitir a instalação das lojas ou armazéns; escadas e acessos aos andares passam ocupar um espaço muito mais importante; aumento do pé-direito fixado em 16 palmos, cerca de 3,70m, para o rés-do-chão e primeiro andar, sendo o dos restantes pisos o que coubesse na altura disponível prevista para o quarteirão; paredes de fachada principal rasgadas por várias e grandes janelas; aproveitamento das águas-furtadas e mansardas; existência de paredes divisórias de tabique esbeltas, com acabamento por fasquiado e uma espessura total entre 0,10 e 0,12m que apresentavam uma notável elasticidade e uma boa resistência às acções verticais, permitindo até o aumento dos vãos; quando colocadas ortogonalmente, de forma a cruzarem-se entre si. Estas paredes melhoravam significativamente o comportamento estrutural do edifício; todas as paredes exteriores dos edifícios que formavam os vários quarteirões foram envolvidas pela gaiola tridimensional de madeira. Acima do rés-do-chão existe um sistema de travamento tridimensional que confere ao conjunto uma boa ductilidade - gaiola. Os elementos horizontais e verticais da gaiola são denominados respectivamente por travessas e prumos, e os elementos de contraventamento são as chamadas diagonais. Uma parede constituída por estes elementos de madeira denomina-se frontal, sendo as cruzes formadas pelos elementos diagonais denominadas Cruzes de Sto André. "Aparentemente não há distinção sobre as várias geometrias para a disposição dos elementos diagonais, pensando-se que esta depende da formação técnica do artista que executou, para além de serem observadas várias geometrias num mesmo edifício. As paredes de frontal inserem-se na estrutura tridimensional de madeira, sendo por isso paredes resistentes. Nem todas as paredes interiores são de frontal apesar de todas elas serem de madeira, já que este é um material leve e as ligações aos pavimentos são facilitadas pois estes também são de madeira. As paredes interiores que não são frontais só tem função divisória, sendo denominadas paredes costaneiras ou tabiques". As paredes costaneiras ou tabiques são executadas com ripas de madeira pregadas a barrotes verticais. Como tanto as paredes de frontal como os tabiques são rebocados só se distinguem exteriormente através da sua espessura, sendo os frontais mais espessos (entre 15 e 20cm) do que os tabiques (10 e 15cm) por conterem elementos de madeira com dimensões consideráveis no seu interior. "A gaiola é assim formada por vários elementos que interligam paredes interiores, exteriores, vigamentos de pavimentos e asnas de cobertura formando um sistema quase perfeito de solidarização dos diferentes elementos estruturais, idêntico às melhores soluções actuais obtidas com betão armado". "A gaiola foi concebida de modo a que, durante a ocorrência de um sismo, pudesse permanecer íntegra, mesmo que a alvenaria se desmoronasse, constituindo assim um elemento estrutural de grande robustez, com boa capacidade para suportar cargas verticais e um excelente desempenho face às acções horizontais (sismos). Esta capacidade resistente à acção dos sismos resulta da forma como foi organizado o sistema de ligações entre os diferentes elementos, ou seja, do rigor e do detalhe construtivo na ligação da gaiola ao rés-do-chão, principalmente por meio de pernos (gatos) metálicos chumbados nas paredes. Em todo o sistema a caixa de escada tem também uma contribuição muito importante para a resistência face à acção sísmica, sendo a sua concepção bastante compacta, com três paredes paralelas em gaiola, solidamente travadas pelos degraus. O desenvolvimento técnico atingido, imposto pela necessidade urgente de reconstrução, quer em quantidade quer em qualidade, levou à criação de elementos construtivos produzidos em série, através da implementação de sistemas de pré-fabricação dos elementos de madeira, das cantarias e dos azulejos. A esta uniformização de soluções não terá sido alheia a condição de militares dos responsáveis pelo plano de reconstrução".

Tremeu mais umas 14 vezes... chamam-se réplicas.

Outra coisa que notei ontem à noite foi que muita gente, às 01.30 da manhã está colado ao Facebook. Bom.. aparte deste "aparte", reparei que a maioria das pessoas que deram o seu testemunho online afirmaram que sentiram (tal como eu), oscilação nas suas casas, em alguns casos de forma bastante violenta; violenta no sentido do chão tremer, paredes e tecto vibrarem, etc. Nada caiu, nada saiu do lugar, mas pergunto-me até que ponto as construções actuais e mais antigas estarão realmente preparadas para algum de magnitude "excessiva". Todas as casas que ainda subsistem do tempo do Marquês de Pombal (aquele que disse "Enterrem-se os mortos, cuidem-se os vivos" lembram-se?), estão seguras. A estrutura em "gaiola" é realmente ideal, mas é reconhecido que muitos dos prédios da Baixa Pombalina têm sido alterados ao longo dos últimos séculos de forma a ficarem com os rés-de-chão mais amplos, muito devido ao desenvolvimento do comércio. Todas as lojas existentes na Rua Augusta/Rua do Ouro/Rua da Prata e adjacentes coincidem em prédios antigos e pode-se verificar que as mesmas estão suspensas apenas pelas paredes, sendo que a estrutura mestra pode ter sido removida desses andares. A sustentabilidade pode ficar assim comprometida, provocando o colapso do edifício.
Obviamente que nos dias que correm, outras técnicas serão claramente aplicadas e, muito provavelmente que alguns prédios mais modernos possuam um sistema anti-sísmico. O problema é que a construção desenfreada em zonas de risco geológico, auxilidadas por uma falta constante de fiscalização, podem dar a origem a sérios problemas, como deslizamentos de terras, inundações, fracturas e colapsos parciais. Acho que no conjunto terá sido isso que me fez mais confusão ontem; a quantidade de casos em que a estrutura das habitações foi posta em causa.

Tremeu...

Para mim é sempre algo de fascinante, mas, tal como pude constatar com amigos meus, o sismo que ocorreu na madrugada de hoje, teve mais uma coisinha qualquer. Talvez porque se tivesse sentido bem, talvez porque em vez dos 2 segundos habituais o tenhamos sentido durante 20. Qualquer coisa foi e eu, que tenho as paredes pejadas de quadros, apenas pensei que algo estava errado quando sentido a estrutura dessas mesmas paredes a darem de si, sim, porque o primeiro som que ouvi foi um estalo por cima da minha cabeça ou pouco atrás de mim. E então, qual é o espanto? O espanto é que se chega mais uma vez à conclusão de que Portugal é ainda um país pouco evoluído no conhecimento de fenómenos deste género e ninguém me pode dizer que a culpa ou é dos cientistas ou dos governos, porque geralmente explicamos sempre a mesma coisa, de todas as vezes que estas coisas ocorrem, as pessoas dizem que percebem (e até podem entender, não digo o contrário), mas passados dias, meses, esquecem, voltando a repetir-se o ciclo vicioso de perguntas repetidas à exaustão. Não me estou a queixar, pelo contrário. Até acho bem que a população se interesse e preocupe, mas quando oiço, como hoje de manhã num consultório, raparigas de 35-40 anos dizerem que Portugal não é um país dado a actividade sísmica, dá-me vontade de partir a loiça toda. Desculpem, mas dá... É que a ignorância (para mim injustificada) irrita-me solenemente.

Friday, December 11, 2009

E amanhã??

Ora.. limpezas, como é obvio, que aquela cozinha está imunda, o meu quarto é um gigante cubo de cotão e a sala precisa de uma lipoaspiração.
Se está a correr bem? Bom, digamos que poderia estar a correr bem melhor... mas já não estranho tanto.

Monday, December 07, 2009

Se as brasileiras vêm para Portugal e roubam os nosso homens, então eu, enquanto portuguesa, tenho todo o direito em roubar um brasileiro, "o" brasileiro.. AQUELE brasileiro. Mesmo que nunca o venha a conhecer.

Friday, December 04, 2009

I'm the ghost in your house
Calling your name
My memory lingers
You'll never be the same
I'm the hole in your heart
I'm the stain in your bed
The phantom in your fingers
The voices in your head
One touch is all it took
To draw you in
To leave you hooked
One kiss, you paid the price
You had a taste
Of paradise
Now you're running in circles
Chasing imaginary footsteps
Reaching for shadows
In the bed where I once slept
I'm the ghost in your house
Calling your name
My memory lingers
You'll never be the same
I'm the hole in your heart
I'm the stain in your bed
The phantom in your fingers
The voices in your head
One thought is all it takes
You lose control
You make mistakes
This pain will never leave
Until I die
You'll always grieve
Now you're falling to pieces
Seeing my face wherever you go
Talking to strangers
From a place they'll never know
Ghost- Depeche Mode