Saturday, February 28, 2009

Festa de Abertura do Deseo

Comunicado especial à navegação: não é necessária a apresentação de convite ou flyer. Basta na realidade, APARECEREM! HOJE E AMANHA, DESEO BAR EM SANTOS!

O estranho caso de choro compulsivo no cinema

Raras foram as vezes que tal me aconteceu. Talvez em City of Angels, ou em Forrest Gump. Mas de resto, apenas breves ameaças, nada como o que aconteceu hoje (e nas alturas mencionadas anteriormente). Talvez as outras fossem por falta de maturidade mental para lidar com algumas situações, afinal seria uns bons anos mais nova. Mas ver agora o Estranho Caso de Benjamim Button, levou-me à beira do colapso nervoso. Não digo isto em tom de brincadeira ou em sentido perjurativo, apenas porque é uma lindíssima história não só de amor, mas acima de tudo amor à Vida. O que faríamos se nascessemos velhos e envelhecessemos para novos, até que a nossa morte acabasse por ser um fechar de olhos como se estivéssemos a prestes a adormecer, mas para sempre? Será que não seria mais fácil? Por aquilo que vi esta tarde (e que em nada se assemelha ao conto de F.Scott Fitzegerald), só pioraria as coisas. Termos a noção da realidade backwards deve ser uma sensação horrível. Caminharmos para o auge da juventude quando todos os que amamos caminham para o mesmo desfecho dói, magoa, marca, desilude. Benjamim foi abandonado pelo pai, devido à repulsa, foi amado pela mãe e pai adoptivos até estes terem falecido e, encontrou na melhor amiga de infância, Daisy, a mulher da sua vida. Aquela que, já nos seus 70, 80 anos?, o segurava ao colo, numa cadeira de baloiço, quando ele deu o ultimo suspiro, olhando para ela. De uma forma geral, leva-me a crer que a vida não é o que escolhemos que seja, mas aquilo que muitas vezes ela escolhe para nós. E em relação à noção de tempos perfeitos, pessoas perfeitas, o chamado timing, nem podemos falar. É tudo tão delineado pelo acaso ou por Deus, que podemos estar a respirar numa altura e na outra o coração deixar de bater, porque vimos aquela pessoa que nos marca a entrar na mesma sala em que estamos, ou porque está na hora de partirmos para outros rumos (como os colibris). Daisy morre a contar à filha, Catherine, que o pai dela não é aquele que ela conhecia, mas sim um outro, no dia em que Nova Orleães é atingida pelo Furacão Katrina. De uma coisa ficámos certos: o furacão levou com ele os arrependimentos, as mágoas e as dores, os colibris, os relógios que andam para trás, cujos ponteiros funcionam no sentido inverso, mas deve ter assegurado algures o reencontro entre duas pessoas que, a meio das suas vidas se cruzaram e amaram como deveria ser. Porque o amor é isso mesmo, é esperar pela altura certa. Boa Noite Benjamim! Boa Noite Daisy!

Thursday, February 26, 2009

Festa de Abertura do Deseo Bar (Santos)

Amigos e amigas que passam por aqui de vez em quando, mesmo que não deixem o vosso registo escrito, aproveito este espaço para informar que esta sexta-feira (dia 27) e sábado (dia 28) será a Festa de Abertura (oficial) do Deseo Bar no Largo de Santos, mesmo ao lado do Estado Líquido. E porquê dois dias? Porque na sexta irá ser promovido via "tia" Maya e sus muchachos para revistas cor-de-rosa e revistas sobre a night lisboeta e sábado, será para os restantes mortais, ou para aqueles que não tenham a paciência (como eu) de se juntar ao maralhau da noite anterior; será obviamente uma noite mais calma (mas não menos divertida) e íntima, para amigos e familiares! Apareçam se faz favor!
PS- Vou tentar enviar alguns flyers assim que me aparecerem. =)

Monday, February 23, 2009

Pedro Tochas vai para o Dubai (desgraçado!), mas depois volta (toma que é para te lixares!)

13 de Março
V.N. FAMALICÃO
Casa das Artes de V.N. Famalicão
14 de Março
ESTARREJA
Cine-Teatro de Estarreja
15 de Março
LAMEGO
Teatro Ribeiro Conceição
22 de Março
MOURA
Cine-teatro Caridade
LAGOA
Auditório Municipal de Lagoa
Três dias, três espectáculos diferentes
27 de Março
28 de Março
Work in progress
29 de Março

Que palavras querem escrever no céu de Lisboa?

Uma palavra para escrever no céu? Uma palavra para flutuar sobre a cidade de Lisboa? Vá pensando na sua. Na festa do 1º aniversário da Escrever Escrever vamos dar forma a essa ideia. Um exercício de escrita criativa em plena praça. E depois prepare-se para assistir a uma largada de balões. Estão todos convidados: alunos e ex-alunos, vizinhos e transeuntes, formadores e “desformadores”, amigos e desconhecidos! Sábado, dia 28 de Fevereiro às 15h30 Em plena Praça Luís de Camões, no Chiado

K Galeria até 28 de Fevereiro- Fogo Frio

Silêncio
Não há um intruso nas fotografias do Duarte. Ele vê como se ninguém estivesse a ver aquilo. Então é assim que as coisas são quando estão sozinhas. No Vulcão dos Capelinhos as coisas estão antes de nós. O mar abriu um buraco negro e de repente coincidimos com uma paisagem que ainda não sabe da nossa existência. Dorsos altos com encostas cobertas de minerais, ocres, brancos, vermelhos, azuis. Ao meio-dia, cega, de tanto brilho. Todos os dias o vento leva a sua parte. Nenhuma pergunta, nenhuma resposta. O lugar não fala e vai desaparecer. Então é assim que as coisas são quando estamos sozinhos. Alexandra Lucas Coelho
Faixa de Gaza, 31 de Janeiro de 2009
Na perspectiva de um jornalista, é assim que as imagens de Duarte Belo são descritas; na perspectiva de um geólogo, não podiam ser mais idênticas. Aconselho a ver a (pequena) exposição na Rua da Vinha (ao Bairro Alto), sobre o vulcão, mas, principalmente em relação à visão que nós, enquanto humanos, temos sobre ele. As cores, as formas, os níveis de cinza bem definidos segundo camadas muito finas, o contraste entre o azul do céu, azul do mar, cinzas e pretos, negritude do fogo incendiário emanado das profundezas e, lá ao fundo, dois pequenos restos do que foram em tempos outros vulcões, num verde vivo, como quem diz, "um dia também tu te encherás de esperança".
Existe também o livro, do mesmo nome, publicado pela editora que tem acompanhado este autor/fotógrafo ao longo dos anos, Assírio e Alvim: custa entre 22.50 euros a 25 euros.

Este foi o grande momento do dia (Wrong- Depeche Mode)

A maior Dupla desilusão de sempre ou resta-nos Espanha

Sim, que seja Penelope Cruz a trazer-nos o Oscar. Lei da Proximidade amigos, Lei da Proximidade.

The Hugh Jackman Show ou a Maior desilusão de sempre.

Fiquei agora bem desperta. O Sean Penn ganhou? Calma, alguma coisa está errada. Por breves instantes pensei logo a seguir que iria ouvir o nome de Meryl Streep. Felizmente tal não aconteceu. Mas what a fuck aconteceu por Los Angeles na nossa madrugada? Nem o Rourke, e, está confirmado o ódio a Brad Pitt (e olhem que a beleza dele está a ir para o cano de esgoto- parece-se mesmo com a versão envelhecida de Benjamim Button). Danny Boyle tornou-se melhor realizador, sim, pode ser, depois de Trainspotting e A Praia, acho que merece por Slumdog, que na realidade também venceu por melhor filme. A India é um país pobre, sim senhora, mas a película não é sobre isso... portanto lamento desanpontar alguns dos (poucos e maus) críticos nacionais. Além disso, segundo consta, os próprios indianos não gostaram da longa-metragem. Mas realmente o osso que não passa na garganta chama-se Brad Pitt. Vivam os gays!

Oscares 2008 ou Hugh Jackman Show

Até agora, nada de novo. Na noite que se presume ser a mais longa do ano, não foram até agora levantadas quaisquer dúvidas sobre quem vai ganhar o quê. Pessoalmente tenho pena se Brad Pitt não ganhar o prémio para melhor actor, mas com certeza que o mesmo irá para o renascido das cinzas, qual Fénix, de nome Mickey Rourke. Ninguém gosta do senhor, mas que fez igualmente uma grande interpretação, lá isso fez. Escrevo este texto, que é publicado posteriormente (porque não há rede sem fios cá na mansão), durante um dos muitos intervalos que se adivinham nesta edição dos Óscares. Uma nota apenas, em comparação com os prémios do ano passado, aliás, em comparação com qualquer uma das últimas edições, esta será provavelmente única. Bom, todas são únicas, mas basta ter tido a introdução que teve, com um Hugh Jackman a cantar, dançar, fazer uma perna de stand-up e interpretar, para merecer uma atenção especial. Depois, todo o cenário é completamente contra a crise; aliás, bem que se dizia que após a tomada de posse de Barack Obama os Óscares teriam todo um “glamour” nunca antes visto, um brilho, um decór de se lhe tirar o chapéu. Para além do “australiano que fez de australiano, num filme chamado Austrália, e que é apenas apresentador”, grandiosa foi a “boca” lançada pelo brilhante Ben Stiller ao ex-actor feito cantor Joaquin Phoenix (pelos vistos o pessoal da TVI não percebeu a piada- “a apresentação de Ben e Natalie Portman foi estranhamente desconcertante”). É bom que se note, o Hugh Jackman não é apenas uma cara e corpo, bonitos, é um actor completo. O Van Helsing só pode ter sido um colapso nervoso na carreira deste senhor. Bem, continuando nos Óscares, a Pé ganhou como melhor actriz (desculpem, mas não me consigo concentrar com o Jackman a cantar e a dançar com a Beyoncé tudo o que vem à baila), e Benjamim Button, junto a Slumdog Millionaire já vão com dois cada um. Que a verdade seja dita, estes prémios valem pela prestação do apresentador… Sim, posso estar um bocadinho obcecada pelo dito cujo (ehehe). De qualquer das formas, continuo até a esta hora com as minhas apostas: melhor actor secundário, Heath Ledger, a título póstumo (“The musical is back!”), Mickey para melhor actor e, por fim, Kate Winslet para melhor actriz; mas, atenção, nada está garantido. Seria um balde de água fria muito grande vencer Meryl Streep, ou então Pitt, sendo que eu perdi a paciência para a senhora há já muito tempo, independentemente de serem grandes prestações ou não. Quanto a ele, admito, irei ver o filme hoje, segunda-feira, algures durante o dia. Wall-E (na minha opinião um filme bonito, sim, mas que me parece dado para pessoas com alguma deficiência mental- pelo que vi há pouco o argumento seria muito mais interessante pois explica cada cena- sim, afinal a deficiente sou eu!-), ganhou para melhor filme de animação, batento Bolt e Kung-Fu Panda. Agora será a vez do melhor actor secundário. Espera-se que a apresentação do vencedor seja idêntica à de melhor actriz secundária, com pelo menos cinco actores que já ganharam. E é. Já vos disse alguma vez que gosto muito de Kevin Kline? Pois é, gosto e “bués” mesmo. Gosto também da forma como cada nomeado é introduzido, de acordo com a sua interpretação e carreira no cinema; neste momento é a vez de Downey Júnior (quem poder vá ver The Soloist, que deverá ser mais uma grande interpretação deste senhor que, tal como Rourke, também já bateu fundo, mas voltou a emergir), “um americano, que faz de australiano que quer fazer de preto” no filme Tropic Thunder. Ganhou Heath Ledger, que novidade…na realidade por mim não ganhava, ser nomeado muito bem, mas daí a ganhar, é exagero. Tudo bem, a interpretação foi excelente, mas então, não devíamos pensar naqueles que cá estão? É como ver a Meryl nomeada ano-sim, ano-não. É irritante e, todas as vezes que ela o é, está a tirar a vez a outra grande actriz que também poderia ser nomeada. Peço desculpa, eu gostava do Heath, era da “minha” geração, tornar-se-ia num enorme actor, mas faleceu. Então tivessem dado o Óscar a Massimo Troisi pelo Carteiro de Pablo Neruda, que merecia muitíssimo mais. Bem, que não restem, mais uma vez, desculpem a repetição das palavras, dúvidas, que este é um ano incrivelmente inspirador para as apresentações. Extremamente pessoais, extremamente bem elaboradas e, sim Tina Fey, tinhas razão, “ninguém está interessado em ouvir falar da religião inventada por nós, actores”, uma forte alusão à Cientologia. Para documentário ganhou Man on Wire, -sobre um homem francês que em Agosto de 1974 “decidiu” atravessar as Torres Gémeas por um arame, sem rede-, tal como Bruno Nogueira tinha previsto (e a quem agradeço a chamada de atenção). Mais um intervalo… (e ainda dizem que estamos só a metade, sendo apenas três da matina). Chamo a atenção para a banda sonora escolhida para cada pedaço de apresentações (clips) aos melhores momentos de 2008 (Romance, Acção…), muito bem escolhida e aplicada. Já podiam era enfiar os prémios técnicos num sítio que eu cá sei, mas também já não têm mais sorte comigo por hoje, vou-me retirar, resta só saber quem ganhará a luta de mais Óscares recebidos: os indianos ou o velho que fica novo e morre bebé.

Sunday, February 22, 2009

Deixando a poeira assentar para falar de variados assuntos. A começar por esta história miserável do Carnaval, passando pelo assalto a um dos laboratórios do Departamento de Geologia (da minha faculdade e sim, o meu departamento), pelo facto da FCT não ter fundos para pagar as bolsas BII que tinham pedido às faculdades para inventarem, e ainda, pelo bottom a que o país está a aproximar-se (e eu que pensava que não podíamos chegar mais longe), entre outros impropérios, como a anormalidade que é a homossexualidade (nunca mais chego a ter uma chalet na Suisse!).

Tuesday, February 10, 2009

Na Austrália...

...o Inferno subiu à Terra. Ontem vi as notícias das 13.00 e fiquei em estado de choque. Ultimamente são muitas as notícias que me têm deixado assim, e já ontem tudo apontava para que a situação na Austrália fosse piorar. E piorou. Nunca pensei ouvir dizer que dezenas de pessoas morressem literalmente cozidas dentro das suas piscinas, porque o calor em redor era tão elevado que as águas entrassem em ebulição. Nunca pensei ver tanta gente a perder as suas casas e os seus bens em poucos segundos, como se um vulcão tivesse entrado em erupção e toda a lava extruída engolisse tudo em frente. É pior que qualquer outra coisa, é pior que o frio, é pior que a chuva que nos anda a perseguir há semanas, o fogo é um bicho mau, que nunca tem fim, nunca pára e cansa. Sim, o fogo cansa, o fogo tem essa enorme capacidade para cansar as pessoas, para impedir que elas lutem mais contra ele, como se fosse O Demónio na Terra, como se fosse mais forte do que os humanos. Se fosse comigo, se eu estivesse naquela situação, eu sei que morreria, não pelas chamas a queimarem-me a pele em carne viva mas porque morreria juntamente com todos aqueles que jazem pelas estradas carbonizadas. A páginas tantas, só a morte pelo fogo, consola.. e eu fiquei com medo.

Monday, February 09, 2009

O efeito Twitter- parte II

Isto aconteceu ontem à tarde, Domingo, 8 de Fevereiro de 2009, durante os noticiários de Alberta Marques Fernandes. Foi bom para quebrar o tédio e fazer-nos sorrir um pouco. in: http://caoepulgas.blogspot.com/2009/02/joelysandra-o-twitterheroi.html ,
"Uns dirão que são pessoas sem muito que fazer, outros apreciaram com grande gosto um pequeno momento histórico na utilização do Twitter em Portugal. Chamem-lhe infantil, se quiserem, mas suponho que tenha sido a primeira vez que o Twitter fez com que um grupo alargadíssimo de pessoas pudesse seguir uma historieta que começou num fait divers e que terminou em apoteose interactiva nos ecrãs da RTPN...Ao início da tarde hoje e via Twitter, eu ( geograficamente no Rosário) discutia as vantagens e desvantagens de beber Ginja "com ou sem elas" com o Vasco Casquilho (Miraflores). O Vasco acabara de me dizer que tinha de ir comer e que iria ao Kentucky Fried Chicken. Recordando-me de uma conversa anterior, censurei-lhe a escolha, lembrando-lhe que ele queria perder peso e que o KFC estava longe de ser uma escolha racional. Concordou. Concordou de tal modo que me confessou que tinha ido antes ao McDonalds com as filhas. Começa então uma conversa cruzada entre um grupo alargado de pessoas entre as quais estava a jornalista Alberta Marques Fernandes (Lisboa) (RTPN) que estava na Marechal Gomes da Costa a trabalhar e que a ideia de comer um hamburger lhe despertava algum apetite. Aqui, o Joel (Póvoa de Santa Iria) enviou à Alberta um BigTasty virtual, coisa que desencadeou uma chuva de ironias da minha parte e da Paula Pico (Santa Iria da Azóia), "desancando" o próprio, dizendo-lhe que o melhor que tinha a fazer era meter-se no carro e vir a Lisboa entregar em mão um hamburger nos estúdios da RTP.Penso que nesta altura poucas pessoas estavam completamente longe de imaginar que o Joel não se ficaria sem responder à altura e muito boa gente me começou a perguntar directamente se aquilo do hamburger era mesmo a sério. "Não sei, mas parece-me que isto vai ser uma história curiosa de seguir..." foi a resposta que mais vezes dei enquanto prosseguiam as conversas cruzadas no Twitter. E de facto o Joel não se ficou, trocámos impressões sobre a localização do McDonalds mais próximos da Gomes da Costa (Olivais Shopping), e arrancou de casa em busca do Big Tasty que haveria de ficar famoso... Cumpriu na íntegra o fundamento número 1 do Twitter, o já famoso "What are you doing?" e não deixou nenhum momento por relatar e fotografar com o respectivo iPhone. Mesmo dentro do Shopping, foi alimentando a curiosidade de dezenas de Twitters. Comprado o Big Tasty, rumou à RTP onde tentaria cumprir o objectivo a que se tinha proposto. Haveria de lá chegar. obviamente, herói que é herói não se deixa abater pelas dificuldades, mesmo que estas se configurem em forma de cancela e segurança da portaria...Mas as coisas não são fáceis para os super-heróis. Tudo caminhava para o desastre! O Joel pede-me que avise a Alberta que está à porta de hamburger na mão, sujeito a morrer na praia, quando a Alberta me diz que faltam poucos minutos para entrar no ar com o Jornal das 18... Tragédia! Aguenta Joel Aguenta firme e não desistas! Admitem todos os que nesta fase estão a torcer pelo herói Joel que é um bocado aborrecido não se conseguir a entrega do pedaço de colesterol embrulhado. Perguntam-me de todos os lados o que é que vai acontecer. Não faço a mínima ideia, o Jornal das 18 está efectivamente no ar, a Alberta Marques Fernandes é a pivot de serviço, aqui não há muito a fazer, muito embora eu me divirta deste lado a tentar imaginar o Joel a entrar no estúdio e a deixar um embrulho de papel em cima do balcão das notícias...De cada vez que as peças televisivas vão entrando no ar, a Alberta vai-me dando indicações rápidas: "Deixem na portaria" ou "Alguém vai lá buscar", mas a já vasta plateia que imagino atenta à saga do hamburger quer o epílogo, qual epílogo, a mulher está no ar, querem o quê, um directo? O Joel é informado do que está a suceder, continua na portaria, quer ir para Alvalade onde vai apoiar uma equipa que veste de encarnado, tudo isto somado à pressão dos "twitteiros" curiosos que vão prestando atenção ao drama, à tragédia do hamburger que esfria dentro do papel de embrulho. "O que é que eu faço?" pergunta a Alberta enquanto o Louçã discursa na TV pela vigésima vez (que eu tenha contado). "Aquece no micro-ondas" digo-lhe eu entre sorrisos que ela nunca há-de chegar a ver. Tento ler-lhe no rosto a agitação do momento. Nada, nem uma ruga. Há um sorriso mas atribuo-o a um pequeno lapso de leitura de teleponto. "A loção do Estádio do Dragão está esgotada" diz ela, de pronto emendando a lotação. Entra um repórter cujo nome me escapa com um directo. É o suficiente para Alberta me dizer um precioso "Já cá está!" que descansa meio país que já há minutos está em suspenso da fortuna e da sorte da sandes de carne picada. Não sei onde é que a Alberta tem o computador, deve estar ali debaixo do balcão, ela vai-se safando entre os pingos de chuva do trabalho que cumpre sem desfalecimento. Gracejo. Digo-lhe que é nestas alturas que percebo a falta que me faz um televisor HD, que gostava de examinar a pantalha para lhe lobrigar um pingo de maionaise no canto da boca. Nada.Falta-me um sinal, uma evidência a prova cabal que o diabo do Big Tasty lhe está nas mãos. Desafio-a. "Precisamos de um sinal!", "Show us a sign!". Peço-lhe que nos deixe ver uma ponta do papel de embrulho. Obviamente sem qualquer esperança, não a estou a imaginar a trincar cebola, pão e carne no intervalo dos off das peças que se vão sucedendo em desfile. Mas ela está lá, atenta aos Tweets, aliás como esteve sempre, interactiva, colaborante, quase desde a primeira grande explosão twitteriana que levou uma boa dose adicional de espectadores à RTPN por via desta ferramenta curiosa. "Give us a sign, Alberta!" e ela mal pode dá, diz: "Pego na caneta. Pode ser?". Eu respondo-lhe que sim, que pode ser, preparo a câmara, testo a luz e fico à espera da pivot que no estúdio volta ao ar, e que discreta mas veementemente segura a caneta entre as mãos, levando ao delírio interactivo largas centenas de pessoas que nesta altura aplaudem e agradecem a atenção. Imagem: Paula Pico. A isto chamo televisão interactiva e disponibilidade. Dos simples e mortais espectadores e de um grupo de profissionais que até há pouco tempo víamos numa torre de marfim, inacessível. Não é verdade e acreditem ou não, a maioria dos presentes esteve verdadeiramente interessado em tempo real na viagem do hamburger. Obrigado ao Joel, à Paula, ao Vasco, ao Filipe Homem Fonseca, ao Bruno Nogueira, à Vanessa e a muitos outros cujo nome não retive que de uma forma ou de outra incentivaram o Joel na sua peregrinação. E obviamente à Alberta Marques Fernandes.Imagem: Vanessa SilvaIn ilo tempore: O Carlos teve a paciência de colar quase todos os Tweets desta saga. Estão aqui.Vinte e quatro horas depois, o jornalista TSF, Rui Tukayana, cobriu a notícia no Mundo Digital."

Sunday, February 08, 2009

Porque há dias em que nada nos corre bem, porque são fases horrorosas pelas quais passamos, porque sofro por mim e pelos outros em meu redor, porque sei que não há quase nada que se possa fazer, porque me custa muito lutar contra a maré, porque não quero ser humilhada nem escutar NÃO, porque não sei como me sentir melhor, porque acho que isto tudo é um absurdo, porque penso que estamos a chegar ao fim, porque tenho saudades tuas, porque não te conheço bem, porque quero estar sozinha, porque não quero estar sozinha, porque quero ver o mar, porque quero ser uma partícula de água no oceano, porque.. sei lá por que.

Friday, February 06, 2009

O efeito Twitter

Acabou-se o messenger e o facebook.. Agora o que está a dar é uma espécie de micro-blog onde só podemos escrever 140 caracteres de cada vez. O bom? Interagirmos com muitas pessoas ao mesmo tempo. O mau? É preciso ter cuidado com aquilo que se escreve porque a rede é alargada aos conhecidos dos conhecidos (isto é, followers), e nunca se sabe quem pode ler os nossos pensamentos momentâneos. Perde-se imenso tempo, e pouco ou nada se aprende, ou seja, é viciante. Bem bom para quem está finalmente num processo de relaxamento pós-exames. Eu sou a Marlinda1. Quem quiser me seguir, esteja à vontade, não prometo o contrário e posso bloquear sem pedir desculpa (estou numa fase Fernanda Câncio). Twitter é a loucura, mas é muito giro. Obrigada a AB da RTP N pela dica. Ele é o culpado da minha nova aquisição virtual.
25 anos e o que deixei para trás? NADA!

Wednesday, February 04, 2009

Sim, é verdade...

Ele morreu. Sim, ele morreu, ele já não existe humanamente, nem mortalmente, ele já não existe sob a forma de um corpo físico sequer. Ainda hoje acordo e são muitas vezes ao longo do dia em que tenho de reflectir para me apereceber do que realmente aconteceu. Mas não consigo... Não tarda já passou um mês e a unica coisa com a qual pude contar e entender é que isto não é nada.. isto, isto a que se chama de vida, não é nada, não é nada se não deixarmos algo que faça os outros se lembrarem de nós e ele fez. Ele fez e eu não o conheci como devia, e eu não me aproximei quando pude e não falei com ele enquanto ele cá estava. Agora não posso fazer nada. E sinto-me simples e honestamente triste. A unica moral que ele me deu com a sua partida precoce, com a quebra inegável do seu corpo em relação à doença (essa puta), foi a de que tenho de ligar mais aos que por cá ficam, tenho que cultivar as amizades e os amores, ou então que me enfie num buraco fundo, reles e escuro onde não possa ver e conhecer ninguém, porque o que mais me custa admitir, porque é disso que tudo isto se trata é que a morte, mesmo fazendo parte da vida, não é justa, nem ninguém está preparado para ela e a minha mente está a afundar-se nessa injustiça pegada. E eu só sei que tenho muitas saudades tuas mesmo sem ter estado contigo tempo suficiente, tal como tenho saudades de todos os outros que já cá não estão, mas sei que onde quer que se encontrem, nem que seja na atmosfera sob a forma de poeira, estão a olhar por mim.