Sunday, August 02, 2009

E ainda...

Porque sou devota da Idade Média, tanto em termos de Historia Europeia, como na Historia do Médio-Oriente e porque, enquanto apreciadora em excesso do filme "Kingdom of Heaven" de Ridley Scott, acho que a verdade histórica deveria ser levada em consideração quando estamos a escrever guiões cinematográficos. Uma coisa é pegarmos em personagens reais e mudar-lhes algumas características de forma a serem encaixadas no ficcio-romance que a trama assim exige, outra muito diferente é estarmo-nos a borrifar para o verdadeiro conteúdo destas mesmas pessoas, ainda para mais quando existem inúmeros documentos que contam bem as suas vidas, os seus modos de pensar e de viver. Seria agradável se os argumentistas pegassem na História e a modificassem ao mínimo, mas quando a transformam de uma forma digna de dó, a coisa muda. O filme não deixa por isso de ser bestial, não deixa de não relatar toda a chacina que cristãos executaram durante a sua tentativa vã (diga-se de passagem) na conversão de muçulmanos. Não deixa igualmente de mostrar as tentativas de paz entre o Rei de Jerusálem, Balduíno III (incrivelmente interpretado debaixo de uma "máscara de ferro" por Edward Norton) e, o principal líder muçulmano, Saladino. Contudo a maioria dos factos são realmente inventados e a História desaparece entre aquela paixão e aquele ataque às caravanas. Muito sangue e morte para no fim percebermos que por muitas Cruzadas que se cruzem, Jerusálem será sempre muçulmana ou (agora) palestiniana, não interessando quantos judeus ou católicos lá vivam.
Em "Eu, Constance, Princesa de Antioquia" fica-se a perceber muito melhor o contexto político e histórico da época, limpando o sotão de algumas baboseiras que a película (em baixo) poderá criar.

E ainda...

Se William Wallace é mais que uma marca de whiskey e sim um dos bravos homens das terras escocesas que lutaram pela semi-independência a partir do domínio inglês, Lady Anne MacInstosh, não lhe fica atrás, ainda que a sua actuação ocorra uns séculos depois. A "cabra" escocesa, como ficaria conhecida, não teve medo de enfrentar um mundo de homens, política e guerra para demonstrar que a liberdade poderia ser atingida.

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