Sunday, July 26, 2009

Um bocadinho do nosso litoral... em termos geológicos, claro!

Quadro estratigráfico do preenchimento sedimentar da Bacia Lusitânica.
São Martinho do Porto: vista sobre a vila e baía, que corresponde ao bordo mais ocidental da zona diapírica (vale tifónico) existente nesta região numa estrutura em antiforma (40 km de comprimento desde a Nazaré até Óbidos, 8 km de largura); uma zona diapírica é uma zona onde pode ocorrer uma grande concentração de sais, resultantes de ascensão por contraste de densidades entre materiais distintos, desde uma dada profundidade, denominando-se este fenómeno por halocinese. No caso de São Martinho e restante Bacia Lusitânica, este diapirismo terá tido como base a tectónica decorrente do início da abertura do Atlântico Norte, com actuação de campos de tensões que terão promovido a ascensão dos materiais, auxiliada, claro, pela halocinese. Na arriba calcária que se pode observar à esquerda (Jurássico Superior), ocorrem veios de gesso, correspondentes aos evaporitos da Formação da Dagorda. (Orientação foto: N-S)
Esquema ilustrativo da formação do vale tifónico por exumação dos terrenos intrusivos do diapiro, através de agentes erosivos (vento, chuva...). A vermelho é retratado a ascensão do diapiro e a preto as unidades encaixantes, (que se encontram em redor), geralmente mais salientes e resistentes.

Detalhe dos veios de gesso fibroso, no encosto tectónico das argilas salíferas da Formação da Dagorda com os calcários do Jurássico Médio, que são testemunho da intrusão em São Martinho, na base da rampa para o porto de pesca.

Praia de Santa Cruz/ Formosa: para Sul, ao longo da falésia que está em contacto com as Margas da Dagorda (as MD correspondem a mais um diapiro que se vê a Norte, junto do calçadão da praia de Santa Cruz, de cor avermelhada),
podem-se identificar calcários de cor escura que corresponderão à Formação de Montejunto. A existência de uma falha, separa-os da Formação da Abadia. (Orientação foto inicial: N-S)
Esquema ilustrativo das falhas que separam as unidades da Abadia e de Montejunto.
Praia do Baleal: do lado direito, vê-se o Atlântico, do lado esquerdo, a pequena baía; ao centro o tômbolo que liga a ponta do Baleal ao continente e que tapa, igualmente, o contacto tectónico entre o Jurássico Médio e Superior. (A páginas tantas senti-me completamente desorientada aqui).
No sentido Norte, na praia, podem-se observar depósitos fluvio-deltaicos da Formação da Lourinhã. São sucessões cíclicas de unidades pelíticas a arenito-conglomeráticas pondendo apresentar também intercalações de carvão e calcretos. Algumas estruturas sedimentares estão bem representadas. (Orientação foto: SE-NW)
Torres Vedras:
Detalhe de pedreira abandonada de exploração de calcários na Formação de Cabaços (Oxfordiano Superior) em Torres Vedras. Geralmente ricos em concentrações de matéria orgânica (isto é, ricos em detritos consequentes da morte e acumulação de plantas e animais), finamente laminados, estes calcários são considerados um dos principais tipos de rocha geradora de petróleo da Bacia Lusitânica. Uma vez que este afloramento calcário se encontra relativamente próximo à estrutura diapírica de Matacães (Diapiro de Matacães), observam-se várias fracturas, através das quais se verificam ocorrências de fluxos de hidorcarbonetos (óleo), embora não sejam comercialmente rentáveis (TOC ou Carbono Orgânico Total é bastante reduzido para gerar uma boa concentração). Imagem que vale por algumas palavras: ocorrência de hidrocarbonetos.

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