Friday, July 31, 2009

"He's not dead... someting would have broken inside if he was dead..."

Foi um filme que "apanhei" por acaso uma noite destas num canal de cinema. Vi já praticamente o final, mas percebi que se tratava de uma história sobre fotojornalistas ou fotoreporteres de guerra que se encontravam a trabalhar no início do conflito armado nos Balcãs. Basicamente entendi que seria um grupo a tentar recuperar um dos seus, após se terem separado por qualquer razão... A realidade do conteúdo não poderia estar mais longe da verdade. Quando Sarah descobre que o marido poderá ter sido morto por soldados bósnios, e após passar dias fechada num quarto a ver imagens em todos os serviços noticiosos, acaba por "identificar" um vulto, uma figura humana, deslocando-se de costas para a cidade de Vukovar, na Croácia. Acreditando tratar-se do marido desaparecido resolve por auto iniciativa chegar até ele, como prova a tudo e a todos (incluíndo a família) de que ele não morreu. Mãe de duas crianças, promete ao filho mais velho regressar em breve, com o pai, obtendo como resposta de que o filho iria cuidar das flores enquanto não regressassem. Em 1991, aquilo que para o estrangeiro parecia ser apenas um problema interno, acaba por demonstrar-se bem mais complexo do que se pensava. A chacina ocorre logo ao passar a fronteira com a Austria (aqui tão próximo), e inclui mulheres e crianças, violações e tiros à queima-roupa por grupos guerrilheiros sem qualquer ponta de moral ou arrependimento. Sarah em breve junta-se a dois colegas e os três partem para o extremo Este do país, sabendo à partida e à chegada que podem ser igualmente mortos a qualquer instante. Não há bandeiras ou panos brancos que os possam salvar, muito menos o facto de serem americanos ou de outra nacionalidade, ou jornalistas. O filme em si pode não ser nada de especial. A interpretação supostamente principal de Andie MacDowell, não lhe levariam sequer a ganhar o prémio de melhor actriz da "rua do meio", em contrapartida quando falamos nos secundários, como Adrien Brody e Brendan Gleeson, falamos de grandes actores que transformam uma simples sinopse numa obra documental tão bem realizada que parecia uma reportagem em directo, feita no preciso instante. Aliás, todo o cenário ganha uma força convicente que até arrepia, e quando o vi desde o princípio foi mais um murro no estomago, só comparável à Lista de Schindler ou Império do Sol. Falar sobre a guerra é uma coisa, mostrá-la, mesmo ficcionando e bem, será obviamente outra. E não nos podemos esquecer que este conflito foi há bem pouco tempo e as feridas não estão, nem pouco mais ou menos saradas. Vukovar, cidade a Este na Croácia, é acima de tudo bósnia, com uma pequenas fracção de croatas. Não só os vestígios da guerra ainda por lá se vêem, como os próprios habitantes estão dispostos a disparar uns contra os outros se for preciso. Em quase 10 anos de guerra, resta a liberdade para algumas nações, mas muitas "minas" foram colocadas para outras.

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