Monday, February 23, 2009

K Galeria até 28 de Fevereiro- Fogo Frio

Silêncio
Não há um intruso nas fotografias do Duarte. Ele vê como se ninguém estivesse a ver aquilo. Então é assim que as coisas são quando estão sozinhas. No Vulcão dos Capelinhos as coisas estão antes de nós. O mar abriu um buraco negro e de repente coincidimos com uma paisagem que ainda não sabe da nossa existência. Dorsos altos com encostas cobertas de minerais, ocres, brancos, vermelhos, azuis. Ao meio-dia, cega, de tanto brilho. Todos os dias o vento leva a sua parte. Nenhuma pergunta, nenhuma resposta. O lugar não fala e vai desaparecer. Então é assim que as coisas são quando estamos sozinhos. Alexandra Lucas Coelho
Faixa de Gaza, 31 de Janeiro de 2009
Na perspectiva de um jornalista, é assim que as imagens de Duarte Belo são descritas; na perspectiva de um geólogo, não podiam ser mais idênticas. Aconselho a ver a (pequena) exposição na Rua da Vinha (ao Bairro Alto), sobre o vulcão, mas, principalmente em relação à visão que nós, enquanto humanos, temos sobre ele. As cores, as formas, os níveis de cinza bem definidos segundo camadas muito finas, o contraste entre o azul do céu, azul do mar, cinzas e pretos, negritude do fogo incendiário emanado das profundezas e, lá ao fundo, dois pequenos restos do que foram em tempos outros vulcões, num verde vivo, como quem diz, "um dia também tu te encherás de esperança".
Existe também o livro, do mesmo nome, publicado pela editora que tem acompanhado este autor/fotógrafo ao longo dos anos, Assírio e Alvim: custa entre 22.50 euros a 25 euros.

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