Saturday, April 05, 2008

Teatro Villarett- A Gorda (Embora seja o dia-a-dia)

Helena é gorda. Não vale a pena dize-lo de outra forma, a moça é mesmo gorda. Não é lontra, nem cheinha. É pura e simplesmente, GORDA. E, tal como eu sou sincera e frontal, também ela o é, e não se importa nada com isso. Sente-se bem com o corpo que tem, e, caso a coisa comece a resvalar a insanidade o resultado psicologicamente poderia ser grave e não há nada pior do que nos vermos obcecados com a nossa imagem, embora as Zaras, Mangos e companhias já comecem também a abusar no que toca a números de roupa. Está num restaurante a comer a sua 2ªa fatia de piza (espero que fatia grande, porque por experiência, só uma não alimenta ninguém). Tomás é um pão. Literalmente um pão. Não é apenas giro, engraçado, bonito, é mesmo um PÃO! Daqueles homens que são tudo aquilo que uma mulher precisa (conheço alguns, vá, para não dizer apenas 2!, assim). Fortes e lindos e esbeltos. Principalmente esbeltos. Nós podemos ser feias e tal, mas eles, devem ser lindos. É verdade. Digam o que disserem, eu não vou olhar para um tipo que aos meus olhos não seja mesmo mesmo giro (ok.. tive um pequeno desair na minha ultima aventura, mas pronto... feio é, bonito lhe parece). Tomás está num restaurante a comer a bela da salada. O restaurante da piza e salada é o mesmo. Tomás olha para Helena e vice-versa e a curiosidade leva ao namoro quase impensável aos olhos da sociedade moderna. Aqueles namoros que nós dizemos, "estragou-se uma casa", que não percebemos o que um rapaz tão lindo viu numa tipa como aquela. E Viva o Preconceito pelo FÍSICO! Começo a desconfiar que a Química das relações é só para inglês ver não? O namoro até corre bem. Ele parece gostar mesmo dela e ela dele, embora ela não seja parva de todo. Sim, Helena não é parva e como tal, sabe que mais tarde ou mais cedo haverá bronca quando tiver de conhecer os amiguinhos do dito-cujo. Amigos esses que valha-nos Deus! Joana é uma falsa. Ex-namorada de Tomás, irá de certeza fazer-lhe a vida negra, já Castro um outro colega de trabalho irá por em causa o relacionamento porque não percebe o que Tomás vê na "gorda" com que ele anda. Pura e simplesmente, no meio das gargalhadas que este texto acarreta e provoca, vem sempre aquela sensação de dejá vù. Estivemos todos naquela mesma situação mais tarde ou mais cedo na vida. Aquela coisa do ideal de beleza que é preciso ter para se ser alguém ou conseguir namorar com aquele rapaz tão janota. Mas é verdade. Ninguém é recepcionista num Hotel de 4 estrelas sem ter uma boa apresentação e imagem. A maioria dos anuncios comerciais pedem raparigas e rapazes com boa cara e já agora, bom corpo também. E em termos de ética empresarial, o/a chefe sempre pode dar umas abébias aos funcionários por serem mais atrevidos nos decotes ou nas calcinhas justas ao corpo, logo a imagem conta muito. E o resto? Serão as pessoas que se vergam aos parâmetros da moda, mais felizes? Bom.. eu estou novamente na casa dos 70 kilos, mas ninguém dá por isso à minha excepção. Noto logo que aquela banha está a mais. Mas perco peso com base em 2 litros de água por dia, muita comida saudável essencialmente e um ritmo nervoso que dá cabo dos ritmos nervosos de muito boa gente, Aahahahahahah! Adoro ver o pessoal a stressar com o meu stresse natural. Isto para dizer que sigo a moda. Ah pois. Antes não ligava, mas agora? Sou mesmo uma fashion victim.. e Acredito piamente de que a imagem não é tudo. A química das relações é também importate. E pode haver muita física, que sem química nunca de passa dos preliminares. Tomás e Helena têm tudo para serem felizes, desde que sigam o seu próprio coração e não a consciência dos outros.
A Gorda (Fat Pig), uma obra semi-autobiográfica de Neil Labute, um mormon com antigos problemas de peso e consciência por isso.

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