Thursday, February 14, 2008

Viagem de taxi...Conversas com taxista!

Hoje de manha, -porque embora perto, Carnaxide acaba (por falta de transportes) por ficar longe de Queluz (Queluz centro... e não Queluz de Baixo, Queluz Ocidental, Monte-Abrãao.. etc..)-, voltei a ir de taxi até ao Hospital de Santa Cruz, para fazer um exame muito simpático de Medicina Nuclear, o Renograma (Rins). O mais interessante desta longa e pouco perceptível abertura, é que para além de eu estar ainda ligeiramente radioactivada internamente, pude hoje, dia 14 Fevereiro, dia dos Encalhados por Opção, confimar que antigamente é que era! O taxista que me transportou podia já não ser muito jovem, podia falar em forma de chuvascal, tal não era o numero de perdigotos que eu via a saltarem para o tablier do carro, mas numa coisa teve razão: o Amor, hoje em dia, já não é para sempre como era no antigamente. Contou-me que está casado há já 53 anos, e nunca pela cabeça lhe passou divorciar-se. Um casamento nesse tempo, era para a vida, para o Bom e Mau, Saude e Doença, bla bla... Hoje, quem é que se casa com essa ideia de romantismo desenfreado? Casa-se porque é o passo a dar seguindo-se o namoro, mas se nos fartarmos, oh, então está bem, continuamos amigos e temos o divorcio. É tão fácil não é? Também é verdade que o Sr. Taxista, tem uma esposa das antigas: nunca trabalhou fora de casa e no dia em que ele lhe disse que ela não voltava a a ser modista de ninguém, ela assentiu, porque quem manda lá em casa, é quem veste as calças. Também me contou que não há coisa melhor do que ter tudo pronto quando se entra no lar: tudo no lugar certo, à hora certa, almoço e jantar feitos... Não é cá como hoje, em que "voces jovens... e os rapazes também, têm de cozinhar e fazer isto e aquilo..". "Bom.." disse eu, "os tempos mudam, sabe? Hoje em dia, todos estudamos, todos trabalhamos..", "Pois é.." disse ele, "mas antigamente, as raparigas ficavam em casa, a maioria da população portuguesa era nova, e éramos quase menos de metade do que somos hoje, logo, havia esse luxo..." E eu ponho-me a pensar... Hoje em dia, as mulheres querem ter os mesmos direitos, deveres e atitudes que os homens, não só por uma questão social, como também por uma questão de evolução humana e realização pessoal, mas não deixa de ser curioso que quando estamos sós (sendo casadas, mães ou não), e nos enfiamos num banho de espuma, ou temos um fim de semana mesmo feminino com quase tudo feito, ou temos um dia de folga para aproveitarmos experimentar novas receitas, tornamo-nos mais femininas outra vez e não muito diferentes do que seria há 53 anos atrás. Para muitas mulheres, estar em casa era realmente um luxo, pois significava que os maridos ganhavam suficientemente bem para sustentar famílias por vezes bem numerosas. Aposto que muitas donas de casa desesperadas gostariam de poder fazer o mesmo.

1 comment:

Mandrágora said...

É verdade...as coisas hoje em dia tornaram-se tão instantâneas que custa a acreditar.
Um casamento de um ano nos dias actuais equivale praí a 30 nos de antigamente.

Mas se as coisas ficam assim vejamos o lado melhor,embora as mulheres tenham um papel omnipresente também podem dar-se ao luxo de ser independentes e fazerem o que lhes dá na real gana sem que o marido interfira...

(algumas!)

E enfim,mimarem-se um pouco mais porque merecem.

Mudam-se os tempos,mudam-se as vontades!