Friday, June 29, 2007

Afinal em que estado democrático vivemos?

Bem sei que poderia estar a falar de outros assuntos bem mais importantes, como a menina desaparecida, ou as alterações climáticas que cada vez se sentem mais no nosso país, ou mesmo no que a abertura do Túnel do Marquês trouxe de bom, ou de quanto dinheiro gastei em telemóvel nos últimos 30 dias, mas parece-me melhor registar a minha opinião em relação ao estado anti-democrático que começamos a sentir... Pelo menos tenho plena noção que, face ao facto de ser estudante universitária, poderei ter o meu futuro (já de mim, não muito risonho) académico completamente barrado, se continuar, junto com a minha mãe, jornalista de profissão, a escrever mensagens de desagrado para o gabinete do PM, e outros ministros que tais. Não podemos esquecer, que hoje em dia, dizer mal seja de quem for, é sinónimo de sermos afastados dos nossos postos de trabalho, sermos alvo de processos judiciais, bem como, quiçá, se não algo pior. Venha o tempo e logo se verá. Realmente, nunca esperei ter que dizer que tenho algum receio da minha vida se tornar completamente inútil ao meu país (que já de si, também não se mostra muito preocupado com o que poderei fazer por ele ou não), pelo simples motivo de demonstrar os meus sentimentos perante determinadas pessoas (pessoas, humanas, tão mortais como eu... não mais nem menos importantes que eu), ou de dar a minha opinião. Aliás, como já referi em outras ocasiões, até pela nova lei do aborto, vi-me confrontada com palavras menos dignas de pessoas que se dizem minhas próximas, portanto, já deveria estar habituada a estar de bico calado. Contudo, não sei ser assim. Lembro-me de estar sempre a refilar por alguma coisa, e, se agora tenho realmente motivo para tal, não posso porque irei ser punida? Que caraças: O SENHOR PRIMEIRO MINISTRO É UMA NULIDADE DO QUE TOCA À LÍNGUA INGLESA (seja inglês técnico ou não), E É TAMBÉM UMA NULIDADE ENQUANTO PROMOTOR DE NOVOS IDEAIS POLÍTICOS PARA PORTUGAL. É melhor dar razões não é? Senão posso ir a tribunal: não se pode colocar o carro em frente dos bois. Se não estamos preparados para as novas tecnologias, não será obrigar pessoas com mais de 40 anos (que para todos os efeitos não têm mais que o 8º ano- antigo 4º ano), a aprender a trabalhar com elas, com o pretexto (esplendoroso) de que, se não sabe, poderá ser avaliada negativamente por um chefezinho qualquer, e que poderá então ir para o desemprego. Mas, ainda assim, venha o choque tecnológico. Da mesma forma, não é a dar computadores aos meninos e meninas do liceu que as coisas irão mudar no que toca à educação. É necessário um acompanhamento desde a infância para um futuro ensino, passe ele depois para um nível académico, ou somente fique por um curso de especialização profissional. Dentro deste tema, é bom também de relembrar que há cada vez mais casos de sucesso em alunos tecnológicos do que em alunos pós-graduados. Seria uma optima opção passar a prestar mais atenção aos cursos profissionais e evitar erros de continuarem abertas vagas para cursos superiores que não têm vazão. Para quê tirar Sociologia, quando o que é preciso é um técnico de mecânica, ou de informática, ou de electrónica? Contra mim falo: não vejo qual a necessidade de existir a licenciatura em Geologia com todas as suas variantes, em Portugal. Talvez faça sentido noutros países, em que para se fazer um obra, sejam necessários geológos. Cá, existem os engenheiros civis... segundo os próprios, servem para o mesmo trabalho; basta ir ao IST e ouvir o que eles dizem. O nosso país não precisa de geólogos, mesmo que haja cá alguma coisa nessa área, Portugal, agora não precisa. Mas existem outros cursos nos mesmos termos: quase todos da área de Letras, cursos para professores e educadores (quais educadores?). Chegámos ao fim da era inter-25 de Abril (em paralelismo com as eras glaciárias e inter-glaciárias), e voltámos à era do totalitarismo (esquerda ou direita tanto faz- que me lembre, Cuba é de extrema esquerda, e também não tem liberdade de expressão) desenfreado, com o arranque de uma nova PIDE. Isto faz-me lembrar aqueles filmes norte-americanos, cujas sinopses ocorrem nos estados do interior, aquelas pacatas cidadezinhas, onde qualquer coisa fora do vulgar e comum é sinal de anti-catolicismo e, como tal, devem ser exorcizadas e banidas para protecção da comunidade. (Se estiver errada digam-me, mas é essa a ideia que me dão). Meus caros... peço, tenham cuidado... nunca se sabe quem estará a ouvir por trás da porta, no canto do café, ou na tabacaria do costume.

Wednesday, June 27, 2007