Sunday, February 18, 2007

"Buraco do Ozono" e Aquecimento Global.

As alterações no sistema Atmosfera-Oceano também podem ser induzidas pela actividade humana. Existem hoje em dia tantas pessoas (aproximadamente 6 biliões) e as nossas actividades são tão invasivas, que os humanos tornaram-se numa parte importante da evolução física e química do planeta por inteiro. As alterações por nós provocadas não estão limitadas pela construção de prédios, barragens e autoestradas, assim como, pela destruição da vegetação natural de florestas e planícies; estamos também a alterar a composição da atmosfera em formas que podem afectar o clima global e até mesmo o nosso futuro enquanto espécie.
A história recente do sistema Atmosfera-Oceano, envolve modificações químicas criadas pelo Homem. Tanto uma, como o outro, estão a ser poluídos com produtos e por produtos da nossa indústria moderna e práticas agrícolas. Por exemplo, os fluorcarbonatos (CFC's usados como refrigerantes) atacam e destroem moléculas da camada do ozono na estratosfera. Até mesmo as quantidades mais pequenas de CFC's que são lançadas, modificam o balanço de Ozono diminuindo a sua quantidade e aumentando a área de perda, criando um efeito de "buraco", em ambos os pólos (por serem as regiões "achatadas" do planeta). O buraco do Ozono ocorre e desaparece consoante as estações, tornando-se mais evidente/ profundo, durante o Inverno, quando a produção de Ozono é naturalmente mínima. A destruição do Ozono estratosférico, aumenta a quantidade de raios UV que atingem a superfície terrestre.
O clima global é baseado na energia proveniente do Sol, espalhando-se de forma desigual pela superfície. Porque o calor é concentrado no Equador e difundido nos pólos, a circulação planetária ocorre na Atmosfera. Os ventos formam-se pela deriva atmosférica, sendo essenciais na circulação oceânica superficial, apenas com interferência dos continentes. A circulação profunda é elaborada através de diferentes desnsidades provocadas pelas quantidade de sal e temperatura. Em resposta, o movimento das águas no oceano modera as diferenças de T (Temperatura) no Globo. As diferentes zonas climáticas são o último resultado destas variações e têm um impacto óbvio em todos os aspectos do sistema hidrológico e da sua interacção com a litosfera (parte rígida da crosta terrestre, ou seja, da camada mais superficial da Terra). O seu papel na evolução da vida e espécie humanas não deve, pois, ser subestimada.
As alterações climáticas globais, provocadas pela actividade humana é um assunto importante a nível político e científico. Queixas e contra-argumentos abundam no debate político, sobre a realidade de um possível aumento da quantidade dos gases de efeito de estufa na Atmosfera, sobre qual a sua origem e sobre o aumento consequente de T. Do ponto de vista científico, os factos são bastante reais e pouco hipotéticos. Existem pelo menos seis pontos fundamentais para a interpretação do "efeito de estufa":
1. O Dióxido de Carbono na Atm absorve calor radiado da superfície e prende-o na troposfera. Sabe-se que existem determinados gases que absorvem a radiação segundo comprimentos de onda específicos dependendo dos átomos moleculares e do seu tipo de ligação química. Aos gases que aborvem a energia e, como tal, aumentam a T atmosférica, dá-se o nome de "gases com efeito de estufa".
2. As concentrações de CO2 têm vindo a aumentar desde 1800. A 1ª evidência veio directamente de medidas realizadas à composição atmosférica. Desde 1958, amostras regulares mostram que a concentração de CO2 aumentou de 315 a 360 ppm. Por outra via, através da extracção cuidada de bolhas de gás presas em gelo glacial, estendemos as medidas até várias centenas de anos atrás. Em 1700, o conteúdo de CO2 na Atm, mantinha-se a um nível aproximadamente constante de 275 ppm, mas aumentou para 360 ppm, nos últimos 250 anos.
3. O carvão, petroleo e gasolina (todos combustíveis fósseis) queimam a lançam CO2 para o ambiente sob a forma de um sub-produto.
4. O aumento de CO2 provém directamente da queima de combustíveis fósseis, não da emissão de gases vulcânicos, ou de outras fontes naturais. Este facto é revelado pela composição isotópica do carbono no ar.
5. A utilização de combustíveis fósseis aumentou drasticamente desde 1800 não só porque a população mundial também aumentou, bem como devido à Revolução Industrial.
6. Existe um consenso científico de que a T global aumentou 0.8 ºC, nos últimos 100 anos.
Interpretações: Pode-se afirmar, de uma forma genérica, que o aumento de CO2 atmosférico, provoca um aumento da T global do planeta, podendo esta estar também condicionada pelo aquecimento através dos gases de efeito de estufa.

4 comments:

Helga said...

Ora bem... tocas-te na ribalta- a bela da questão ambiental. Acho o artigo bem escrito e bem fundamentado. Defende bem o lado nefasto do aumento do CO2. Porém e já que procuras controversia, aqui fica um ponto a explorar. Também há quem defenda que estamos à porta de nova glaciação e que o aquecimento do planeta retardará o seu aparecimento.

Bom.. assim como há quem defenda que os niveis de CO2 sao ciclicos, como o individuo que escreve no blog abaixo enunciado.
http://mitos-climaticos.blogspot.com/2006_11_01_archive.html

caimos um pouco no campo da "adivinhação" quando se trata destas coisas.

Pessoalmente tenho a confessar a simpatia pela ideia de que as emissóes de CO2 vão provocar uma catastrofe global.

Não propriamente por desejar que ocorra, mas pelas medidas que terão de ser tomadas no sentido de a evitar. Nomeadamente a produção de "energia limpa" - que porporcionará independencia energetica do médio oriente.. e isso.. bom.. isso sim, sao boas noticias. :P

Clau said...

Tudo o que escreveste tem a sua razão. Realmente os ciclos de CO2 na atmosfera são cíclicos, senão não haveria forma de explicar determinados fenómenos bio-geo-quimo-lógicos que ocorreram na Historia da Terra, demonstrados pelo estudo das camadas de gelo polares, ou através dos sedimentos das camadas estratigráficas, por exemplo. Contudo, permite-me corrigir um desses pontos: o aquecimento global não irá travar uma idade do gelo; pelo contrário, acelera o seu desenvolvimento. Quando aquecemos o globo terrestre, proporcionamos a fusão das calotes polares ricas em água doce. Essa água doce, ao passar para os oceanos, especialmente o oceano atlantico que é responsável pelas duas mais importantes correntes marinhas: a corrente do golfo e a corrente das águas do atlantico norte profundo, irá provocar alterações ao nível da salinidade, que costuma estar associada à temperatura. Ao diminuir com quantidades elevadas de água doce a salinidade dos oceanos, paramos a circulação oceanica termo-halina, responsável pelo clima global. Em termos químicos, haverá entao uma maior concentração de carbono na água, porque já não há forma de o "desfazer" para maiores profundidades, e, através da evaporação, irá passar à atmosfera. Quando isso ocorre, produz-se de forma mais drástica um efeito de estufa, mas no sentido contrário. Os raios solares querem penetrar e fixar-se, mas as temperaturas atmosféricas começam a diminuir, provocando de novo o congelamento das águas. Claro que isto tudo é muito bonito de ser contado assim, e é claro que demorará Milhoes de anos, até ocorrer. Em termos de natureza per si, poderia até afirmar que a Terra possui mecanismos autónomos para provocar aquecimentos globais e idades do gelo, sendo que uma leva à outra e vice-versa. O que acontece nos dias que correm é que ao acelerarmos o processo de aquecimento global, provavelmente iremos depois acelerar também o processo de glaciação. Em relação às energias alternativas, tens razão em dizer que o médio oriente terá finalmente alguma liberdade, mas, ironicamente, será mais uma vez, dele, que o resto do planeta, dito desenvolvido, irá depender. Primeiro devido às energias não renováveis, seguindo-se das energias renováveis, que pecam pela falta de conhecimento dos cientistas. Falar do nuclear, sem pessoal técnico habilitado, é realmente um tiro no escuro, mas ter-se-á que ensinar as pessoas a viverem, conviverem e lidarem com isso.

Helga said...

Obrigado pelo esclarecimento acerca dos niveis de salinidade da água. Não tinha pensado nisso =))

Energias renovaveis? nuclear? entao e a eolica? a maritima? a solar?. É ai que estará o futuro. :P Não é preciso ir direitinho aos residuos toxicos para ter "energia alternativa". Depois no "dominio dos motoroes" também tens o etanol por exemplo. Que ainda só pode ser usado para diluir o petroleo porque não tem potencia para fazer mover um veiculo com o mesmo rendimento. Mas com certeza surgirão outras coisas.. não temos hipotese.

Anonymous said...

intiresno muito, obrigado